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Mostrando postagens de 2017

Melindre e Esmere

Queria falar das flores, suas cores e perfumes
Mas, algumas são cheias de espinhos e venenos
Queria falar do horizonte, de sonhos e futuros
Mas o que está distante, não está em seus dedos

Aquilo que não se guarda, é algo que se perde
Desaparece sem deixar pista
E creio que a confiança seja um mero presente
É algo que não se conquista

Nem ao menos se reconquista ou simplesmente se caça
Queres a paz, então que você mesmo a faça
Nem tudo que brilha é taça ou nem todo olhar é ameaça
Sobre a esmola ser demais ou nem de graça

Sei que o menos é mais
E quem fala demais, eu nem paro pra ouvir
Sei que o menos é mais
E que eu jamais deixo de parar para refletir

Gosto dos mínimos detalhes
E de contrariar as suas informações
Não observo muito os lugares
E te contaria todas minhas infrações

Mas ainda não assumo o compromisso
De tirar horas de prosas ou para fazer novas amizades
Muitas vezes desconfiado, sou omisso
Embora eu tente em sonora desconstruir essa realidade

Sou de natureza melindre e esme…

Chuva Negra (parte 2)

Me refaço nítido
Transparente no olhar De pouco sorriso Minha Orbe, seu Luar
Deixo a ti, meu melhor E todo o meu pior Deixo a ti, os meus nós Desamarrados e só
Em formato desastral E olhar submerso Sou o espaço sideral Que te une versos
Mas sem a gravidade Para te pender ao meu solo Vácuo de neutralidade Sou o nada aos seus olhos
Há mil anos luz Amassei nossa poesia Sei de minha cruz E de minha kriptonita
A me enfraquecer Ou a me fortalecer

Antunes

Quantas poesias a tristeza já me trouxe?
Em quantas teorias imparciais eu já me perdi? E de escória em escória, há quem fosse Remendos em remendos das vezes que sorri...
Não sou a cura de seu porre, eu nem ao menos tento Não busco a cura de minhas neuras e deixo ao vento
Das vezes que a solidão me pareceu a melhor companhia Coloquei nossas musicas antigas em meu bolso e saí  Das vezes que a multidão se fazia de silencio em sinfonia Era como um clipe cinza de bandas grunges pra mim
Óculos escuro e protetor solar de uma Terça qualquer Observo o homem em sua cadeira de bar Olhando pra nenhum lugar, talvez vazio, talvez cheio Tão solitário e todos ao redor a conversar
O que se passa em cada Universo, nem dá pra saber Não sei nem o que se passa no meu ou como proceder
Nem deu tempo de ler meu horóscopo hoje...

Suco de Laranja

É tão difícil te adiar
E é tão fácil me odiar
Não é simples esperar

Por mais paciência
Que eu tenha adquirido
Com a experiência

O passar dos anos
Traz de volta
Vários planos

Do mesmo modo
Que desapega
Se senta, cala e sossega

Faz-me ir de um dia vazio
À um dia inteiro
Na mesa, um copo sempre cheio

Para alguns, é bem simples adiar
Deixar o domingo te procrastinar
Mas eu odeio postergar ou prorrogar

Mesmo num cochilo pós almoço - Vamos!
Nós sabemos muito bem onde estamos
Onde nos encontramos e acabamos

Sendo mais...

Ninguém vence uma Guerra (Quando muito se perde)

De longe é tudo tão pequeno
Menos a imensidão desse Universo
Costumo aparentar-me sereno
No conforto da escuridão, confesso

Sinto-me limitado e tento me superar
Talvez por fé, ou ao menos para eu tentar provar
O gosto que tem os sonhos, fantasiar
Talvez é pela solidão que eu tente me solidificar

O peito é um apartamento
A nossa mente está no ultimo andar
Em um, olhamos pra dentro
E o outro é quem nos faz deslumbrar

Mas tudo aquilo nos maravilha
Também brilha, vem e nos ofusca
E aquilo que não se compartilha
Não merce ser chamado de busca

Já se perguntou o porque das pessoas gostarem tanto de você?
Por que estão ao seu lado, ou, por que elas confiam em você? (...)

Sobre nós, nós nunca estaremos preparados
E por isso cada dia é um desafio, ao que vai se ocorrer
Não sabemos nem o que está ao nosso lado
Imagina então, o que está à um segundo de acontecer

Por que tentamos tanto nos engrandecer?
Não precisamos disso para viver, acontecer
Nos vendem trunfo para podermos obter
Aquilo que nós …

Entre Tônicas do Silêncio e Mil Vozes

Dentre vastas frases em vão
Uma me chamou atenção
Veio como um convicto não
Ou cheio de moral e lição

Disse-me

Os lírios não são assim tão bonitos
E os campos não são tão verdes
Aquele que sente, é mero distraído
É o ilusionista da própria mente

Estava equivocado
Não foi de veras, traído
Sentia-se enforcado
Do mundo, um excluído

Nós vemos só o que queremos ver
E de tanto ver, esquecemos das visões do outro
O que enfraquece poderá fortalecer
E vice-versa, vide versos, somos todos monstros

Anjos, Demônios...

Nós somos heróis e vilões
E às vezes, os singelos figurões a observar
Somos silêncios e sermões
Consciente inconsciências a desconcentrar

Pois também somos horizontes intocáveis
Assim, como nós também temos nossas paixões platônicas
Podemos ser compreensão ou indecifráveis
Dissonantes, ressoantes e cheios de assimetrias harmônicas

Estamos sempre aprendendo ou ensinando
Ou estamos nos arrependendo e a(r)mando

Viagens no Templo

Lagos esquecidos
Avenida da Saudade
Jardim Primavera
Bairro da Liberdade

Quando desce na Consolação
Fica mais distante
Dia cinza de qualquer estação
Esquina do gigante

De Vila Rica à Praça da Piedade
Rua da Forca e Campos Elísios
Parque Ideal, Via das Majestades
Casa das Orquídeas no 3° Piso

Vou à vários lugares
Para esperar por alguém que nunca mais vai voltar
Subo vários andares
Pra chegar mais perto de quem não posso alcançar

Aquelas nossas músicas antigas fazem-me, o saudosista
Transportam-me ao lembrar de um tempo bom, na pista...

