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Mostrando postagens de Maio, 2014

Graduações

Superação e triunfo
Sua força vem de onde menos imagina
Do destino, o trunfo
De filosofia e princípios, toda doutrina

Da queda, se levantar
Do arrependimento, não mais errar
De seus cortes, cicatrizar
Da fúria, uma paz interior encontrar

Transições de energias
O trago do sabor e a fumaça da dor
Transmissões e melodias
O gole que não mata a sede em teor

A transformação do bem em mal e vice-versa
Dez jogadas em uma só ou andando em inércia

Amor, Traçar e Não Amordaçar

E essa paz que é transmitida
Por sua simples presença, por seu simples perfume
E na ausência não é invertida
Está aqui em crença, me faz sorrir como de costume

Aumento o volume quando toca a nossa música
Mesmo em distância, eu sei que és minha única

Nosso Folclore é Crer

O que nos faz querer ser
É aquilo que nos inspira
O que observamos ao crer
É uma fé que se transpira

O mundo gira
Enquanto ao voto, ainda se respira
E a gente pira
Mas nossos sonhos, ninguém tira

E a mesa, vira
Nem todo devaneio é de mentira
Há quem se retira
Fraqueja e se entrega à sua ira

De todo interior
Somos caipiras
De nosso folclore
Sacis e Curupiras

Comissário à Bordo

A vida é essa jaula para esses canários otários
Que desejam sair, mas não sabem o que vão fazer lá fora
Um missionário com um dicionário nos braços
Levando a palavra, a frase e a crase conjugada na hora

Um cenário cheio de questionários
Um revolucionário fora do plenário
Um funcionário tão extraordinário
Um visionário, que seja fracionário

Quis apenas falar pouco
E jogou perolas ao porco

Sei que Ela é uma Sequela (Apocalipses Diários)

Mentes incrédulas
Em suas células
Sonhos por cédulas
Ceder, vésperas

De pólvoras e cóleras
O pavio se acenderá
Espera-se por operas
De navio e perolas

Em moleques e moléculas
De tudo, em todas aquelas sequelas
Foram ditadas por ela
Também pudera a quem teme a fera

A quem só vê nela
Um ser que se venera
A quem senti nela
O perfume que tempera

Soldados incapacitados
Sentados do outro lado

As velas nas capelas
A novela pelas janelas
Os donos das donzelas
No sangue que nos cela

Um olhar para o futuro nos olhos da esfera
Que apaga o verde das florestas
Soldados a seguir a sua poderosa quimera
Que leva tudo o que nos resta

O Deus dos lideres é Capital
Que faz de todo dia, um final

Piso Firme

Só ela que era daninha
E era a minha erva
Difícil deixá-la sozinha
Pra tomar uma ceva

No frio ela é a minha coberta de razão
No calor é a descoberta da minha emoção

O peito incha da dor que deixa mais forte
Uma definição que é do corpo ou mental
As trilhas dependem da sorte ou do norte
Na distinção que vem de um sopro astral

Eu voei, eu vou e volto
Se suei, sou e não solto

É o soar das conchas
Que capturaram o som do mar
O voar das sombras
Que capturam quem está no ar

A cabeça lá nas nuvens e os pés aqui no chão
Piso firme, mas eu me levo e elevo minhas mãos

Padrões Atuais, quem Atua e que é Tua (Quieto, Que é Tudo)

Contei as flexões
Me perdi em números pensando em quase tudo
Cantei as emoções
Me perdi em fantasmas e me livrei desse mundo

Contei o confecções
E em seu desprezo dancei junto ao desespero
Cantei com ficções
Convicto ao mante, invicto ao montar o terço

Uma parte de mim é oração e a outra parte é a crença
Uma parte de mim é a criação da criança, não cresça

Minhas histórias contra Dragões
São iguais a do pescador
E eu que vivo de algumas ilusões
Não deixo de ser sonhador

Pescador de ilusões nesses padrões atuais
O que eu quero mais, é a minha, a nossa paz

Castelo de Giz

Tradicional final
Batidas, batuques e pesos
Distorção surreal
Onde não se sabe o enredo

Bate no prato e é assim que se finaliza
Ou não, um talvez
O amante esperou amanhecer sua brisa
E não o anoitecer

Fez-se da sua fé
Um ser que agora é
Confusão de café
Um calculo qualquer

Esqueça todo blablablá
O que fazemos é o lálaia

Onde quem andará, cairá
Se levantará, se sentirá
E sua debutante escolherá
Um par no qual dançará

A cada jogar de dados, uma escolha
A cada capitulo, as paginas e as folhas

Saudades de Saturno

A Terra é quem respira, transpira a gente
Antes que a saudade de Saturno a infecte
De seus vastos anéis, sua duvidosa mente
E de repente um silencio o que se detecte

É um teste de leste a oeste
Contagiosamente celeste
Ao que nos reste, se veste
Toda peste que se preste

E do agreste, Nordeste
Não moleste o Sudeste

Verde

Demanda do mundo
Domínio, domingo
Semana e segundos
Segunda, seguidos

De tempero e de temperança
De desespero e de esperança

É natural
Como sorrir com a alma
E surreal
Como se sentir em casa

Um vai e vem das bebidas que não matam a sede
Esperanças e liberdades em semelhança ao verde

Circunferências

Aos porcos, lavagem
Aos olhos, a viagem
Aos livres, selvagem
Aos mares, margem

Aos tiros, vantagem
Aos quadros, imagem
Aos ritos, passagem
Aos mitos, a linhagem

Aos sonhos, miragem
Ao silencio, abordagem
Ao peito, tua coragem
À mente, aprendizagem
Aos motores, a engrenagem Aos antigos e suas bagagens Aos mestres, a homenagem Aos ventos, nossas aragens 

Guacina

Minha mente trabalha
E raramente faz suas anotações
Vem e vai sem navalha
No tempo que me leva as razões

Furta-me a memória
Fúria em purgatória
Sepultura e rogatória
Surta, insatisfatória

Mas algumas coisas eu até escrevi
Transformei em poesias que eu senti

Rebarbas

O canto da ave
Seguindo o ritmo da gaiola e do violão
O rugido grave
Enjaulado de uma singela fera, um leão

Acredita que aquela seja a sua liberdade
Porque ainda não foi mostrada a ele toda a verdade
Existe uma prisão de amar a sua saudade
Nela reside o monstro e o carcereiro da voracidade

O ser gasta as suas energias ao estar enjaulado
E em seus raros momentos livres, está cansado

Só lhe resta um dormir
E em sonho sorrir
Vago segundo a refletir
Vaga, mas não aqui

Reminiscência, Ciência e Inconsciência

A voz de sua criança espiritual
Vira uma lembrança mental
O que foi real e parece surreal
Uma cura com açúcar e sal

O tempo que só queria crescer
Fazer seu herói do papel aparecer
Os poderes que tu desejava ter
Era só pra salvar e para proteger

O tempo é o herói, a cura, mas também o vampiro
Que se transforma em loucura e suga o seu suspiro

C.M.

