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Mostrando postagens de 2015

Azul

Frio e moletom
O bolado bom vem com batom
Filme e edredom
O seu dom é me domar ao som

Poucas luzes
Mas nítida em degradê de tons
Seu perfume
Meu Apocalipse e Armagedom

Você me bagunça, me leva
Você me arruma, me acerta

Perco o rumo
E não durmo
Vício, te fumo
Me consumo

Conduzo, te puxo pelos braços
E recuso, todos os outros laços

Erê

O mundo é muito são
De muita pouca unção
O mundo é muito são
E cheio de sem noção

De uma sanidade
Que muitas vezes entorpece, entope ou veda
Nos faz esquecer
Que toda criança se levanta depois da queda

Pode até chorar, mas quando ela te olhar
Finge que nada aconteceu e sorri
Pode até sangrar, mas sua mãe vem sarar
Finge que nada aconteceu e sorri

Corre, pula, sobe
Volta a se divertir
Move, suja, come
Volta a se divertir

Feliz o homem que ainda tem esse espírito

Neblina aos Submersos e Submissos

Terra árida e fria
Quase sua areia movediça
Vento que suspira
Vem, múrmura e assovia

Em Pântanos de caos
Ou sementes de escuridão
Ao que se dizia o tal
E foi levado pela vastidão

O seu grito nem foi ouvido
Mais um sumiu
Tornou-se menos espírito
Ou, talvez fugiu

É... que em toda essa imensidão
Nunca se sabe pra onde eles vão

O Drama do Dharma

Uma mente aflita
Frita
Parelha em reflita
Grita

Bate aquela insônia
Sonora e bem desarmônica
Sinfonia de sondas
Ondas em sitônia e carona

Nem chove, nem relampeia
Nem gárgulas, nem sereias

Fantasmas normais
Que até parecem ser reais
Em asmas surreais
E nossos carmas racionais

Consciência em arrepios
Em uma pele e dois rios

Tamanduá

Decomposição astral
Mares do corpo
Reposição de fractal
Lares e assolos

Entre a critica e sátira social de farpas
Ambas com a mesma informação
Uma causa o impacto, a outra risadas
Ambas alicerces para a alienação

Eu perdi minha direção
E queimei algumas poesias e canções
Fiz parte da falsa nação
E da farsa expansão, recobrei paixões

Cria de jardins
Onde umas desabrocham, outras dão frutos
Sei onde nasci
Mas ainda não sei qual será o meu sepulcro

Fui comprar meu lugar no céu
Me disseram - Presta atenção
Confuso, fui de confesso à réu
Eles não vendiam à prestação

Lá no bar de esquina uma dose era mais barata
Ontem o tiozinho pedia trocado e hoje, cata lata

(Do)Ar

Um sonho onde nós não estamos
Não existimos, não coexistimos, não somos
Um canto com horizontes planos
Músicas que ouvimos, assíduos, compomos

E não compramos, não tomamos, temos
Acrescento, ao crer, ao sendo, crescendo

Ao acordar, nos assustamos com a realidade
Pois ela existe, mas e aquele lugar?
Ao acordar, nos reconectamos sem saudades
Por um instante, segundos a largar?

Quem vai nos alugar
De lástimas?
Quem vai nos alagar
De lágrimas?

De onde vem tanta canção?
De onde vem a inspiração?

Trucos e Truques

Cartas na mesa
Doa-se algum olhar amigável
Latas de cerveja
E entoa-se de modo razoável

Entre a disciplina e a displicência
A doutrina e a essência
Entre consistência e consequência
O carinho e a carência

Mesmo em tolas experiências
Não me faltam expectativas
E mesmo que pareça coerência
Eu não desisto de tentativas

Às vezes caio em armadilhas
E às vezes tenho as manilhas

Quarto Aquário

Chegou o novo aquário
Uma decoração sem peixe
São imagens, santuários
E deixe que o feixe se eixe

Entre pelas frestas
Florestas do que nos resta
Que a fenda seja festa
Perspectiva, antes indigesta

Onde, com pressa
Nunca se acerta
Onde há promessa
A que atravessa

O medo da queda é só o som vindo da cachoeira
Ladeira causando vertigem
Mas quando se torna adrenalina, não há canseira
Tudo vira besteira à origem

A coragem causa o efeito da felicidade
Você está apenas dentro de sua mente
Momentânea, circunstancial à realidade
E com os pés no chão, segue em frente

Bagunça

Procuramos quem concerte nosso rumo
E só arrumamos quem bagunce nossas gavetas do quarto
Fazendo vendaval em poucos segundos
E assim nos faz reaver os objetos e os objetivos guardados

Quando se vão, é muito difícil se reorganizar
Recolocar, se arranjar, preparar seu libertar
Quando são vãos, rachaduras a nos destroçar
Retocar esses muros destoantes à equalizar

É árduo e é penoso
Quem vai reabrir as portas desses castelos?
De um rei rancoroso
Fontes de fortalezas em universos paralelos

Às vezes precisamos de anjos
Toda criança e todo marmanjo

(Des)Crente

A arrogância intelectual
Todo sofredor feliz
Dentre o desfoco central
Intolerância de raiz

Reaver a essência
E perder a ciência

E o quanto mais você sabe
Mais você quer saber
Onde a inocência não cabe
Entre o ouvir e haver

Então o estupidamente viver
É fazer ou deixar acontecer?

Vira-Lata nos Dias Cinzas

Um cão não para de pedir carinho
O outro late sem parar, que nem louco
Às vezes eles revesam esse serviço
Pois em concreto, não se caçam ossos

Um deles, vira-lata vizinho
E o outro finge não ter dono
Mas arrumou um cantinho
Com seu olhar de abandono

A visita parece sorrir tinta
Avisa sem rimas, pisca
E à cima de qualquer sina
Ensina ao imã, o cinza

Se isenta de sua preguiça
Ao seu conceito de prisma
Não tinha clima ou crisma
Apenas filma ao que priva

De lata, me cataclisma
Delata, dilata e rabisca

Larga o carisma em esquinas
Deixa a chuva levar pras ruas e avenidas
O cão e a lágrima que catalisa
Sem remédio que cicatriza, deixa a brisa

Tomar conta
Às vezes paro pra meditar
Tomba ponta
E às vezes para me editar

Usamos as mesmas coisas para suportar e se importar
Vai de primeira à terceira pessoa
E usamos as mesmas coisas para enfeitar ou infernizar
Nossa segunda-feira, ao que soa

(De)Clínicos

Todo o ismo tem seu cinismo
É um abismo de ceticismo
Todo mecanismo, organismo
Tola guerra de fanatismos

O batismo ao idealismo
O burro machismo ou o feminismo
Civismo ou patriotismo
Estupido desrespeito se repetindo

Querem impor ideias de igualdade
Ao mudar o mundo sem que eles mudem a si mesmos
Querem impor a sua dura realidade
Mas respeito é a lei pra viver em paz, não tem segredo

Os verdadeiros cegos
Há muito tempo são aqueles que se vedam
Escondem atrás do ego
Uma triste solidão, a que os mesmos sedam

Adios Mizinnha

Faço aquela cara com o estralo
Misturo o decepcionado com o espantado
Lá se vão meus solos arranjados
E ficam pestanas de improvisos manjados

Mas quem disse que eu vou parar?
Toco Raul pra quem quiser cantar!

O Alpinista

Há uma essência
Onde alguns mudam
Outros evoluem
E poucos, moldam

Mas há uma experiência
Cada um com a sua
Sintonias em frequências
Norte, Marte e Lua

E não falo de voar
Falo sobre escalar

Alguns destinos que se cruzam
Outros, meramente desparecem, se ofuscam
O topo, é o que todos buscam
Mas só os que têm força pra encarar, lucram

E a queda lá de cima pode até ser longa
É uma montanha cheia de riscos, armadilhas e perigos
Mas não desanima àqueles que sonham
Por isso não olhar para baixo, é ter bom senso e juízo

E me diziam que ter juízo, era não tentar vir a subir
Pode falar o que for, é o meu coração que vou ouvir

Chega logo Sexta-feira

Em sono é o sonho que vem e me guia
Mas acordado ele se faz de companhia

Apesar de eu controlar tão bem o pensamento
Sou réu da realidade que crio
Sentenciado e sem ter qualquer um argumento
Culpado por meu calor ou frio

E os calafrios, são as mensagens do instinto
Apesar do medo, eu vou me jogar ao destino

O peso nas costas, eu que impus
O que alguns chamam de cruz
Creio que seja mais que uma luz
Pois não me cega, me conduz

O farol só mostra o ponto de encontro no escuro
Mas sou eu quem ilumino de verdade meu rumo

Não ligo se for uma reprise
Um novo final igual de novela
Não me importo com crises
Dessa mente indagante de cela

E eu nem disse a ela enquanto estava cantando
Mas e se for ela, por eu que estou perdendo tempo pensando?
Pois pode ser ela, a parcela do que está faltando
Quero agir pra poder em minha realidade continuar sonhando

Só fico meio ansioso de esperar uma semana inteira
Chega logo Sexta-feira
Pode parecer besteira, parece que corro numa esteira
Chega logo Sexta-feira

Quem esculpiu as Nuvens?

Nossos sonhos são como nuvens
Em que os ventos podem levar
Ou podem cair agora como chuva
Com algumas almas para lavar

Mas também podem vir a ser uma forte tempestade
Um tanto covarde
Mas mostrar na bonança que foi preciso ter coragem
Aquela que invade

Que nos faz, a esse presente, fieis ao nosso futuro
Mas enfim, só não deixem que os ventos levem tudo

Enredar

Ela tem um Arco-Ires de peles
Tocadas pelo sol sem protetor
Seus pés simbolizam sua plebe
Seu olhar de diamante, o valor

Como se fossem vindos da lama
Superando os toques da grama
E até o nosso aconchego de cama
Os lugarem que levam a fama

Ela sorri de olhos fechados
E eu apenas respiro calado
Seus femorais ficam laçados
A mão se apoia, eu sentado

Entorta pro lado, emaranhado
Encosta a cabeça no meu peito, depois meu ombro
E eu apenas sou dado, jogado
Ao ver nosso horizonte de alicerces em escombros

Não é o lugar, nem o céu ou o assunto
É uma companhia
Que eu escolhi pra viver nesse mundo
De minha calmaria

As ondas do mar que eu esperei sessarem
Folhas que não deixarei os ventos levarem

Rudimentar

Não sou tão de ferro quanto pensei
Mas continuo a forjar-me em brasas todo dia
Enquanto o corpo está a fortalecer
Ganho o equilíbrio para a lâmina que se afia

Não sou tão de rocha quanto pensei
Tenho que me unir do alicerce ao topo
Ser muro seguro pra poder proteger
Os que abrigo e fazer parte de um todo

Não sou tão correnteza quanto pensei
As águas que tenho precisam de uma direção
Um norte para ser forte e poder vencer
Com o brilho e a clareza como a fé e a oração

Não sou tão incêndio quanto pensei
A chama que queima em mim devasta pouco
Precisa do vento que ainda busco ter
Terra, raiz, luz, elementos para entrar no jogo

Sou de pele, sangue, alma e espírito
Mas sou de guerra, apesar de buscar pela paz
Sou de crenças em espera pelo rito
Da confiança que a passagem seja algo a mais

Sonho e por isso batalho por conquistas
Em prólogos de quedas e esperanças
Sofro e suporto, mas eu continuo otimista
Capítulos de tempestades e bonanças

E se vitória vier só no final, estarei lá...