Cedência de Redenção e Gradação

Ando perdido pela estação
De um destino desconhecido
Sem condição ou condução
Peregrinação, olhar dividido

As folhas desenham o vento
Não caem de imediato
Um choro traz o nascimento
Histórias de um retrato

Nada é exatamente aquilo que se vê
No peso que se carrega em um sorriso
O desespero na serenidade à mercê
Ou a escuridão que se reflete no brilho

Todo olhar tem um Universo escondido
Inteiramente vasto em estrelas ou vazio

A visão embaça de vermelho
Não são lágrimas de sangue
O reflexo se perde no espelho
E não é nada, nem foi antes

Todo olhar tem um Universo expandindo
De estrelas cadentes, mundos explodindo

E com o passar dos anos você começa a perceber
Que na vida não possui conta de ciência exata
Sem prazo para devolver sua alma ou reconhecer
Que não é só tática, pois na prática há pro rata

Libélulas

Eu deixo em aberto toda contra-argumentação
Mas se eu achar que nem vale a pena, nem prossigo
Opiniões já formadas por bolhas geram tensão
E merecem atenção até certo ponto, depois é perigo

Se é de direita ou esquerda, tem religiosidade ou ateísmo
Até o que deveria ser diversão entra nesse cinismo
É tudo a cultura de vendas, somos filhos do consumismo
São atores mascarando seu altruísmos em egoísmo

O que mais me irrita é isso causar comoção
A transformação e a transmutação da ilusão

Você luta tanto pra tentar ser alguém
Não compreendeu que você já é?
E você tenta acreditar em algo maior
Mas já foi presenteado com a fé!

Não deixe moldarem sua mente e seu corpo
Mesmo que ser fora de moldes seja ser louco

Enforcados

Me sinto cheio ao lado do vazio
É muito peso e eu necessito descansar os meus ombros
Mas me sinto inteiro ao sombrio
Sei que preciso livrar-me de meus monstros, escombros

Os meus fantasmas, eu já expulsei
Mas quando a mala ficou cheia, foi preciso livrar-me das tralhas
E muitas coisas ao lixo, eu joguei
Mas nunca imaginei que seriam tantas coisas a não me fazer falta

Estou sempre renovando minha bagagem
Afinal, é longa essa jornada e essa viagem

O único presente que eu sinto que seja real
É o conhecimento
Mas até isso o tempo pede de volta no final
E ao firmamento...

Ninguém aqui é algo eterno
Então muitos se enforcam com o passar dos anos
Tomam seu próprio veneno
Que sai da própria saliva, em suas cordas de planos

E administrar o tempo me parece algo tão vago
Pois é como se eu jogasse várias vezes os dados

Reflexo no vidro do Ônibus

Instintos diferentes
Destinos próximos
Aquele olá ausente
Altruísta e retórico

Se perdeu...

Ou eu que perdi
Sei lá, indo pelos outros caminhos
Ou eu que sumi
Nos atalhos, bifurcações, desígnios

Se encontrou...

Mesmo cheio de nó na garganta
Não se enforcou em gravatas
E fez da escuridão o seu mantra
Nos raros dias de sol e regata

Lado B...

Meu bônus de um dia cinzento
A conversa de olhares, silencio

Aita

Um poder total sobre o destino, não
Mas talvez uma intenção
Não sabemos quando está pronta a nossa criação
Desenho, escultura ou canção

O que temos é a certeza em contradição
Vários dias de contramão
Dias de presentes e dias de lição
Dias modestos e dias de ambição

Largo o meu linear na fúria contra a prisão
Tenho lampejos de concepção
Cheio de hesitação, ainda acredito na continuação
E muitas vezes inerte, tenho fé na elevação

Sei muito e sei tão pouco sobre aquele que sou...

Anchieta

O peso é leve pra quem já o carrega
A brisa leva quem levanta um pouco o rosto e fecha os olhos
Essa tormenta é só mais uma chuva
Tudo é sombrio, me sinto confuso quando estou muito sóbrio

Mas sobriedade não em abstinência
Não falo das ilícitas, mas de vendas

O peso de suas costas estão em suas malas
Ou tudo aquilo que você escolheu carregar para a sua jornada
O que te faz seguir, te protege ou te encara
Todo carro que passa, toda carona que para, a próxima parada

Mochileiros sem destino concreto
Só asfaltos, terras, Verão e Inverno

Esboço Sintético do Talvez Eu

Me perdi em esperanças
Me reencontrei nos medos
E me confundi em ânsias
Onde se exalava o veneno

Nunca fui de amar por amar
Mas entendi os meus desapegos
Talvez fui de sangrar, chorar
Passar mal, mas parecer ser seco

Com as lágrimas na alma
E o nó em minha garganta
Já vomitei muitas palavras
De derradeira desconfiança

Por mero orgulho meu, eu nunca voltei atrás
Muitas vezes arrependido
Eu tive uma insonia, que só a ansiedade traz
Nos sentimentos partidos

Ainda assim trilho o meu caminho sem ter medo de errar
De ser deixado ou deixar, ser questionado e questionar
Ainda assim caminho com extrema vontade de encontrar
Aquilo que eu sei que o destino faz questão renderizar

Eu...

Arbítrio

Sabemos o que somos e fomos
E sabemos de cada escolha que tomamos Na medida que nós crescemos Entendemos melhor o que nós queremos
Nascemos com mais de mil caminhos E com apenas um destino certo De olhar escuro e um brilho cristalino Poeiras de um Universo deserto
Em cada bifurcação ou contramão Somos culpados ou vangloriados  Em cada direção de autoavaliação Somos os acusados ou exaltados
Nós somos os Juízes do nosso próprio juízo E responsáveis por nossos lucros e prejuízos

Dizem que nós nascemos e morremos sozinhos Mas alguém te traz e alguém te leva Faça de seus sonhos realidade ao que está vindo Enquanto ainda se levanta da queda

Um momento e já vamos...

Fecham-se os ciclos e temos a escrita
Estreita e infinita, sem origem ou final
Armam-se os guerreiros sem batalhas
Munidos de navalha ao nada, o abissal

Nossa guerra dá lugar ao drama
Somos os seres de batalhas mental
E na deprimente busca por fama
Nos tornamos menos que o espiral

Somos meros escravos do que nos foi dado
O tradicional, casual e sentimental
Dobramos nossos braços e ficamos calados
Ao sensual, escultural e comercial

Somos mentiras comprando mentiras...