Lapso do tempo
No peito, leito de réis
Colapso ao vento
Gira lamentos de papéis

Jurou que amava, mas que deixou partir
Surrou a casa, as portas não vão se abrir

Tambor Zulu

Função de braços pra trás balançando
Gingando na gíria, ele gira
Nação, geração e reação se levantando
Reerguendo de cabeça erguida

Tambor nas caixas do coração
Na história vira que uma canção

O Mágico

O medo é toda uma insonia
Que não nos deixa sonhar
Tudo o que me impulsiona
É uma sinfonia, ao cantar

Sintonia de poesias e teorias
Harmonia entre vivas e reflita...

Sonhando e Sonhando

Hoje, quem olha
Vê o que mudou
E quem conhece
Sabe quem eu sou

O que restou das aparências
Consciência e ciências
O que restou na permanência
Coerência e clemência

Perdoar não dói, se doa
A canção não sai, se soa

Um ciclo de inspirações
De quem se foi e de quem virá
Risco de conspirações
Quem vem de trás e quem trairá

Ah... eu ando e ando
Sonhando e sonhando

Latrinas

Por mais que eu acredite que tu esteja num lugar melhor
Acreditar não me impedirá de chorar
Apesar de ter a dor e saber que também retornarei ao pó
Diminui na dor do estar, querer ficar

O ser e o não ser em questão
Escolhas de milhas e de trilhas
O ver e o não ver em questão
Escolhas de rinhas e das rimas

Sobre o que você vai falar e qual será o seu assunto
Sobre universos, constelações, eternos e seu mundo

Sem vergonha de amar ou sonhar
Sem medo de se machucar e sangrar
Sem medo de tentar e de terminar
Sem medo de determinar e atravessar

Crise Inexistencial

Vão te julgar  Em vão, até tentar te ajudar Não conjugar Leões de Covas ou de Judá

Eu já fiz tanta burrada
Que nem ligo mais se Deus, foi imperfeito
E já levei tanta pedrada
Que nem ligo mais se agora, nada for feito

Toda dor te deixa mais forte
Todo amor te deixa sem sorte
Todo valor tem algum norte
Todo olhar a quem te importe

Aqui é só um passaporte
É um transporte além da morte
Aqui é só um passaporte
Que toda crença se faz suporte

Eu já nem ligo pro que vim fazer aqui...

Príncipes e Princípios

Batidas rítmicas no violão
Os folclores da própria percussão
Em histórias faço excursão
Entre luz e escuridão, uma ilusão

Castelos de lápis, papelão e de areia
Castanhas, avelãs, as princesas e as sereias
Presos em calabouços ou em teias
As formigas gigantes e as pequenas baleias

E um corajoso príncipe que morava
Em uma pequena estrela
E que pras suas viagens embarcava
Na calda de um cometa

O futuro do herói
Que tem uma mente que se constrói
E depende de nós
Enquanto o nosso mundo se destrói

Criemos uma geração
Que faça a sua criação e recriação
Que venha da pintura
Da leitura, da loucura ou da canção

Maria Luna

Eu sempre olho para Lua
Como se fosse uma primeira vez
E à você de longe na rua
Como um horizonte que se refez

Um sorriso de Sol matinal
Que entra pelo quintal
Fantasio um feliz sem final
Um farol de meu sinal

A sina que não se assina
Pula da Terra ao Céu menina
Na amarelinha da neblina
Conto e devaneio que fascina

Soldados e Reis, Peças do Xadrez

Se lembra quando era só brincadeira
Fingir ser soldados, A tarde inteira

Deu o se adeus
Se entregou à seu Deus
Tarde, perdeu
Demais e não floresceu

Mas volta como adubo à terra
Lutou e batalhou como um bom soldado
E então se entregou à guerra
De olhos abertos igual a todo tolo, calado

Reflexo de todos do outro lado
Que vencem ou perdem, sentados

Me Diz, Quem é Feliz?

Otário sonhador
Disse um operário
Quer tornar-se pintor
Vai procurar algum trabalho

De cicatrizes
E cheio de feridas
Mas sem ter diretrizes
Por amor às causas perdidas

Dom Quixote doidão
Com a espada na mão

E então me diz Quem é feliz? De todo aprendiz Quem é o juiz?

Pro Cavaco

Chama pro cavaco
Traz o pandeiro
E são só as palmas
Pro dia inteiro

O ritmo é um instrumento do coração
Canção que vem do interior e do exterior
O ritmo é instrumento de cada nação
Canção que vem do inferior e do superior

Paz e muito mais
Em poesias surreais

Indiscrição

Já escrevi no banho
Já escrevi cagando
Já escrevi dançando
Já escrevi andando

Parado com a mente trabalhando
Os papeis na mente e eu malhando

Dias de dez à vinte poesias
Dias frustrantes de algumas frases vazias
Dias em que a lágrima sorria
Em dias que essa felicidade se interrompia

Com fones de ouvido em outro mundo
Meditando estórias
E pela janela de um ônibus, lá no fundo
Observando a flora

Faunas de Outono, Inverno
Saunas dessas Primaveras e Verão
As asas ao céu, ao inferno
E as casas de luzes que se apagarão

Noite, tarde e dia
Para trás e para frente
Em teoria e poesia
Fantasmas que enfrente

Eu quis dizer e escrever frases diretas
Mas não se deixo muito em raras discretas

Contos e Contas do Diabo

O Diabo não vê o próprio rabo
Então passa e deixa a porta aberta
Ele diz ser o único anjo da Luz
Faz a paz em um pedido de guerra

Diz que não erra
Quer ser o dono da Terra
Um olhar de fera
Sem ter alguma descoberta

De tensão, berra
E o tendão, zera

Sub-linhas

Deu o pé
E nem foi na bunda
Já sumiu
E já era uma segunda

Teve fé
Subiu na fumaça do cigarro
Do café
Viu um vazo feito de barro

Uma arquitetura de vidros quebrados
E fez a poesia de seu peito rachado...