Abnegar e Dessaber em Empatia, sem Simpatia

Pedem calma
E eles têm uma certa pressa com isso
Quebram asas
E destroem a própria casa em prejuízo

Uma cara à tapa
Seus muros são lixos, uma farsa, eu os picho
Acabam na vala
Ou em confortáveis poltronas de sala, bichos

Já vai dar a hora de dormir
A novela está chegando no fim
E amanhã vem fingir sorrir
Acredita que ainda estarei aqui

Mas nem eu sei nada sobre mim
Ou sobre o dia que estará porvir

Ases

Muita coisa aconteceu depois do primeiro beijo
Depois da primeira transa
Muita coisa rolou depois dos primeiros segredos
Depois da primeira aliança

Gente que até passou rápido, mas ensinou devagar
E pessoas de mais de um ano que não chegaram valer um mês
Banco de trás, aquelas no horizonte do quase falar
Não volto atrás nas palavras, mas teve quem mereceu outra vez

E apesar do desapego, eu tenho fotos na memória
Há vozes em gravações sonoras e muitas histórias

Essas poesias saudosistas
Eu escrevo ouvindo Amy
Não preciso ser detalhista
Desenhistas, talvez semi

Realista... Surrealista!

Cecíliano

Fitos em conflito
Entre os ritos e os gritos
Restritos, infinitos
Reativos, porém relativos

E estamos vivos
Na sobrevivência dos primitivos
Contra opressivos
Sensitivos e nada compreensivos

Mas quem realmente está do nosso lado?
Ou quem realmente está à nossa frente?
E quem realmente nos trata como gado?
Quem realmente nos trata como gente?

Se quer menos preso
Primeiro pare de menosprezar, aí sim, menos irá prender
Pare com o desdenho
Ao seu filho, mulher, família enquanto está preso à T.v.

Se quer menos preso
Primeiro pare de menosprezar, aí sim, mais tu irá se prender
Imponha seu empenho
À seu filho, um desenho e à sua mulher que espera por você

Carregue seu terço, patuá
Ou um nome que irá tatuar

Santa Cecília dos músicos
Vinte e dois do onze
Sorrisos d'ouros, rústicos
E um olhar de bronze

Abençoe os meus passos
Meus traços e meus laços

Por favor, leve essa oração pro céu
Vou de hotel à hotel
E até é cruel a caminhada desse réu
Mas eu continuo fiel

Blecaute

Era o máximo instante
E agora, só mais uma foto na estante
Diamantes de amantes
E os amigos dizem - Avante, levante

Lembrança errante, sussurrante
Poeiras em cima de poesias penetrantes
Quixote, um Dom de Cervantes
Prévia, leitura incessante, agora cessante

Inerte e irritante
Fúria silenciosa com Deus, diante
Parece distante
Mas tão em peito e mente vibrante

Sem sono ao dissonante
A mesma vela de antes
Crenças sem consoantes
A mesma bela de antes

Minhas orações por sua alma importante
Na carona ou caminhante
Tão palpitantes, redundantes e suplicante
Flamejante ao praticante

Da Saudade triunfante
Perante esse figurante

Boa Esperança

Tem coisa que não se compra
Assim, como tem coisa que não se vende
É o que muitos não entendem
Quem não olha pros lado, olha pra frente

É por isso que um rico não entra no paraíso
Eles não entendem tudo isso
O que pra muitos é mais que compromisso
E nas ruas, não fica omisso

É sarau para sarar os infectados pela escravidão
É diversão como lição e poesias como coligação

Matando a fome da mente
Saciando a miséria que há na alma e no espírito
Tornando-se elo da corrente
Plantando sementes entre as harmonias e ruídos

A batida e o groove
Do samba e da bossa, ouça
Não ser mais do sub
Ao subir toda a nossa força

Influenciado na poesia marginal
Bonanças ao temporal e ao vendaval
Memorial, não mais um serviçal
Vencendo o desigual, sendo especial

Um material mais que original
Colossal na horizontal e vertical
Fazendo o integral, o habitual
Minha catedral corporal, castiçal

Fé muito mais que regional, ao ser nacional
E assim, então, enfim
É muito mais que selecionar, ao ser cordial
Bem vindos ao…

Primeira Parada

Fritando as idéias
O som nas panelas da mente
Crianças, plateias
E pedidos pra estrela cadente

Não precisamos ser videntes
Apenas persistentes
E à veemência, ser reverente
Vontade do prudente

E pros dentes, sorriso
Retornando em brilhos nos olhares
É pra isso que eu vivo
Fazer de vários lugares, meus lares

A primeira parada é só para me alimentar
Mesmo assim ela vem e inspira
Vira pintura a desenhar, canção a equalizar
Ato a se ensaiar sem as mentiras

A verdade libertará
Assim como a calma, a fúria
A verdade libertará
Assim como a paz, a loucura

Andarilho de minhas perguntas
Sapiente de que para obter respostas é preciso ouvir
Há quem julga e quem conjuga
Ciente de que nós estamos sempre a chegar e a partir

Vir e evoluir
Pedir e impedir
Rir e resumir
Dirigir e digerir

Raiares

Involuntária atração gravitacional
Enquanto o espírito anseia pelo céu, pelo ar
Apesar das razões ao operacional
No sonhar encontra-se o seu desejo de voar

Quando há uma queda brusca e tu precisa acordar
Entre o terminal e a central
Os olhos vão para várias direções no escuro do lar
Era pesadelo e agora é real

O preconceito está no olhar
E é horrível ver esse forte ódio pelos que nem te conhecem
O respeito está só no falar
Não no fazer, pregam o que em suas almas não preenchem

Vão nos julgar
E assim nos jogar aos leões
Mas podem falar
E até a inventar mil refrões

Eles vão apenas falar de nós
Mesmo sem saber porque estamos aqui
E se não ouvirem nossa voz
Nunca irão entender porque somos assim

Idealistas tradicionalistas
Escolhem seus artistas e exorcistas
Entre a vista e a revista
Programam otimistas e pessimistas

Suas conquistas são totalmente parasitas
Entorpecem a quem não mais acredita
Que toda verdade seja dita, não só escrita
Eles querem viajar e não esperar visita

Vão nos julgar

Astre

Sem o tornear inferior das capas
Definindo apenas o caráter
Sem o rosnar superior das aspas
Ancoragem para a coragem

Drenando a adrenalina
Dá as letras e dá as notas, mas arruma pra cabeça
Chama ela de menina
E não sabe se há um blefe em suas cartas à mesa

Mesmo assim joga o seu jogo
E quem está há algumas jogadas na frente, não é visível
É uma selva para elfos e ogros
Não mostra quem é forte ou quem é bom, só o perecível

Os sorrisos se separam por tantas horas num só dia
Que esse ciclo de fotografias te fazem minha poesia

Não me importo que a hora se arraste
Eu sempre te espero
Tu és o meu ao contrário de desastre
E não me desespero

Dois do Onze

Foi dia de finados
E eu, fiz nada
Foi um dia todo cinza
Chuva até a madrugada

Blues, petiscos de geladeira
E a cerveja já no fim
Tirando um descanso pro corpo,
Alma e mente, sim

Até o violão teve seu repouso
Dia em vão? não!

De Primeira à Terceira, sem a Segunda Pessoa

Nosso descanso é fundamental
Enquanto não se afunda em sua mente
Enxergar é mais que essencial
É saber andar pra frente, ser prudente

Escolher o tipo da semente
Entender a hora de sua colheita
Recolher-se a quem mente
Entender a hora de sua suspeita
(...)

Galhos pra lareira
Alimentos, frutas na mesa
Sucos da limeira
Recomponha a sua defesa

Country club, discos e acervos
Machado meio encostado na parede
Espingarda e cabeças de cervo
Deitado de chapéu de palha na rede

Na mesma casa vive um caçador e um lenhador
A sobreviver
Na mesma sala, sem culpa, sem amor ou valor
Sobre viver

Eles são um só
E dizem que o escritor conta muito sobre si
Eu até sei disso
Mas são mais notas pra se ver do que sentir

Senti e mesmo sem ti
Acordei... e me reergui

(A)Linear

Até quando dura
Segurar a mão
Curar o coração

Até quando criatura
Aventura e ração
Cultura de alienação

Até quando se figura
Haikai, juras de paixão
Toda amargura em fração

Fractais de sua cintura
Ou espessura do colchão
Loucuras, até no chão

Entre o eterno e a ternura
Agricultura da imensidão
E toda abertura é expansão

Pra almas gêmeas da mesma busca
Fuga da fúria e da solidão
Injusta, porém sobreposta pela razão

Antes só, é só conversa fiada
Piada para o ceifador, que...
Reconhece aqui, rimas entre amor e dor

Joãozinho

As sabedorias do mundo conectam
E sugam um pouco da nossa alma
Há teorias que em refluxo, infectam
Tirando a nossa posse pela calma
(...)

De baixo do Sol, com carinho
Eu pintei de vazo, um potinho

E plantei um feijão no algodão
Mas a Dona nunca devolveu
Quem roubou foi o tal do João
Ou sei lá, será que ela comeu?