Eu Ilha

A cada impar ou par, a sua sorte
Entre a curva e o linear, um norte

Muitos seguem
E bem poucos que são seguidos
Muitos se erguem
E menos ainda, são os erguidos

Você pode nadar contra a maré
Na direção da terra à vista ou do fundo mar
Você pode buscar o que quiser
Mas não saberá ao certo o que vai encontrar

Temos sonhos e planos
Mas gastamos muita energia com o que gostamos, pensamos
Pensamos que gostamos
Nem tudo é o que parece, nem quando sorrimos ou choramos

Pois sou a vida de mil homens
Onde cada um tem o seu pensamento diferente
Sinto confusão quando um some
E me enlouqueço quando vem outro de repente

Ainda não sei se todas essas poesias que escrevi são minhas...

(U)Tópicos

Roubaram a inocência de Adão
E foi lhe oferecida a escravidão

A poesia do nascer e pôr do sol foi perdida por muitos
Que dormem e acordam no mesmo horário de bilhões
As belezas da natureza se tornaram tédio em conjunto
E as músicas de hoje, usam aqueles mesmos refrões

Fingimos não ver o fogo e os colchões sob as pontes
Ou o homem que anda descalço no frio
O tempo que sobra para observar o imenso horizonte
É o tempo que se transforma em vazio

Canso de dizer que estamos aqui só de passagem
Mas nos cobram pedágios para fazer esta viagem

Um aglomerado de fúria em frustrações
Apenas assisto o tamanho da queda livre
O escuro dos olhares e suas extensões
Onde lamento no fundo da alma sublime

Nos vendem uma felicidade que não existe
Sugam nossa fé, que é a única coisa que nos faz seguir
Nos dão direções onde só máquinas resistem
Pagamos um preço muito alto pela mentira que é existir

Roubaram a inocência do cidadão
Mas ele trabalha e pode comprar outra outro dia
Mesmo com o bolso sem um tustão

Cognição Abadia

Ver graça na desgraça
É a utilidade mais egocêntrica
A atenção se disfarça
E toda visão parece excêntrica

Não acredito mais em tempo perdido
Observo tudo como crescimento pessoal
Por mais que quase nada faça sentido
Observo a todos como um destino casual

O que amamos e odiamos nas pessoas são as suas atitudes
O que esquecemos dentro delas, são os sentimentos
O que queremos ou desprezamos fazem parte das virtudes
E o que esquecemos nelas é um imenso firmamento

Nós somos universos de diversos versos desunidos
E somos guerrilheiros de apenas palavras, munidos

Às vezes digo somos
Mas sei que poderia ser apenas eu
Às vezes perco o sono
Sem pesadelos, apenas meu museu

Planar

Por que tens medo de ser você
De explodir ou ser livre?
Por que tens medo de aparecer
De destruir e reconstruir?

Creio que somos gotas d'água
Que chovemos em lagoas e córregos estreitos
Algum dia chegaremos ao mar
Depois de tanto trovejar em ondas, satisfeitos

Não perca tempo sendo uma imagem
Estamos aqui só de passagem
Não perca tempo sendo a mensagem
Estamos aqui só de paisagem

E é o quadro que tem que nos imitar
Não podemos nos abalar ou nos intimidar
Somos o sangue e não tinta a retratar
Estamos sempre a renascer e a ressuscitar

Somos deuses de nós mesmo
Com poderes restritos a apenas uma órbita
Somos a ordem e o seu peso
Com um comando em serenidade e cólera

Somos a inconstância dos acontecimentos
No voo livre de um pássaro
Menores do que a vastidão do firmamento
O pouso livre de um pássaro

Vozes

Não venha me dizer que foi em vão Não venha me dizer que perdeu seu tempo Não venha me dizer que tudo acabou Que foram tudo, suas loucuras de momento
Não venha me dizer que perdeu sua fé Que ninguém dá valor ao que nós fazemos Não venha me dizer que seguirá a maré Que não tem mais forças pra usar os remos
Não venha me dizer que está tudo uma bosta Que nada se movimenta e que não recebe mais proposta Se onde você vai, você encosta, você se esgota Que não sabe mais a resposta, que seu Deus não mostra
Não cansa de culpar o Universo por seus passos Por seus lapsos e seus colapsos? Não cansa de culpar o Universo por seus traços Por seus cadarços desamarrados?
Falsas histórias retas em linhas tortas Se não abre sua mente, como quer que se abram portas? E se a cada missão dada, você aborta Não se preocupa e acha mesmo que alguém se importa?
Anotei cada voz em minha mente E me desprendi dessas correntes...

Palingenesis

Estamos tão distantes de nós
E os olhares distantes nos fazem lembrar
Do brilho, das cores em trovas
De um sorriso tão religioso a se parabolar

Nosso Universo gira em torno de saudades
Daquilo que ainda não tivemos
Nossos castelos desmoronam nas vontades
Em tudo aquilo que queremos

Somos a história do que não aconteceu, mas sobreviveu
Fantasiamos momentos de paz
E guerreamos onde o destino nos deixou e nos esqueceu
Fantasiamos momentos demais

Toda distancia é mental
Nem todo encontro é acidental
Toda crença é elemental
Nem toda história é descomunal

Mas são todas por si só, especiais
E as nossas por si só são espaciais

Será que toda poesia que nasce tem o seu próprio signo?
E que o karma é de fato purgatório em vida, retorno?
Será que todo acerto e tropeço tem haver com o destino?
Porém, ainda peço que adeus nos traga algo de novo!

Graças e Garças

Remendos na pele
Meus planos à luz de velas
Chinelos e meias
A porta da geladeira aberta

Minutos automáticos
Nada passa em minha mente
Recobro a consciência
E me pergunto inteiramente

Flutuo ao futuramente
Ao som de várias vertentes
Que mudam de repente
Que passam aleatoriamente

E que só de atravessar portas
Eu já me esqueço de novo o que iria fazer
E tento buscar nas memórias
Tão recentes, tão latentes desse anoitecer

Eram planos e poesias que eu não anotei
E eu imagino que elas voam para outro escrever
Foram partes de um dom que não segurei
E eu imagino que elas voam para outro acontecer

Não eram minhas...

Anacronismo Sonoro (E se...)

Para uns de nós
A música tem que vir com um sentimento
Mas para outros
Ela precisa ser apenas um hit do momento

Enfim, independente daquilo que você espera dela
Que assim seja, que ela te traga
Pois somos muito viciados na brisa que vem bela
Que nos embarca, nos embriaga

Fico triste pelo artista que vendeu sua alma e dom
Que faz qualquer coisa por dinheiro, qualquer som

Mas assim, bom mesmo é cantar pra Lua
Improvisando na cultura que se cultua
Com só os verdadeiros, originais nas ruas
Sem precisar ver se já passou das duas

Quero conhecer um novo Seixas ou um novo Cazuza
Que nos mostre as loucuras que vêm da música
Que nos diz mentiras sinceras ou tem medo da chuva
Que nos deixa perplexos e com a mente confusa

Já estou cansado de tanta música igual e repetitiva
Que toca em todas as rádio chicletes de minha vila

É pedir demais
Um novo samba de Cartola?
É pedir demais
Um novo Adoniran Barbosa?

