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Mostrando postagens de Abril, 2014

Logo Cicatriza

Conheci mais de quem não é desse tempo
Do que, de quem acabou de sair dessa minha vida
Senti mais das águas, das terras e do vento
Do que, de quem eu ousei clamar, minha querida

E hoje é só uma mera ferida
Mas eu sei, que logo cicatriza

Mãos, Ceivas e Ceifas

A pressão cai
A visão se vai
Todo mundo sai
E aí, tu sabe quem é mais

O inferno em paz
O caos sem cais
Na raiz e aqui jaz
Corpo na terra, sobe em gás

Devolva à terra
O que é da guerra
E ao Universo
O que é do verso

A verdade o libertou...

Incidir

Às vezes a vida te deixa sozinho
Com cigarro e vinho
Para refletir no que faria juntinho
Recebendo carinho

Refazendo o caminho
Reconstruindo o ninho

Direto e Reto

Fala pouco
Mas direto como soco
Com foco, te ouvirão até roco
Dizem que todo intelecto vem de um louco

Não é confundir, é nos fazer filosofar
Não é só dormir e sim acordado vir a sonhar
Não é só refletir, é brilhar e aqui cintilar
Não é só a fé sentir, é lutar e assim acreditar

Seja você, direto e reto
Mas saiba que em todo o brilho há algum reflexo
De coragem seja repleto
Concreto, afeto, infecto, honesto então, complexo

Sá e Mantra

O cravo e a rosa
Minha poesia e a prosa
Sua, minha, nossa
Sem veneno, espinhosa

O olhar que me infarta
Me traz sorte
Aquilo que não me mata
Me faz forte

E a guria que me fala de longe
Lê todas minhas poesias de monge

Entre Seja o Que Deus Quiser e a Minha Fé (Eu Sonhei)

Eu falei
Eu sonhei
Eu orei
E me calei

Sabe, só eu eu sei
Por tudo que passei
Contra o que lutei
E como eu conquistei

Escuro e no muro só as frases de neon
No frio estou protegido com o meu moletom
Não te ouço, estou de fone ao meu som
A mesma voz, a mesma cor e o seu vasto tom

Caras e crases
Em farras e frases
Barras e bares
As laras e os lares

Vendo meu clipe que não venderei aos leões
Um vão dos que vão em vão, vagas as razões

Conto de Foda-ses

Não precisa revolucionar
É só saber somar, então, aqui estar
Não precisa mais idealizar
É só saber se adequar e multiplicar

Cansei de ir atrás da princesa
Acordá-la com um beijo de sapo encantado
Tornar-me príncipe da nobreza
De bandeiras brancas por todo meu reinado

Mas estar cansado, não significa ter desistido
Como apaixonado, não significa ter se derretido

É sobre os gelos e zelos
Castelos e apelos
Igual ao singelo modelo
Paralelos e selos

Estou aqui e sabes que não fiz só por mim
Entre nãos e sins, existe um início, meio e fim

Civismo

Consequências e não momento
Impotências ao sofrimento
Desistência em arrependimento
Sonolência ao pensamento

Há temperança, mas há pouca esperança
Uma vizinhança sem segurança
Há semelhança, mas muita desconfiança
Quem se lança, faz sua aliança

Dores nos pés, braços e mão
Mas temos fé, laços e missão

O organismo sem racismo
O mecanismo sem idealismo
O abismo sem reumatismo
O fanatismos sem ceticismo

Tudo que pode coexistir
Se a luta pela paz persistir

Opiniões de um Lobo

Eles nem vendem mais o bonitinho
Vendem a degradação Não tem mais rosa, apenas espinho Coca-cola sem geração
De um ser heterogêneo a um ser homogêneo Do múltiplo ao comum Do diferente e diverso ao ser igual, o mesmo Estão indo a lugar algum
Não é homofobia ou sociologia Nem uma teoria ou vaga teologia
Mas nós passamos por um ciclo de involução Tiram sua inspiração o infectando com repetição Onde a liderança é só mais uma mera atuação Dominam os mais fracos e dividem toda a nação
Juntos nós somos mais, e bem mais fortes Surdos somos normais, e assim, jogados à sorte Cegos somos semelhantes, simples recortes Mudos, aí nem digo muito, sim, jogados à morte
Eu tentei falar pouco e ser bem direto Mas você me pediu algo mais concreto

