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Mostrando postagens de 2016

Calvinos

Sobre ser ou não ser, não ser uma questão
Talvez uma opção na contramão
Ou a contradição como opinião

O que realmente é ver na era da informação?
Onde tudo é tragédia ou decepção
Tolos não mudam com a sua oração

"Os ignorantes são mais felizes
Não precisam sofrer ou ter cicatrizes"

Sobre ler ou não ler, ser o seu leilão
Sobre ter ou não ter, sua tentação
Sobre crer ou não crer na criação

De tatos e contatos, o sim ou não
Do afeto e do afetado, a continuação
Aos reles e raros, a fascinação

"Os ignorantes são mais felizes
Não precisam sofrer ou ter cicatrizes"

Filólogos

O imã, é a atração entre os opostos
Só entende o prisma, os que estão dispostos
Brilham, os que se deixam expostos
Só entende a rima, quem faz com proposito

Nem toda interpretação está no recitar
Sorrisos de perfumes e dos sons à decifrar
Nem toda observação é feita pelo olhar
Sem apagar, por cima dos rabiscos a editar

Você já sabe o que é passado, presente e futuro,
Sabe onde quer estar ou está em cima do muro?

Verde, Seiva

Triste é a flor que não desabrocha
Sem manar, emanar ou brotar
Somos as águas do rio nas rochas
Esculpimos ao moldar, rachar

Reestruturamos todas essas pontes naturais
O que parece destruição, é um quadro inacabado
Não temos pressa aos que parecem surreais
E recriamos em alicerces do que já foi sepultado

A vida é uma sequencia e o mundo gira
O que fica em inércia ou intacto, não segue essas linhas
É quadrado e não se movimenta em ira
Busco novos mantras em mensagem sonora que inspira

E tenho como religião tudo o que é Novo
Original e estranho, mas não um estorvo

Ciganos

A saudade é mentirosa
Ela te faz voltar no tempo, enquanto você para
A realidade é perigosa
Ela é gravidade, onde a coragem é atitude rara

Os pulsos e impulsos ficam nos sonhos
Trazê-los para o corpo é uma força de vontade árdua
Os cultos e ocultos são nossas orações
Fazemos de fé, como se nós pudéssemos tocar a lua

Mas quando o passo é dado
Surgem novos horizontes e novas aventuras a desbravar
Errante, o solitário soldado
Marcha para a guerra, com pouca estratégia pra enfrentar

Ficamos à mercê do karma
Em velhos ditados de - Aqui se faz e aqui se paga
Pedimos paz pra nossa alma
Mas às vezes, nem sabemos aonde é nossa casa

Mas confuso mesmo
É ver pessoas perguntando para o seu Deus
Porque dá tudo errado
Sem ao menos fazer nada por um dos seus...

Flor e Ser

Intercâmbios astrais de uma busca
Eu precisava ouvir, eu precisava ler e ter habilidades
Recebi presentes de Vênus e da Lua
As constantes mudanças imploram pela estabilidade

Nós andamos lado a lado
Até que os nossos caminhos nos separarem
Temos missões e legados
Deixados por essência de sonhos e coragens

Tudo que envolva seu desenvolvimento, é muito mais que bem vindo
Tudo que envolva a inércia, é seu verdadeiro inimigo e seu precipício

Sei que todo herói de guerra
Deseja desfrutar de suas conquistas
Ter seu espaço e suas terras
Mesmo sem ter um manual ou pista

Seguimos sem capas
Estamos no meio um bombardeio, sem reforços
Seguimos sem mapas
Somos principes e herdeiros de nossos esforços

Crises existenciais só existem aos que não possuem suas escolhas
Aos que se aprisionam dentro de um sistema operacional, de bolhas

E para viver
Liberte o que precisa morrer
Pra renascer
Queime e se deixe florescer

Nível(ar)

Em percepções temporais diferentes
E onde cada um sabe o que te faz bem
Não cabe a nós comparar as mentes
É uma perca de tempo e vai mais além

Gostamos de hobbies, músicas ou artes
Que nunca imaginaríamos começar a gostar ou conhecer
Partir é deixar ir ou não fazer mais parte
De escolher, colher seus novos caminhos e se desprender

O desespero é o que nos infecta
Acreditamos, que o erro é humano
E o desapego é o que nos liberta
Pois não pertencemos à esse plano

Deixe a sua vida, deixe a sua gravidade
Você não se encontra por dentro se ainda estiver por fora
O Universo é muito mais que a verdade
Em Big bangs diários, o tempo é muito mais que o agora

Está mesmo preparado pra ir
Ou conseguir seguir?
Não deixe o saudosismo rugir
Aja, é hora de reagir!

E dos 7 bilhões de humanos invisíveis
Você prefere nivelar, ou, atingir níveis?

Concepções

Em nosso terrorismo
Incrédulos ao ver tanta mente trancada, sem saber amar
Nosso espiritualismo
Num Deus maior que os religiosos deixaram de enxergar

Ensinamentos interpretados
Que podem até ter sido corrompidos e deturpados
Não sabemos ao certo, Atos
Se é que bem me entendem, apóstolos renegados

Entidade dogmatística, natureza morta, abstrata
Onde maldades mascaram condutas
E a minha mente sempre reluta ao que se relata
Pois, são tantas verdades absolutas

Com toda a sabedoria do firmamento
Sem preconceito, nos deixe viver o tal do livre arbítrio
E com tanta riqueza de ensinamentos
É impossível que seu Deus queira ouro em santo juízo

Religiões não deveriam matar ou maltratar
Já pensou que o seu dízimo poderia estar no amor ao próximo?
Religiões não deveriam julgar e sim, juntar
Já pensou que o seu dízimo poderia estar no amor ao máximo?

(De)Nota-se

Essa realidade suja toda inocência
As tentações distanciam o amor
Você escolhe o que te faz presença
No frio, todos queremos o calor

Onde as madeiras podem se apagar
Em meio à tantos planos de fuga
Procuro quem tenha planos de ficar
E me traz sabedoria com loucura

A mistura dos sabores
O doce que vem com um toque azedo
Onde nós vemos cores
E na escuridão, esquecemos do medo

Dizem que eu ando na contra-mão
Mas apenas peguei outra via, expressa
O que te faz sentido ou te dá razão
Não é algo que busco ou me interessa

E se o que realmente levamos
São paixões e sabedorias
Por que então nós ostentamos
As marcas e não teorias?

Sabemos que na morte, iremos só
Mas viver sozinho é idiotice
Essa humanidade, é cheia de nós
De porcentagens ou índices

Não são meras questões de felicidade
Pois não é uma busca exata
E cada um sabe o que quer de verdade
Mas se atrasar, não há pro rata

Meio Assim (Sei lá)

Em um ciclo de ações
Um caminhão de emoções
Ou trem de reclamações             (Sei lá)
Dos tantos ódios e paixões

Ou as várias repetições
Intensas decepções
Porcentagens e frações           (Meio assim)
Frases sem reações

Estamos exatamente aqui
Corajosos à procurar
E encontrar algo sem fim
Ao menos, no tentar

Sonhar ao sorrirmos acordados
Parece até que, desesperados
Almas, em pedaços separados
E um quebra-cabeça de aliado

Tentando se encaixar de peça por peça
Em uma vida inteira, cheios de pressa            (Preces)

A verdade absoluta é uma grande ilusão
Nunca vamos entender o sentimento dos outros
Quem pode te libertar, é o seu coração
Nunca vamos entender as criaturas e monstros

O que precisamos entender
É que cada tropeço nosso, é cula nossa
Na sua atenção a se perder
Se prender, a guiar ou puxar uma carroça

Fazemos parte do nosso destino
Cheios de apegos e saudosismos                (Eternos sonhadores)

Discípulo dos Olhares

Se eu fosse menos sincero, poderia até ter mais amigos
Mas eu não me importo com a quantidade
E mesmo se essa sinceridade me trouxer mais inimigos
Sei do que preciso e quem sou de verdade

Que meras quimeras vemos nessa vida de lordes
Monstros sem forças para caçar, se prostrar, ou, rugir
Sinto pena de quem apenas late, mas não morde
De todos pulsos que o tempo dá, não consegue reagir

Se responda, para continuar sua caminhada
Sua natureza é selvagem ou é domesticada?