E se isso, e se aquilo... Só nós podemos mudar tudo isso!

Idealismo Ingenuo

Uma intenção que vale
Sua tulipa de origami O perfume que se inale Seu mel, meu enxame
Sou aquele olhar aflito No tempo que para Junto ao peito descrito Sua franja, sua tiara
Somos muito de pouca conversa Platônicos de toda uma vida dispersa Somos aqui, a atmosfera reversa No caos, na gravidade e na promessa
Planos malucos de quem desenha Não escolhe suas cores Deixa fluir em toda a sua resenha Mas de poucos amores
Sou o Hoje cheio de passado No quarto calculo Olhar da noite, céu estrelado Silencio, vocábulo
Ainda somos muito de pouca conversa (...)

Estamos em Obras

Nós estamos em obras
Em meio a chuvas de veneno de cobra
Por hora, colhendo sobras
Mas plantando sorriso pra ver se dobra

Ver se multiplica e assim não se limita
Ver se infinita conforme se conjuga, se verbaliza
Ver a quem irrita e de quem o olho brilha
Ver o abrir dos braços enquanto a briza revitaliza

Nós estamos em construção, em edificação
Enraizando pilares, na sintaxe de galhos, frutos e ambição
Erguendo tijolos, colocando piso e iluminação
Capitulando e recapitulando, suando para ficar tranquilão

Somos essas máquinas de trabalhar e lutar para poder descansar
Mas ninguém tira o nosso sonhar, pois o que nos move é realizar

Ao Som do Cartolar

Só nadamos contra a maré quando percebemos que vamos afogar E aí já pode ser tarde, na maré da desigualdade ou do azar Há também a maré da felicidade, da liberdade e essa eu deixo levar Mas essa, não vendo por preço algum, ao som do Cartolar
Sinto um arrepio no assovio da flauta de O Mundo é um Moinho Eu sambo sentado com meu sorriso torto, minha cara de bobo e sozinho As musicas passam e passam, é de se notar num Outono tão frio Chão gelado e eu encarando o Luar, levo pra fora mas no fone de ouvido
(...)
Deixe-me ir, preciso andar Vou por aí a procurar Rir pra não chorar

Perfumes no Moletom

Mesmo cansado das palavras
Não fiz meu voto de silencio
Mesmo cansado das amarras
Não desfiz os nós por dentro

O que eu queria, era dar um tempo
Fazer um intervalo e ter hiatos
Para que eu pudesse sentir o vento
Ser sensato, acalmar o imediato

Deixei algumas das poesias de lado
Deixei de imaginar e me tornei
Deixei algumas fantasias no quarto
Deixei as composições e recitei

Se tudo virasse canção
Não precisaríamos ter as memorias
Se tudo tivesse atenção
Não contaríamos as piores histórias

Nós damos risadas do que já nos entristeceu
E choramos de saudade do que foi bom
Contamos piadas daquilo que nos enfureceu
E brigamos com quem rouba o edredom

Sobram perfumes no moletom, peso na consciência e fotos antigas
Sobram vontades de não deixar que bobeiras se tornassem intrigas

Antes do Meio do Ano

Viradas de ano e carnavais
Até que poderia ser mais Mas a quem estou enganando Se eu não fui feliz?
Uma sexta-feira da paixão Para um mero pagão É como o dia do trabalho Para um pais desempregados
Independência ou morte Crianças e a santa do norte Cartas para quem partiu E a monarquia não caiu
Passam-se os anos Traçam-se os planos E nada sai do lugar Continua girando
Quem sou eu pra determinar Se o seu ano foi bom Tudo me parece igual Na continuação desse som
... Que acabou

Estátuas de Sal (final)

Ria da verdade que deslumbra
Se reinvente e se algo te perturba
Se descubra ou se redescubra
Você é responsável pela sua fuga

Tudo o que vive, de quem é a culpa,
Se tudo o que faz são escolhas suas?

Assim como o dedo que aponta
É o mesmo que não consegue manter-se sublime
E quem paga pelas suas contas
É o mesmo que deve pagar por todos seus crimes

Repito, tudo o que vive, de quem é a culpa,
Da sua paralisia ou do movimento da Lua?

Os maremotos vão apagar os faróis
Não importa aonde a sua bussola irá indicar
Os ventos serão seus algol e atroz
Não é nos outros onde conseguirá encontrar

O entulho pra muitos, é caro
Sua liberdade só acaba na do próximo
E o intuito pra muitos, é raro
Apenas aceite ou seja seu próprio ópio

Torna-se estátua de sal, aquele que olha para trás
Quem não segue a diante, não encontrará sua paz

Inverdades

Levantar e acordar é não continuar caído
É ir além e superar a própria dor, o a caso ou o próprio a esmo
E inerente em si ter a certeza se foi traído
Pelo movimento, pela inércia, por alguém ou por você mesmo

Não basta conhecer, tem que saber quem é
Não tem idade para ser criança ou adulto, o que se tem é espírito
Não basta conceder, para crer tem que ter fé
Não deixem dizer que tem tempo pra tudo, pois ele não é omisso

O mesmo tempo que te cura, te mata
O mesmo tempo que ensina, também te faz esquecer
O mesmo tempo que você tem, te falta
O mesmo tempo que escurece, nos traz o amanhecer

No todo, aquilo que nos deixa seguro é a insegurança
É tudo tão contraditório entre o perdão e a vingança
E somos apaixonados pelas mudanças e constâncias
Pois a maior arma contra a traição é a desconfiança

Dizem que o louco perdeu a sua razão, mas
E quem perdeu tudo menos a razão, o que realmente é?
Dizem que o louco conversa com as paredes
E ninguém o convidou para conversar ou tomar um café

Domus

A calmaria dessa garoa fina
Disfarça todo desespero
As lágrimas não são colírios
Para os olhos vermelhos

Minha fé não fica estampada
No escuro, nos joelhos
A Lua controla fases da maré
E traz à alma, desapego

O farol me tranquiliza
É a Terra firme à vista
Evidente, indiscutível
Serenidade, conquista

Os galhos secos se tornam nítidos
Sob o brilho de cada estrela
A insônia e a vigília são espíritos
De minha extrema esquerda

