Pular para o conteúdo principal

E assim... (Nada)

E assim foram abreviados os dias
Nos deram insônia noturna
Os sonhos se tornaram mercadoria
Os pesadelos, boca de urna

Um terço dos querubins, não são mais anjos
E nem um décimo dos homens foram santos

Tantos imersos nessa inércia
Enquanto o tempo corre
Pessoas paradas nas esquinas
Quando quer viver, morre

E aí já é tarde
Sem o seu precioso momento
Vira passado
Carregado como pó pelo vento

Foi sonhar e nem acordou
Não leu o script, não atuou

E assim, fecharam-se as cortinas
Sem ter aplausos e quase ninguém na platéia
Não explodiu e nem fez faísca
Não teve una vida simples, nem sua odisseia

E assim condensado, reduzido
Fez a sua súmula
E assim encurtado e resumido
Culpa em cúpulas

Um infame
Não é fato e nem fábula
Um infeliz
Se tornou apenas, Nada

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

É só o vazio e nada mais

É só o vazio e nada mais
Nada de tanta importância, é só irrelevância  Algo que carrega minha paz E que leva de certo modo, alguma esperança
Fragmentos de lembranças Fotos que eu ainda tenho em um cemitério de gavetas Sacramentos de desconfiança Poesias que ainda tenho amassadas ao pé da cabeceira
É só o vazio e nada mais Dramas de um incapaz  O tentar torna-se ineficaz Ao vácuo que nada traz
E transborda um Universo de Supernovas  Onde há covas, mas algo sempre se renova
E eu deixo o tempo Mas o tempo é um ser traiçoeiro Em meio a remendos Talvez certeiro, talvez engenheiro

E é aí que eu tenho mais medo  Tornar-me máquina Ter sangue frio e o peito de gelo Tornar-me lastimas

Calma Calamidade

Personagens de nós mesmos
Alucinados com nosso desempenho
Maravilhados com o desapego
Geralmente em profundo desespero

Um prólogo, um sumário
Capítulo à parte ou em meia página
Previsões num calendário
De epifania, de inspiração e táticas
Traçando rotas na direção da Luz
Nos caminhos em que os galhos fazem
Sombras, vou para onde nunca fui
Flutuando nem à maré, nem à margem

Em minhas frases tão silenciosas
Escondido dentro de um mero acorde
Há um cálice cabisbaixo à prosas
Tons menores simbolizam a sua dose

Um brinde pra ninguém
Em direção ao copo ausente
Estreito é o mal e o bem
Na intenção ainda pendente

Na sarjeta, na guia, a solidão do homem na esquina tão repentina
Tão repetida e se não fosse tão nítida, mas se não fosse tão minha

Seria de quem?

Eu só queria saber o que me dizer...

Me dou bem com meu Nêmesis
Instalo o caos limpando do sorriso todo o veneno
Me dou mal com meu Gênesis
Não gosto de perceber o silencio, tremulo terreno

Sereno, não sou nem ao menos nascido em terreiro
Mas aprendi, acolhi e me tornei guerreiro
Pequeno que não aponta, mas costuma ser certeiro
E mesmo no vazio posso me sentir inteiro

Fui a semente jogada na terra
Que a chuva levou e brotou no meio de alguma outra colheita
Disseram pra eu ser de guerra
Mas creio que temos pouco tempo e a vala me parece estreita

Nossas diferenças são as que nos equalizam
Somos as ondas que se reverberam
Nossas luzes tentam, mas elas não sinalizam
Somos as ondas que mais se quebram

Se algum dia você sentiu que não era daqui
Talvez pensou igual a mim
Se achou maluco e percebeu estar fora de si
E talvez até fosse o seu fim

Mas somos ciclos e depois de todo fim, tem um começo
Não o recomeço, não confunda, pois tudo tem seu preço
(...)