A professora não me disse
Deve estar com todos os ovos de Ouro
Ô menino, deixa de chatice
Mas ela tinha uma bolsa nova de couro

Vou rabiscar toda a parede
Cortar braço e cabeça das bonecas
Devolve o mini galho verde
Se não atrapalho a hora da soneca

Eu trouxe os rock do Pai
E daqui eu não saio mais

Poesias de Varal

Músicas de Sarau
Para sarar o seu tédio
Atingindo Oliveiras
E até Silvas e Sergios

Com muitos temas seguros
Sinceros, puros e honestos
Sem limites ao significado
Entre o que é luto ou credo

O Latin do nosso povo brasileiro
Em sotaques que chegam até parecer de estrangeiros
Bonito do mais correto ao cangaceiro
Acolhedor, hospitaleiro, sambas pra bar e travesseiros

Undergrounds de praça
Mais um Round na raça

Conchas sem o Som do Mar

Nosso corpo pede prazer
E nossa alma, divisão
Uma soma com você
Em resultado de multiplicação

Pecado é tentar ser feliz na solidão
De tomar sozinho
Um gole ou uma dose de decisão
Taça barata de vinho

Vai se embriagar
Mas nunca matar a sua sede
Vai se enfeitar
Precisando de um sorriso verde

Todos os Nós em linhas tênues
De sonhos vividos e sonhos sofridos
Surreais de pesadelos, às vezes
De sonos dormidos, insonoros feridos

Dormindo acordado
Ou andando de olhos fechados
Sonambulo aos dados
Perambulo, errante aos jogados

Vemos horizontes nos olhos
E temos um céu na boca
Andamos em caminhos tortos
E eu amo sua voz fina, roca

(...)
Do amanhã, ser
E do amanhecer

Recos

Desequalizando só um pouco
Pra segurar um pouco da viagem
Bits, riffs e cliques em socos
Há um norte de maré, de margem

Pés no raso, vai empurrando o seu barco
Observa o horizonte
O quadro e seus traços, a Íres e seu arco
Cores de sua ponte

Reequalizando só um pouco
Pra interferir no ácido do sangue
Tiques, linques, mix e sopros
Arrepios fortes, do porém infame

Mas logo atingindo o vento
Soando como um sino, um ensino
Mas logo atingindo um tento
Sonhando como um menino, Hino

Na mesa desse xadrez do crer, ser e crescer
Há quantos passos de vencer, quem vem ser

Seus Dois Mundos

O platônico não é só um segredo
É mais uma mentira que tu conta a si mesmo
Em um turbilhão turvo de enredos
Sonhos jogados ao vento, deixados no tempo

Sua mente se diverte por alguns segundos
Mas a solidão reaparece nos dois mundos

Viver são esses sonhos que temos acordados
E também pesadelos com o que não foi planejado
São essas páginas que sempre temos virado
E também são alguns capítulos a serem revisados

Sua alma se diverte por alguns segundos
Em pinturas abstratas
E até poderá sofrer em seus dois mundos
Mas a sua fé te salva

Tambaque

Em cada clave que se passa
Cada bastidor que foge
Em cada base que extravasa
Cada nome que escolhe

Ruídos, rugidos e crianças
Títulos, filhos e esperanças

No exterior de seu silêncio
Se interna o grito
No posterior de seu lamento
Se paterna o rito

Notas e claves
Suas consciências
Portas e chaves
Suas experiências

No peito, um tambor
E na alma, um tumor

Soldado da Segunda

Acordando pra batalha
Antes do canto da galo
Seu uniforme na sala
E já conta os centavos

Meio pão e dois dedos de café
Sambas no fone, testa no vidro
Dá o lugar pra senhora Nazaré
E ela diz - Obrigado meu filho!

Na labuta, lida, sofrida
Um Sergio Vaz de bolso
Estufa sua vida corrida
Respira sua fé no esforço

Todo os dias à mercê
De algumas Mercedes lotadas
Voltando para a casa
Depois de um dia na fornalha

Dá um beijo em sua senhora
Ajoelha e chora
Acredita que um dia melhora
Agradece e ora

Obrigado por mais um dia Senhor
De onde vem as minhas forças
Obrigado pelo favor e pelo fervor
Chegar e ver o sorriso da moça

Amém...

Incondicional

Em um rio que cai
E vira uma bela cachoeira
O olhar de um Pai
Sentado à bolsas de areia

A conexão e o nexo
Universos paralelos e tudo isso, sem sairmos daqui
Expansão e aspecto
Singelos castelos de versos e diversos, a se divertir

Orgulho do Criador
Que não só cria e atura, ele ama sua criatura
Observa todo valor
Vê nos pequenos, a expansão de sua pintura

Os detalhes no quadro
Brilhos nos poros
Nos retalhos do retrato
Sangue dos olhos

A Atmosfera dos sentimentos
Evolução
Átomos, feras em crescimento
Execução

É sobre um amor que nem todos entendem
E saber que não são só sorrisos nos dentes

Ao Eu

Os olhares podem ter o poder de jugar o bom e o maldito
Mas não de dar algum veredito
Sempre paro e reflito naquilo que eu acredito, no infinito
Nada restrito à um manuscrito

Eu existo e não exito
Quero viajar nesse mundo onde habito
Nada de rumos resumidos
Assim como os mitos em cada distrito

Quero o meu rito
De silêncios e gritos
Dizer o que sinto
E ouvir os recintos

Atravessar labirintos
Conhecer outros destinos
Aos cinzas que pinto
Com meu sangue retinto

Fazer com que quadros abstratos sejam mais que interpretativos
Mas não de dar algum veredito
Fazer com que pinturas mortas te falem muito mais que os vivos
Nada restrito à um manuscrito

Eu existo e não exito
Ao eu extinto
Eu existo e não exito
Ao eu instinto

Em Miragens e Desertos, a Reza

Interferência sonora
Divergência, vertigem
Em ondas na concha
Mar dos olhos virgens

Mãos na grade, nas cercas
Antes que se erga
Preces de uma noite cheia
Antes que te perca

Lua mais que meia
Em ventos, sem areia
A alma em correia
Foi sugada pela sereia

A cadeia que me candeia
Te ter, mas em tua teia
Ser audaz, em sua aldeia
Semear ao ser sua ceia

Alternar do que me alimenta
Almejar do que me aumenta

Sua voz
É o que me dá forças em silêncios
Ter nós
É o que apertam os laços sedentos

(...)
Pela liberdade de ceder
Ser de alguém
Na verdade do vir e ver
Viver o amém

Entre Rumos e Rumores

Uma síndrome de nostalgiar as coisas
Dizendo que são boas
Em listas saudosistas de livros, filmes
Fotos cheias de pessoas

Uma síndrome de sonhador solitário
Otário, querendo tudo na mão
Programação de um projeto autoritário
E tem pressa, por sua oração

Preces preciosas a si mesmo
Dizendo que faz parte de um plano maior
E injeta no peito um veneno
De acreditar que poderá ser muito melhor

Mas há escadas e há quedas
E o pior cego é o que se veda

Rasto

Marca de batom
Num beijo-trago
Um cigarro abandonado
Pisado, amassado

Indo pelo ralo
Perdido aos centavos
Destino findável
Que encontra o resto do maço

Mas todos, apagados...

O Homem dos Pés Secos

Mais um, dos jogados ao silencio
Sujeito sem pronome
É mais um, julgado sem engenho
Substantivo coliforme

Deixa morrer
Faz parte do ciclo
Deixa sofrer
Faz parte do circo

Aos olhares
Números ou armas
Tetos solares
Sem lar, sem almas

Uma fotografia cinza
Que esconde o aroma das dores
Apaga o som, a brisa
Torna-se desconsolo sem cores

O homem dos pés secos
Cabisbaixo, com os cotovelos sobre os joelhos
O homem sem fé no beco
Sem berço, soberbo, é só barba, sem espelhos

Tem consciência de sua situação
Mas já sem forças, sem ter ação... Ou, reação!

Teimosos

Não temos tudo que queremos
Nesse exato momento
São os termos ao que teremos
Cada um à seu tempo

O esperar e o se operar
São nossas forças ou fraquezas
O espreitar, o despertar
São todas penúrias ou riquezas

Reféns de nossas escolhas
Ficamos nos perguntando
De onde tiramos essa força
Ficamos nos perguntando

As repostas não vem com o vento
Não estão nos embaralhar dessas cartas
As respostas chegam com o tempo
Mas elas nos dão o abrir de novas aspas

Novo ciclo de questões, perguntas
Vamos deixando nossa essência ou vamos nos limpando de impurezas?
Livres na paz ou presos em fúrias
Vamos deixando nossa essência ou vamos nos limpando de impurezas?

Lótus também podem nascer em terras inférteis
Assim coma água vira vinho e vinho, vinagre
Mesmo assim abrilhantam alguns olhares infiéis
Dividir o mar e andar sobre o lago, milagres

Se não você não acredita em nada
Ao menos que acredite em ti
Se não dormir com contos de fada
Ao menos acorde para sorrir

Não que isso seja tão facilmente supremo
É …

Ceras e Barros

Em uma colisão de prece e pressa
De quem ultrapassa e quem atravessa
De quem omite e quem confessa
Quem faz o passe ou quem arremessa

Eu sou refém na fúria e sou livre na paz
Solitário na busca e otário por doar
Sou refém no menos e sou livre no mais
Solitário no medo e otário ao perdoar

E em meus vários Universos paralelos
Brutalmente e bruscamente singelos
Em destroços que chegam a ser belos
Na espera da sentença e do martelo

Caminho, faço escolhas e me culpo do meu destino
Sorrio e desenho em folhas, como um velho menino

Um Teatro da Luz, nos Olhos

Vamos botar nossas mãos na massa
Os violões nas praças
E limpar dos livros, suas poeiras e traças

Vamos invadir de poesias suas casas
Fazendo-os sentir asas
Depois da caça, brindar a graça nas taças

Um sonho se realizando é tão intenso
É o feixe de incenso nesse Universo imenso
Por extenso penso, suspenso ao denso
Colidindo com bom senso, mas em consenso

Tão confuso como as linhas
O embaralhar das poesias
Mas sincero em sabedorias
Em teorias, em categorias

E de várias ironias, uma prece
Que nunca me tire essa inspiração que vem, cresce
E como uma chama aparece
Nessa tamanha escuridão de quem a alma, oferece

Dividindo e multiplicando orações, acrescenta
Inventa, representa
Onde a gente só se arrepende quando não tenta
Inventa, representa

Tarimbeiro

Cortesia das escolhas
A felicidade à quem você entregou ou vendeu a sua alma
Busca por sabedorias
O corpo é sábio e te explica muito através de toda a asma

Poderão vir fantasmas
Mas o caminho optado e selecionado
Trazem fúrias, calmas
Quedas ou ascensão, planos ou lados

Isolado ao selecionar
Você é o grande culpado ou heróis de suas trilhas
Reflexões em seu mar
Amar ou  odiar, insular dos seus castelos ou ilhas

Qual bandeira você levanta guerreiro?
Quais sonhos você tira do travesseiro?