Mil anjos e mil demônios
Na luta eterna de meu Universo
Mil sinônimos e antônimos
Não afogam meu ser submerso

Em subversão de valores
Na descrença sobre suas riquezas
Em subversão de valores
Na descrença sobre suas belezas

O meu sangue corre à cada pulso E assim descansa à cada impulso

Constante Impermanente

Me deparei com minha falta de fé
E contando meus passos perdidos
Me perdi e antes de chegar ao dez
Sabia que teriam muitos sofridos

Me reparei em um espelho trincado
Eu não sou perfeito, mas não estou rachado
Ao contrário de muitos mascarados
Que não enganam à ninguém, só ao retrato

Enganam a si mesmos e só, só
Não conseguem ter a força na voz
Nem quando a levantam feroz
E ainda tem coragem de dizer Nós

Aos alquimistas das palavras que mudaram minhas opiniões
Saber ouvir fez eu me sentir melhor e com mais informações

O fato de me encontrar já é difícil
Imagina o que é me encontrar em alguém
Mas não uso isso como precipício
E espero que minhas preces digam amém

Caminho em pontes de que na hora certa terei a pessoa certa
Atravesso trilhas e montes, em curvas e retas e sempre alerta

A fé pode voltar com frases de um desconhecido qualquer, na rua
No ponto de ônibus ou na mesa de um bar
Hoje a minha paciência reina, mas às vezes a ansiedade é ditadora
E tenho poucos lugares para chamar de …

Teias de Vidro

Silencio absoluto da mente inquieta
Ouço o pulso, a respiração e sei quais são as portas abertas
E eu até tento traçar planos e metas
Mas me parece ser superficial e nem tudo segue a linha reta

Pois teremos sempre algum imprevisto
Quedas e abismos, armadilhas ou esconderijos
Independente de qual seja o dinamismo
De quais passos sejam dados, nada está escrito

Premeditado ou estabelecido, principios
Pelo menos é no que eu acredito e reflito

Bastardos de Novelas

Muitos querem aparecer
Mas temos poucos holofotes
Muitos querem só dormir
Mas esse frio é para os fortes

Acordamos e está tudo uma bagunça
Nas correntezas ao içar velas de mastros
Ouço vozes que dizem ser todas Eu
São as Cartas e o movimento dos Astros

Muitos levantam suas bandeiras e vozes
E eu só estou afim de levantar meu copo de vinho
Sou uma bussola quebrada, sem direção
E eu não estou afim de ir, apenas ficar ressentindo

Tento entender meus passos
Mas nem sei como anda esse nosso mundo
Tento estender os meus laços
Mas nem sei me amarrar por um só segundo

Nem ao pensar, nos libertamos
Somos presos em mentiras
E nem ao tentar, nos lideramos
Somos servos das mentiras

Partes do próximo capítulo já estão nas bancas...

Nova Lista de Canções Tristes

Nosso canto das meditações
Com nossos livros intermináveis
Nossa nova lista de canções
De nossas loucuras indecifráveis

Sobre com quem vamos competir
E quem vai nos completar
A tarde inteira dessas tarjas pretas
Os vícios a se contemplar

A foça é ter o domínio da fúria
Se segurando para não fazer alguma loucura
Deixando o sorriso em postura
E não tente entender as minhas fechaduras

No silencio de dias brados
E endiabrado com minhas portas trancadas
No sussurro dos alucinados
E os alienados já tem suas próprias amarras

Eu volto a me distanciar
Me reaproximar de mim
E eu volto a desacreditar
Me desapaixonar, enfim

Só volto e não me revolto
Já conheço o fim e entendo todos os desapegos
Só entorto e já ando torto
Não são uns goles que vão mudar meu sossego

Entre manhãs de café forte e noites de vinho barato

Nós já nascemos perdidos
Buscando por algum sentido
E sozinhos, nos iludimos
Nos alimentando de espinhos

Preferimos as belezas, as cores e perfumes
Paramos pra ouvir os outros e não nos ouvimos
Aumentamos o volume e como de costume
Não fazemos como planejado, apenas seguimos

Quantas vezes eu já quis ir e fiquei sentado
Quantas vezes eu não estava naquele mesmo lugar
Quantas vezes observei e só fiquei parado
Quantas vezes em prantos, eu sorri ao me mascarar

Muitas vezes tenho vontade de fugir
Mas me lembro que a vida real não é só fracasso
Muitas vezes tenho vontade de sumir
Mas me lembro que sou o palhaço e não o mágico

Muitas vezes eu não consigo dizer nada
Querendo explodir palavras pendentes
Muitas vezes eu disse que não ia mudar
Mas hoje eu sou totalmente diferente

Entre manhãs de café forte e noites de vinho barato
Cá estou, tentando entender pra que tantos horários

Inóspito Hospício

Ir ou ficar, ser ou estar
Se sentir, se sentar, ao ceder ou sedar
Sem ter, tentar e testar
Ao falar ou calar, cumular ou acumular

O lar de meus demônios
De meus sinônimos e antôninos
Premunição ao contorno
E só sabemos quem nós somos

Filhos bastardos de deuses pagãos
Com cicatrizes feitas de desenho
Criaturas, caricaturas da escuridão
Ouvimos melhor, apenas vemos

É, mas cada um, com o seu único sorriso
Na voz perdida em trilhos
Onde se arranca suspiro de poucos brilhos
Barulho infernal de atritos

Minha mente sangra
E coloco as minhas mãos nos ouvidos
Minha milonga tanga
Com guitarras turbulentas sem sentido

Não uso mais a desculpa de que o inferno são os outros
Pois nunca foram, sempre fui eu o meu próprio monstro

Serena (parte 2)

O mundo inteiro sumiu
E o meu olhar despiu sua alma dócil
Não me lembro de quando se despediu

Mas sei que as correntezas do rio
Nos redirecionaram em assobio
Sem pássaros, arrepio sem frio

Foste o desafio mais gentil
Que o Universo me presenteou fora do covil
Longe de tudo que fugiu e perto de tudo que partiu

Alimentados pelo sonho que nos uniu
Mistificamos constelações que juntos, nenhum de nós viu
Mas essa noite logo irá chegar e serão mais de mil...

Hipnos

Recebemos o sono para sonhar
Ter pesadelos ou descansar
Percebemos que o erro é linear
Nada perfeito e sim circular

O corpo que não se movimenta
A mente superada lamenta
O espírito que voa, então venta
A visão turva experimenta

A Luz de uma simples prece
E sua fé, que não desaparece

Chamaleão

Me irrita o ato de quem observa o esboço
E critica meus rabiscos
Não é só por o lápis no papel e está pronto
É muito mais que isso!