Somo(s)

Nós até somos o que somos
Parte do que fomos
E inteiros do que compomos
Uma arte sem dono

Dizem - Gente desinteressada me estressa
Corro e quase sempre estou com pressa
Eu digo - Gente desestressada me interessa
Não sou o melhor cara pra essa conversa

Mas gosto muito de discutir ideologias
E eu tento a todo momento mudar minhas teorias
Criar novas perspectivas em simpatias
Longe das velhas filosofias e em novas cafeterias

Ou um bar, cheio de críticos, filósofos e físicos
Falando do prisma que muda nossa percepção do que a Luz já é
Onde ouros e diamantes tem a cor do homicídio
Confusos nos valores antigos e invertidos maiores que amor e fé

Direitas e Esquerdas, sem um centro ou todo
São pessoas que se apaixonam por coisas
Perdidos na natureza de um pântano de lodos
São poucos que se apaixonam por pessoas

Somos a Matemática inexata do Universo
Somos um Big Bang raro de cada passagem temporal
Fazemos ligações, desligações e reversos
Deixo de lado com o saber se tem ou não, certa moral

Se…

Corre

Meditando sobre as flutuações
Entre maldades e boas ações
Passageiro da vida em canções
Lembranças, sonhos, frações

À mercê da gravidade
E grave, de se elevar
Presos pela eternidade
Deixam o vento levar

Entre os ganhos e percas
Ou choros e bençãos
Entre liberdades e cercas
Desprezo em afeição

E o momento de agir vem
Te pede impulso, sem pegar a distancia
Não há muito tempo refém
Saia do escuro, que ainda há esperança

Âmagos e Aspectos

Escravos desse mundo
Parece que o tempo passa parado Onde o tolo mais burro É o que segue e ergue teu legado
O líder de palavras repetidas O soldado que aceita missões suicidas O sacerdote que cria feridas E o missionário com a sua Luz perdida 
Todas as almas tem uma essência   Pessoas de mentes intelectuais, diferentes Onde podemos ver essa desavença De atos circulares, quadrados e recorrentes
O inteligente te dá exatidão e não te dá dicas O sábio diz frases para que você reflita O esperto se ajuda, mas às vezes te complica E o inimigo te engrandece ou te elimina 
E estes estão todos em seu caminho Mas também, são suas escolhas a seguir Há a maldade e a bondade evoluindo Mas dentro de você, uma delas vai surgir
Viemos para aprender, sem alguma beleza A como lidar com a nossa própria natureza

Meio Céu

Estamos em movimento
Mas nossas órbitas não colidem
De horizontes e templos
Onde nossas forças comprimem

Imagina o contato
E qual seria o tamanho do impacto?
Desastre imediato
Será que estamos sendo sensatos?

Vejo nas superfícies
Cores que não estão em seus solos
Índices de planícies
Perspectivas de abraços sem colos

Seguimos no ritmo das batidas
Mas às vezes paramos quando estamos acelerados
Seguimos de cicatrizes e feridas
Mas às vezes paramos para sentir essa dor calados

Gritamos alto ao nosso mundo
Fazendo nossa tempestade silenciosa
E levantamos castelos e muros
Somos absolutos em orações e prosas

Perdidos no poder do que achamos que é nosso
Apenas sorteamos cartas em meio aos destroços

Deus nos deu Asas

O sentimento do dia às vezes não está igual ao de ontem
E nem sempre está igual ao de 20 minutos atrás
A Lua transborda meu mar ao enfurecer as minhas ondas
E a minha maré toca bem mais que um mero cais

Puxa tudo pra dentro desse Universo, Atlântico
Mecanismo quântico dentro de mais um cântico

Fui simétrico o quanto pude
Mas comecei a delinear por bifurcações
Tudo era turvo e eu era rude
Mas comecei a me acalmar em canções

O que me salvou já estava aqui
Dentro de mim
Uma vontade imensa, de sumir
Sair de lá, d'ali

Eu fiz de meus silêncios, poesias
As minhas práticas, eu até transformei em teorias
Eu ainda tenho muita rima repetida
E sei que preciso aprender muito mais com a vida

Aquilo que eu leio ainda não me sustenta tanto
Reflito no espelho de infinitos do meu ser
E é dentro de um momento a sós em meu canto
Sem esperar acontecer, compor, escrever

Colei gravuras de absorver e observar
Perseverar
Mas tudo o que eu queria, era só voar
E assoviar

Amo Estórias sem Fim

O clube da solidão só tem um por sede
No lar de seus quartos escuros, onde não se perdem
Mas é bem onde toda lamentação procede
E sem alucinógenos, é onde a música os entorpecem

Eu gosto de viver e às vezes deixo de lado
As coisas que mais gosto, para aprender coisas novas
Eu não pertenço à solidão, nem à multidão
Pertenço ao momento e sou perguntas sem respostas

Sem provas, sou um Tomé confuso com toda essa visão
Quero saber, mas não vou procurar vidente nem previsão

Asfixia

Mãos ao alto É para a revolução ou é um assalto? Nãos em atos É para repressão ou é um planalto?
Superficial nas redes Mas profundo e sedento A proteção ao verde Enquanto, passa-tempo
Da fala boa e da dissertação impecável
O bom homem burro Nos muros a nossa impaciência notável  Berros em sussurros
Muitas vezes nós não levantamos bandeiras Com medo de nos envolvermos demais com toda essa guerra Então ficamos perplexos em meio à asneiras Só ouvindo e observando o que está sendo plantado na Terra
Difícil viu meu filho, saber que alguns frutos nascerão podres E que as raízes param no que é concreto Difícil viu meu filho, não saber qual será o perfume das flores Tubos de ensaio sem abelhas ou insetos
Eu deixei de amar o mundo E estou a cada dia mais inseguro De hipocrisias, me confundo E tento buscar forças, lá no fundo
Pra quem sabe, tentar viver (bem) Ou, ao menos poder morrer (bem)

Kairós

Meus olhares sempre estiveram em outros lugares
Direções bem opostas ao que eu observava
A visão ia mais além dos horizontes ou paisagens
Lá na imensidão, era Eu, que eu procurava

Cogumelo Vênus

Sínteses e sintéticos
Sem vidas ou artificial
O mal-estar estético
A semente superficial

Nesse caso o segundo plano é pior que o primeiro
Coisas que ficamos calculando tentativa e erro
É algo que falamos para o inconsciente desde cedo
E está em tudo o que fingimos que não vemos

Nesse caso é tudo aquilo que achamos que temos
Palavras pequenas nos termos que não lemos
Sorriso ou abraço surreal nas pinturas dos templos
Saber como lidar com tudo que é dos avessos

Mas o que realmente está de fato dos avessos?
Concordâncias entre preconceitos ou conceitos?