Répteis Modernistas (Oração pra Alma)

Contrações e vertigens
Viagens ao centro de sua vasta terra
E dentre veias e raízes
Calor de batalha interna, sua guerra

Enfrentar-se por mais que profundamente
Vencendo a ti mesmo, então encontrar pelo que tu deverá lutar
Consciente coeficiência inconscientemente
Calado se fala mais do que em berros, é em verdade se libertar

Repetimos palavras já ditas
Para que um dia, tu reflita

Vire a página, a folha
Faça de seu destino, sua escolha
Plante e assim, colha
E não desista por calos e bolhas

A sua força está em você
E não, com o que soca
O equilíbrio está em você
E não naquilo que toca

Tractus (Por Extenso)

Eu cresci, mas não deixei de lado
Minhas poesias de colorir
Mudei algumas sombras e traços
Melhorei depois de corrigir

Alguns dos meus amores da infância
Eu amacei e joguei no lixo
Ainda que eu desenhe em esperança
Recriar é meu maior vício

Papel amaçado não é a mesma coisa
Então do caderno, eu retiro uma folha

É claro que, enquanto ainda tem...

Gradus et Pax

A loucura na luta pela paz
Uma amostra de ideais
A criatura que deseja mais
Alpha e ômega em cais

Luz do porto
Que nos guiará contra o sopro
Alma e corpo
Meios e fins, afim de um outro

Escolhas e não, encolhas...

Cláusula

Nós não estamos preparados para morrer ainda
O que nós fizemos por esse mundo?
Não deixamos nenhum legado de herói em vida
No perigo que vem a cada segundo!

Nós temos medo...
Não há nenhum segredo

Termos e Sidos

Deixamos todas as lembranças ruins de lado
Quando nós, somos os deixados
Incertos fatos, de termos sidos consumados
De imperfeições, acostumados

Eu te amei e espero que esteja bem...

Casmurro, Sussurros (Picharam os Muros)

Captura, um olhar de cachaça
Capitulo mais sem graça
O capitão perdido numa praça
Capitu e a cura da raça

Fecho o meu livro
Meus amigos estão chegando de outra cidade
Os que me livram
Me fantasiam na realidade dentro da realidade

Matando nossas saudades
Ressuscitando toda verdade

Inversos, Infernos

Observar de fora é mais simples
E racional em qualquer momento
Mas e se toda razão fizesse parte
De todos os atos do pensamento

Então nós deixaríamos de sermos cegos propositais
Ou até de acreditarmos que todos os amores são reais

A Mulata e o Pirata

Eu já falei muito
Sobre os sonhos, caminhos, loucura
Eu já falei muito
E nem eu quis me ouvir, em bravura

A delinear na minha procura
A reeditar a minha cultura
A me perder em sua cintura
A recriar a minha criatura

Fiz da chuva, uma pintura
Onde toda a cor se mistura
É nosso sorriso em fartura
Onde fazemos a nossa cura

E quem fatura, tem ternura e tem candura
Não há tortura e sim horizontes na moldura

O racismo é o ato mais irracional
Do ser que se diz o racional superior
E fazem a divisão na classe social
Norte, sul, pontes, centros e interior

A diferença é o que é colocado em sua visão
Filhos do Universo que lutam pelo mesmo pão

E eu, eu me apaixonei pela mulata
Igual ao brilho caolho no olho de um pirata
Num rebolado de ouro e de prata
Cerveja na lata, ela me puxou pela gravata

Sem chances, pois ela não será minha
Eu já sou dela e do meu peito, já é rainha

Enclausura

Uma estrela, nessa mesma noite olhou para a Terra
Teve inveja da vida simples e desistiu de brilhar Observou que todos nós sorrimos mesmo em guerra Fez-se cadente e voou até um sonho se desejar
Caiu e virou estrela do mar, um desejo não realizado Mortalizou-se e martirizou-se sem ter de fato, cintilado
Em meio a tantas outras era só mais uma, imortal O céu é lar muitas estrelas e raras constelações E de não ser bem apreciada, hoje reside no litoral Daqui de baixo, agora observa suas superstições
Se arrepende por ter perdido a liberdade e agora só espera Por outra estrela cadente, e, fazer um pedido a sua mãe Era