Paralelos e Para Cegos, Sem Ego ao Universo

Cada estrela com sua jornada
Cada jogada que tenha a sua constelação
Cada multiplicação, uma amada
Cada armada de mil sodados e uma nação

Anéis sem laços e sem planetas
Universos em pedaços e cometas

E mais um fim se fez
Mais um desses apocalipses
Passaram o dia, o mês
Anos luz, mais algum eclipse

Na calada de toda essa escuridão
Em que observar, é sempre em vão

Eu vi um homem se prostrar e chorar
Eu vi até um ateu orar
Eu vi as meninas dos olhos a namorar
Eu vi as águas do mar

Brindei um ombro para um amigo
Das lágrimas, arranquei um sorriso

E mais feliz que isso
Não é impossível
Não é um sacrifício
É ver o invisível

Raiva de Alienados

Ser educado até a segunda instância
Feira, ordem, intenção e a emenda
Ser manso a quem mantém distância
Próximo, é o punho que arrebenta

Não ser legal com todos, mas desejar que todos sejam contigo
Tem o seu olhar em atrito, a causa e o efeito de qualquer perigo

Infecção aos que se infectaram
Um cafetão à todas as coisas que afetaram
Numa proteção que protestaram
Na invasão daqueles que não se vacinaram

Olhos saltando para fora junto com a voz e os nós na garganta
Desvia-te da calmaria e até se controla, mesmo assim se levanta

O impulso é mais forte que seu próprio soco
Bem mais alto que teu próprio berrar
O insulto sai louco, até quando tu estás roco
Pode errar, mas vai sempre guerrear

Chutar a barraca, desmoronar todos os castelos de areia ou de cartas
Surtar sem asas, desmontar como um inseto, se amaçar como uma lata

O sabor que tu mais prova
É esse de a cavar a própria cova
Em todo dia que se renova
Uma nova teoria, uma nova trova

Concha y Toro

Veio como um vinho na taça
Sem matar minha sede, me embriagou de todo seu sabor
Se apagou, sem fazer fumaça
Se apegou sem ritmo e a perna trançou, a perna sambou

Eu, que nem sei mais onde eu estou...
Caminhei junto à ela, que me desalinhou

Aqueles Aquiles

A dor do pecador
O perdão do doador
O tendão do tentador
Aqueles Aquiles e seus vários calcanhares

A dor e o doador
O perdão e o pecador
A tensão não tem sensor
Aqueles Aquiles e seus vários calcanhares

Atenção, ainda há tensão
Os olhares são de escuridão
Quem empurrou e deu a mão
Foi o mesmo Judas, cristão

Beijou a sua face e nem precisou lhe apunhalar
Não precisou nem de sete moedas pra te entregar

Não Nasci Aqui, Minha Casa é Onde Decidi Morar (Paz de Interior)

Meu ritmo não é só um
Tem o axé de Ogun
Os tambores de Olodum
O samba de Mussum

Os metais de reggae e ska
O punk, o funk e o mangue
Nas veias corre bem mais
Que o vermelho do sangue

Correm todas raízes
A união em várias diretrizes
Cobrindo cicatrizes
E à cima do todos os juízes

Nosso Deus maior
O de amor e de paz
Nosso bem maior
Juntos, somos mais

Levanto minha cabeça em folk, bossa
Sou do interior, mas não vim da roça

Eu vim da terra da garoa
De pessoas que passam bem rápido
Onde o pássaro raro voa
E que todos olhares são dramáticos

Eu gosto daqui, onde todos se conhecem
Por-do-Sol e horizonte aos que agradecem

Todos apertos de mão
Nesses sorrisos que são verdadeiros
Saio pedindo a benção
A um novo dia de todos os guerreiros

Um Futuro Livro

A mística e a estatística
A química e sua física
A artística e a conquista
A linguística e na isca

Rede que joguei pra pegar a sereia
Na concha guardei o temido som do mar
No pote, vejo um degradê de areia
Nas fotografias, histórias para eu contar

Horizontes em quadros
Nas paredes do quarto

Um livro empoeirado
Que não foi deixado de lado
Adereço ornamentado
Histórias que tenho sonhado

Do Céu

Almas de dragões nas nuvens
Dos gigantes, dos belos leões
Ao ver o correto e um incerto
Em lobo e castelos de nações

Eu vi a  sua estrela
Que brilhava e anunciava; viva
Eu ouvi seu conselho
Que me implorava; que eu reflita

Eu que fui orar pela sua alma
Recebi o conforto de sua calma

Eu que não Sei seu Nome

Nossos olhares de lado
Cabelo na face mesclando máscaras
Um nômade em pronome
A luz entra em um bem estar da sala

O peito se torna um ser maluco
Confuso dessas direções, no corpo estático
A mente insana e seu sepulcro
Ficar paralisado é um dos atos mais práticos

E o nó na garganta me causa ânsia
Quero vomitar todas minhas frases bonitas
Mas temo que suje seu colo em azias
Mas eu desejo que minha poesia se transmita

E assim transitar
Até em sua alma habitar
Não quero me limitar
Apenas sonhar e desejar

Desejo que deixe de ser platônico
O que em meu peito já é sinfônico

1950 e 2014, um País de Copa e de Futebol

Cinderelas sem cristais e sem os tamancos
Os heróis se invertem e se divertem nessas ruas
Sonhos de ser jogador, mas não de Santos
Em baixo da chuva, do Sol, da garoa e dessa Lua

Nessa guerra de samba e tango
Aquela que muitos já perderam o encanto
Em meio aos sorrisos e prantos
Os seres mais excluídos em algum canto

Uma canção recitado de versos tristes
Que muitos fingem não ver, mas existe

Outono de Outro Ano

Se você se perdeu em sua direção
Foi para poder encontrar a outra
Olhar para o lado, aprender a lição
No mundo que é feito de escolhas

E eu, de um dia tanto me irritar
Escolhi a calmaria
Que fez bem a todo meu pulsar
Eu saí da gritaria

Mesmo que hoje eu ainda realize nostalgias
Ficar próximo da fúria, me causa desinteira

E para todos esses apelos
Que não mais se integram ao meu nervo
E me deixaram com pouco cabelo
Na falcatrua se desintegra ao que conheço

Olho para fora da tela e vejo o que ela imita
Tudo que for máscara, hoje não mais me irrita