Tenho medo de mentiras e verdades
Acredito que nem tudo é ansiedade
Que o que acontece nas banalidades
São as facilidades longe das grades

Estou bem onde eu queria chegar com meus versos
Imerso e introverso, mas no centro de seu Universo

Não tente me entender
Tente-se
Não tente me submeter
Tente-se

Manicômio

Gosto de perguntas com mais de uma resposta ou mudanças
Nada exato, nem contraditório, apenas interpretações A música que expressa o sentimento em palavras ou danças E no que você prefere explodir ou dizer aos corações
O nosso olhar é responsável por pêsames e alegrias Nossa voz é responsável por fúrias e euforias  Nossa melodia é responsável por simetrias e teorias Assim como lembranças que eu não apagaria
O tempo passa e os loucos se transformam em gênios O tempo para e tradicionalistas nos roubam o oxigênio
Se o que queremos é viver Deixamos de lado alguns saudosismos Se o que queremos é viver Deixamos de lado todos os ceticismos
Há um reumatismo no romantismo de hoje em dia Algum mecanismo que não vimos fora das poesias

Gosto das conversas de anos atrás
Que continuam no agora, bem de onde nós paramos
Gosto de pessoas que não vejo mais
Mas quando vejo, parece que nunca nos separamos

Eu nem ligo por estar ficando mais velho a cada segundo`
A cada terceiro, grãos do Universo e formig…

Ossos de Carvão

Demoramos para encontrar o nosso lugar
E quando encontramos, querem nos tirar a força de lá
Demoramos para levantar e para superar
E quando retomamos a postura, querem nos empurrar

Mas expectativas
São a culpa do espectador
Que em tentativas
Prefere remoer e sentir dor

Demoramos para ter paciência e simplificar
E quando estamos em paz, querem desse momento, nos destronar
Demoramos para tomar ciência do purificar
E quando deixamos a escuridão, os nossos demônios querem voltar

Mas perspectivas
São a culpa do pensador
Que em negativas
Prefere recorrer ao amor

Demoramos muito para aprender a viver
E nem sabemos se nós vivemos de verdade
Demoramos muito para aceitar o morrer
E nem sabemos como é essa tal eternidade

Toda iniciativa tem alguma alternativa
Não deixe nada estar a deriva
Mas de todo final, não se tem esquiva
Não pense nisso, apenas viva

E sentir culpa, é tomar a consciência de seu próprio erro
Então assim, aprender, convivendo em meio ao pesadelo

Meraki

Estudos apontam números
Massas, densidades e teorias
E os insultos apontam tudo
Histórias de ovos e galinhas

Nós falamos com vontade de nos silenciar
Nós nos silenciamos com vontade de falar

E tudo que é imposto, nos causa repudio
Andamos ao lado dos trilhos para observar a paisagem
Ouvir o silencio das árvores e do mundo
E tapamos o ouvido, quando o trem está de passagem

Nós abrimos os olhos com vontade de fechar
E fechamos os olhos com vontade de sonhar

Felicidade é encontrar algum lugar
Onde queremos parar e ficar
Com pessoas legais pra conversar
E um bom som pra se escutar

Nós apontamos para's estrelas esperando quando uma cairia
Para fazermos um pedido, desejar e encontrar essa tal utopia

Pífios

Das vezes que quis andar por aí descalço
Mãe dizia - Não saia sem casaco
Das vezes que quis suprir o meu cansaço
Não tinha universo, nem espaço

Das vezes que ouvi mil vozes em pedaços
Meu espelho estava em cacos
Das vezes que na escuridão eu ouvi passos
Senti claustrofobia num abraço

Pessoas tão vazias nos olhares
Cheias de frases mudas pra falar
Pessoas tão perdidas em bares
Cheias de frases mudas pra falar

Os extremistas não compreendem
Que uma moeda tem dois lados
Regridem e agridem como podem
Irracionais, voltam ao passado

Caçam como vorazes animais ou como neandertais
Criam novos conceitos tradicionais
Querem respeito, mas não repeitam os próprios pais
E acreditam que a guerra trará paz

O que te prende ao vazio?

De tanto usar
Não pode nem degustar
De tanto burlar
Não pode nem recusar

As escolhas nem sempre foram fáceis
E as buscas nem sempre foram implacáveis
A redenção era direito de leis estáveis
E os olhares talvez fossem mais agradáveis

Não me sinto confortável em opinar
Na verdade acho insuportável ter que aconselhar
Não creio que seja confiável unificar
Na verdade acho mutável igual tentar desenfrear

Mas temos que nos movimentar
Cair e levantar
Mas temos que nos movimentar
Desistir e tentar

Vamos nos arrepender e até sentir orgulho
Essa é a confusão
Vamos trazer melodia em forma de barulho
Essa é a discussão

O que é realmente bom?

Castelos na Praia

Eu procuro novos pensamentos
Argumentos da alma
Dos espíritos que vão ao centro
Aos ventos nas asas

Procuro em formulas incalculáveis
Que não levam números
Mas somam e substituem variáveis
Peculiar ao que é incluso

E aquilo que é excluso
Procuro entender
O que posso e não uso
Sem compreender

As canções silenciadas pela opressão dos olhares
Orações enfezadas, infames, correções dos mares

Não importa o que a maré tenha levado
É coisa da sua cabeça
Eles querem seu moleque abandonado
Até que se enlouqueça

E esqueça de como era bom se sentir seguro e escalar todos os muros
Eles te querem aos cantos e em prantos, até que um dia você desapareça
E esqueça de como era bom sorrir e em apuros, desbravar os mundos
Surpreenda seus demônios e seus anjos, até que o que não sirva pereça

Ócio, Nosso Divorcio

Era só mais uma noite de verão
Em claro na escuridão
E o silencio ecoava sem fração
Sem sonhos, sem razão

Era só mais um dia qualquer
Passos lentos e a pé
As vozes de não sei quem é
Cigarros no cabaré

E quem vem chegando é só mais um
Indo para lugar algum
Tomar as suas doses de rum em jejum
Roupas de rapaz comum

Você me levou um Luar
E me deixou sem poder flutuar
Você me levou o Samba
E não deixou com quem dançar

Era só mais um despertador
Para aumentar minha dor
Ressaca, uma água por favor
Bem gelada, meu senhor

Era só mais um ônibus que eu perdia
Para melhorar meu dia
É, e quanto mais um ciclo se repetia
E enquanto não esfria

(...)

Diminutas

Intervalos temporais
De tempestade e vendavais
E tem mais, se distrai
O semitom se denota eficaz

Dos corações saudosistas
De mentes futuristas
Nesta vida somos turistas
Em olhares realistas

Não quero alguém que me faça esquecer de todo o meu passado
Mas sim, alguém que me tire da solidão que me prende lá
Não quero estar só por estar e sim no meu universo inexplorado
Escuro sem o Luar do céu, galáxia-quarto à se contemplar

Decorações e dementes
Algo soa reluzente
O artista foi inteligente
D'alma transparente

Às vezes o poeta nem falava de amor, mas interpretaram assim
Não era a angustia ou o terror, mas ele teve um triste fim
A tragédia e a comédia estão nos olhares, nas peças de marfim
A beleza na morte que não se vê, vira dó, lá, bemol em si

Onde tudo são reciclagens
E vêm em embalagens
De ferrugens em ferragens
Garrafas nas margens

Sem mapas do tesouro, mas sim, pedidos de Socorro!

Baratas

A vida é cheia de impulsos
Mas também é cheia estagnações em passados remotos
Sem controle, falsos pulsos
Na hora de agir, queremos desistir em meio à terremotos

E a tristeza é uma dor da solidão
No quarto escuro ou na multidão

A vida é cheia de intuitos
Sentidos de bussolas quebradas, memória sem fotos
Foco desviado em insultos
Na hora de refletir, somos ondas em espelhos tortos

E a tristeza é o silencio das cobertas
Medo, de quem deixa a porta aberta

Descansa se houver luz
Sonha se ouvir estórias
O desligado não produz
Ao andar sem trajetória

Eu me calo, quando começa a ficar repetitivo


Diamantes de Gelo

Viajo entre orgânicos e eletrônicos
Estéticos e sintéticos Vejo um corpo humano, mecânico Frenético, anestésico
Nas cordas do braço e nas vocais Expulso meus demônios Nas estradas passadas busco paz E no futuro, um encontro
A frieza traz escudos de gelo Facilmente quebrados pelo que é calor E se o tempo não devolvê-lo Demora para reconstruir o que é vapor
A metade dessa vida já foi vivida Ninguém quer a outra metade sofrida Então buscamos entradas e saídas E às vezes, tudo parece mera corrida
Mas se religião significa religar Onde nossas almas buscam sempre se encontrar? Pois os aprendizados são, amar Não de se armar, mas sim de se aliar e se realinhar
"Religiosamente" Os tais sábios pregavam a imortalidade "Religiosamente" Facilmente encontradas na moralidade

Charcot

Sou a soma de todo meu passado
Dos erros e acertos Do que foi perdido ou conquistado Polaridade e avesso
Sou reflexo de minha ganância
Refém de minha gula
Abstrato em desejos à distância
Platônico sem bussola

Meus horizontes são errantes
Busco estrelas do mar
Não vejo brilho em diamantes
Vejo nos olhos ao Luar

Minha capela é um quarto escuro
E os meus professores já morreram
Minhas intensões não tem futuro
E meus antecessores não nasceram

O tempo-espaço está em um quadro branco
Onde faço releituras do universo
Dentro das lacunas da poesia, eu sou franco
Respiro mesmo estando submerso

Em dias de Chuva

Em dias de chuva
Poucos estarão à brilhar
Agregue, exclua
Carregue ou deixe estar

Eles perderam a crença na concordância
Verbalmente à distância
E perderam fúrias dentro de arrogâncias
Literalmente na infância

Mas isso talvez nem seja triste nessas palavras
Então, pare a poesia
É só observar melhor cada degrau das escadas
Tolos seres em afasia

A inércia dos dias cinzas
O vento que carrega a garoa aos rostos
Vivem e fogem da brisa
A quem foi proposto e exposto, o oposto

De monstros e criaturas
Sonhos e loucuras
Múrmuros e amarguras
Em muros, misturas

Em dias de chuva...