Quadros Saudosos

Nostalgia é uma saudade saudável
Inevitável e inegável
Rumores, amores ao que é mutável
É versátil, é variável

Um passado que parece tão presente
Fotos da infância
Embrulhados nas caixinhas da mente
Álbuns, alianças

Nossa mente prega uma peça na alma
E percebe-se no brilho de uma lágrima

Camaleão

Estamos amadurecendo
Não só de armadura, sendo
De modo lento ao vento
Vendo, vivendo, crescendo

E estamos em partes, partindo
Às vezes só, mas sorrindo
Sentindo aroma de vinho tinto
Degustar, extasiar labirintos

Distintos ao velejar, deixar guiar
Destinos ao vento, um desnortear

Não sabemos muito sobre as consequências
Mas temos uma consciência
O que deixamos ou fazemos com frequência
O que temos de convivência

As escolhas e os caminhos são apenas nossos
Em votos com a paz
Independente dos conselhos, sei do que posso
E do que sou capaz

Distintos ao velejar, deixar guiar
Destinos ao vento, um desnortear

(...) Mas eu sei onde Eu quero chegar!

Angra

O Tempo virou
A ampulheta e a bússola
O Tempo deixou
Algum adeus, algum olá

Então veio a chuva, veio o vento
Veio veloz e violento
E em algum momento ficou lento
Limpou o dia cinzento

Antes sedento, agora remansoso
Antes curioso e agora, cauteloso

Cheiro bom de terra molhada
Não quer mais nada
Som de correnteza e enseada
O suspiro da revoada

Dá pra dormir muitas horas mais

Último Vagão

As pessoas, não só mudam
Elas também se moldam
Em seus balões se seguram
E as folhas, elas podam

Seus galhos, elas apresentam
Suas raízes, elas fincam
E tempestades que enfrentam
São bonanças que ficam

As cores se vão, mas sempre voltam
E a saúde do nosso corpo, é Elemental
As dores não são em vão, eles notam
É também preciso que seja ela, mental
Para que seu foco, força e fé vençam E que seus sonhos e crenças cresçam
Das nuvens, fazemos imagens Dos horizontes, paisagens De qualquer destino, viagens E das histórias, bagagens
A vida é só um rito de passagem Contos de fadas ou selvagens É onde adrenalinas são coragens E toda abordagem, mensagem
No último Vagão entram e saem olhares vazios Raros, são os que te sugam e de repente, partiu

Lado B

Ato contento ao contente
Ao vento que vem ao invento
Em todo por cento, sente
E de todo lamento, não mente

Entre aquele que perde e o que achou
Sacrifício é o sacro ofício
Você só entrega aquilo que embrulhou
Em raciocínios e vestígios

Benefícios da dor
Calos nas mãos por erguer os seus muros
Só entende o valor
Quando paga o preço de um sonho futuro

Torna-se mais maduro
Após a alguns apuros
Torna-se mais maduro
Após sentir-se seguro

Suas quedas, poucos são os que veem
É, mas quando se levanta, muitos vêm!

Embarque

Quase compreensível como a junção de escalas
Quase pintura abstrata de um pôr do sol
Quase feito de poesias bonitas pras horas vagas
Quase um destino esclarecedor ou farol

O silêncio mental ao jogar um anzol
Vai de sétima menor à bemol
Fala de álcool, formol e até girassol
Canta em inglês ou espanhol

Mas não sai do quase, não sai de praças ou bares
E não para de falar que todos os lugares são lares

Faz do amor, clichê
Do vinho, gourmet
Do bairro, sua turnê
Das festas, matinê

Os amigos se vão junto ao tempo
Nossa vida passa e os caminhos seguem direções opostas
Se encontra em dias de lamentos
Inerte em acomodações, acredita que Deus trará respostas

Acredite, que se ele tiver que te responder já será tarde
Então tire seus sonhos do travesseiro e não seja covarde

Douros de Ipê

O nosso renascimento se faz diário
E a ressurreição algo que vai além da queda
O peito pulsa em sentido operário
Em alguns instantes, horário, lados da moeda

Os efeitos são destinos, nada concluído
Os defeitos são meninos, de asas no umbigo
Cada um com seu anjo interior perecível
Casas como castelos, sentinelas sem sentido

O norte muitas vezes aponta para uma escolha avessa
De quem até atravessa, mas se dispersa em conversas

Cabeças nas nuvens
Os seus pés não tão firmes no chão
Meninos ou homens
Todos cheios em alguma indecisão

E a grande lição de vida nem existe
Todo o ponto respirado é uma
Todos podem ser anjos ou demônios
Mas a escolha só pode ser uma

Resplandeça e cresça com essa semente da escolha
E que toda folha, alguém colha e não apenas recolha

Bom Dia

Amor pra se armar
A adoçar e não a amordaçar
Amor pra não cessar
Acrescentar e não se sentar

Fazer-se morada
De um outro lar
Fazer-se camada
Camas a deitar

Deleitar de seu dividir ao multiplicar
E acolher-se em colheitas, pluralizar

Sambas de bom dia
Cavacos de poesia e simpatia
Deixa de lado teorias
Encontra a sua nova filosofia

De vida
Que nós só vivemos de teimosos
Olhares
Bocejos em sorrisos preguiçosos

Baile no Centro-Oeste

Enquanto apaga
Não se propaga
Entre faces e máscaras
Fatos e farsas

Um silencio se arrasta
Enquanto não há um basta
Bipolaridade em casta
Seu mundo, sua floresta devasta

Suas cidades crescendo
Suas cores perecendo
Seus grafites se perdendo
Suas Luas nascendo

Quais sãos as estrelas
Que sua população observa e venera?

(Inter)Ruptura

Ações paradas
Frações preparadas
É uma jornada
À algumas jogadas

A mente cria
O corpo compõe
Fazendo de poesias
Nossas canções

O olhar vigia
Todas as audições
Teremos várias teorias
Sobre as visões

Em futuros e passados
Apáticos e interessados
Impuros e abençoados
Sabáticos e estressados

O silencio da Lua não diz muito
Mas nos faz sentir o que é intuito

Nono Passo

Em contato com a sua limpeza
Refrescando os poros
Respiração da alma em leveza
A pureza de seu lótus

Em meio ao infértil
Chega e nasce
Em meio à mascaras
Mostra a face

E sobre a verdade que liberta
Nós esperamos portas abertas

Mas e o contato
Quem faz?
O tempo-espaço
Tem paz?

Tem o passe para essa viagem
Então vá, pegue suas bagagens

Dos Oito

As mãos vão do pescoço ao ombro
Massageando à esquecer do assombro
A cabeça se repete em inclinações laterais

Os olhares vão dos alicerces aos escombros
Se distrai, sem norte, leva um tombo
Os invisíveis também são reais

Estão lá os piores cegos
Fingindo não ver
Alimentando seus egos
Sem nada a crescer

Ou a acrescentar com suas opiniões
Universos sem estrelas
Vias de mão dupla sem constelações
Do bolo, são a cereja

E eu tô nem aí...
Sempre roubo brigadeiros

Desalento

Solta o sinto Desprende Aprende  Não se reprende Não se arrepende
À solta, sucinto De repente É ausente Não exatamente Não diretamente
Sem cachos ou riachos Agora a floresta é pântano e lodo É um vazio cabisbaixo Silencio de quem sorriu o dia todo
Pra fora...

Sonora

Saindo do foco
Observando rostos e várias flor de lótus
Nem me choco
Não mais, em cada bloco do que reboco

As frases, até troco
Vejo paredes, que não mais soco, sufoco
Meditação em votos
Sem ter controle e remoto aos terremotos

Na mente
Me faço de poesia em semente, broto
Me regam
Mas só os que me carregam, devotos

Então, o verbo se fez carne e habitou entre nós
Mas eram só laços de cadarços e ficaram a sós

E pode até parecer um pouco confuso
Mas abra os seus olhos e veja
Entre aquele que é intruso ou excluso
Há cervejas, bandejas e igrejas

Quem decide o seu rumo e quem é o juiz
Ao que colhe ou se recolhe
O que deixa o seu dia mais triste ou feliz
É apenas você que escolhe

Por hora boceja, mas, que assim seja...

Avôs

Não ganhe e nem perca
Com antecipação
Mas que a tua fé te erga
Diante a opressão

Virão derrotas e vitórias
Apenas na hora certa
Verão lendas e histórias
De quem se expressa

E aos que atravessam fases
Deixarei bem poucas frases

Algo, tal como
Sua fé te salvou
Colos e ombros
Ou, quem falou?

Deixo frases de perguntas e questões
Para que tu possa escrever seus refões

(In)Convergência

O sonho vai além do que se imagina
Não é só aquele desenho na sua mente
Momento de meditação em morfina
Que vem surgir num papel, de repente

Pois tentar ser reflexivo
É ser duas vezes flexível consigo
Em lágrimas e sorrisos
Lembrança é o estado de espírito

Nossos destinos já podem até ter se cruzado
E nós nem percebemos
E nossas flechas já podem até ter se lançado
Àquilo que nem vemos

As preces do coração
Sabem que o tempo não tem pressa
Rogamos em fração
Ficamos onde o silencio se expressa

Se fosse tudo na mesma hora
Que graça teria a nossa vontade e oração
Tudo o que é interno, de fora
Quando nossa fé é colocada em provação

Poderá receber vários concelhos, até do céu
Independente de qual, aceitará apenas o seu

Pra muitos

Pra muitos, dissonância
Que causa ânsia e perde a importância
Pra muitos, assonância
A imperfeita exuberância em substância

Pra muitos, levanta
E na mente se repete em consonância
Pra muitos, a planta
Um presente de veneno ou fragrância

Entre o que ouço e o que me atinge
E pra muitos de fora, eu nem dou bola
Entre o que é esforço e o que aflige
Perdendo o seu minuto ou a sua hora

Pra muitos, só poucos são...