Oração e Poesia

Chão
É onde estou
Chão
Pra onde vou

Uso do meus poucos minutos de inspiração
A hora mais sagrada, igual minha avó em sua matinal oração
Toda manhã junto ao pássaro e sua canção
Laços e lenços, o branco e o preto, o abraço e sua pretensão

As preces sem pressa
Que toque o coração de sua criança bela
Na proteção das rezas
Que sobem junto às fumaças de uma vela

Minha oração, é sempre uma nova poesia
Minha oração, é igual a da minha vó Maria

Diretrizes sem Roteiro (Mudanças Eternas ao Destino)

Mergulho de volta
Ao firmamento interior
Uma busca eterna
Pra saber quem eu sou

Em orações e hinos de meu louvor
Os meus desenhos, músicas e poesias
A visão que o pastor não mostrou
Saímos para sofrer em nossas teorias

O encontro com nossa natureza é selvagem
Pareço inerte, mas em estou imensa viagem

A descoberta é uma visão com olhos fechados
É ouvir em silencio
É vir a tocar com a própria alma, do outro lado
É sentir esse vento

As bandeiras se movimentam em turbulência
E apenas sobem o mastro ao olhar da paciência

Nuvens escuras e já começa a chover
O reflexo da Lua no chão está bem maior
Abro os braço e não vou me esconder
Quando se espera o melhor e vem o pior

Nem por isso eu me abalo ou me calo
Entre glórias e quedas, vitória e intervalos

Metamorfose Solúvel, Metáforas ao Café, à Fé (e aos Muros)

O nascimento da vontade
De sua fúria e de sua paz
Abraços e socos, impasse
Olha pra frente e para trás

Se refaz de escolhas
Agora tem um caminho a seguir
De onde vem a força
O olhar ao que deseja conseguir

Não é errado hesitar
Mas paralisar ao hesito
Não é errado sonhar
Por isso eu não desisto

De procurar até encontrar
De me calar, mas não silenciar
De frente vir a te enfrentar
Demente, acalmar e mentalizar

Aclamar-me em harmonia
Sossego, concórdia, quietude e tranquilidade
Repouso de minha sinfonia
Sem insonia, acordar ao dormir´para verdade

Renascer todos os dias
Esse é nosso maior legado
Não é a simples rebeldia
É a escolha de ter um lado

O bem ou o mal, mas nunca em cima do muro
Derrubando minhas incertezas de luz e de escuro

Matinais de Outono

A gravidade pela manhã é maior
Abraço a cama bem forte e eu não largo
Uma parte pra fora do edredom, volta bem rápido

O banho pela manhã é o melhor
Livra a alma, desinfecta de minha inércia e letargo
Uma parte de mim agora sim, acorda e o sorriso se faz simpático

Já posso sair daqui e dizer; Bom dia!

Pichando Muros em Marte

Sonhar é uma arte Picho muros em Marte O dessarte à mais um start
Farta e enfarta-me ao desejar-te

A soma que se reparte
Divisões de amar-te
Sem mesa, sem descarte
Olhar em estandarte

No brilhos dos olhos,
Dá pra ver um peito que bate
Nos sorrisos dispostos,
Ansioso a falar-te, declarar-te

No frio mente e peito, nem há mais debate
Quente no copo, é chá mate ou é chocolate

Eu já disse que te quero pra sempre?

A Morena (parte 2)

O sangue a bombear
A mente que não está a bobear
Minhas pernas a bambar
Ao ver a morena e seu sambar

De peito estático
Um silencio temático
Seu olhar aromático E eu sem algum pensamento tático
Um sorriso democrático Meu sabático, eu fanático Prático calado, mas apático Minha Deusa e seu brilho dogmático
O que eu poderia te falar?

Minha Poesia

O nosso enredo é real
De mais um livro underground
Liberdade de expressão
Longe de todas essas grades

Não participei de impressionismo
Realismo ou surrealismo
Sou do canto e de todo idealismo
Sem abismo e pessimismo

Minha poesia é o cotidiano
De futuro, sonhos e planos

Culpas e Cúpulas

Nossa liberdade ainda canta
Mesmo cercada dessas covardias
O olhar brilha em esperança
E ainda existem as poesias vazias

O que todo mundo quer
É viver e não apenas sobreviver
Pois sofrer ninguém quer
Mas é aquilo que te faz aprender

Em culpas e cúpulas
Lamentos e súplicas

Milonga da Pequena

Já me apaixonei e me afoguei
Até já delirei e me desliguei...

Rodada, mais que a própria saia
Mais do que cerveja gelada
Na mesa pra rapaziada
Desce mais uma, que a conta nem foi fechada

Nem pediu meu amor
E já queria meu calor
Estava que se foda pro valor
Só queria degustar de meu sabor

Nem foi merecedora de alguma composição
De minha bossa, de meu reggae ou meu samba
Intitulada a quem despi sem ter alguma paixão
Não sei sua graça, mas sei a sua desesperança

O sorriso matinal de quem eu nem quis
E o olhar de quem acha que terá um bis

Fui atrás do que acho melhor
De uma guria pequena
Mas seu peito era bem menor
Enfim, mas que pena

Não Nasci em Pele de Cordeiro

Eu que não nasci em pele de cordeiro
Ainda não deixei um herdeiro
Continuo aqui, guerreiro
Sendo um espelho

Crises existenciais de identidade
Tiques, cliques de realidade
Pra onde foi a felicidade
Refletida na cidade

Reflexões cinzas dos amores em SP
A raridade em que não mais se vê
Em humildade que buscamos ter
Esperando pelo que se crê

Vou e sempre volto ao meu belo interior
Aqui encontro paz, aqui encontro amor...