Adeus Setembro

Adeus Setembro
Nem deu tempo de pedir uma música
É, passou rápido
Passos de um tropeço cheio de culpas

E eu que estava vendo
Mas que estava com medo da verdade
Outubro e Novembro
O fim, o começo, o ciclo e as saudades

Que bate, mas faz parte de mais um crescimento
Adeus Setembro, ano que vem, talvez nos vemos

Cinco de Ouros

A gente se perdeu
Um do outro
Mas resta o perdão
Como um soco

No meio do peito
Deixando lacunas d'um olhar
Parte do meu verso
Separar, escolhas à enfrentar

O quanto eu deixei
De lado ou no passado
O quanto conquistei
Que foi o fardo levado

Dos ombros
Mas também da alma
Dos sonhos
Mas também da casa

E o que me faz falta
Não é só de fazer falta
É que algo foi pauta
Parte de minha calma

E essa é uma inútil reação
Poesia sem canção
Que não atinge o coração
A tola lamentação

E seguir é a única opção
Levantar em qualquer direção
Ao sair dessa escuridão
Contemplar toda a imensidão

Você já pode virar essa página
E logo mais, retirar outra carta

Com Sequências

São tantas coisas
Que quando você tenta relaxar, fica mais tenso
São tantas bolhas
Que não sai, pra não perder a direção do senso

Universos tão pequenos lá fora
E essa explosão de várias supernovas no seu peito
O que mudou do antes ao agora
É essa vontade extrema, de deixar vela aos ventos

Não escolher mais um Norte
Deixar tudo à mercê da sorte

Acreditar um pouco mais num horizonte
Pois a cada dia o nosso fim está mais próximo
É nessa fé onde a fraqueza se esconde
Pois a cada dia o nosso fim está mais próximo

E não dá para acreditar
Que todo aprendizado ficará com o espaço
Somos egoístas à recitar
Pois acreditamos, que é nosso cada pedaço

Docentes e Discentes num Bar

Estranho é a sensatez parecer insana
Embaralho as cartas e tiro a sorte quase no mesmo lugar
Repito em azares de quem se engana
E se auto esgana, respiro como um trago do que é fumar

Me sinto mais vivo ao me matar aos poucos
E agir com a razão me parece coisa de louco

Se estamos nesse mundo para sermos felizes
Por que transformamos os melhores momentos em cicatrizes?
E por que os sonhos tomam outras diretrizes?
Esquecemos de ensinar e nos fazemos de eternos aprendizes...

Mestres de mestres
Basta parar um pouco para tentar ouvir, entender e refletir
Ou alunos de alunos
Basta parar um pouco pra desabar, desabafar e tentar sorrir

Jardim Necrópole

Mais uma vida se vai
Por um bêbado no volante
Inconsequente, inconstante
Hoje o cão errante, amanhã o viajante

Diante desse caos sufocante
Irritantes e dissonantes arrogantes
Dizendo-se seres pensantes
E nada redundante, nada interessante

Mais um segundo se vai
E o amanhã já é presente
Quantos anos já se passaram?
O que ficou tão diferente?

Demora menos pra dizer que ama
Do que tentar esquecer
E como é que isso se chama?
Tristeza do amanhecer

Do amanhecer sozinho...

Seu Alcides

Antes era mais fácil acordar cedo
Sem ter medo ou incertezas
Antes o pôr do Sol era mais bonito
Um rito na soma de belezas

Mas é só parar pra observar melhor
E ver que está cada vez pior
O descaso e a indiferença ao menor
Depreciado na gota do suor

Grandes escalas ou grandes patamares
Mansões em lares
Perto do esgoto, em madeirite ou lajes
Inabitáveis lugares

Construções que desafiam a arquitetura
Poesias que superam a literatura
A subsistência gerando uma nova cultura
Visões que vão parecer loucuras

Para quem não vê esse lado do muro, mundo tão imundo
Para aquele que não saberia o que fazer se perdesse tudo

Às vezes faço certo
E parece que fiz algo extremamente errado
Às vezes faço errado
E aí me parece que estou certo por um lado

Mas vejo também muita mente fraca
Que acredita mudar isso com o poder de navalhas
Seres sem salvação, ao olhar a farsa
Quem rouba da própria espécie é um mero canalha

Enfim, triste realidade Deus
Vivemos para aprender o que exatamente?
Sério, triste realida…

Em Sônico

Tudo parece perder o sentido
Ou você acredita nas verdades que lhe convém?
Explica a insanidade e o juízo
Como seres únicos sem justificativas de porém?

Tropeça em suas palavras
Se confunde nos próprios argumentos
Late aos cômodos da casa
Intercede ao vazio de seu firmamento

Os heróis perderão as suas capas
E aquelas estrelas no céu, não cairão nunca mais
O X será só uma marca no mapa
Mas ainda não pisará nos pisos diferentes, rapaz

Tentará esconder
A criança que ainda há dentro de você
Irá se arrepender
E do sistema, tu apenas ficará a mercê

De que valem os seus ideais...
(fala demais)
Se eles não te deixam em paz?
(mala demais)

Costa

E eu que gritei pro vento
Irrelevantemente
Os sons m'eram tormento
Inconsequentemente

As frases eram verdadeiras
Os medos, surreais
E as partes eram sorrateiras
Ladeira desiguais

Caí e quem vai me tirar daqui?

Torrencial

Apertada, a alma se revira
Cheia de rimas
Concreto alicerce sem viga
Lacunas vazias

Uns parafusos à menos
Das loucuras, o mesmo

Falaria mais
Eu tentaria sorrir
Mas por paz
Eu prefiro sumir

E talvez dessa vez
Eu diga estar bem
E talvez, só talvez
Eu finja estar bem

As correntes seguem alguns caminhos
Pra frente, mas sem saberem o destino

Em Sensatez

Garimpando caráter
Responsável pelas minhas verdades
Calculando as frases
De teorias, de práticas ou empasses

Onde uma obra diz muito mais que o autor
E a canção se torna mais racional do que cultural
O poeta guarda suas rimas no bolso do amor
E a harmonia multiplica o elemental no espiritual

Pois nossas escolhas são controladas
Falamos diferente e eles fingem que não entendem
Desde horizontes à estáticas apáticas
Andamos em outro pra frente, presentes e ausentes

Tudo tem um preço
Tudo tem um terço
Tudo tem um berço
E é tudo do avesso

É... eles nunca vão entender mesmo!

Em Finito

Voltamos à estaca zero
Adeus vampiro
Mais um olhar sincero
Me sinto vivo

E renascido, eu respiro
À sua versatilidade
Reflexivo, eu me retiro
Ao ver a insanidade

Língua maldita e mal dita, aqui não
Obscuro, em ascensão
Críticas de quem nem sei quem são
Ofusco, representação

Apenas acena
E aquele meu olhar blasé, não foi por querer
Mas que pena
Porque não há outro modo de observar você

E não é ódio
É meu pódio

Fale o que tu acha
Ouça o que não se encaixa
Uma guarda baixa
Um nocaute e a luta acaba

Esgotando as possibilidades
Sem entender o propósito de sua insônia
Limitando-se ao que já sabe
O veterano é aprendiz em cima da onda

A maré leva quem ela quiser e quem quiser ela...