Não dá pra obter resultados diferentes
Quando você faz tudo igual
É loucura, frase de Eistein e sua mente
Não nas paredes do hospital

Poucos vão entender todas as sua referencias
Só aqueles que convivem contigo
Eles comercializam nomes por sua existência
E colocam a resistência em perigo

É, são as ciências anti-sociais
Às vezes sinto a falta de chamar alguém de lar
São as crenças, somos banais
Há laços sem nós ou só cordas pra se enforcar

Mas aí, eu vou ou você vem morar aqui?
Quero cordas novas pra tocar
Ou quem de nós será o primeiro a partir?
Quero guerras novas pra focar

Espera, nem sombreei os pés na areia
Espera, nem pintei o céu de Lua cheia

Apólogos de um Vagamundo

Não sou telepata
Não entendo a mente humana
Muito menos a minha

Não sou acrobata
Não me equilibro muito bem
Muito menos na guia

Não uso gravata
Não me arrumo muito pra sair
E tenho péssima caligrafia

E eu não sou entusiasta
Nem pirata ou cineasta condecorado
Sou soldado de tropa vencida

Espero que algum dia Zeus jogue o seu trovão
Acerte meu peito refletindo em meus braços abertos
Que meus olhos brilhem mais do que escuridão
De sorriso maquiavélico, que possa ser mais honesto

Um sarcasmo de Fausto, apócrifos e sintéticos
Enganando Deus e o Demônio em formato poético
Em meio à escravidão mental do que é patético
Me sinto cético, mas me prendo à mitos exotéricos

Jogo as lascas, jogo os fardos
Garimpo relíquias de brechó ou bazar
Jogo as cartas, jogos os dardos
Lanço a sorte e não quero receber azar

Dei-me-ti (seu calor)

Estrela com olhar de constelação
Diga que será minha liberdade
Supere e se infinite de proporção
Diga que se fará de intensidade

E penteie minha barba com as suas mãos
Diga-me maldades com suavidades
Com carinho o pescoço cheio de arranhão
Diga-me verdades com habilidades

Na delicadeza de um sopro aos ouvidos
E eu tenho me referido ao seu gemido
Coração deferido de dois desconhecidos
Ao bom som, sou mais um destemido

Mas não arrependido de aventuras e da busca
Hostil, sombrio e aberto ao arrepio
Incógnita, das esculturas barrocas ou robustas
Suas poesias preenchem meu vazio

Estado civil, febril
As janelas se fecham e param de ventar
O frio se foi, tardio
Mas dizem que nunca é tarde pra tentar

De tanta ansiedade
Voamos tão longe para tocarmos o Universo
Mas tranquilidade
Eu não vou deixar o nosso tesouro submerso

Bulevar

Aqui,
Bem aqui
Onde
(...)

A diferença entre um dia de Luz e um de Escuridão
São os passos que se dão, de valor ou em vão
Com ou sem direção, pés descalços e o frio do chão
As mãos nas grades da janela à sua observação

Passamos dias de confusão e geralmente eu me pego distraído
Eu tive pesadelos horríveis e acordei paranoico
Tudo que vinha e ia, já tinha acontecido ou já estava destruído
Eramos receios de existência, recheios heroicos

Guerras de ego não levam ninguém à vitória
Nada aos próprios olhos e a transformação para o mundo
Guerras internas não escolhem uma trajetória
Nada ao próprio ser interior, mas uma explosão ao mundo

Em estações do ano, somos árvores em desenvolvimento
Não será sempre que daremos frutos
Mas também não é tudo sempre de força ou de sofrimento
Apesar da solidão livre como escudo

Mas eles já nos conhecem
Sorrimos mascaradamente com folhas de primavera
Mas eles já nos conhecem
Choramos com as folhas de outono, como se espera

Jardim de Rosas e um Céu Azul

Procurando errado
Fazendo prosa
Quem planta cacto
Não colhe rosa

Mas apesar dos espinhos
Eu prefiro mais do que as margaridas
Entre perfumes e desafios
As belezas que não estão escondidas

Elas se vão
Enfim, mas além de eu ter minhas preferidas
Elas se vão
E me fizeram acostumar com as despedidas

É, e nas mais queridas feridas
Eu me acostumei que tudo cicatriza
O tempo homicida nos ensina
Que nós estamos sempre de partida

Vai Verão e vem Outono
E assim, no ciclo, logo vem o Inverno e a Primavera
Entre a insônia e o sono
A espera se transforma em quimera ou em atmosfera

E eu volto a sonhar com aquele céu azul
Estranhamente, desnorteando para o Sul

Entre Infames Romances e Notícias Populares

Vivemos entre os infames romances e notícias populares
Mas a sua missão não é ser grande e sim de somar junto aos bilhares
Bares de esquina, igrejas, centros, praças e outros lugares
Teu ego te faz cego ao seu redor e te encarrega ao centro dos olhares

Muitos querem ser maiores do que aquilo que pregam
Mas há uma diferença enorme entre palavras e atos, muito banal
No fundo se acham o novo messias, então se entregam
Jogam as suas merdas faladas em ventiladores, em rede nacional

Se matar e roubar é pecado, por que continuam?
Vivem da gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e soberba
Se fortalecem da pobreza e por que continuam?
Pregam a humildade, mas humilham com a máscara da nobreza

Queria muito estar escrevendo uma poesia de amor
Pelo menos
Mas as vezes a fúria me consome com o pior sabor
Do veneno

Crusca

E esse perfume que chega junto ao som
Nas imagens, na memória do que ainda não existe
E esse ambiente transtornado, transitório
Transformando as conversas antigas no que reside

O que era comodo, cheio de ideias tortas
Agora é simplesmente insignificante
Na verdade, creio que nada mais importa
Além da espera de um novo instante

Na pressa de que o tempo não passe
Futuras fotos na estante e gavetas de meias abertas
Na pressa de que o tempo não passe
Aquecidos no lençol de suor e no chão, as cobertas

Quero não procurar mais
E quero pertencer mais
Quero nunca perder, mas
Eu quero proteger mais

Então, mudam-se as formulas e os formatos da manifestação
(Patético)
O que nunca muda é essa eterna explosão de infinta munição
(Romântico)

Semita (O que te falta?)