Entre Muralhas e Estradas

Ao redor, rumor
Imparciais à impor
Unidos ao humor
O vale e seu valor

Uma raiz em rigor
Vamos à todo vapor
De liberdade e licor
Em sabedoria e sabor

Autônomo autor
Representa ao repor
Ter mais, temor
Vigiados com vigor

A dor em ardor
O dever e o devorador
Vá em paz vapor Trazer paz, ao transpor

A insonia do sonhador
Os gestos do gestor
Ser vasto e devastador
A pressa do opressor

A criação e o escritor
A superar seu superior

Estopim

Olhe para o lado e encontre o tesouro escondido
Tropece, se não estiver observando direito
Letrados falando igual anta e donos, igual bandido
Se dá pra compreender, não, mas respeito

Embora sinta uma ânsia mental pela arrogância
Eu não me rebaixo ao resto em sua vasta ignorância
Tento sempre tratar com educação e elegância
Mas em toda esperança, reside alguma intolerância

Curto ou não, todos temos um pavio prestes a explodir!

A Dança

A dança é aquela liberdade do seu corpo
É sentimento despreocupado
Não liga pro que passa na mente do outro
É beleza rítmica de seu estado

Mental e de espírito
Não importa o que tenha acontecido
Ou que tenha escrito
É momento de descanso ao que reflito

Vem da raiz dos nossos antepassados nobres
Maracatu, Cangaço
Aqui é samba, axé, batuque indígena e folclore
Universo e Espaço

Planeta Sonhos

Começo a escrever e estou aqui de novo
Bem fora do meu horário de sono
Pode se buscar a Lua no fundo do poço
E estar longe dos simples sonhos

Mas quem é que deseja sonhar com o simples?

Quanta habilidade
É só mais uma contabilidade
E tanta habilidade
Ágil em toda a sua totalidade

Olho pro céu, enquanto ele ainda é o único limite

(Intro) Espectro

Ainda estou deixando minhas pegadas nas areias da praia
E ouvindo o som dessas ondas
Ainda entrando no mar com a maré da Lua cheia que raia
Ao que se esconda ou encontra

O vento e o tempo apagam e trazem novas marcas
O vento e o tempo levam e trazem as novas barcas

De tantas frases bonitas e que já tenho formuladas
Eu não conseguir me expressar a ti, é minha maior frustração
Posso falar de minhas dadivas, sonhos e fantasmas
Talvez eu consiga te atingir em formato de poesia ou canção

Mas é porque tu ainda nem tem nome pra mim
És fase de isolamento, mascarado no mero sorrir

Confuso?
Confuso é esse cemitério na cabeça...

Discos

Caçando o disco voador
Ao som de um de vinil
Após um filme de terror
Você veio e me sorriu

Virou aquela minha poesia boba
Dentro de um caderno de heróis
Te quis numa canção bem louca
Na desarmonia dos meus lençóis

Eu me senti como num primeiro romance
Transformou-se na estrela ao meu alcance

Café e Cachos

Meu tesouro era uma menina
Hoje me faz sina
Um sinal de luz em neblina
Quem se fascina

Sou eu, por ti guria

Se encontra sempre em minhas rimas
Dói, eu não quero tomar vacina
Mas é pra sarar dessa nossa cafeína
Tomo quando começa e termina

O dia, que se determina

Vício natural
Alguém pra amar e sal
Delírio final
Salva o mérito infernal

Girassóis de caracóis
Em nós, todos os faróis

Aperto os passos quando eu te vejo
São os desejos pelos seus beijos
És minha força externa de guerreiro
Por teus acalantos, não fraquejo

Todo dia eu não vejo a hora de ir embora
Só quero o café de quem será minha senhora

Botecos e Parafernália Mental

Oriente-se Horizonte-se sem calvário E o Amém Pois o Amém é necessário
Não seria se o: Que assim seja Não suportasse um : Que aqui esteja E não tivesse o: Que aqui veja Talvez não lutasse pelo que se almeja
E se pula a simetria Na gula de uma parametria Em dupla, duplicaria A carência e sua caligrafia
Começa a ficar confuso Quando você, é quem não entende Começa a ficar excluso Quando você, não segue em frente
Enfrente...
Por trás da deformidade Há uma beleza e sua arte Por trás de extremidade Há um peito que se parte
O sedento e o paterno sedentarista O teórico e o seu interno terrorista
A causa sem efeito É a pauta em defeito