Poltrona do fundo

Ao aceitar a cruz
Simbolizando algum peso
O caminho da luz
Junto aos hinos e enredos

Entregues ao seu tradicionalismo
Ficção que percorre gerações
Um presente dentro dos abismos
Onde a história faz ligações

E traz lições de moral ou ética
Livros sobre o inicio e o fim
A comédia e a tragédia poética
Uma Primavera sem jardim

O Verão de minha fúria
O Outono seco de mais um olhar
O Inverno que sussurra
Um frio vento a soprar e expulsar

Pra bem longe de minhas estações
Um Terminal para's minhas viagens
No silencio, nas turbulentas ações
Observando todas essas paisagens

Passageiras como um rito na janela
Orações, sorrisos
Canções sem símbolos e sem velas
Fones no ouvido

Venho me Preparando (...)

Venho me preparando para acreditar
Há tempos, só não sei no que
Venho me preparando para acreditar
Por hora sem norte ao correr

Na direção de algum sucesso imaginário
De algum sonho social formado
Na descrição de nossa sinopse, horários
De algum sonho social formado

Venho me preparando para acreditar
Com a fé de um inseto operário
Venho me preparando para acreditar
Num mundo cheio de estagiários

Nas palavras do missionário
Vertical a cada cenário
Em todo vento, involuntário
Aos humanos solitários

Venho me preparando para acreditar
Todas as crenças falam de recompensas ou salários
Venho me preparando para acreditar
Para um dia conversar com o verdadeiro proprietário

Espero essa verdade que nos libertará
E quero ver o que cada um de nós fará

Geloscopia

Em dialetos de  alertas
E Universos dentro de olhares
Horizontes nos sorrisos
Transformando almas em lares

Viajar vários dias em um
Na mente
E ficando em lugar algum
Contente

Que se pode tirar de uma simples respiração
Ou um abraço de saudade
Ao descobrir no real valor de uma reaparição
Ver a liberdade, a verdade

O Lábio e os olhos suavemente fechados
E quando se levantam em sua direção
Se transformam no seu susto sincronizado
Dando à entender a sua infame reação

O que se pode observar
É o que transparece
O que se pode ocultar
É o que te obedece

Mas é que normalmente
Sentimentos são fios rebeldes
Expondo as imperfeições
Que até o seu espelho reflete

E geralmente não se pode esconder
Como esse rir e soluçar, ao te rever

Iagê

Foi preciso pisar na Lua
Pra confirmar que a Terra é azul, redonda
E descobrir que há mais
Muito mais Galaxias no Universo, sondas

Satélites artificiais
Corpos celestes, orbe, estrelas, Supernovas
Não por telescópio
E aceitar de fora, essa tão significante prova

Somos grãos de areia, insignificantes
Nessa praia que não sabemos onde começa ou onde termina
Somos folhas da árvore, insignificantes
Levadas pelo vento de cada Outono o que Primavera germina

E se um dia sairmos desse corpo, o que veremos?

Orações, Panoramas e Aparências

Nada de machismo ou feminismo
Gerados por capitalismo ou socialismo
É dentro do egoísmo ou altruísmo
Idealizadas por civismo ou misticismo

Nossa essência tem qual porcentagem de bem
Sendo pela consciência, consequência ou Deus?
Criação, convivências, raso, maré ou margens
Aquele que ganha, é aquele que menos perdeu?

Vivemos num ciclo de perguntas
As repostas parecem exatas e lineares
Onde toda matemática se resulta
Quem pode estar em todos os lugares?

Digo que o mundo só está assim por nossa origem
Somos realmente filhos de um ser maior ou do pecado?
Uns falam de santidade e outros veneram virgens
Mas em pedaços, todos querem atingir o mesmo lado...

Um lugar melhor para crescer
Viver, aqui ou na eternidade
Um lugar melhor para morrer
Sem ter ou sentir saudades

Bom...

Que a espera não nos deixe parados sentados
E que a fé, não seja a arma dos desesperados

Populário

Frases carregadas, das mais variadas opiniões
Passes e pontos coletivos
Classes em escassez e as canções sem refrões
Bases saudosistas, ciclos

As novidades chegam e sofrem preconceitos
Roupas e cabelos diferentes
E cidades cinzas em seus próprios preceitos
Olhares e gírias referentes

Polos distinitos, sotaques, folclores e lendas
No reconhecido, reverenciar
Solos e instintos, extintos dentro das vendas
No desconhecido, generalizar

Cale a sua boca, um pouco
E ouça as canções do povo

Lasso (...)

Em planícies platônicas
Um monte de horizontes
Harmônicas, tectônicas
Onde o amor se esconde

A verdade só existe na razão
Pensar, agir, que não seja só com o coração
Substâncias podem dar visão
Mas trate de poli-las, antes de usar reflexão

Entre tons do edredom
E ao som do que é bom
Sem entrada ou cupom
Só de meias e moletom

Sonha e nem se lembra
Quantas vezes nós nos perdemos no tempo?
A luta que não enfrenta
Quantas chances tivemos de surpreendê-los?

Reflexo na água (Do que talvez seríamos)

De tempo em tempo eu me sequestro
E faço jus ao nome cárcere privado
Às vezes me amo e outras me detesto
Sofro machucados e sou cicatrizado

Me alimento dos conhecimentos
Alguns faço digestão e outros eu apenas vomito
De raros infinitos e firmamentos
Nos espelhos que me reflito, na maré distorcido

Quem sou?
Qual é a minha missão?
Onde vou?
E até - Qual foi a lição?

Parece que nós não aprendemos nada
Onde eles dormem eu acordo
Em cada informação que nos foi dada
Onde desistem eu me esforço

De Baixo da Árvore

Eu sou propício a vícios
De quintessência, oficio ou sacrifício
Nada fictício ou factício
Fazendo do amanhecer um exercício

Mesmo que seja difícil a cada inicio
Ao construir andar por andar de meu edifício
Suprindo todo pilar com um artificio
Ainda que em desperdício, alguns benefícios

Estou deste lado da Lua
Sou aquele que apenas observa
E estou sentado na Rua
Saboreando um perfume de Eva

Mavórcio

Ou tu age ou nada
E ainda que haja nada
Só você faz a sua jornada
É o soldado que marcha em suas batalhas

Mesmo que dentro de conselhos
Eu veja espelhos nos olhos vermelhos
Recomendações que ao fedelho
Parecem de quem está a meter o bedelho

Seria mais fácil aprender com os erros do mané
Mas somos como Tomé dentro de nossa fé
Temos que ver como tudo realmente é
Queimar a língua no café ou ir contra a maré

Ou tu age ou nada
E ainda que haja nada
Só você faz a sua jornada
É o cavaleiro que marcha em sua cruzada

Camillo Armorier

A mesma de ontem
Vestida de pouca luz pra hoje
Iluminando só o necessário de outra noite

Traz concelhos horizontais
Dos incontáveis seres gigantes
Sendo grãos de areias errantes e gritantes

Diz em voz de sussurro
Vento do Norte, perfume de calma
Que arrepia a alma e abre as minhas asas

De repente, involuntário
É apenas um salto solitário, destinatário
Da cachoeira, cenário, santuário, mas o meu sacrário

E aqui, o meu sepulcro
Sem mais, sem futuro ou tumultuo
Mas sem paz e sem múrmuros, só o meu tumulo

Os maços de cigarros
Ficaram no banco de traz do carro
Na esquina de um bar, à que não mais me agarro

As provações
São provocações do Universo
Ao homem honesto, silenciado e incerto

De onde estou a sufocar
O arrependimento não pode matar
Apenas maltratar um lugar que desejei chamar de lar

Colinas e Neblinas

Às vezes queremos dias rápidos
E esquecemos o medo da morte
À vezes queremos olhares raros
E nem vemos que temos a sorte

Falamos de viver dias intensos
De termos e amores imensos
Falamos de extenso, de sensos
Quem sou, à quem pertenço?