O possível homem livre
Apesar da escuridão, esperançoso
Em frente ao que oprime
Ele enfrenta ao tornar-se corajoso

Meu Deus, me dê forças
Para suportar toda minha fúria
Onde o silencio repousa
E minha mente usará a astucia

O possível homem grande
Apesar de toda escuridão, que sabe tem que usar
Almas nas costas, ofegante
Lamenta não poder se redimir ou poder se salvar

Meu Deus, não há perdão
Para suportar toda minha loucura
O mármore d'uma canção
E o fogo do inferno é mera tortura

Um homem na encruzilhada
Sabe que perderá tudo oque terá no caminho que não escolher
Entre uma caneta e a navalha
Sabe que perderá tudo oque terá no caminho que não escolher

E é aqui onde os traços a lapidar tomarão as suas formas
Remonto minha cabeça e sobram parafusos sem reforma

"O que faço? O que falta?"

Peixes (parte 2)

Não desista de sofrer
Pois vale a pena
E medos, são cautelas
Não problemas

Difícil é aceitar qualquer carma
Destino que nos desarma
Difícil é aceitar qualquer marca
Que não cicatriza na vala

As sarjetas da vida
Orquestra sem sinfonia
Cores sem poesias
A mágica sem maestria

Fiz canções e poemas que poderiam levar seu nome
Mas transformei em signos, símbolos e demônios
Alguns eu expulsei e outros foram meu inferno astral
Alguns eu tatuei e outros eu encontrei nos sonhos

Sou Agora (O retorno pra Casa)

Sou agora, a cama vazia
Na saudade dos corpos que me abitavam
E se enchiam inteiramente de vida

Sou agora, a musica antiga
Na esperança dos que ainda relembram
Em coro distante, sem melodia

Sou agora, a cidade horizonte
Na noite, com as luzes bem longe como pintura
Em um sopro de velhas fantasias

Pela janela ao som do carro
A Playlist que fiz pra essa viagem solitária
Onde a fadiga obriga e abriga

Desejos de voltar atrás
Não são raros quando se para pra pensar
No que se perdeu, no que eu tinha

Sabe... voltei a ver as velhas séries
A comprar novos livros e procurar novas bandas estranhas
Voltei com meus alicerces e vigas

Sou agora, o retorno pra casa
Em dias de Sol ou Chuva, Luz ou Trevas
Meu violão ainda cria (...)

Entre o Carma e a Calma

Eu gosto do céu
Não só no por do Sol, no horizonte da cidade
Eu gosto do mar
Do desconhecido e de suas eternas novidades

Eu gosto das ruas
Poucas luzes de sua complicada simplicidade
Eu gosto do mato
Longe de tudo, perto do mundo e curiosidades

Eu gosto do platônico
Em dias frustrantes de poucas inspiração
E eu gosto do irônico
Em meus dias claustros, pouca respiração

O caos sou eu
Faço disso um exorcismo poético
E a paz sou eu
Faço disso um exercício exotérico

Pois tenho dias bons e ruins
Entre o Carma e a Calma
E de todas historias sem fim
Encontro o preço da Alma

E até entendo porque muitos a vendem...

Peixes

Não é o aquário, mas sim o que temos dentro dele
Um dia importante é só uma data a mais
Não somos corpos, nós somos universos e átomos
Na inconstante busca por liberdade e paz

O que devemos fazer,
O que queremos ser, ou, a quem precisamos nos unir?
O que devemos fazer,
O que queremos ver ou do que precisamos nos suprir?

São as questões que nos movem
Mas são as respostas que nos param
São correntezas que nos movem
Mas são correntes que nos libertam

E eu sei que isso parece ser um pouco contraditório
Mas o que na vida não é?
Uma autonomia solitária, as canções sem repertório
Ou aquilo que nos traz fé?

A fé...

Pode ser um simples sorriso nas palavras que vêm de longe
Qual a presença que nós sempre procuramos?
Pode ser aquele feixe de luz que nasce e morre no horizonte
Mas e nós, onde é que nós nos encontramos?

Semântica

O ópio pode abrir sua mente
Ou te libertar de toda a realidade
N'ativa, presente ou ausente
Religiosidade ou espiritualidade

E ninguém é o que acredita ser
Somos livros e quadros a sermos interpretados
Do modo que o próximo nos ler
De comédia, drama, terror, romance e abstrato

E por isso, não julguem o livro pela capa
Experimentem e o conjuguem pela alma

O Terminal e a Simetria

Ouvimos tantas vezes
A mesma musica diferente
Como se um clipe acontecesse
Na mesma rua, no mesmo fone escuro

Lemos a mesma poesia
Que escrevemos para nós mesmo
Há alguns anos atrás
Pra esse ser do presente, futuro

O cara que eu sempre quis ser se foi
Estava com pressa
E viajou pra qualquer lugar
Pulou do muro

O quadro personificou
Muito mais do que o olhar captou
A fotografia eternizou
Muito mais do que eu calculo

Perdemos tanto tempo
Ou foi tudo um aprendizado?
Na verdade, será que ainda dá tempo
De alcançar aquele maluco?

Bem Aventurada seja a nossa Fé

Um monte de poesia jogada na parede da alma
Vandalismo pichado, fixado nos olhos
Os timbres, os graves deixam o silencio entrar
Buscamos o sorriso que seja um colo

A saudade e o novo nos inspiram ao seu modo
Em diferentes canções e pinturas
Imitamos horizontes e estradas, porradas e socos
Indiferente de atrações e aventuras

Nós não nos limitamos muito, só que nós temos limites
Mas a fé é essa força dentro de nós, que sempre insiste

Se não tivesse dado tantas vezes errado
Acredito que eu não fosse querer tanto que desse certo
Como mais um desses quadros abstratos
Tentamos, mas interpretamos diferente cada ponto cego

Bem aventurada seja a nossa Fé
Independente de onde ela vier...

Escoteiro

De tanto ouvir
Fiquei surdo
De tanto falar
Me fiz mudo

Mas de tanto observar
Eu nunca imaginei que ficaria cego
E é sério, não enxergar
No quarto colorido, eu pisando em legos

É assim, tudo é ópio
Todos se drogando do que é óbvio
Um mundo insóbrio
No meio dos instrumentos, o solo

O que sobressai
São esses momentos solitários, de paz
Escuridão eficaz
Pois na multidão, todos são um a mais

Não que eu ame ficar só
Mas às vezes precisamos de espaço
Pra explodir, desatar nós
E refazer com o Universo, esse laço

Mas logo eu volto
Pra sorrir e chorar com vocês
E logo me revolto
Pra sorrir e chorar com vocês

Pode até parecer regressão
Mas o recomeço é a solução
Pode até parecer regressão
Mas é um recomeço

Dissociante

Minha energia está furiosa
E faço preces de - que um mantra me acalme
Minha luz não passa pela porta
E peço amarras para que minha mão não te cale

Esse ciclo vicioso de Marte em meu mapa
Me deixa em constante declínio
Na esperança de um herói, com ou sem capa
Que me salve desse precipício

De onde acabei de saltar...