O Brando e eu, Prando

Quem se entrega
É refém das tréguas
Se rega ou cega
Se nega ou coopera

Já eu, vim das regras
Vivo nas guerras
Livro-me, das trevas
Liberto as feras

Então sigo o delinear da Terra
Que não é plana aos meus planos
É plena onde inicia ou encerra
Ciclo dentro de ciclo, vai errando

Aprendendo e concentrando
Arrependendo e concertando

Todo Navegante Errante

Aluno de Netuno
Um gatuno noturno
Minuto oportuno
No fundo, o tributo

Um fruto
O adubo
E defunto
Ao turno

Um fluxo real e bruto
Desce e padece tão absoluto
Resoluto como vulto
Insulto eterno, interno, reduto

Na masmorra
Corra ou morra

Covas

Conte novas histórias aos velhos
E velhas histórias ao novos
Dê comissão na mão do honesto
E ele terá poder nos povos

O ouro nas mãos de quem não sabe andar
Eu trafego, eu me apego e então eu sossego
Os tolos nas mãos de quem não sabe amar
Martelos, pregos e o ego que te deixa cego

E nós ainda estamos vivos
Queremos mostrar isso
Racionais, latinos e gringos
Uma tarde de domingo

Num País em que votar, parece que é voltar atrás
Covas de um sorriso e lapides de preces pela Paz

D'Arte (Dia de Reis)

É outra pessoa
Cortou o cabelo
E não foi atoa
Andou à camelo

Abriu os seus braços
E guiou só com o peso do corpo
Amarrou os cadarços
Vem e volta no vento e seu sopro

Ele se fez de barco à vela
Cantou louco de rum
Sem rumo, farol e capela
À beira amar, mais um

Temporal

Muitas nuvens juntas
E eu não vejo o que cada uma representa
Escondem Sol e Lua
A união que na sua escuridão se apresenta

Que em imensidão se faz tormenta
Que em alucinação, zera e lamenta

Acalento e Partilha (Lua de Sangue)

O mundo não é Plano
E em nossos sonhos não tinham as Quedas
É um caminho Cigano
E se engana o que não acredita nas Trevas

Se guiando e se re-guiando
Desviando e assim recriando

É tanta felicidade estampada numa máscara
Que até acreditamos que teu sorriso é verdadeiro
Perdão não se dói, se doa numa atitude rara
Tudo o que plantamos nascerá após um nevoeiro

Em nosso terreno de Sol e Chuva
Ou no terreiro observando só, a Lua

E é tanta maldade que nem dá para acreditar
Oramos por paz, quase que unanimes e solitários
É doar ou sair do ar, saudade não é minimizar
Sangramos como a Lua por trás do céu operário

Que é arbitrário em neblina a esconder
E é apenas um céu vermelho a aparecer

A beleza está na natureza
Nem toda nobreza está na realeza
E nem toda dureza, na frieza
É na pureza que se enxerga clareza

A Arte é um Fato

Provérbios
Em prol, verbos
Pró-versos
Após, sucessos

O pó é que é honesto
Ele é um gesto do resto

De imediato
O nosso artefato
Sem contrato
A arte é um fato

Surreal a nosso tato
Horizontal ao exato
O mato e o contato
Pescoço em ornato

Uma visão paralisada
Dividida e assim, requintada
A mente concentrada
Estagnada, então concertada

Penso, logo existo
Repenso, logo resisto

Trevos e Trevas

Defina uma história que seja de final feliz
Morrer sorrindo?
Dê nota à denotação na indiferença civil
É correr caindo?

As batalhas em cada classe social
As disposições e sua posição racial
Imposição de mais uma era glacial
De trevas em situação nada parcial

Se atreva e escolha o seu lado da evolução
Mas nunca sinta ou sente-se calado à revolução

A idade te educa ou te caduca?