Velas e Ventos

Seu impulso se faz fixo
Força em sacrifício
O pulso se faz presídio
Ações em conflito

Em reações e relações
Sem refrões e orações

O intuito se faz omisso
A espera é um compromisso
O minuto se faz infinito
Assisto em rito meu espirito

A consciência pesa antes do ato
É imponente e bem clara de fato

O diminuto é restrito
A esfera é um distrito
O tributo é submisso
A prece, o imprevisto

Em velas e ventos
Sobem rezas daqueles que têm fé
Em velas e ventos
Carregadas por uma invisível maré

O que te move ou te imove
Se comove
O que te prove ou promove
É conforme

Sara

Os dias passam
As horas voam
E eu vomito desejos mal digeridos

O dias traçam
Sem horas soam
E os sinos dissonantes mal dirigidos

O dias farsam
Senhoras façam
Em seu fascínio desnarram o redigido

Assim, nada foi dito
E o olhar até parecia bonito
Mas o que foi visto
Foram sonhos sem o infinito

Suas cabeças baixas em silencio diziam;
Adeus...

Adonias

A mente voa
E os pés se fixam no chão
O ato é atoa
Agir em meio a indecisão

Quero ter algo concreto
De meus cimentos, eu fiz minhas pontes e muros
Meus portões inquietos
Esperam receber, mas também continuar seguro

Meu castelo está em construção
E aqui dentro ainda é uma civilização de vozes
Meu império está em construção
Uma caça pela sobrevivência e animais ferozes

E eu que queria apenas paz
Me vejo em meio à tantas guerras sangrentas
E eu que queria apenas paz
Tenho das conquistas, uma parede de cabeças

Confesso Senhor
Fiz o caminho, mas eu não escolhi esse rumo
Confesso Senhor
Em resumo, há alguns dias que eu não durmo
E como devolver-lhe aquele velho segundo? Como mudar o que eu fiz com esse mundo?

(A)Nulo

Olhar cárcere
Penetrante ao me fazer prisioneiro Cela celebre Sua aura que me sugou por inteiro
Casual a parte Me conquistou por trazer sua novidade Casal apático Me deixou com pouco e muita saudade
Sou escravo dos olhares, sabe disso Você me deu muito em tão pouco E sou um filho dos mares, sabe disso Te ver ainda me parece um soco
Minha bussola explode sem Norte...

Meio Céu em Aquário

Uma comédia literária
E até hilária
Encontraria, contrária
E arbitrária

Em breve, abreviaria de sede involuntária
Solitária
Trágica, mas não és a minha proprietária
Otária

Aquário para o meu olhar
Onde por hora, não tocar
E ninguém vai me segurar
Pode se assegurar, voltar

Pra cá, que é o seu lugar
Louca
Se localizar e me alugar
Louca

Que me deixa mais ainda que você...

Menina (Epilogo)

Era fim de tarde
E o azul do céu começava a fazer degradê com o roxo
Luzes nas casas
E lá no horizonte (de)terminava com um laranja sonso

Era despedida
Mas assim tão forte, quase sem norte, o sentimento crescia
Virava poesia
Essas de solidão, aperto no peito, coração que enfraquecia

Eu disfarçava
Mas o castanho claro de seu olhar escurecia pro vermelho
E me segurava
Na mão, calado ao calor de um sorriso, casa dos espelhos

Onde não parei pra refletir
Eu apenas deixei... você ir

Disse o Futurista e Anticulturista

Paciência perecível
Do irracional e por hora irascível
Um fruto acessível
É invisível, mas não é invencível

A força ainda está ocasional
Só que mudando sua aura passional
Quer destronar o tradicional
Ele tem pelas ruas o amor fraternal

E por isso quer salvar seus irmãos
Mas como e a quem dar sua lição?

Hoje fornece sua anticultura
Como antes na ditadura
Fornece pintura de brandura
Mas bravura em figura

Porventura mistura impressionismo
Compostura, tritura em surrealismo

Abram os olhos para a leitura
Não é só quem escreve que faz poesia
Abram os olhos para a pintura
Não é só aquele que desenha que cria

A sua mente interpreta
E eles querem tirar seus desenhistas e poetas
Colocando falsos profetas
Deixando em sua inteligencia regras e dietas

Indireta, essa anticultura é contra a farsa
O que temos hoje, são piadas sem graça...

Intemperações

E se a chuva fosse vinho
Ou o vento tivesse o seu perfume
E se o barulho fosse samba
Ou tivesse um controle de volume

E se o chão fosse cheio de massagem
Ou todos os abraços de verdade
E se o horizonte não fosse só paisagem
E sim passagem de alta velocidade

Teletransporte pr'um paraíso
Árvores de chocolate
Lagos de canções, de sorrisos
Grafites pela cidade

Não seria preciso sonhar, criar, conquistar
Que graça teria tudo isso?
Não seria possível sonhar, criar, conquistar
Que graça teria tudo isso?
Quando der tudo errado Vai se frustrar e chorar ou tentar de novo e se levantar? Quando der tudo errado Vai socar paredes e gritar em travesseiro ou vai pintar?
Quem disse que o quadro imita a realidade?

O Milagre da Multiplicação

A fuga não é fugaz
E a saga não é sagaz
O seu ato pode até ser audaz
Mas sem armadura a sua capa será incapaz

Diz que ficar é ineficaz
Não pedi carta ou cartaz
Apenas um sorriso vivaz
Mas ainda sou apenas um imaturo rapaz

Tentando ter paz
Tentando ser mais

Só que nas poesias
O milagre da multiplicação é dos que dividem
E não é só teoria
O milagre da multiplicação é dos que dividem

O som de um antigo Oi

Escolhemos caminhos diferentes
Nos separamos
Mas aí, eles se cruzam de repente
Nos encontramos

É nostálgico mesmo em direções opostas
Talvez outro dia
Então falamos das mudanças, das apostas
Evolução e teorias

Queremos o bem maior que o próprio
Mesmo que esse curto tempo pareça ópio
Queremos o bem maior que o óbvio
Mesmo que amanhã não amanheça sóbrio

É sobre muita coisa
É sob muitas outras

Mas é esse sorriso
Que eu espero reencontrar muitas outras vezes
Nesse olhar e brilho
Que parece uma taça que não mata minha sede

Mas me embriaga de felicidade
Me faz acreditar e ver a verdade
Assim, me salva e dá liberdade
Ciclos para uma futura realidade

É sobre muita coisa
É sob muitas outras

Frenesi Literária

Me controlo ao impulso
Enquanto o pulso é bem mais forte
Me defendo de insultos
Enquanto meu fluxo está sem norte

Mas ainda me encontro em palavras
Em medos e em turbulências
Mas eu ainda procuro as minhas asas
Nos enredos de convivência

Eu tento fazer das minhas rochas
Pontes, mas também muros
E tento me refazer para que possa
Na liberdade me sentir seguro

Não canto em uma gaiola
E também não escrevo em papéis
Não dobro a minha gola
E também não engano alguns fiéis

Mas os mostro pelo que luto
O que planto e o que irei colher como fruto
Para obter um melhor futuro
Ao tempo que leva os minutos como tributo

Agradeço pela inspiração diária
Agradeço pela respiração diária

A Segunda Maria

Não tiraram toda a nossa inocência
Mas a crença e a vontade chegam com uma certa frequência
Não nos entregaram tanta sapiência
Há vezes em que o que é importante nos causa a sonolência

E aí, quando enxurra
Dizem que se afogou
Lágrimas que enxuga
Mas sua fé te salvou

A sua alma para sentir
Seu espírito para repelir
Seus olhos para refletir
E um coração para sorrir

Como você usa as suas armas nessa guerra fria?
Não se impõe paz
Como é o universo perfeito que a sua mente cria?
Não se impõe, faz

E assim... (Nada)

E assim foram abreviados os dias
Nos deram insônia noturna
Os sonhos se tornaram mercadoria
Os pesadelos, boca de urna

Um terço dos querubins, não são mais anjos
E nem um décimo dos homens foram santos

Tantos imersos nessa inércia
Enquanto o tempo corre
Pessoas paradas nas esquinas
Quando quer viver, morre

E aí já é tarde
Sem o seu precioso momento
Vira passado
Carregado como pó pelo vento

Foi sonhar e nem acordou
Não leu o script, não atuou

E assim, fecharam-se as cortinas
Sem ter aplausos e quase ninguém na platéia
Não explodiu e nem fez faísca
Não teve una vida simples, nem sua odisseia

E assim condensado, reduzido
Fez a sua súmula
E assim encurtado e resumido
Culpa em cúpulas

Um infame
Não é fato e nem fábula
Um infeliz
Se tornou apenas, Nada

Gamão

Pensamentos serenos
Do que talvez, um dia, seremos
Pensamentos terrenos
Do que talvez, um dia, teremos

O agora é nossa realidade
Não o sonho ou a saudade

Não que não possamos desejar
Ou sentir falta
Não que não possamos desenhar
Ou fazer pauta

Alguns dizem saber muito sobre o fim do mundo
E nem sabem o que irá acontecer ao final desse dia
Alguns dizem ter as teorias do começo disso tudo
E nem sabem de onde surge a canção ou a poesia

Eu mesmo, não sei...

Síntese de Frenesi ou Sinta-se Feliz

Reclusão temporária, disponha de toda diplomacia
Venetas em filosofia
É melhor o silencio do que dizer qualquer porcaria
Em vereda de afasia

A sua fúria gagueja só um terço da teoria que teria
Quebradas em avaria
Tenta soar como herói e pinta um quadro de ironia
Em vão, sua energia

Talvez até iria
Mas em ira, pereceria
Talvez até faria
Mas em ira, sucumbiria

Você não conseguirá enxergar quando for olhar direto para a luz
Em cidades, países, mundos e universos de alternadas realidades
Caminhar com o peso da inconsciência, achando que é uma cruz
Antes enfrentar os seus demônios em Terra do que na eternidade

Choramos por tão pouco
E não olhamos para os outros
No fundo de seus poços
Fraquezas por trás dos rostos

Sorrisos são máscaras
Conflitos, farpas
Traduzidos em aspas
Cozidos em latas

Tem o medo da morte ou o de viver?

De Um à Dez (Respiração)

Frenesi em simples faísca
Enquanto chama
Não clama minha explosão

Frenesi ao que rabisca
Enquanto canta
Me acalma em sua canção

Expulso meus demônios
Sem exorcismo
E sim exercício de decisão

Expurgo em sinônimos
Adeus abismo
Um novo olá ressurreição

Frenesi sempre Fênix
Sorrisos, olhares
Os dias chegam e se vão

Frenesi sempre feliz
Lembrar é atração
Mas a saudade é traição

Socos na parede
Do esôfago
Ou do coração

Nós, na garganta...