3h35 (Fila Des-harmônica)

Tem sido mais fácil acordar em toda madrugada
E acreditar que nada disso foi em vão
Que o destino é uma opção

Só tem sido difícil entender
De quanto passos precisa para um espaço
Queria continuar a tropeçar amarrando nossos cardaços

Tem sido mais fácil deixar tudo em perfeita simetria
Aquele transtorno obsessivo compulsivo
Solidão dançante, me dê motivo

Ouvindo Tim Maia, foi jogo sujo
Agora é tarde, não tem mais jeito, o teu defeito
Não tem perdão, eu vou a luta que a vida é curta, não vale a pena

(...)

Sofrer em vão

Uni-Versar

Muitos argumentam com religião
E outros com teorias da relatividade
Mas entre o Big Bang e o Gênesis
Fico com teorias do que é gravidade

Fazemos planos de ter um futuro bom
Mas como está o nosso presente?
Dentro do embrulho, surpresa, cupons
O olhar d'um poeta ao Sol poente

Só entende o brilho quem uni-versa suas estrelas
Transforma suas paixões em cosmos
Só entende o brilho quem uni-versa suas estrelas
Transborda suas paixões em corpos

Muitos argumentam com reflexão
E outros com teorias de particularidades
Mas entre um silencio e a canção
Eu fico com o grave de onde a brisa bate

E nós queremos ser melhores que os covardes
Mas como está sua presença?
Com medo de morrer e pressa que o dia acabe
Sua mente entra em desavença

Só entende o brilho quem uni-versa suas estrelas
Transforma suas paixões em cosmos
Só entende o brilho quem uni-versa suas estrelas
Transborda suas paixões em corpos

(...)
Só entende o Universo

Dizimistas e Dizimados

Será que um dia entenderemos
O porque de cometermos sempre os mesmos erros?
Será que um dia acordaremos
Desse sonho, que mais parece o pior dos pesadelos?

Toda essa fragilidade exposta
Um anseio de sair de leis impostas
E toda pergunta sem resposta
Em pesos nos ombros e nas costas

Quem desistiu de viver já deve estar em paz a essas horas...

Herói do Sorriso

Uma árvore que tem as suas raízes fortes como correntes
Não se defenderá de machados ou serras
Mas se ainda portar essas raízes, ela crescerá novamente
Dependerá de paciência e não de guerras

Eis o homem bom, que amarra uma corda no galho
Num balanço pras crianças que sonham
Antes ele era chamado de brincalhão ou de pirralho
Hoje é pai e não soldado aos que cantam

Ainda assim, um herói ao sorriso...

Castanhos (parte 2)

Somos as loucuras dos dias quentes
Somos o aconchego dos dias frios
Somos o sabor do ópio entorpecente
E somos o som das águas nos rios

É, mas não somos o toque
Somos horizontes
Nós não somos os bosques
Somos os montes

O vento silencioso que te traz calafrios
O ranger dos móveis em meio ao silencio
O que ecoa e reverbera dentro do vazio
A consciência que te liberta do bom senso

É preciso cair e é preciso mudar as direções
É preciso sair e é preciso surtar suas orações

A vida vai te obrigar a ver as coisas por outro ângulo
Não se irrite e aproveite as portas abertas
A sua mente quer ver além de quadrados e retângulos
Tende e pende a mais figuras geométricas

Depende de você mudar e evoluir
Não é só andar na contramão
E sim, moldar estratégias ao fluir
O diferente em determinação

E então seja a leve brisa que vento leva
Toque os braços abertos de quem espera

Chamas(Se)

Falam de cor e decoram
Frases e poemas de amor
E em cartazes colocam
Sopa de letras sem sabor

O que eu digo é verdade
Deixei queimar sem inflamar
De que vale essa liberdade
Se não se tem com que ficar?

Então é só me chamar
Me perguntar se hoje nós vamos sair
E se esse tempo fechar
Vou te chamar pra ver um filme aqui

Falam de um samba das ruas
Caixa de fósforo sem cavaco
A conversa já passou das duas
Já perdemos foco e o cansaço

O que eu digo é verdade
Gosto de músicas que ninguém gosta
Fazem caras de atrocidade
Mas que bom que tu sempre encosta

Então é só me chamar
Me perguntar se hoje nós vamos sair
E se esse tempo fechar
Vou te chamar pra ver um filme aqui

Novos Ortodoxos

A Luz gera Escuridão
Mas a nossa Escuridão nunca irá gerar a Luz
Reflexos na imensidão
Podem ser facilmente apagados ao que se conduz

Um Jesus de capuz
Pediu a divisão do pão e você simplesmente disse - Não
Um Jesus de capuz
Poderia ter te dado um sermão, mas já conhecia o seu coração

Vocês são alienados
As portas poderão ser abertas para um mundo novo aos seus filhos
E vocês estão preocupados
Com a imagem da família, esquecendo uma arma na gaveta em gatilho

O erro está no ópio que os cega
Os que abrem sua mente, vocês nem experimentaram
Há um medo ao novo que agrega
Conservem o amor e mudem as tradições que os tentaram

Abram-se ao novo, o mundo está em evolução
Deixem de ser ortodoxos e parem de fingir que são a renovação
Vocês são saudosistas sem respostas à questão
De que vale perguntar, se qualquer resposta gera uma interpretação?

Vocês mentem a si mesmo!

Nômade dos Pilares

O que se leva são riquezas
Mas de um modo que nunca observamos
Nem ouros e nem amores
A sua saudade não fará parte desse plano

Deixo-me ao ritmo da canção
Quando dividimos, multiplicamos
Uma sabedoria em evolução
Foi tudo o que sempre precisamos

Os nossos olhares são errantes
Acreditamos não ser, nós sonhamos
E as variantes são importantes
Acreditamos não ser, mas andamos

Nossos olhos nos enganam
Não tente entender seus amores ou suas conexões
Nossos espíritos emanam
Não tente entender as variantes, viva suas frações

Somos a soma de tudo isso
Fazemos parte da ascensão e do precipício
Somos a soma de tudo isso
Sendo os alicerces e as janelas do edifício

É, mas nós gostamos de olhar lá de cima
À observar o horizonte e absorver o clima