Religião Groove

Rinhas e rainhas
Princesas e guerreiros
Só um rei em nossa paz
No groove verdadeiro

O contra, o baixo que toca no peito
As baterias em caixas vocais
Todos os seres, sujeitos de respeito
Todos ideias, todo algo à mais

Representantes da própria fé
Religiosamente na luz de ser quem tu és
Em meio à malandros e manés
Todo pandeiro na veia, todo samba no pé

Nossa raiz é maior do que nossa colheita
Ainda assim continuamos plantando, regando as ceivas
Do pó nasce, morre e retornará para ceifa
Regiões, as religiões e ceitas que quase ninguém aceita

Raros respeitam que a musica é uma religião
Tema, teorema, poema em forma de canção

Deus Há Judas À Quem Cedo Madruga

Protege um lado
Desprotege os outros
Oferece inteiro
Mais um lado do rosto

O tapa vai na alma
Em um espírito farto de infarte, não mais ser forte
Vejo mais um na vala
Que se cala, vira descarte da corte e nosso corte

Algumas jogadas na frente
De vários peões perdidos
Rei, Rainhas e decorrentes
Cavalos, Torres e Bispos

Tudo protege a tática
Em ato, em prática
Estatística matemática
De toda a estática

Seres com pouco direito à nossa gramática
Com o que não se vê de sorrisos e lágrimas

A realidade, a verdade
A bondade, a maldade
A saudade, a felicidade
Todo alarme e o alarde

Acorda bem cedo sem ter o devido respeito
Com algum medo que ainda carrega no peito

Acorde em Ré, Dó, Sol, Sí e Talvez Lá

Fui observar a luz
E perdi um pouco de minha visão
Voltei pra reflexão
E a iluminação estava aqui no chão

O Sol se faz humilde para não ser observado
Nos dá apenas a visão do que ele tem iluminado

Quer apenas um oi e um tchau no horizonte
Quando ele aparece e se esconde
E de todas histórias que o antigo nos conte
O renascimento é sua maior fonte

Se hoje o dia foi ruim, ainda não é o fim
A vida é feita de nãos e sins, meios e enfins

Pulverem, Genuit et Mortem

Burlando os rumos
De luzes e escuros
E escalando muros
De perdas e lucros

Voltei ao linear
Porque eu escolhi assim
Onde ao trilhar
O vício, o início e o fim

Linhas, pipas e rabiolas dançando ao vento
Conforme a batida e a força do firmamento...

Versos do Silencio

Fez frio na altura do peito ao estomago
Arrepios das costas aos braços
Inclinei a face para um sentimento vago
Enclausura e delírios ao fracasso

As preces desciam ao feitio de lástimas
E as vestes como um vazio das lágrimas

Não procurei por nada
Não  sabia o que queria encontrar
Minh'alma ficou calada
Não entendia o que teria de falar

A explosão se fez ao cosmo, comungada
E a razão me fez mais próximo à enseada

A maré veio e me levou
Me fez náufrago de minha própria ilha
Mas a fé, me levantou
Me fez escolher dentre algumas trilhas

Ah... As Almas

Não volta, não vou
Não solta, não sou

Ah... as almas
Os efeitos da ausência são tão presentes
Ah... as malas
As sentenças em sequência tão dementes

Uma viagem qualquer, para qualquer estado
Do Norte ao Sul, da distancia ou simplesmente de espírito
Uma busca qualquer, por qualquer resultado
Esboçando e rabiscando novos sonhos e novos caminhos

Eu copiei na tela, o céu e seu horizonte
Fiz da visão, pintura
Eu copiei na guerra, a fonte e a ponte
Fiz revisão da loucura

De que adianta te ver em minhas teorias,
Se eu não for te amar em minhas poesias?

Saudosista Livre

Não dormi no ponto
Para explosão, eu fui de encontro
Mostrei meus anjos e meus demônios
Os meus heróis e os meus monstros

Fiz da calmaria, protesto
Fiz do silencio, um gesto

Não, não dormi no ponto
Fiz dos Judas, meu confronto
Pedi aos Budas um desconto
Recebi do recanto, meu reencontro

Desfiz o protesto em calma
Refiz do gesto, um silencio pra alma

Só assim
Consegui dormir de novo
E da verdade
A liberdade e muito esforço

Já posso ouvir meus discos em paz, rapaz...

A Estrada do Lobo

Foi me perdendo que me encontrei
Eu não vou apenas sentar e esperar
Nem ao menos só me ajoelhar e orar
Vou acreditar enquanto andar, caminhar e lutar

Foi te perdendo que ganhei eu mais
Não fugi, eu corri em rumo à sorte, à paz
Tentei acreditar que era mais forte que a morte
Então fiz significado ao meu nome e me senti mais homem

Tentei muitas vezes poetizar junto a um delinear
Pois o meu caminho sempre foi assim
Aprendi quando devo falar e quando devo me calar
Qual o começo e o fim, qual o não e o sim

Não fiz letras em direção ao violão
Mas eu adoro quando minhas poesias viram canção

Lataria

Sugou as minhas experiências
Me afoguei em sua demência
Desaprendi sobre aparências
Sob a influência de carências

Em decadência
Sem referência
E uma ausência
Sem a essência

Ma em algum dia tivemos a crença
De que todo olhar se faria presença

Foi quando a insônia começou
E a minha paciência se esgotou
Foi uma consciência que ficou
Na inconsciência que me testou

Virei pro lado para dormir mais um pouco
Levantar mais tarde, então caminhar de novo

Chaminé em Casa de Madeira

A magia
De perder o encanto Uma mania De se perder em um canto
Os búzios O tarô de uma mera cigana Os bustos O sorriso que não mais me engana
Pois  dura pouco
Então a sua máscara cai Na manhã o rosto Da maquiagem que se vai 
Se borra de lágrimas secas  E de algumas frases às avessas 

O Horizonte de Fato, é Algo Longe e Utópico

Eu não escrevi em um quarto escuro e silencioso
Escrevi em meio a um barulho monstruoso
Cheio da luz que não me cegava ao que é pavoroso
Eu escrevi dentro de um cemitério temeroso

Que eu enfrentei abraçado nas cores
E tentei me reinventar de outros amores

Só fui descobrir que te amava, enquanto eu estava mergulhado em um inferno
E te via reluzindo mais amor, em teu céu
Assim me venci quando descobri que não era só mundo, mas também universo
Uni meus versos na busca de outros véus

Fel e Mel...