Mistura Rica (Os Muleque é...)

A gíria dos meninos salva
Lava a alma
Punhos ao alto em palmas
Trazem calma

No rádio toca
E na batida da música soca, nos invoca
E quem gosta
Pior que filho morto, é vê-lo nas drogas

E eles sabem
O que vejo é a poesia em tráfico de informação
E eles invadem
Uns fazem da realidade piadas e eles, a salação

O meninos são muito mais homens
Do que esses meros velhos sub-tradicionalistas
No preconceito desses que somem
Não assumem, não são nada, e não são realistas

A narração deles é mais intrigante que Sheldon
Entra forte na mente igual a Sun Tzu
Misturam a Bahia, o samba, esse Brasil inteirão
É Norte e não é só Zona Leste ou Sul

Estou convicto a dizer que melhor Rap é o daqui
Não é só toda a mistura da mais rica
Eles sabem o que falar, sabem como fazer sentir
Ouso dizer que os muleques são zika

Eu ouvi
Minha palavra vale um tiro e eu tenho muita munição
Eu senti
Escrevi, comecei a fazer de cada poesia, uma canção

Soul mais Samba, Por isso o Sorriso

Algumas muambas
Quase sem ter espaço na caçamba
Quase que não tampa
No rádio um chiado e mais o samba

Logo logo vai chegar
Uma mudança ao som de saudosa maloca
Joga as cascas pra lá
Um cavaco, assovios e sorrisos ao que toca

Originais do Brasil
Com destino à São Paulo ou ao Rio
No calor e no frio
Dá um olhar gentil e recebe um hostil

O civil e o covil
Mas onde já se viu
Devolveu, sorriu
Nem tudo é desafio

Só quer somar e ser mais
Deixa ele com o seu som
Não quer domar, quer paz
Deixa ele com o seu dom

Mas o que tem depois do final feliz?

O agradecimento
É a mais honesta das orações
E a superação
É a mais sincera das ambições

Então prepare-se para receber um conselho
Um tanto que sádico
Cuidar da própria vida ou olhar pro espelho
É muito mais prático

Abra sua mente
Não tranque ela igual a uma cela
E não se sente
Só observando como uma novela

Não siga a quem não quer saber
Não se importa se um dia tu for refém
Pois o desejo forte não é o de ter
É o de ceder e também ser de alguém

Quem conhece a paz
Quer apenas o amor e não a guerra
Observa o Universo
Mas só quer um cantinho na Terra

Pra ver se um dia ele entende
O que é...
O viveram felizes para sempre
Tem fé...

Mas o que tem depois do final feliz?
Dizem que tem muitas batalhas, guri

A Nona (Segundo e Quarto)

A poeira desenha os traços
Do até então invisível
Entra nos lares e barracos
Doando o ar perecível

Dias secos de Outono
Dias frios virão no Inverno
No Verão é um forno
E na Primavera é um terno

Estamos dentro de um ciclo
Não somos um centro
E estamos dentro desse rito
De ventos e momentos

Grãos do Universo
Poeiras cósmicas
O que é ser eterno
Em várias óticas

Mito Grego ou astral
Ou em historias Nórdicas
O personagem central
E um lírico da devotchka

Mesmo ao respeito
A fúria cela mais um destino
Gloopy, sem jeito
Entre os homens e meninos

(A)Corda

Piano de dar corda Bailarina com o pé de imã Espelho de voltas Luzes e cores num prisma
Os olhos dessa criança vidram Sempre nessa mesma beleza Enquanto os adultos, brindam E deixam conversas na mesa
Bolhas nos dedos O sangue que vai se escorrendo É dor aprendendo Sofrendo e não se arrependendo
Estudos que quer aprimorar Lápis para a poesia e pro desenhar Escreve notas que vai tocar Mas não sabe o que vai improvisar
Sempre sai do contexto Mas continua no tempo
Num mundo cheio de regras impostas Onde nem tudo tem sua resposta Num mundo cheio de mentes opostas Tem que ser em você, sua aposta

Camomila

Nem todo doce é goodvibe
Nem todo Latim tem a tecla sap
Nem toda fúria quer mate
E nem todo bum segue de clack

Penso, logo crio
Mas há um simples Destino
Com seu ato frio
À dois passos de seu ensino

Abstrato, cheio de detalhes para observar
Nós, a tirar conclusões confusas no pensar

Dores do vazio
Que é tão saudosista
O ódio é notório
Pelos tradicionalistas

E peço a quem estiver lendo isso
Passe logo, pro próximo capítulo

Apenas uma Neblina

A Neblina cinzenta
Quase escura
De quem se isenta
De sua culpa

Neblina do perdoar
Sem vento
Que se foi por doar
Seu tempo

Neblina das lágrimas
Na chuva que passa pelo rosto
Se infiltra de lástimas
Em sua alma, espírito e corpo

Neblina de concreto
Onde será feita a ponte ou o muro
E nada por completo
Será acolhedora ou fará-se escudo

Neblina do ainda
Sem saber o que fazer
Como seguir a vida
Qual caminho percorrer

E depois da tempestade vem a bonança
Mas isso é apenas uma neblina, criança

Nem nós, nem laços

Falta algo
Um pedaço que eu recebi e mesmo assim, perdi Falta laço Como num cadarço desamarrado, torpecei e caí
E então, pretérito perfeito Indicativo, porém é indagativo  O que eu poderia ter feito É sugestivo, porém compassivo
E hoje nada em definitivo Indecisões em ações minuciosas ao objetivo Muito racional e sensitivo É dentre a intuição, o instrutivo e o instintivo 
Temos saudades daquilo que pode voltar Aquilo que perdemos é falta Tememos a verdade no deixar, no libertar Pois não sabemos pela alma
Se aquela era mesmo a outra metade Do que um dia já fez parte Voltar a ser quase algo, é fragilidade O olhar de Vênus pra Marte
Longe, distante, platônico Longe, distante e irônico...

Estirão e Estiadas

A gíria não massacra nosso vocabulário
Ao contrário, enriquece
A licença poética dentre urbano e diário
A quem é nosso alicerce

Não é de classe, de estudo ou de operário
É de quem não se esquece
Não é uma farsa, é o escudo, é o santuário
É a fé ao dia que fortalece

E é sempre essa prece sem pressa
Pois as coisas mudam
Curvas, ruas, viadutos e travessas
Que vêm e se cruzam

Faz parte...

Há uma saudade impar
Do mesmo modo que há uma em par
Embora em faltas de ar
Ambas valorosas, diamante ou âmbar

Por qual sangrar?
Por que se sugar?

Saiba que o verdadeiro tesouro
Está no Presente, dado pelo mesmo
Em baixo de um banco de couro
No canto ou ao lado, não é segredo

O pior cego é aquele que não quer ver
Assim como o pior mudo é o que não fala
E o pior surdo é o que não ouve, ao ter
Não crê ao saber lá no fundo de sua alma

Que o tempo, os caminhos e as escolhas separam
Faz parte do ciclo
Como mãos que bagunçam e arrumam, espalham
Faz parte do circo

Das duas às duas

Das duas às duas
Sarau para o Sol e para a Lua Na arte das ruas Não à venda e nem semi-nua
Histórias na poesia que se perpetua Em alguma canção que flutua Na esperança de que mais se inclua E que o termino não se conclua
Não é só minha e nem é apenas sua É toda nossa e é mútua  Vamos tumultuar ou ficar de estatua Ao que no peito se tatua
Na ênfase do que se acentua Há a fé que triunfa E na mistura do que se junta Somas de culturas
Dividem ao multiplicar e por ventura Farturas de criaturas cheias de ternura Na procura da moldura, pela pintura Loucura e bravura, torturas e canduras
Das duas às duas Na arte das ruas

Confusões ou Conclusões... (Entre Platônicos, Sócrates, Filosofias, Teorias e Práticas de Horácio)

Dons da arte pagã
Vãs filosofias num divã
E as teorias cristãs
Entre serpentes e maçãs

Algum talismã
Feito de arruda, trevo ou romã
Os deuses e titãs
Histórias de ontem ou amanhã

Pintura, poesia sã
Blusa de tricô em lã
Castanho de avelã
No olhar dessa vilã

Bruxaria, eu estou tantã
Fiz até o seu café da manhã
Minha armadura, seu imã
Na princesa vestida de aldeã

Bagunçando todas as profecias xamãs
Preciso apenas decidir
Futuro incerto, de continuar nesse clã
Acho que vou sair daqui

Nada de exatas ou humanas
Qual é a música que nos tocará?
As certezas parecem insanas
Qual verdade que nos libertará?

Só sei, que nada...

Primeiro Andar

No começo tudo é tão belo
Ficamos maravilhados
E independente do castelo
No meio é complicado

E por que teve que ser assim?
Bem rápido, chegou seu fim
Trágico sim, mas o que enfim?
Sorriso que faz falta pra mim

De poucas curvas
Quase que reto
E Sincero, na sua
Apenas honesto

Fortes, são as palavras
A saudade não me leva, mas eu levo ela
Fortes, são essas asas
A oração não é vela, mas eu ascendo ela

Lembrar de você não me faz sofrer
Pois tu me ensinou a crescer
A querer ser aquele que vai vencer
Garra que vem ser, fortalecer

Sonhos que você me ajuda a ter acordado
Acordo comigo profetizado e concretizado

No primeiro andar
Bem aqui na Terra
Escadas, alcançar
O ciclo se encerra?

(In)Versão

Alguns pregam palavras de aceitação
Outros, imposição
E alguns usam a cruz como a religião
Outros, inquisição

Mas Deus é muito, mas muito mais do que isso
Ele é a paz, Ele é a humildade em compromisso

Alguns interpretam Paulo, Corintios, Pedro
Decoram versículos e parábolas
E eu interpreto Sun Tzu, Quintana e Coelho
Observo entre liberdade e gaiolas

Eu sei qual é a minha escola
E o que somo em mim, valorizar Sei o que é doação ou esmola E onde se paga pra economizar
Tradução ao pé da letra não faz sentido Não é só o que sou Então me explica o que estou sentindo? Não é só um som...