O louco confunde o sábio
Porque o sábio, não sabe nada
O gosto confunde o lábio
Porque o lábio, não era de fada

E o seu Deus é o mesmo
Mas ao mesmo tempo, ele é tão diferente do meu
Universos de propensos
Constelações, contemplações, o Signo, a Lua, Eu

Noite de mil perguntas
Zero absoluto de respostas
Noite de estradas, ruas
Sem ter chão, só encostas

Colinas e Neblinas
Desce a Serra
Se inclina, cristalina
Água da Terra

Arnaldo

A fusão dos seres
A junção dos prazeres
A função dos treze
Alucinação e quereres

Confundindo a si mesmo
Consumido de pensamentos
Conduzindo o firmamento
Constituído de fundamentos

Influências diárias
Indolências primárias
Inocências, piadas
Inconsequência citada

A fé e a crença das crianças
O homem da mente fraca
Teorias francas de alavancas
Onde a evolução em paca

Levaram seu Deus, seu Papai Noel
Levaram seu amigo ou seu cão fiel

Ficou esse adulto gélido
De um futuro pretérito
Ficou um insulto honesto
No fruto de um gesto

E o silencio que tanto queria, paria
O momento que tanto pedia, passa...

Apenas, Só...

Esse sentimento
Que temos pelos outros
É o que nos faz seguir
Mais forte que o sentimento
Que temos por nós mesmos

Esse sentimento
Que temos pelos sonhos
É o que nos faz reagir
Ao relento, frio, sol e vento
Mesmo acordando mais cedo

Às vezes tenho uma pré disposição
Para ficar indisposto
Em uma leve decisão e uma reação
De lavar o meu rosto

O que eu estou fazendo acordado?
O que foi todo esse tempo parado?

E dividindo o que foi levado ou separado
Sem o mesmo valor
Multiplico o que foi lembrado, sussurrado
Sem o mesmo sabor

Agora, melhor ou pior
Só eu sei, apensa, só...

Praças, Botecos, Esquinas e Filosofias

Depois da descoberta do fogo
A ramificação
Onde toda evolução se tornou
Sua devastação

Podem até te dizer não
Mas aceitar é só uma opção
Da sabedoria que não
É entregue ao povo ou nação

Que não teriam a noção
Do que fazer com tanta informação
Na divisão ou separação
De continentes-classes, subdivisão

Emblemas de cor, para a opressão
E cruzes para inquisição
Nascido em meio à pecados pagãos
Dos que se dizem cristãos

Frases confusas em cada ão
A seda era o bloco de notas do cidadão
Rima estúpida em cada vão
Na taça de vinho do já filosofo e ancião

Mas era cada coisa que eu ouvia
Que virou teoria
Era cada lacuna que se preenchia
Que virou poesia

Crônicas sem fim

Fidelizar sorrisos
Se dedicar e ter compromisso
A Lua em Marte
O Sol que rege o meu infinito

Escolhas e destinos
Atalhos e caminhos

O escritor e seus personagens
Em trajetórias sedentas de confusão
O que cede e os que sucedem
Se procura ou não, trazer uma lição

Talvez alguma ligação com a próxima história

Incrédulos Confusos

De chuva, roupas sem secar
Dilúvio que cobriu as casas
De luva e os dedos a rachar
Discurso, demônio de asas

Inconstantes tropeços em mentiras
Nos fazem cair na real
Grande oração em agradeceimento
Na consciência do leal

A fé que tens e a ordem que mereces
E quem vai ouvir a suas preces?
A vida que tens e o olhar que perece
E a quem te levantas, te atreve?

Ordenam os Astros
Mas nunca, seus Atroz
Levantam o mastro
Nas escolhas e no após

Os ventos e os caminhos
Nas ondas, seus destinos

Daniel (Sem Covas)

O meu recanto de canções
Paixões diversas
Sem pranto ou lamentações
Questões à veras

E o que haverá?
Ou, quem verá?

Deixem as fábulas de lado
Inversões e invenções
Deixem as ficções de lado
Intervenções e versões

Todos são os sábios de seus mundos
Universo, firmamento e orbe segundo

A empatia é só um talvez
Nunca saberá o real sentimento dos outros
O porque e como ele fez
Substantivado, jugado, conjugado monstro

Não é você mesmo quem diz...
Que no final, só Deus é o juiz?

Primatas

Afasia, se estão achando que tão bombando
Repetiram de ano, repetiram os planos
Mas quem disse que retroceder é se atrasar
É preciso reaprender para se renovar

E quem fazia era a dona do lar
Dormia mais tarde e bem cedo a se levantar
Que estava sempre a cantarolar
Eram suas mãos frias de suas roupas lavar

As verdadeiras mulheres são anjos de sobrados
Cuidando daqueles que se acham grandes e marmanjos
E ainda ouvem desaforo de calango sem cerrado
Que diz que faz sacrifício, mas não faz o próprio rango

O pior, é que são vários machistas
Reclamando dos racistas
E falando do imperialismo nazista
Sem ao menos ser realista

(...) E eu

Eu lavei as minhas mãos por esses reles mortais
Seres banais
Boçais sem paz e ainda dizendo que sabem mais
Mas nada faz

Melopeia

De poesias à sonatas
Intituladas por suas datas
A bela cidade pacata
De bailarinas e acrobatas

O perfume da mulata
Todos os frascos, garrafas e latas
Cachoeiras e cascatas
De quem vence, perde ou empata

Músicas que dizem muito mais sobre você
Do que você mesmo
Canções que te fazem lembrar ou esquecer
Alegrias, sofrimentos

Mas também, tabacos de quem não traga
Vinhos de quem não se embriaga
Concelhos na doçura de quem se amarga
São caminhos de quem não viaja

É dos pés no chão de quem apenas voa
Que não protege da chuva, só da garoa

João

Estamos sedendo
E cada vez mais, nós estamos nos devendo
Somos o remendo
Ainda faço as minhas anotações e adendos

Estamos em crescimento
Somos muros e pontes vindas do cimento
Sementes nesse momento
Para os frutos que ainda estarão nascendo

Conheça-te a ti mesmo
Na verdade que você ainda não está vendo
Seja a água, seja o vento
E nas suas pegadas, seja o acontecimento

Hegel

Sociedade ópio
Um bar em cada esquina
Várias igrejas nas ruas

E eu que ando sóbrio
O que eles dizem da minha mente
É que a minha mente é bem maluca

Montanha das aparições
Alameda das falhas
Pantano das lamentações
Castelo de fantasmas

Mil Universos de vagos mundos
Vórtice de objetos perdidos
Tempo-espaço do vácuo segundo
Buraco negro nos sorrisos

Uma escadaria dos réus
O palácio das injustiças
Entre o inferno e o céu
Líderes de suas cobiças

Nós questionamos sobre os reais valores
Precificamos quase tudo
O que está entre o consumo e os amores
É apenas desse segundo

E não nosso...

A Pé

Passos lentos
Do que já está acontecendo
Alma do avesso
Sonhos fora do travesseiro

Entre a Estação e o Terminal
Caminhos que eu já sei onde vão dar
E no verso, o seu ponto final
Página virada, novas linhas a decifrar

Essa pressa que seja tarde
Um dia me mata
Não é só força de vontade
É dar um basta

Acreditar
E na esperança, só esperar
Se dedicar
E na temperança, temperar

Mas sem alicerce é suicídio
Sempre tem algo que sustenta o sacrifício
Alguns sonhos substituídos
Em cruzadas, destinos a serem escolhidos

Andei só para observar melhor as paisagens
E observei melhor a vida e suas engrenagens

Antes da Seis

A raiva imposta na parede
Não derruba nada, nada
Enquanto mais um sorriso
Adentra qualquer morada

Ou qualquer muralha
Igual ao vento e as águas
Os anjos e a enseada
Montanhas e ressacadas

Toda e qualquer palavra
E o poder que inicia ou acaba
Nos destrói ou nos salva
Traz de volta ou leva a alma

Dentro de nós, temos o medo,
A força e os segredos
Dentro de nós, temos os erros,
Os laços e os enredos

E o que está prestes à explodir?
Nossas bombas ou fogos de artifício?
Vão nos entender ou se intervir?
Falaremos com latidos ou sorrisos?