João de Barro

Casa de madeira
Uma fiação de gato
Queda na ladeira
Vizinhança de ratos

Pássaros em silencio
Atrás do muro, um cão
Vira-lata aos lamentos
A raça em sua projeção

Crescer, vencer
Favelas, velas em janelas
Um amor tecer
Quedas, celas e donzelas

Todos rezam em suas capelas
E pra tudo se tem a sua parcela

Mata a Dor

Entra na disputa E luta, mas que não surta Usa sua conduta
Respira, observa e escuta
De seus raros, recruta Aos mais caros, faz consulta Do cinza que desfruta Rouba a brisa, junta e chuta 
Renovando a geração Morrem heróis da velha tradição Batalhão em formação Toda revolução terá continuação
É preciso mudar Lutar e se assegurar O troféu levantar Depois de se afundar
As cicatrizes  São de quem trabalha E esses calos São de quem batalha
Seu vício Te leva a um hospício O reinício Se escala no precipício 
A força se faz ou se refaz Quando se encontra a paz

Meu Amor, Cansei de falar de amor

Cinza escuro
A noite depois do muro
Fruto do futuro
Para todos os impuros

Proteste
Tenha um pretexto
Conteste
E fuja do contexto

O seguro e o obscuro
O ar puro e os apuros
O maduro e o imaturo
No vento, me aventuro

Sem censura, nem tortura
Amar cura toda a amargura
Sua ditadura, triste, tritura
Pintura, explosão, estrutura

Bravura ou brandura
A crença e a criatura
O mito e sua mistura
Seu estado e estatura

Estão me enchendo de histórias
E brincando com minha memória

Chão de Cale-se

Eu só seu que nada seu
Sorvetes a quem sofreu
Correntes a quem correu
Um foda-se e se fodeu

Só meu que nada é meu
A conta e o que aconteceu
No terço e no que teceu
Se doa, mas doa a que doeu

Não está morta, a queda amorteceu
A queda acrescenta a quem cresceu

Avocação

Acorde
Com um sorriso disposto no rosto
Acolhe
Com o brilho exposto à seu gosto

Você tirou o meu chão
Pude voar com um só olhar
Aprisionou meu coração
Se me livrar, prometo ninar

Te levar
E elevar

4 de Ouros

O futuro muda a cada ato
Não há sonho linear
É escuro e talvez ingrato
O plano e o realizar

Mandamos mensagens nas garrafas
Que apenas poluem o mar e ninguém lê
Há informação em maço de cigarro
Não é interessante a quem quer morrer

Eu sento na calçada respirando poluição
Pego o violão e transformo tédio em canção

Terno

O que eu preciso
É impreciso
A paz é o motivo
De estar vivo

Vem de um sorriso
Simples e afetivo
Me equilibra em juízo
Sem compromisso

Na tarde, só penso nisso
E anoite, vem, vem comigo

Jardins

Talvez nossas histórias se conectem
Delinear aos que o obedecem Dentro das profecias que acontecem E aos ventos que nos oferecem
De toda luz que nos fornecem Na escuridão que desaparecem
Nas Estações e nos Jardins Da Sé, da Fé e do Sim Flauta, clarim, gaita e festim O reinicio depois do fim

Tudo que refle, faz sombra...

Jardim Verão

Mutáveis do conhecimento
E da insanidade
Sabedorias, renascimentos
Nessa humanidade

Reencarnação aos que verão
Os monges que virão
Farão a atração da multidão
E em oração, subirão

Sumirão no Verão
Dos que se vão
Pra outra geração
Em outra nação

A paz precisa acontecer
Antes do mundo perecer

Jardim Primavera

Eu sei que ronco de noite
Não há um cavalo que eu monte
Não sou um nobre da corte
Mas suas histórias, quero conte

Não quero que venha e ame minhas imperfeições
Basta sorrir, me olhar e estar em minhas orações

Jardim Inverno

Não cai do céu
Mas é o gelo e o fel
Sem pecado, réu
Preces em mausoléu

Chora, ora
Outrora e agora
Frio lá fora
Dentro, a demora

Onde a metáfora mora
Sorte, ferradura e espora

Jardim Outono

Há muito tempo
Tu não ouve os outros
Quando começa
E então não fala pouco

Talvez poucas e boas
Que você nem sabe o como soa
Tempo que vem e voa
Os olhares de quem não perdoa

Névoa e lagoa
Mágoa e proa

Tempestade e tormento
Erros e arrependimentos
A morte, o renascimento
O fim e o seu firmamento

