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Mostrando postagens de Abril, 2017

Bastardos de Novelas

Muitos querem aparecer
Mas temos poucos holofotes
Muitos querem só dormir
Mas esse frio é para os fortes

Acordamos e está tudo uma bagunça
Nas correntezas ao içar velas de mastros
Ouço vozes que dizem ser todas Eu
São as Cartas e o movimento dos Astros

Muitos levantam suas bandeiras e vozes
E eu só estou afim de levantar meu copo de vinho
Sou uma bussola quebrada, sem direção
E eu não estou afim de ir, apenas ficar ressentindo

Tento entender meus passos
Mas nem sei como anda esse nosso mundo
Tento estender os meus laços
Mas nem sei me amarrar por um só segundo

Nem ao pensar, nos libertamos
Somos presos em mentiras
E nem ao tentar, nos lideramos
Somos servos das mentiras

Partes do próximo capítulo já estão nas bancas...

Nova Lista de Canções Tristes

Nosso canto das meditações
Com nossos livros intermináveis
Nossa nova lista de canções
De nossas loucuras indecifráveis

Sobre com quem vamos competir
E quem vai nos completar
A tarde inteira dessas tarjas pretas
Os vícios a se contemplar

A foça é ter o domínio da fúria
Se segurando para não fazer alguma loucura
Deixando o sorriso em postura
E não tente entender as minhas fechaduras

No silencio de dias brados
E endiabrado com minhas portas trancadas
No sussurro dos alucinados
E os alienados já tem suas próprias amarras

Eu volto a me distanciar
Me reaproximar de mim
E eu volto a desacreditar
Me desapaixonar, enfim

Só volto e não me revolto
Já conheço o fim e entendo todos os desapegos
Só entorto e já ando torto
Não são uns goles que vão mudar meu sossego

Entre manhãs de café forte e noites de vinho barato

Nós já nascemos perdidos
Buscando por algum sentido
E sozinhos, nos iludimos
Nos alimentando de espinhos

Preferimos as belezas, as cores e perfumes
Paramos pra ouvir os outros e não nos ouvimos
Aumentamos o volume e como de costume
Não fazemos como planejado, apenas seguimos

Quantas vezes eu já quis ir e fiquei sentado
Quantas vezes eu não estava naquele mesmo lugar
Quantas vezes observei e só fiquei parado
Quantas vezes em prantos, eu sorri ao me mascarar

Muitas vezes tenho vontade de fugir
Mas me lembro que a vida real não é só fracasso
Muitas vezes tenho vontade de sumir
Mas me lembro que sou o palhaço e não o mágico

Muitas vezes eu não consigo dizer nada
Querendo explodir palavras pendentes
Muitas vezes eu disse que não ia mudar
Mas hoje eu sou totalmente diferente

Entre manhãs de café forte e noites de vinho barato
Cá estou, tentando entender pra que tantos horários

Inóspito Hospício

Ir ou ficar, ser ou estar
Se sentir, se sentar, ao ceder ou sedar
Sem ter, tentar e testar
Ao falar ou calar, cumular ou acumular

O lar de meus demônios
De meus sinônimos e antôninos
Premunição ao contorno
E só sabemos quem nós somos

Filhos bastardos de deuses pagãos
Com cicatrizes feitas de desenho
Criaturas, caricaturas da escuridão
Ouvimos melhor, apenas vemos

É, mas cada um, com o seu único sorriso
Na voz perdida em trilhos
Onde se arranca suspiro de poucos brilhos
Barulho infernal de atritos

Minha mente sangra
E coloco as minhas mãos nos ouvidos
Minha milonga tanga
Com guitarras turbulentas sem sentido

Não uso mais a desculpa de que o inferno são os outros
Pois nunca foram, sempre fui eu o meu próprio monstro

Serena (parte 2)

O mundo inteiro sumiu
E o meu olhar despiu sua alma dócil
Não me lembro de quando se despediu

Mas sei que as correntezas do rio
Nos redirecionaram em assobio
Sem pássaros, arrepio sem frio

Foste o desafio mais gentil
Que o Universo me presenteou fora do covil
Longe de tudo que fugiu e perto de tudo que partiu

Alimentados pelo sonho que nos uniu
Mistificamos constelações que juntos, nenhum de nós viu
Mas essa noite logo irá chegar e serão mais de mil...