Veras, Feras, Meras e Quimeras

Mais do que inspiração
Lição de vida
Mais do que respiração
Ação e saída

Passos e trechos
Em acontecimentos e segredos
E traços e erros
O racionamento cheio de receio

E na última bolacha do pacote
Sem o recheio
No eterno jogo de azar e sorte
Mais um texto

Vai lendo
Entre a vírgula e o personagem
Vai vendo
Entre as vísceras e as paisagens

É muito mais do que só a imaginação
Narrativa, poesia ou canção
Muito mais do que cicatriz, mutilação
O tato, olfato, fato ou ficção

Está além das leituras
Está aí, bem, nas ruas

Teatros e Cortinas

Entre pródigos e prodígios
Haverá desapegos e vícios
E entre os restos e resíduos
Ao fim, ao meio, ao início

Entre códigos e esconderijos
Haverá encobertos e vestígios
Entre os liceus e os hospícios
Loucos e sábios sem sentido...

Se sentindo?

Autoridades laicas
Maioridade babaca
Aos deuses e vacas
Uma busca opaca

Sua fé é fraca?
Sua lagoa é rasa?
Sua chama é brasa?
Sua medalha é de lata?

Vão perguntar
E não importa a sua resposta
Vão interpretar
Uma visão imposta, preconceituosa

Não importa o quão conhecem de ti
Será mero personagem coadjuvante
Se você mesmo em si, não se refletir
Será deprecionante, mero figurante

(De)Linear em meio à Insônia

Esperava a vinda do sono
Que já estava atrasado há horas
Que passa por aqui e se vai, sem demora

Morpheu deixou poucas poeiras
Já passava da meia noite a essa abobora
Sem ter receio, apenas me olhou e foi embora

As noites em brancos ganharam linhas
E as linhas ganharam frases cheias de rimas
As rimas refletiam o que eu queria e assim sentia

Às vezes o branco ganhava personagens
Anônimos em meus desenhos, poesias e viagens
Pontes que nenhum de meus sonhos me dariam de passagem

A realidade de criar, inventar em ventar
Sentir o sopro de uma narrativa a soar, sussurrar
Em mil vozes que chegam com mil histórias a me ditar, meditar

Quando o sono chega, já sonhei bastante
Dividi o que espero multiplicar aos plebes e elegantes
Frases distantes, que desejo que sejam penetrantes e interessantes

E por que não, até chocantes?
Consoantes, constantes e ofegantes!
A todo instante vibrante e radiante e não, irritante...

Sem Latin ou Latir e sim, Destrategias sem Poses

Solitário cão de rua
Está sem sono e sem forças
Para uivar pra Lua

Solitário cão de rua
Num prato de lixos e moscas
E já passou das duas

Na companhia de frio e medo
Em contagens regressivas ao relento
E contagens agressivas onde corta o vento

Passos de um vira-lata sujo
Que nem sabe qual é o seu vulgo
Ou ao menos, o que veio fazer no mundo

Já nem clama mais por carinho
E também não sabe o porque deste caminho
Onde todos os olhares de pena o deixam mais sozinho

Indigente aos maus tratos
Não sabe o que é fazer alguns trapos
Sem cadarços ou chinelo na boca, apenas ratos

Às vezes aparece outro louco
Emprestando o seu sorriso solto
A quem possa dividir o seu tão pouco

Só se sente livre quando não está só
Não deixa os seus laços se tornarem nó
E sim nós, outrora entre altruístas e atroz

Mas o por hora é o que importa
Não quer saber do antes ou após
Mesmo que o momento seja veloz

Ele é tão rico...

O Olhar de Lata, não Dilata

Eu não reconheço mais em ti
A pessoa que eu conhecia
Cheia de suas vãs filosofias
E encapuzada nas teorias

Talvez não enxerguei
Do que os seus olhos realmente se enchiam
Talvez nem apreciei
Pois eles nada pareciam e apenas pereciam

Em um vazio que nada preenchia
E nem ao menos desejava ficar, ou, estar cheio
Fez de seus afazeres mera afasia
E na hora de correr, pisava fundo, mas no freio

Suas poesias eram sobre as tristezas e nada mais
Agora se chama Saudade, deixou de ser a Nostalgia
E seu recolhimento é uma eterna busca pela paz
Agora reclama com a verdade - Cadê minha Utopia?

Trocou seu personagem que sorria, por um de pura melancolia
Seus movimentos são inércia e não mais energia
Trocou o personagem cheio de empatia por um cheio de apatia
Seu olhar agora tem muita indiferença e agonia

Foi diamante, foi ouro, foi prata e agora é só lata
Só espero que essa corda, não seja sua gravata

Magno

Basta um simples oi
Para a nossa conversa durar horas
Basta reviver o passado
Sonhar com o futuro, fazê-los agora

Basta um vago bu...
Para levarmos um susto
E o que parece barato
Poderá ter um alto custo

Penso, logo existo
E os pensamentos que divido
Creio que multiplico
Não é só no reflexo que reflito

É só começar
Explodir homenagens com o brilho
É só inventar
Esculpir personagens com sorrisos

Tento, logo resisto
Vejo, logo registro

Acordei com essa música na cabeça

Estava pensando em te levar
Para algum lugar perto do mar
Pode chover e pode até nevar
Eu vou passar aí pra te buscar

E agora sorrir, é meu ato eleito
Olhar em seus olhos causa esse efeito
Pode tentar me deixar sem jeito
Mas depois me acolha em seu peito

Hoje vou lutar e ninguém vai me deter
Paz, amor, carinho e você
Numa liberdade que quero me prender
Paz , amor, carinho e você

Acordei com essa música na cabeça
Te fazer do bolo minha cereja
Te trazer pra roda e foda-se a cerveja
E ter pra mim toda essa beleza

Mulher-aranha me prenda em sua teia
Ou me leve pro fundo mar, seria
Luz que candeia minha cela ou cadeia
És pela janela minha Lua cheia

Hoje vou fazer todas as rimas clichés
São sobre paz, amor, carinho e você
Hoje todas as verdades vão nos dizer
Que é só a paz, amor, carinho e você

Um tolo sem um ouro de tolo

A gente cresce
Mas não esquece
Que prevalece
Aquilo que aquece

Em momentos, sorrir
Talvez em brigas, discutir
Em espelhos, refletir
Ou em explosões, destruir

Somos bombas-relógio
Esperando que alguém venha desarmar
Somos almas nos olhos
Esperando em lágrimas, vir a derramar

Sabe sobre lobo em pele de cordeiro?
Sou cordeiro em pele de lobo
Posso ter cara de mal e ser sorrateiro,
Mas por baixo da pele sou tolo

Nada de ouro, somente tolo mesmo...

Casa dos Ventos

Paisagismo O turismo da mente na pausa Fascinismo  O ilusionismo da mante rasa
Seus sonhos são muito grandes Para ficar em sua casa Sua liberdade é tão interessante Então abra as suas asas
Seus sonhos são maiores Que sua cama, realidades e farsas Faz de sétimas ou menores Na brasa, mora, vai lá, vai, arrasa
Para esculpir Retiramos o que é desnecessário E para iludir Fazemos preces em um santuário
Não sabe a força de suas orações Pede e nem sabe o que está recebendo Pois só alguns, fazem aquisições Outras pessoas só aprendem perdendo
Isso, quando aprendem Pois normalmente se arrependem E aqui, não permanecem A mente longe e nem se ofendem
Foda-se o que vão dizer Precisam de Tempo Mova-se se queres viver Olha aí, o Tempo...

Cantando

Quando quero machucar o coração
Ouço um som do sertão
E quando quero me exagerar feliz
Ouço um samba de raiz

Independente da emoção
O que me soma, é a canção
Em ritmos, frases, fração
O milagre da multiplicação

Não é só a bossa, ouça
É toda a nossa força
Roupas largas ou curtas
O que tu veste, custa

Independente de seu axé ou sua fé
De chapéu ou boné
Sendo você, da nobreza ou da ralé
Malandro ou mané

Sobre aquilo que acontece aqui dentro ou lá fora
Cliché, que cantando eu mando a tristeza embora

Atenciosamente, Coerência

Minha prioridade Num curto período tempo-dia Onde bate saudade D'eu me revigorar em poesias
E independente De Sol, chuva, garoa fina Eu não abro mão De todas as minhas rimas
Foi uma identidade Que aos poucos foi criada E de ser tão cidade Como uma filha, adotada
Sorrir  Sinto falta de só rir Sem ti Sinto falta de sentir

Horácio (parte 3)

Apesar de toda a evolução Em sonhos, em aprendizados O Agora sem apresentação É o maior presente lhe dado
O que vai ter, transforma o agora Em ansiedade ou angústia O que já teve, transforma o agora Em saudades ou loucuras

Horácio (parte 2)

Explosões, terremotos
Gritos no silêncio, palavras jogadas ao vento
Exclusões, territórios
Seus complexos terços, metades e por centos

Onde o tudo e o nada
Se tornam o mesmo horizonte
Caminho, caminhada
Ao que aparece ou se esconde

Passam estrelas cadentes
E alguns desejos não são realizados
Dos que olharam para frente
Não perceberam o que tinham do lado

Horácio (parte 1)

Aos caminhos, você para Ou separa os grãos Ao que se retrata e repara Prepara para oração
A evolução de dois mundos O corpo e a alma Na restauração do ser único Liberdade, jaula
No cliché de Sem sacrifício, sem glória O que não doeu antes, dói agora
No cliché de O milagre vem ao que ora O que era interno, põe pra fora

Prefácio de Coexistência (Rascunho)

As nuvens nos provam
Que vemos Apenas aquilo que nós Queremos
A criança foge da realidade Criando um outra ou rabiscando
E os jovem pintam a cidade
De cinza, degradê, degradando
E é no ópio do ser pensante Em sapiência, loucura e ceticismo Colisões diárias e ofegantes Entre as curiosidades e o cinismo
Que está a obra de arte surrealista Vinda de um poeta já desapaixonado Em cores vivas que nos dão pistas Que nós deixamos e somos deixados
Tudo tem fim e um círculo não tem sentido Apesar das suas voltas, nada volta Tudo há de vir em vinculo à mais um ciclo Reciclo de notas, valor que se nota
Do preço ou da canção E o valor de quem não tem Do receio ou da reação E o sabor do que não vem

Plutônio

O que é fácil na vida de um homem?
Às vezes nem o seu respirar é
E estão nas lembranças que somem
O preço de pensar, pulsar, ter fé

O expediente do pedinte
Nas entranhas do suor, vapor e Sol
Invisível ao seu convite
Sem cadarços, sem nós, morrer só

Pode me esperar, que eu quero estar na chuva
E pode testemunhar e assim desabafar pra Lua

Olha, não vou mentir
Que muito eu senti, por muito passei
Que o tanto que sorri
Foram minhas lágrimas que mascarei

E não é de se esperar
Quando algo te acertar pelas costas
Nem tudo passa pelo olhar
Que sem perguntar, fica sem resposta

Então começa a sangrar...