Sua luz me ajudou sem que tu soubesse
E minha alma de todo fator te agradece

Cair e aqui levantar
Levantar e assim vir a caminhar
Caminha e se guiar
Guiar quem também está a andar

Uma poesia em títulos
Na teoria de fascículos

Em vez, Invisível (De vez, não divisível)

Papelão e pés de asfalto
Barba cinza, magro e alto
Olhar confuso de bicho do mato
Foge que nem vira-lata, rato

Pede almoço à fome
E pedra ao frio
O nobre gesto pobre
Casa, ponte e rio

Sem penas, ave que não voa
Gaiola social, entregue nessa garoa
Olhar triste de quem perdoa
Olha pra vida e a vida o abandona

Há tempos, ele já deu adeus ao seu sorriso
É só observar no olhar, que está sem brilho

Com penas, só em outros alhares
Que vão se aquecer em seus aconchegantes lares
Fingem não ver os outros lugares
Celetos, esqueléticos e céticos em todos os bares

Paredes Estomacais

Parte do mundo não liga
Não desliga e nem briga
Um terço que não se reza
Um começo que não se preza

Um vento que não nos leva
Um bento sem a sua capela
Um santo jogado em uma cela
Uma mentira fora das novelas

Um muro para destruir, mas sem povos
Num murmúrio, num sussurro aos novos

Natureza de Nomes e Pronomes (Que nos explicam os Ciclos)

Natureza azul
Igual à Lotus e o Esgoto
O norte e o sul
E todos os outros pontos

Natureza incondicional
Amor maior que racional e irracional
Natureza de aurora boreal
Em todo bem e todo mal, açúcar e sal

Natureza central
A alma que quer e não se vai
Natureza facial
Um espasmo temporário de paz

Natureza surreal
De anunciar que se renuncia
Natureza temporal
Na pista, na estrada e na via

Natureza do olhar
E com o pouco se apaixonar
Natureza do cansar
E com muito pouco respirar

Natureza, verde, castanha
Que todo outro, estranha
Natureza mais que tamanha
Pequena e grande, manha

Natureza da manhã
O sol pela metade lá no horizonte
Natureza de sua lã
Que me aquece, vindo de tão longe

Natureza da nobreza
O universo e todos seus versos de beleza
Natureza das naturezas
Todo nosso suspiro, na plebe e na realeza

Natureza religiosamente atéa
Na beleza de Natal e vésperas

É fim
E o início
É sim
Um ciclo

I'm Still Playing (Natureza Azul)

A gente inventa, inventa
Não só o nosso amor
O chocolate e a pimenta
Todo calor, todo sabor

O nosso olhar experimenta
Não só a beleza, o valor
Uma ferramenta da tormenta
Do peito que já fracassou

Mas a nossa alma não desiste de se entregar
E no sonho reside, encontrar alguém pra amar

I'm still playing
With wisdom that is, no pain and no gain
Sorry for disappearing
But I'll come back as the magic of foreign

Nosso Samba, Nossa Canção

Irônica e errônica
Teórica e heroica

Poesias de sala de estar
Estava lá e veio pra cá, pr'este lar
Festejar, na fresta e no ar
A janela se abre para eu te amar

Mas não há mar
São as conchas a nos enfeitar
E de lado se deitar
Deleites sem sonhar, desmanchar

Ah... rainha de minha corte
Aquela que é a mais nobre e singela
Sou grato por todas as noites
Eu poder enxergar a minha donzela

Lençóis e edredons a sambar
Pandeiro, cuíca e o bambalear

Guitarra Desligada

O experimental é a evolução
Dá saudades do violão
E não sinto medo da canção
Ou, do que eles dirão

Mas faço diferente
Eu misturo tudo que vem na mente
E assim pra frente
Xadrez do tempo, jogadas da gente

Estando à duas jogadas...

Quinteiros

Há heróis em cada esquina
Fazendo aquilo que tu não faria
Reconhecidos pela minoria
Que de fato, é a grande maioria

Que Deus vigia
E que a sua vaga já está bem garantida
A vida sofrida
De quem ganha menos do que merecia

A crença de que há recompensa
É mais forte do que tu pensa
Que plante, regue e então cresça
E que assim, a paz floresça

Não é por dizimo ou o que disseram
É pelo maior presente que os deram...

A Fé!

Maio de 2014

Uma agitação mental
Avessa insonia nervosa
A manifestação neural
E inquietação silenciosa

Tudo explode
A raiva e a razão
A vasta vazão
Vão e devastação

O vento gelado não me impede de levantar
Pegar um copo d'água e voltar a me deitar
A luz pela fresta da janela, me faz acreditar
E de pé, caminhar, para acordado, sonhar

E não é que não estava tão frio assim, era só se movimentar
Para aproveitar as cores do dia que esse Sol tende a mostrar

E que Venha o Vinho...

Companheiro da raiva
Da paz e da penitencia
Os amigos inseparáveis
Na cabeça, consciência

O mesmo que me acelera, é o que me freia
Toda uma atmosfera que corre em minhas veias

A paz vem em forma de ciência
E a chamamos de... paciência
Um olhar a chama de coerência
E tudo deixa de ser aparência

Paixões a primeira vista vão pelo ralo
Previsões de visita em vão, vinho e jarro

Jasão

O mesmo mundo que perde
É aquele que cresce
Aparece

O mesmo Universo que observo
Conjugo em meus versos
Todos meus verbos

Se eu abusei de palavras repetidas
É que ainda tenho muito pra aprender

Mais um Final Qualquer

Mais um Romeu
Que na história apareceu
Em suas mentiras, a qual ele morreu

Só mais um Romeu
Chorando pelo que perdeu
Se envenenando com o que sofreu

Natural entre amar e odiar
Na vingança ou esperança ao cegar
Uma triste dramaturgia a sempre se realizar

Julieta abriu os olhos e se foi de repente
O final se fez e foram felizes para sempre

Investir ou Investigar?

Há mais do se vê
Perfumes e coerências
Um quarto escuro
De várias experiências

Prazeres da alma e do corpo
Os lazeres da água e do sopro
Dos lugares e seus monstros
Nos olhares e no que eu ouço

Há esforço ou reforço?

Sem beleza
Há nobreza?
Sem defesa
Há destreza?

Investir ou investigar?

Duzentos e Vinte, Voltem

O não me mata, é o que me faz forte
Agradeço à Deus e à sorte
Por ter me dado esses amigos nobres
Mesmo que nada importe

Sei qual é o meu norte
E que é inevitável a morte
A Terra é passaporte
Que a mentira o encobre

O corte, o porte e o suporte
Correr, não é só um esporte

Sábados

O que tu és
Com quem tu anda ou seus pais?
Qual tua fé
O que escreveram ou o que faz?

O que deseja a mais
Egocentrismo ou paz ?

Um mundo a girar de questões
E os raros, a se guiar de razões

Caetano (parte 2)

Eu mostro números
E faço as contas
Mas eu odeio exatas
E amo humanas

Tento falar de paradoxos
Mas eu sou, o próprio
Tento mostrar o meu ópio
E estou sempre sóbrio

Queria ousar e abusar
De algumas frases bem malucas
E acabo sempre ao lado
Do fantasma, que me machuca

A simples visão
De imaginar e de acreditar
Que está no mundo...