Não se esconde o passado
Ele não é você, mas faz parte do seu ser
Quem já esteve ao seu lado
Vive sem  você, faz parte desse crescer

Nei Gong

No berço
Um beijo
No terço
Um texto

Nina
A sua menina
Sina
Que te fascina

Do outro lado da China
Aqui, a faxina
Enquanto, se determina
Não termina

A história continua
Nas ruas e na Lua
Na alma que flutua
Ela virá, se for tua

As suas preces
São pelos olhos fechados
Então se aprece
Se quiser ela ao seu lado

Ascendente

Em algum dia
Eu já senti saudade de me apaixonar
Até que um dia
Eu me esqueci de como é se lembrar

Porém de sua insistência
A água esculpiu à pincelar esculturas
Cachoeira em resistência
Deságua e singela à cinzelar gravuras

Nosso coração precisa
E a alma não fica sozinha

A introspecção é um estudo
De si e do mundo
Oração de espada e escudo
Em paz ficar mudo

Os pensamentos falam
E os sofrimentos se calam

Café da Tarde

É aprendendo que se ensina
Mas às vezes não queremos transparecer nossos sentimentos
É caindo que se viva a vida
E também se erguendo, reerguendo e obtendo conhecimentos

Versar cotidiano
Não é vedar o que há por baixo do pano
Selar sonhando
Não é dar alguns passos atrás nos planos

Quer pular, mas qual é a sua ladeira?
Quer sucesso, mas qual é a sua carreira?

Crases de Quem Há

Pensar antes de agir e chorar antes de sorrir
Andar pra cair e então levantar para conseguir

E não sentir a saudade de quem antes era
Só querendo descansar um pouco dessa guerra
Nossa vida não é bela, não é uma novela
É essa grande cautela em serrar grades da cela

A verdade, a liberdade ou uma donzela
E sem olhar pela janela, sair de casa atrás dela
Impulsionar o peito por terra, grita, berra
Até erra, depois acerta, a quimera que se opera

Muda a atmosfera, faz do inverno a primavera
Sem cólera, sem miséria
Cicatriza-se da espera, aos sonhos que venera
Faz da opera, sua inércia

Pensar antes de agir e chorar antes de sorrir
Andar pra cair e então levantar para conseguir

Fantasista

Tenho pensado demais
Esperando por paz
Como navio, farol e cais
De fantasma sagaz

Mas armado contra um jamais
Escudo mais do que eficaz
Mesmo com meus medos reais
Sabendo que eu sou capaz

Que posso mais
De uma crença tenaz
Que posso mais
Onde o sonho se refaz

Fractal de Sonhos, Passado e Realidade

Eu já posso guiar minha bike sem as mãos
Respirar de braços abertos sem ter direção
Sentir os ventos e a adrenalina no coração
Dá até pra fazer uma poesia ou uma canção

Observar as árvores, pássaros e gramas
Depois voltar sem preocupação ao meu quarto, cama
Ligar o rádio no hip-hop, rock ou samba
Deixar falar, as frases interpretáveis de quem me ama

Acordar apenas pensando no futebol
Pipa, peão, corrida ou no sol
Fantasmas e olhos furados num lençol
Festejar um fim de semana só

Pés descalços, sujos de asfalto de terra e mato
Pular o muro da casa da minha vó, que já nem é mais alto
Me imaginar o herói salvando ela de um assalto
Fazendo desenhos em papéis que tinham sido amassados

Almoçar, deitar, cochilar no sofá
Até vir a sonhar, voar e acreditar

Então acordo nos dias de hoje e já estou careca
É bem péssimo saber que não existe mais aquela época
O despertador atrasou, entrou em modo soneca
Disparo da cama, corro, capoto e tropeço na hipoteca

Já não sou mais aquela criança sapeca
Que e…

Táxi

De todas essas mentiras
Só queremos a liberdade
Em toda e qualquer saída
A esperança pela verdade

A ira do Universo
Um tapa no ar para esmagar o inseto
Cairá em concreto
Então no chão reconhecerá o inferno

A Morte está viva...