Silencio, não pise tão forte no chão
À essas horas, nem todos levantam

Caetano, a Conclusão

Procuro por canções ópio
Que me retirem do tão óbvio
E a razão de estar sóbrio

Raros são os dias em que me recomponho
Mas ainda componho sonhos
Às vezes medonhos de anjos, de demônios

Vejo sorrisos nas fotos
Sinto perfume de rosas e lótus
Planto universo, cosmos

Tenho minha raiz em Gaia
Eros em Nix no horizonte da praia
E a mente Tártaro, é tocaia

Supro as lacunas com ecos severos
Meus reflexos com o ego
E protejo meus muros com Cérbero

(...)
A simples ficção de passos não dados
Caminhos nunca trilhados
Sorrisos enfeitados e olhares jogados
Humanos sempre ocupados

A simples visão de imaginar e de acreditar
Que está no mundo dos sorrisos perdidos...

Marvin

Podemos cuspir, latir
Chorar, sorrir
Nos machucar ou ferir

Podemos levantar, reagir
Sufocar, sucumbir
Dizer o não ou dizer sim

Ressuscitar todos os dias
Ressurgir em meio a agonia
Recitar belas poesias com ironia

Sacralizar pódios
Sacramentar ódios
Ou saciar o próprio ócio

Somos o repudio que temos
Pelos outros em nós mesmos
Somos o que não dizemos em nossos pensamentos

Mas perder um pedaço de nós no outro
É o que nos faz ser menos ogro
Extravasando sentimentos tão tolos

Que o óbvio seria o silencio
Mas gritamos para os ecos, para os ventos
E socamos as paredes de nossos segredos

A morte levou parentes e amigos
Em momentos que não eram de fato, de perigo
Um castigo mendigo e eu disse e digo - Consigo

Mas perdi o artigo
E são tantos argumentos antigos
Que ainda sigo revisando joios e trigos

Mudei alguns pensamentos ateus
Não quero ser melhor que os outros ou Deus
Quero apenas ser melhor que... Eu

Sintaxe em paz

Citando algumas poesias demagogas
Palavras erradas na forca
Em manipulações teóricas ou loucas
Narrada por tua voz roca

Era canção folclorica
De minha universidade-nação euforica
Era a citação heroica
Guardada no peito em máxima retorica

Expressam-se os bons tempos, são saudades
Gotas de orvalho, pós tempestades
E interessa-te a não verdade em adversidades
Fica se questionando das lealdades

E quem aparece essas horas é a solidão
Que vem, chega, te estende as mãos
E do que não se esquece, é uma canção
Que faz do seu Universo, imensidão

Sintaxe em paz

Baldo

Há quem acreditar,
Ou simplesmente creditar fé?
Retroceder, reciclar,
Remar contra o que a mar é?

Há quem não se enxerga imperfeito
E que vai te apontar o dedo
Pois quando não se revela o acerto,
É mais fácil relevar o erro

De fato,
Sabe quem realmente está ao seu lado
Há dados,
Não os jogados na mesa dos azarados

Pelo puro esporte de participar,
É? Mas que nada
Pelo muro forte a se concretizar,
Fardas, não fadas

Pelo sussurro seco sem gritar
Um nó que se entala
E pelo murro forte a se deixar
A farpa que se instala

O amor e o ódio estão sempre lado à lado
O difícil é saber, por quem será dominado

Estrella

Além do dom,
há uma dedicação
e a educação dos movimentos

Além do som,
vem a criação da canção
e a imaginação vinda com fermento

No forno ganha forma,
cheia de ingredientes, sem normas
Uma dose de cachaça da roça

Um copo de cerveja, vinho
ou meia xícara de chá
Observando pelas janelas ou d'algum bar

Paixões platônicas,
reflexões irônicas
aos violões e suas sinfônicas

Músicas de nossos fones
Alimentadas por microfones
Fazendo nossas tempestades e ciclones

Ela dança na rua,
parece maluca
Não pro sol, não pra lua

Ser Tão, Brasil

Digerindo uma criação Meu Deus interior, musico, escritor Ventre de minha unção  Só eu sei o sabor e o seu real valor
Ímpeto consequência Finito de paciência  De pouca experiência  Cheio de essência 
Minha criança saúda os convictos Dizendo que fé não é tradição Minha esperança saúda os invictos  Ouvindo que fé não é traição
A beleza anda vazia Nas passarelas, nos cantos, triste poesia Ao olhar, é anorexia Ao respirar, sem alma, só uma pele fria
Violentas placentas de sarjeta Sargentos, nojentos à essa hora  Releitura que relenta à beira Mar de sangue, largam as botas
O Senhor, dormiu na praça, pensando nela Na paz que nunca encontrou em sua favela

Esmorecido

Aos trancos e barrancos
Estancos e espancos
Aos mancos e tamancos
Por tantos e francos

Todo alicerce ou alavanco
Malabares e saltimbancos

Lápis nas mãos
Rascunhos, marcas e borrachas
Arte em oração
Eis que surge um anjo sem asas

O artesão perdeu seu ar, seu tesão
Virou tensão, onde tu tens ou não

Volta a respiração
Preces à orientação
Solta a inspiração
Perde a imaginação

Observa a vida real e então recria
Frustrado
Rabisca as suas teorias e poesias
Prostrado

Chanceler

Deuses das encruzilhadas
Mortes e sonhos
Entre caminhos e paradas
Sarjetas e tronos

Enquanto pensa na melhor opção
Sabe que algo será deixado
Enquanto se perde em sua oração
Olha pro céu, olha pra baixo

O que deseja, está além das nuvens
Mas o seu real destino é tornar-se raiz
Questiona-se sobre heranças e bens
Teme a hora de seu purgatório ao Juiz

E quantas almas salvou rapaz?
Salvou a sua ou viveu em paz?

Velhos Abraços

Estou bem e tão zen
Eu só agradeço por poder estar
E eu estou bem além
Estufo o peito por poder cantar

Contemplar o complexo
De se completar
Concentrar com o tentar
Ao se contentar

O céu traz o som dos pássaros
Horizontal o mar, traz o som das ondas
Abraços apertados são tão raros
Mato a saudade em cronômetro-sondas

Vamos dividir felicidades
Ao abraçar
E suprir nossas saudades
Ao libertar

Só depois de um longo minuto
Que vem à tona, memórias, histórias, insultos
Assim, vários relatos, prelúdios
Todo lugar é escola e todo momento é estudo

E logo, logo vai chegar a hora de partir
E de novo, ainda assim é hora de sorrir

Servos e Severos, Quem

De chuva em chuva
Veio o sono e o abandono
O que dei ao mundo
Sem ser dono ou patrono

De vários castelos
Fui réu em meu trono
Perdido no tempo Entre Zeus e Cronos
Salários e abonos De quilombos e colonos Meses de Outono Uniformes e quimonos
O resto do ano, se faz contorno Entre o que é interno e entorno

Saulo

Era mais fácil escrever canções de amor
Que vendessem sambas ao sofredor
Era mais fácil contar com o que sonhou
É, mas se levantar, foi o que sobrou

Homem das 13 e homem das 22 aparições
Aos jovens burgueses dessa decepção
Somem às vezes, seus golpes, suas ilusões
Aos jovens camponeses em concepção

Um toldo que não os protegia da chuva
Um todo vazio, nos clichês das ruas
Um soco na cara, sem colocar sua luva
Um tolo na grama e um céu sem lua

Mas munido dos sonhos
E ambições, talvez
Nos sorrisos, compondo
E paixões, talvez

Deixando suas batidas e sua voz
Algumas horas no bar
Trazendo sua despedida sem voz
Algumas horas no lar