Teatro dos Contornados

A criança admirando a Lua
Indo para rua da Amargura, no jardim Loucura
Passou da noite, já às duas
Cada um é cada um rapaz comum, a vida é sua

Além de um cego alucinado
E sem direção com o que tem falado
Não ouve ninguém ao lado
Diz querer sair, sabe que está errado

Mas preso a um inferno
Único calor, no inverno

Antes jogava uma bola
Era o craque de sua escola
Hoje um medo o assola
E o crack faz a sua degola

Triste realidade de mais um menino invisível
Que um dia acreditou, que tudo era possível

Um teatro dos contornados
Tétrico e consternado
Céticos, mas confrontados
Cegos, conformados

O pior cego é aquele que não quer ver, sentir
Como o pior mudo é o que não quer falar, sorrir
Ou o pior surdo, é aquele que não quer ouvir
Iguais num mesmo medo, do que seja se redimir

Que o gigante acorde num eclipse
Trombetas e acordes de apocalipse

Que o Ciclo destrua esse Circo...

Gramados

O som grave bate no peito
O olhar é de respeito
O tenente e os guerreiros
O jogador e o olheiro

Para entrar em campo
Precisa treinar e assim passar pelo banco
E sempre estar pronto
Não é só uma batalha de samba, de tango

Esse gramado vai além de nossa vizinhança
É sorrir com um sorriso de uma crianças
É plantação de fé e suas colheita esperanças
É evoluir, ao escolher as suas mudanças

Mussum

Uma boina cinza em xadrez
O pandeiro e o cavaco
Pra pagar as contas do mês
E não se sente escravo

Volta pra casa e já é de madrugada
Sem ter os abraços e beijos de boa noite
Prepara o arroz, farofa e a feijoada
Não é pobre, mas um nobre de sua corte

As poesias na cabeça e o seu samba no pé
Sabe quem é malandro e sabe quem é mané

Bambas

Minha cara
Deixa eu cantar
Minha rara
Deixa eu sonhar

Ouça meu samba
Ouça minha bossa
Ouça o meu som
Ouça minha trova

Prosa de dom
Sem ter neons

A luz
Pra quem quer enxergar
A cruz
Pra quem quer entregar

Matinais sem Pão

Saia de casa
E nas ruas já será outra lei
Abra as asas
O respeito é pra quem tem

Nas preces e seus améns
Há o mal e também o bem

Uma fé dos que andam sempre de a pé
Ajoelham e têm esperança
Acordam muito cedo e mesmo sem café
Não perdem sua confiança

Becos e Ecos

Ruas desertas
Ecoa a nossa conversa
Há descoberta
E duas mentes abertas

Em suas frases mais honestas
O Sol, a Lua e as metas
Há buracos, há curvas e retas
A Luz das ruas, as setas

A voz ativa, nativa e cativa
É o som, é do bom e há vida

Metres e Mestres

Poeiras
Peneiras

Há uma incompetência
Daqueles que te julgam por tua aparência
Depois vêm defender
E colocar engravatados como a referência

Não sabe sobre pecadores de coração puro
Descendentes dessa desigualdade
O pão e o vinho, suas classes e seus lucros
Bem vindos, essa é outra realidade

Zumbis de poltrona
De palmas, sem Palmares
A patrona, na telona
Na invasão dos seus lares

Te mostram pouco, dos reais lugares
E os males são do tamanho dos mares

Ciclos de
Poeiras
Circos de
Peneiras

Córtex

A cara limpa
E o peito sujo
Se desalinha
E eu não fujo

Destino maior
Ao sair dos trilhos
E não fica só
Se divide o brilho

O sonho acordado é realidade
É cinza, é colorido e é a cidade

Nos quadros
A mente e a tinta que copia
Nos retratos
Detalhes, efeitos e se arrepia

Saudades da memória
E das frases da senhora

Crenças e Aparências, Cresça e Apareça

Sentado
Passado

Os pinos na bandeja
As cervejas na mesa
Sinos, sermão, veja
Rasteja sem defesa

Hoje prega sobre Jesus
Colocando outros iguais na cruz
Achando que viu a luz
Línguas de anjos que não traduz

Não ouve o coração
Mas sim, a sua cega alienação
Intolerante alucinação
Milagre não vem só de oração

Abra os olhos Pastor
O lobo não é o opressor
A fome não tem sabor
Faça da paz, o seu valor

Em pele de cordeiro há o desespero
Em pele de guerreiro há um espelho

Nós não somos todos iguais
Somos todos raros
A busca sim, é a mesma paz
E isso sim é caro

Um médico para os doentes
A morte e o seu pra sempre

No que você acredita?

Tênebre

Uma isca
O seu peito apertado
Tremulo
E fumaças de cigarro

Um fantasma e nada mais
De sinais e finais desiguais

A cena se faz
Transborda em uma luz
O fogo se faz
E uma explosão a traduz

Tudo acaba com o seu não planejado
Agora quer vingança mesmo assustado

A mente insana se engana
De frases profanas
Fala por meses e semanas
De garras e ganas

E é assim que aparece
Com a sua gravata desarrumada
E é assim que acontece
Você quer, mas não muda nada

Ducto (Canal de Esgoto)

Um placebo logo cedo
Fantasiado a felicidade que nunca sorriu
Vai seguindo o enredo
Ditado por uma dor que tu nunca sentiu

Aquela vida passando na tela
No passado pelo qual não passou
Chora na capela dessa novela
E a vida não é bela como sonhou

A vida acontecendo...
E o que está fazendo?

Não precisa ser caça
Enquanto se está presa
Não se levanta a taça
Sem ter vinho na mesa

Nem só de realidade vive o homem
Nem só do pão vem a fome
Nem só de fatos se faz um pronome
Mas de tudo que o consome

A vida acontecendo...
E o que está fazendo?