Minguante

A banda da vizinhança
O futebol das crianças
Esquinas e esperanças
O manso e a vingança

Casas, bares e igrejas
Cachaça, vinho e cerveja
De certeza e incerteza
A explosão e sua beleza

A luz começa a apagar
Os carros já começam a passar
Esse filme já vai acabar
E os sonhos começam a chegar

Então você para e olha pra tudo isso
E descobre que não segue o mesmo ciclo

Terra Vermelha

Apagaram o sonho de ser pintor
Com um pincel cheio de tinta e sangue
Recebeu as honras de um vencedor
Mascaradas no triste sorriso da gangue

Faísca, fogo e fumaça
Rabisca o rosto e amaça
Fábrica de foice, disfarça
Se arrisca, resiste, sem raça

Está sem graça
Foge de toda ameaça
Alguém diz faça
E ele pula sem asas

Rua sem asfalto
Reféns do assalto
Apenas olha pro alto
Em preces a um bom ato

Mas ele só vê ratos
Então se encolhe novato
Aprendendo com esses fatos
Taxado de ser um bicho do mato

Mais um filho da estatística
Todo o dia perdendo a vida

Abril (Música Inédita)

Um amor pra recordar
E outro pra recordar
Um laço pra destroçar
E outro pra desonrar

Uns escolhem os melhores capítulos
E outros escolhem os melhores livros

Uns te cumprimentam ao levantar mais um troféu
Só que entre o mel e o fel, existe um amigo fiel
Aquele que te abraça quando esse Mundo é cruel
Sem precisar olhar pro céu, um anjo de plantel

Te faz visita quando és um réu
Ora para volte logo do quartel
Não vem montado num corcel
Mas, é um herói em seu papel

Um terço nas mãos e o resto nos bolsos
Dezesseis toneladas pra te livrar desse sufoco
Um violão e o sorriso estampado no rosto
Humor que te salva do imposto e do exposto

Mas você, nem saiu de casa ainda...

Dogma

E sem pressa
O Pra Sempre se fez
Um aniversário
Sem data e sem  mês

Alguns anos e anos luz
Os zilhões não me fariam exato
Alguns sonhos comuns
Grão e praia, paisagem e retrato

Meu bloco de notas
Minha lista de telefones
Meu mapa em rotas
Minha lista de pronomes

E sem pressa
O Pra Sempre se fez de cortês
Recontou-se
E recriou mais um Era uma Vez

De Veras

É muito amor
Pra tão pouco abraço
Tapa nas costas
E um cigarro do maço

Pedindo um tempo
Observando mais o espaço
Horizonte sangrento
Diferença entre nós e laços

O início e o fim
As águas turvas e o cansaço
Vapor e gravidade
Moldar pedras, metais e aço

Uma Primavera de nosso Universo
Sorrisos concentrados ou dispersos

Angra

O encanto não há
Quando em canto está
Sá enquanto se vá
Alcione que é pra gente sambar

O jukebox e é pra já
Se joga no meio do sofá
Um suco de maracujá
Pede pra sair da minha sala de estar

O aqui ou acolá
Não importa o que virá
Esquece o bafafá
Vem pra cá me sonhar e se realizar

Venha ser correnteza de minha enseada
Venha dormir assimetricamente cansada

Alude

Em pele de cordeiro
Reflete-se no profundo espelho
O seu olhar certeiro
Degradê de escuro e vermelho

Tosse primeiro
E depois se afoga e cai de joelhos
Para o ponteiro
Arrepende-se parelho ao conselho

És herdeiro de um o nevoeiro
E indeciso ao terreiro e ao bueiro
Não se reconhece por inteiro
Está no estreito do adeus rotineiro

Teatro de Filosofias

Um pensamento
E logo existo
Dois pensamentos
E logo resisto

Três pensamentos
E logo reflito
Quatro pensamentos
E não desisto

Mais pensamentos
E já entro em conflito
Menos pensamentos
Não... eu ainda existo

Cabeças nas nuvens e pés no chão
Não, não, eu ainda exijo
Se ainda vago errante a esse apagão
Não, não, sigo meu caminho
Penso, logo demoro a agir
Pulo, logo começo a sorrir

5 Horas de Sono

A pressa
A prece
E o pra sempre

A queda
Aquece
A luta da gente

O olhar foi determinado
Aquele de já ter terminado

Anda
Corre
Manda
Socorre

Samba
Escolhe
Bamba
Encolhe

A hora passa
A roupa, a traça
Amigos, praça
Conta, de graça

Teoristas de bar
Poesias a encantar
A sorrir e chorar
A se ferir e sangrar

Entre vir e cicatrizar
Intervir e reinventar

Rede e Violão (Atlântico)