E se perguntava
Sobre o seu karma
E se perguntava
Sobre o seu dharma

Foi aí então, que esse tal Saulo
Mesmo em uma noite confusa
Não mudou seu nome pra Paulo
Pois sua religião era a música

Castelos e destinos

Castelos e destinos, desenhos do menino
O olhar cristalino pras novidades que vão vindo
Tudo é muito lindo, tudo é tão divino
E os seus sonhos, ele vai construindo
É novo esse caminho, é novo o raciocínio
Grande, o pequenino que já foi ferido
Não perde os seus sentidos, fortalece com amigos

E faz um novo Hino
E faz um no indo

Dos meus sonhos, eu não vou desistir
De tudo que eu fiz pra chegar aqui

Castelos e destinos, atalhos e espinhos
Onde vê esse sorriso, muitas lágrimas caíram
Nem tudo era tão lindo, nem sempre foi bonito
Foram vários labirintos, mas ainda acredito
E a um tempo no caminho, juntando e dividindo
Multiplicando e não sozinho
Entre joios e trigos, fortaleço com amigos

E faço um novo Hino
E faço um novo indo

Dos meus sonhos, eu não vou desistir
De tudo que eu fiz pra chegar aqui

Parvo

Rocha pesada
Em corrente que não se quebra
Frustra o tolo

No fio da meada
Há um fim que não se celebra
Deturpado ouro

Lagos e enseadas
A maré sem forças, não leva
Malicioso e sonso

A arte invejada
Não cria, copia e se enterra
Sem cão, sem osso

Quantas crianças vão sorrir pela manhã?
Quantos sonhos vão se despedaçar?
Quantas vezes você vai sorrir pela manhã?
Quais sonhos vai colocar no lugar?

Pequenos Nós

O pequeno samba no violão
Sem cavaco e muito choro
Mas de repente, uma canção
Junto aos amigos em coro

Mas ei que chega mais um vacilão
Tentando dar outra lição
Falando soberanamente de religião
Diz ser espelho de cidadão

Mas se você dá alguns conselhos
Por que é que tu não segue?
Entre suas escolhas, seus desejos
Qualquer fardo que carregue

A palavra pode até ser de prata
Mas o silencio é de ouro
E se tu continuar sendo de lata
Saia do meio desse bolo

Os seus sonhos estão aí
E à eles se entregue
Pois sementes irão cair
Ao solo que se regue

É nesse Sol que tudo rege
Ao Universo que não se mede
Um Deus que tudo se pede
Somos pequenos, somos leves

Então me leve som
Então me leve dom

Eu não critico religiões
Cristo, Buda, Jah, Iemanjá
Peço união nos corações
Mas só a sua fé te salvará

Crisálida

Trânsitos inerentes
Mas não inertes
Em fatores regentes
Um ato se repete

É entre o que se escolhe e o que se deixa
E por quanto tempo vai querer a luz acesa

O que se mede
E o que se cede
O que se perde
E o que sucede

É entre o que se escolhe e o que se deixa
E por quanto tempo vai correr na esteira

Temos as alternativas e os ajustes
Evolua ou mude
O que você deseja e o que te supre
Separe ou junte

É entre o que se escolhe e o que se deixa
E por quanto tempo vai enrolar sua seda

Prostrado

Aos relâmpagos sem chuva
Estrelas sem Lua
Tremendo no frio sem blusa
E carros sem rua

O efeito das luzes nos postes
Se apagam quando tu passa por baixo
Os defeitos cegos do holofote
Vão pr'aquele que olhou direto, no ato

Murmura o ódio
Sussurra sódio
Luxúria ao pódio
Insulta seu ócio

Mas foi você quem preferiu olhar pro nada

Catador

Centavos de lata
Chapéu de palha
Cata as migalhas

Casa de madeirite
Invisível para a elite
E ele, ainda sobrevive

Vindo de algum sertão
E não ser tão cidadão?
Sua hora extra é de papelão

Uma desigualdade vista pela janela
Do carro, da casa, da favela
Quem reza, quem ascende a vela
(...)

Quem vê?

Letargo

A fúria é necessária
Castelos de cômodos
Acomodados e incomodados

A luta é necessária
Todo corte valoroso
Cicatrizado ao aprendizado

Como você espera a luz voltar?

Cícero Clemente

Por que diz que é passado
Quem nunca foi presente?
Por que acredita estar ao lado
De quem sempre esteve ausente?

Por que prefere crer em juras
De quem nunca te prometeu nada?
Por que não aceita que precisa de cura
E que não é perfeita, essa tua jornada?

Nas estrelas, de sonhos cadentes
Acha mesmo que vai ser melhor daqui pra frente?
Eu não posso fazer nada, mas sinceramente
Com tanto ópio, por que seu vício é estar doente?

Naipes e Coringas

Por entre o mais do mesmo
De frente ao menos
Por entre os fins e os meios
Enfrente os medos

O início, para que então sonhemos
Não há segredo
Criamos planos e fazemos enredos
Só há sedentos

Por conquistas e por glórias
Mas só aquele que acorda
Olha pros lados e se revolta
Causa uma certa discórdia

Confunde quem acha que está tudo certo
Confunde até aquele que se acha esperto

Por doer e Perdoar

A palavra pode até ter o poder de consolação
Mas às vezes, sem intenção
Também têm o poder de destruição, distorção
E é visível na face, na reação

As más energias surgem no seu momento mais irracional
Falamos o que não devia ser dito por ninguém
Aflorando a tensão, a depressão e um cansaço emocional
E nos tornamos das desculpas, míseros reféns

Humanos em cima do muro, em loucura
Tentando decidir entre dar o perdão ou o de se submeter ao orgulho
Mas aos amigos, alguns minutos de fúria
Não são nada comparados a todos os outros dias bons nesse mundo

Quem nos traz (...)

Algumas vítimas da impunidade
Às vezes são vítimas de vítimas da desigualdade
Onde ladrão de verdade usa terno
Posa de artista, sai na revista e ninguém revista

Já o verdadeiro artista não precisa de céu
Não precisa de chuva, sol ou estrelas
Só uma caixa de lápis ou pincel
Para que você possa vê-las

Dizem que arte imita a vida
Em memórias sim, mas existe a imaginação
Existe a inspiração, que vem da alma
Que vem da canção

Dons entregues pelo Universo ou por Deus
Depende muito de sua crença
Onde o sábio não precisa nem estar em presença
Para falar o que tu precisa e almeja

Ele pode ter dito há mil anos atrás
Se há registro, ele fala com você quando deseja
Mas aqui o assunto é bem simples, nós sabemos
Quem nos traz felicidades e quem nos traz tristeza

É caro ser ou carecer

Podem falar muitas coisas sobre os sonhos e o depois
Ouvi que todas elas se repetem
Incertos do planejar, insetos saudosistas ao que se foi
Ouvi que os olhares se refletem

O corpo absorve do alimento
O que precisa
A mente absorve do assunto
O que pesquisa

Derrube o que lhe faz mau de joelhos
E então, liberte verdades de segredos

Clube do Pé de Feijão

Ao olhar para o horizonte
Nos maravilhamos
Ou o que a nuvem esconde
Nós apenas sonhamos

À tarde
É o Céu e é o Sol
À noite
É a Lua e o Farol

Pois o que está lá fora
Está na sua mente
É, mas observe o agora
E não lá na frente

Tem tanta coisa acontecendo aqui do nosso lado
E você nem vê, prefere ficar aí parado e sentado

Para as Princesas
Que o beijo do príncipe as acordem, mas as acordem para a vida
Para Jãos e Marias
Que as casas de chocolate mostrem, que é quase tudo armadilha

Parcialmente Nublado

Devastação dos solos
Destruição dos céus
Demolição por blocos
Degradação dos réus

Nós pedimos por cores
E Deus nos manda um cinza
São chuvas pras flores
Bonança de arco-ires e brisa

O primeiro dia do ano
Veio para muitos na forma de uma tempestade
Pra mostrar aos planos
Que teremos coragem apesar das adversidades