O nosso sentimento é como o plutônio que ocorre
Assim que se desestabiliza, estremece e explode

Metáfora do Poço (A parábola do moço)

Existia um poço bem fundo
Escondido num pântano, imundo
Dois jovens curiosos caíram lá
Um na metade e o outro no final

O que caiu na metade tinha como subir
E por horas tentou esticar a mão para puxar o amigo
Porém a distância era alta, não iria conseguir
Então ele subiu o poço e por horas deixou-o em perigo

A falta de ar, a escuridão que chegava, ele perdeu a fé
O tempo se passou dentro da solidão
E quando não tinha mais forças, sentiu algo em seu pé
Ecoou um grito de "-MEU IRMÃO"

Ele trazia uma corda
Que teve que buscar bem longe
E isso nos dá a resposta
Os meios, os fins e a sua fonte

É preciso sair do poço para salvar quem está no fundo
Não adianta falar de Deus, se não fala com Ele
Não adianta falar de paz, se sente ódio
Não adianta falar de liberdade estando preso

Do que adianta falar de seguir em frente
Se você mesmo
Está parado no Tempo?

A Lei da Paz

Mostre compaixão ao mundo
E então ganhe estigmas
Ou mostre seu ódio, repúdio
E assim, instigue mais

É bem mais fácil criar conflito
Despedaçar a fé dos convictos

A Lei da Paz
Foi escrita por um mero Barrabás
Simples rapaz
Que por hora, há tempos, aqui jaz

E é bem mais fácil falar
Do que se calar, escutar

A Lei da Paz consiste no simples respeito
Pois todos seremos jugados em nosso leito
Em um resumo das várias frases de efeito
Ter consciência de que nós temos defeitos

Mas em verdade vos digo, a todo firmamento
A Lei da Paz vai além do nosso conhecimento

Estátuas de Sal (parte 2)

Nós ansiamos pelo passado
Por saudosismo puro
Somos anciães amargurados
Com medo do futuro

Nossa ânsia está no óbito
E nas passagens da questão
Decesso em desejo óbvio
De continuar aos que estão

A Luz vem e o que farei?

Capítulo 27, Últimas Páginas

Com o passar dos anos os ateus ficam mais crentes
Assim como os crentes vão ficando mais ateus
Numa insensata busca pelas verdades de sua mente
Acreditando no inicio em Ciência ou em Deus

Mas vos digo; Entre tantas Ceras e tantos Serás
Há um ciclo e um reciclo
Uma Primavera, um Verão e naquilo que Verás
Haverão vários versículos

Capítulos narrados em livros para dormir
Para botar medo ou fazer a criança sorrir

Do Cético ao Insético (Em questão de alguns segundos de dor)

A dor que eu sinto no peito, é muscular
No impulso de pensar e no ato de desatar
A dor que sinto no peito é de massacrar
Nas máscaras a enfeitar e depois desabar

Me encontro em uma vala, o vento se cala
E o Silencio fala que o Tempo nunca falha

Eu observo a Lua, que não precisa ser muito
Ou mais do que já é, para nos surpreender
É apenas um horizonte inalcançável ao surto
Que está dentro de um sonho a se render

Mas horizontes não são nada além de lugares
Vagos, longes, a espera de milagres sem lares

Andar, caminhar, respirar e de algum modo, chegar
Assim então, entender
Que dentro de horizontes há tantos outros horizontes
Caminhos a percorrer

Nós somos insetos na floresta desse Planeta Universo
Em busca de um rumo que não sabemos se é regresso

Mas nós, nós seguimos
O que, eu ainda nem sei
E chamamos de instinto
O passado que eu trilhei

A dor que eu sinto no peito de meu pé, foi de algo que chutei
De tão bruta força, não percebi que eu mesmo me machuquei

31, 13 (Óticas)

O mundo pode até mudar alguns conceitos
Mas continua cheio de preconceitos
Dizemos a ele que nós não somos perfeitos
Queremos que aceitem nosso defeito

Ficamos insatisfeitos
Quando não sai do nosso jeito
Os caminhos são estreitos
E tudo parece estar, ser suspeito

Eles usam frases de efeito
Para tirarem proveito
De repente, mais um eleito
E a nossa fé em leito

Luto na crença ao sujeito
Pretérito ao acaso desfeito

Um Olhar saudoso, fechado e de braços cruzados, quase sorrindo (...)

O platônico ser E as lágrimas do próximo Não adianta dizer Ou fingir e parecer obvio
Bem, ótimo, não estamos O peito bombeia e nas veias corre diferente Em ódio, então, choramos Vemos aquilo que não está em nossa frente
Ganhamos um presente entregue pelo passado Em meio a bagunça de uma organização Até podemos chegar a um horizonte observado E vemos que lá, há mais que uma fração
Nós somos nossa viagem ou nossa paisagem? Nós somos uma imagem ou uma mensagem?
Talvez antes eu diria Escritos certos em linhas tortas Talvez hoje eu fugiria Sem rumos, mapas ou até rotas
Mas tive empatia com o meu eu do futuro E preferi ficar e aqui tomar um novo rumo

Não é Insônia nem Insânia

Às vezes vejo sua face em outras
Não sei se isso é solidão ou se é saudade
E não dói no peito, nem na alma
Me acuso, mas não me jugo de insanidade

Meu sentimento é razão
Mas você anda muito presente em minhas visões
Não te sinto no coração
Eu ainda não te incluí em uma de minhas canções

E até tenho dito muito sobre desatinos
Talvez você seja apenas uma repetida alucinação
Se o tempo te colocará em meu destino
Não sei, hoje é apenas uma estranha recordação

Esteiras

Somos seres em busca do infinito O ponto de ignição, de disparo e explosão Somos a busca insensata no ciclo Queremos voltar a ser livres na imensidão
Somos o nosso deus preso a um corpo Alma, espírito, carne, mente e sentidos Que não fazem muito, diante ao sopro Do vento, do tempo e qualquer resíduo
O que existe é que queríamos estar aqui Mas nós nos prendemos e temos medo de sair Os arcanos tentam nos devolver o refletir Mas os arcanjos da verdade nos fazem repelir
Se o que é confuso, é sensato O que é mentira pode ser fato
Saiba que não é confusão É apenas loucura E loucura é pensamento Espasmos sem fúria

Quarto Escuro (Título Cliché)

A confiança na escuridão Aparece quando há lembrança e esperança A blindagem em exatidão A tornar-se ineficaz próximo à temperança
Sei aonde piso mesmo cego Onde os outros sentidos fazem mais sentido Sei o que digo mesmo quieto Onde os outros sentidos fazem mais sentido
Sem lanterna ou vela Na minha luz que é eterna Me guio por cavernas Em minha fé que é interna
E os outros somam muito mais do que os explicados Explosão de questões que estão cheios de estilhaços

E se o tempo parasse?

Impeço qualquer olhar profano Volto a fazer meus planos Peço perdão por ser tão humano E de continuar sangrando
Alguns dos pensamentos não merecem ser divididos Devem ser alinhados, meditados para não soarem como uma loucura E quando falar consigo, não tente ser compreendido Pois externamente existem outras mentes tentando ter a sua aventura
Tentando se encontrar internamente em outro espaço Cada um tem seu momento, seu ciclo e escolhas O Tempo é rei e não respeitá-lo, será pune de fracasso Na Primavera floresce e no Outono, adeus folhas
Eu tento me suprir no linear Que em meus pensamentos não existem Para de algum modo superar Meros fatores do que conquiste, consiste
E uma coisa eu aprendi, amarrar o cadarço e não me esqueci Me esqueci de quando foi, mas de certo modo sei que cresci
É... E se o tempo parasse?

Às Dez, Soares

Perto da morte O homem trabalha para dizer que viveu até o fim É tanta batalha Para um dia ele não ter foças e não conseguir sair
Um semblante trágico do comediante Contemplando o horizonte A plenitude de sua liberdade tediante Completando um Origami
O pássaro não voa O sapo apenas parece que pula Um barco sem proa No seu amassado que se anula
Mais um livro que não saiu do rascunho Em mais uma semana, em vão ao punho
Apesar de um dia cheio, sente o vazio Algo sobre o bem e o mal Ele se questiona estar doente ou sadio Algo entre o inicio e o final

Polimania

O inconsciente sabe bem o que quer Sabe de tudo o que irá acontecer E o consciente se encarrega do peso Porém sabe que vai se arrepender
Deixamos no piloto automático Em vasta polimania  Numa luta contra o pragmático Escrituras e afasias
Estamos presos a todo o horizonte de outros E os outros livres de nosso tédio Somos cárceres de nossos próprios monstros O caminho é linear, mas não reto
Nós queremos estar onde muitos querem fugir E muitos querem estar bem aqui Queremos saber como todos fazem para sorrir E nós nem paramos para refletir
Ou observar nosso reflexo...

Retidão

Algumas canções nos dizem mais Do que suas poesias e harmonias E nos trazem compreensão e paz Ao que se supõe, teoria, rebeldia
Assim como a luz apenas aponta Ao que devemos enxergar Assim como o silencio nos conta Ao que poderemos escutar
Não olhamos direto para a fonte no céu Sabemos que vamos nos cegar E não olhamos direto para a fonte de fel Sabemos a quem devemos orar
Fonte de fé Em seu foco e força Fonte de fé Não olhe e não ouça
Pois saiba que o seu Deus Não é o mesmo que o meu

Irredutíveis, Perecíveis e Anjos

Heróis de guerra
São seres sobreviventes
Os de quadrinhos
São deuses inexistentes

E os de telas
Podem até estar bem na nossa frente
Mas sambemos
Que eles são mitos criados pela mente

Histórias que não aconteceram
Mas nos ensinam
Meros fios que não se teceram
Mas nos fascinam

Heróis do lar
São seres que as histórias não contam
Mas sabemos
Onde estão, o que fazem e aprontam

Não são novelas
Séries, leituras, não são imaginação
São orações, velas
Celebres criaturas de nossa canção

Anjos da guarda para quem merece
Mente que não diminui, mas morre
E independente do tipo de sua prece
História que em sua inércia, ocorre