Solos tão iguais
Eu acho que já ouvi essa história
Uma outra praia
E o mesmo mar que o de Vitória

O refrão que te lembra alguém
A rede que não te leva a nenhum lugar
A sobremesa que te faz refém
Nas bençãos da Lua e do Sol a sugar

O reencontro com você mesmo
É aquele, que você chama de fuga
A sua oração ao seu bom senso
Um momento, que do tempo aluga

No Xadrez é uma batalha de preto e branco
Na harmonia é só a composição de um piano

A tática para a paz é cantar
É a nossa prática de sonhar
Na gramática de se poetizar
E é na matemática de somar

Dividir para multiplicar
Sucumbir para ressuscitar

Prévia (12:12)

As palavras
Têm esse poder assassino
Os trânsitos
São astrais ao meu destino

As pedras
Não são quase nada no caminho
As quedas
São passiveis de cura no carinho

A explosão
É de um pavio que se aqueceu
Em pólvora
Curto ou não, todos tem o seu

A alma
Só deseja a liberdade desse corpo
A sala
É de estar, é de vindas e de sopros

Dedilhados em sincronia com a criação
Vem a beleza, vem a paz, vem a canção

Amônia

A garganta seca
E sem forças para gritar
A mente inventa
Algo que eu possa pintar

Mas é surreal
Como andar sem abraços e com as mão vazias
Joelhos afinal
Doem menos que o meu peito, onde você jazia

Outono e Horizontes

A luzes caem
Sobem
A estrela vem
E some

Posso ser um tumultuo de pensamentos
Lançados ao firmamento
Mas não sou o tumultuo de sofrimentos
Sou sem arrependimento

Sou parte das estações
Ferroviárias e temporâneas
Sou parte das atuações
Imaginárias e instantâneas

Você apenas observa ao modo que deseja
E se é o seu tipo de final feliz que almeja...

Então, Fim!

Quatorze

É mais do que se pensa
É mais do que você pode esperar
É mais e assim aumenta
É mais, mas é lamentar ou superar

Fractais, tais como um adeus
Vai, jaz, não mais, um dos seus

Uniforme

E se não tem poesia
Será um dia robótico
Cheio dessas teorias
Filosofias ao caótico

Placebear-se das próprias mentiras
E descascar as suas próprias feridas

Se refazem de caminhos lógicos
Periódicos e metódicos
Se entopem de seus antibióticos
Venenos alucinógenos

Já são seis da manhã...

Enfado

Franco direto
Destino certo
Se é esperto
Saia de perto

Seus pensamentos abertos
Se quebrar, eu não conserto
Se explodir, gruda no teto
Se for se prender, não liberto

Pecados no paraíso e provações no deserto
Nem a sua mão, eu aperto
És pedreiro, arquiteto do que tem encoberto
Solitário de próprio decreto

Às vezes espera o Inverno
E às vezes espera o Inferno

(Uni)Versos e Meu Mapa Astral

Teoremas e temas
Burlar o sistema
Problema, poema
Nosso esquema

Sol, chuva e gema
Tarde de cinema
Loucuras estremas
Um só telefonema

Eu vou aonde você esteja
Tomar suco de morango ou cerveja
Porção vinda na bandeja
Nosso champanhe, espuma e cereja

Café pronto na mesa
Alimentando-me de sua beleza
Em nobreza e realeza
Cabelo bagunçado da duquesa

Sua riqueza
É sua certeza
A Princesa
Não é indefesa

Tem seus artifícios
Que são fogos de meu vicio
Me tira do juízo
E preenche todo o meu vazio

(Sis)Tema Vulpino

Somos de diferentes religiões
E de várias regiões
Somos de demasiados padrões
E de alguns patrões

Mas o fanatismo
Foi criado pelo capitalismo
Falso catequismo
De leis e nosso surrealismo

Cada macaco no seu galho
Protegendo o milharal, espantalho
Feito uma carta de baralho
As perfeições de um sistema falho
Nós não sabemos pra quem pedimos ajuda Se estamos falando com um Buda ou um Judas