A Morena

Eu sigo os paços da passista
Aquela que fez eu me apaixonar pela pista
Colocou meu nome na lista
E transformou a minha estória, em realista

Agora que sei quem eu sou
Eu observo a tudo e aonde estou
Para onde e com quem vou
E tudo que a morena me ensinou

Sonhar e acreditar
Não esperar o que foi, voltar
Se quer conquistar
Ou reconquistar, é só ir atrás

Nosso samba e nosso rock
Nossa praça e nosso bosque

Doze

É distante
E é ausente, mas em vão presente
É errante
Mas não é errado, seguir a diante

O amante de tudo o que ocorre
Corre enquanto não morre
Tem paixão ao que se importe
E à toda alma que socorre

Enquanto lá fora chove
Lá dentro, ele não se move
Quando um se comove
Não há um que comprove

Fez o que fez
E de sua maluquês
Raro, burguês
Mas à todos é cortês

E agora, chove lá fora
Não para, segue a hora

(Cor)Rente ao Degradê

Uma corrente que não prende
Está na força dessa união
A grandeza que é pra sempre
Um aperto forte das mãos

Um abraço sem tapas nas costas
Apertado na força gentil de nossa paz
Olhar que por si só é resposta
Então, assim sabe quem é quem rapaz

Nos maços amassados
Nos desfazemos em alguns laços
Em esboços ofuscados
Onde há rabiscos, riscos e traços

Eu mudei ao que evoluo
Então parei de fazer várias paradas
Eu andei e ainda continuo
Andando, sonhando, mente sarada

Olá teoria, olá poesia...

Do Seis ao Sete

Buscamos na raiz, evolução
Porque é no que somos, que queremos ascensão
Nós pedimos a voz e benção
Netos da mudança e filhos renascidos da criação

De onde vem a canção
O som que é distante, mas próximo ao coração
Nossa raça, nossa ração
Não racionando, raciocinando nossa inspiração

Um em um milhão
Somos raros e em instição
Um em um bilhão
Do seis ao sete, um Cristão

De Tarso

Morre uma cabeça e nascem duas
Quimeras e Hidras
Noites escuras, nas esquinas e ruas
Há uma nova saída

A situação faz o ladrão
Na ambição que não procura o perdão
Há correção e infecção
E a lição, vem junto de toda redenção

De joelhos, Saulo
De Tarso, se fez Paulo

Dance, Dance, Dance...

O enredo é um samba
De uma criança que dança
Sem ter pernas bambas
Há confiança e esperança

Então dance
Não perca a sua chance
Do revanche
E de tudo ao seu alcance

Conforme a musica
No ritmo que é coisa rara e única
Conforme a musica
De um ritmo que não para, nunca

Fala (dor, passa mal... rapaz)

Fala mal
Mas já fez um Moon Walk
Fala mal
Mas já quis ser Tony Hawk

De calça larga ou de calça apertada
De livros, ou, junto da rapaziada
De carro na rua ou de apé na calçada De social ou uma chinela rastada

Fala mal
Mas paga pal

Ando como me sinto bem
Na paz, que vai além de estar zen
Eu faço preces com amém
Agradeço por tudo aquilo que vem

Todo mal ensina
E todo bem é sina

Avulsos e Milongas (Esquecidos no SUS)

Tudo é fuga, o que se vende e se aluga
Há quem julga e há quem conjuga
Toda ajuda vem de Budas ou de Judas
É repetir ou usar de frases mudas

A demora é uma senhora de frases repetidas
Repetindo a questão de: Quais não são ditas?

Eu disse mais do que queria falar
Trovejei mais do que queria recitar
Pintei mais do que queria decorar
Calculei mais do que queria decifrar

É, eu repeti as palavras mais sem graças
Sobre o medo, a desigualdade e as raças

Se realmente me ouviu
Eu nem sei
Se mais alguém sumiu
Não somei

A memória fraca se repete sem Déjà Vus
De avulsos e milongas esquecidos no SUS

A Cabeça Erguida também Olha pro Lado e pra Baixo

Sua Copa em uma sala de estar
O Brasil para
Mas se fosse para revolucionar
Era coisa rara

Nossa hipocrisia
É esse Brasil de uma Brasília
De mono à estéreo
Eu falo sério em minha poesia

O que é de chocar
Pode nos fazer sonhar e prosperar
E ao crer, acreditar
Pode nos fazer querer e melhorar

Independentes dependem de independentes
Em tropa, enfrente, em troca, siga em frente

Babilônias

A fé depositada em números
Datas em papéis, ou o 38 na mão
A arte escondida em muros
Pichada e desenhada na escuridão

Nas gangorras das forças
Então concorra a sua forca

Pois hoje, ainda nos jogam em covas de leões
Para que tentemos sobreviver
Ainda por cima desnortearam as nossas razões
Em Babilônias à compreender

O Santo da Chuva e seus Dias Cinzas

Não dou trela pros felas
Não vim de favelas
Vim de capelas
E entendo a voz das velas

Nem toda poesia é bela
Sou cria de cautela
Falo de donzelas
Mas também de minha cela

Recluso de raiz misturada
Samba e rock que tem pegada
Musica pra toda rapaziada
Rap, axé e o funk da quebrada

Asfaltos e assaltos
De altos e baixos
O céu é só um salto
De prédios e ralos

A maioria tem sotaque de periferia
E é essa correria enfeitada de teoria

É surreal, é tropical
E todos caminham para essa Capital
Deixar Belém é fatal
Mas fazem as preces de um feliz Natal

Renumerar ou Remunerar

Espasmos de vitória
Me tiram o lápis ou o violão
Só não me tiram a inspiração

Convulsão mental
Eles me embaraçam de luz e escuridão
E eu vos abraço com uma nova canção

A fé está numa ceia
De toda Lua e Casa cheia
Somos iguais de raiz e veia

Só queremos vencer
E pra isso precisamos crescer
Muitas vezes vir até a renascer

Eu não vou escurecer e nem ao menos clarear a sua mente
É você que escolhe se fica pra trás, parado ou vai pra frente

Um Reino de Tão, Tão Distante (Aqui do Lado)

Uma história que ninguém disse, ninguém sabe
Ficou vaga e apagada em alguma parte cinza do tempo Sua memória busca, mas em seu peito não cabe Maravilhou-se e virou o olhar n'um momento desatento
Não virou capitulo de livro ou cena teatral Ele foi infeliz, sem um início e sem um final
Ninguém sabe que seu nome era ninguém Veio de lugar nenhum e foi pra lugar algum Descobriu um além está editado no Amém Veio de lugar nenhum e foi pra lugar algum

Posterior ao Expurgo (Uma Cena Qualquer)

Cenas vindo na cabeça
Em peito, reviro minha gaveta
Que a imagem floresça
E que toda escuridão aconteça

Lotus e expurgos
Foco ao inseguro

Levanta o olhar
Segue na direção do destino
Após se ajoelhar
Segue seu sorriso em instinto

Distinto aos apuros
Pula rápido os muros

Não precisa correr e alguém derrubar
Lastimar, lamentar e deplorar
Eu sei que está sozinho a se enfrentar
Morar, chorar, orar e se curar

Vozes e sussurros
Choques e múrmuros