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Mostrando postagens de Janeiro, 2014

Ponto, Vírgula e Paradoxo

Faço questão de não responder,
O apetite em aptidão.
Tão voraz cidade do estabelecer,
E acontece que não...

Não sigo seu padrão,
Mas também não sou eu que ando na contra-mão.
Sei a hora do meu não,
A do meu sim, do meu talvez e de minha gratidão.

A resistência e a re-existência.
A onisciência que uni a ciência.

Estamos a surgir e a exigir,
Estamos bem aqui,
Estamos no porvir e eximir,
E estamos bem ali.

Versão Estendida (O que eu Kiss)

Nossa trilha sonora tem sabor
Perfume de amor e arrepio de terror
Nossos créditos finais tem valor
Nomes escupidos de cupidos e temor

E o que temos é essa loucura
De espadas, cicatrizes e curas

Vamos nos deitar pra sorrir
Vou falar baixinho só pra tu ouvir
Abraçados de lado, dormir
E és tudo que eu sempre quis aqui

Preces ao Ócio

Tendência de asmático E nada problemático Tático e nada simpático Esse é o lado prático
Meu ser dogmático Podem me chamar de fanático ou lunático Aqui estou, estático Paralisado pra receber o meu ano sabático

Casa das Tintas

Aos vivos, o amor
Dor, mas não a flor
O calor e o sabor
O vapor e o temor

E o que temos?

Faz-se rumor
Na face sem o humor
Faz em rigor
Se desfazem em licor

O autor criou o criador
Narrou alguém sempre ao seu lado
E ator atuou sem valor
Fez ele parecer um mero flagelado

E o que sabemos?

És, Ser... Sou

O seu sonho cantou
A realidade ressoou
O corpo se esforçou
E a sua alma dançou

O espírito, tranquilizou
A sua mente que sempre voou
E que tudo, ela realizou
Mas a vida ainda não terminou

Temos mais sonhos para acordar!

A Noite e o Desajeitado

Em uma noite qualquer
Caminhando a pé
Entre o céu e minha fé
Observo a mulher

Que para e observa também
Com olhares de criança, pro além
Deve estar esperando alguém
Ou talvez igual a mim, por ninguém

Eu espero pelo vento que vem bater
Dizer em silencio algo que venha a me fazer sentido
Vejo o que a noite tem pra oferecer
Um tropeço desajeitado, desperta seu belo sorriso

As mãos de quem você menos espera a te levantar
Dessa vez a brisa do vento nem precisou vir sussurar

Mutabilidade

Os sonhos não são atitudes para covardes
E não é só aos que tem habilidade Mas sim aos que perseveram na realidade E não reclamam quando já é tarde
Não dão alarde quando mero ego invade Usam a surpresa com humildade e simplicidade São cheios de elegância e de legitimidade Aproveitam as oportunidades com naturalidade
E assim se mostra a evolução e a capacidade De sua monstruosa e generosa, Mutabilidade

A Canção, o Falaz e a Plebe

Vamos tracejar nas trastes
Desenhando em forma de canção poética
Imóvel no móvel das frases
Resenhando em forma de reação sintética

O perfume das flores de plástico
Porém tático em seu troco prático

Atitude que vem de um coração
E de quem parece não tê-lo
O ser que finge não sentir reação
Como se não pudesse vê-lo

Um trocado pra trocar por um momento
Ou um minuto feliz sob esse céu cinzento

Reprises e Represas

De tantas paixões
Faço delas, histórias
Quedas, reflexões
Perdas de memórias

Me esforço para lembrar
E de novo faço um esforço para esquecer
Me esforço para sonhar
E continuo pisando firme para acontecer

Mas há lama em dias de chuva
Há a proteção ao frio no meu dia de luva
E assim como o brilho da Lua
Peço a proteção de Oxalá e vou pras ruas

O ego é o vicio dessa geração
Estão sempre no centro de uma atenção
Sigo o passo de minha canção
E um dia, valerá o esforço dessa oração

Ou apenas, velarei...

Contrapeso

Eu lavo o meu rosto
Pra sempre tentar estar disposto
Sempre recomposto
E sem sentir o gosto do desgosto

Eu me sinto um tanto exposto
Ao ego cego que a nós, foi imposto
Sol que aquece o decomposto
Falta o Lego sempre de contraposto

Pai nosso que estais no céu, suponho
Seu moço, que horas sai meu almoço?

Et Gratias Agens

Pisei firme em chão solido
Como pisei em uma madeira podre
Como pisei em armadilhas
Pisei e precisei que muito se fosse

Precisei perder para ganhar
E não sabia que os destinos das lágrimas eram os sorrisos
Hoje olho pra frente a sonhar
E olho pra trás pra relembrar quem sempre esteve comigo

Mesmo de longe, em mente e peito
E quando mais longe ainda, em minha alma
Mesmo em conflitos, o meu respeito
E quando ao berro, silenciava-me em calma

Luzes que precisei na escuridão
Ao levantar por impulso de suas mãos

Larua

Antes de olhos fechados, sorria
Porém algum pesadelo invadia
Como se não tivesse fundo, caia
Abraçado em esperança vazia

Acordava em meio ao suor
Não era só garganta em nós

Tês...

Sinto falta de fazer falta
O peito é um tanto oco e de lata
E como em Oz, busco um coração que bata

Perco-me nas datas
Na mata em paisagem de cascatas
Ouro e prata, o pirata e o salto de um acrobata

Silencio em serenata
Estrelas no céu da cidade pacata
Composição em sonata, tira as calças e rasga a regata

Não há mais silencio
É um som que se espalha com o vento
Não ligamos pro tempo, vivemos intenso esse momento

Bamba

A paixão não é esse ser sublime
Indomável ou incondicional
É uma parte sua que se reprime
Leitos e eleitos ao passional

Como uma frase que pode significar muita coisa
Assim como uma pessoa, pode ser tantas outras

Mas esperamos pelo amor ideal
E para todo o sempre se assim precisar
Nós queremos ser felizes no final
Só não podemos ter o medo de arriscar

Desamor

Passa pela mente Como esquecimento Passa pela frente Como aquecimento
Os dias acabam Os meses se vão Os anos passam Mente e explosão
Sangue sem transfusão Máscaras em profusão
Meu olhar é de loucura Meu punho, de fúria Meu momento é de cura Meu amor, é penúria 

(Fascina)Ação

Dou devido descanso ao violão
E também o descanso para minhas mãos
Dou asas pra mina imaginação
Fecho os meus olhos e abro meu coração

Abro alas ao furacão
Faço da vontade, grande devastação
Trago de mim, canção
Faço do lixo, a arte em composição

Nunca a deixo em decomposição
O que te fascina, é minha fascinação

Andei

Andei e passei por lugares em que eu já tinha passado
Observei, de uma forma que não tinha observado
Pessoas indo e vindo na contra mão e para todo o lado
Trabalhadores, desempregados e homens jogados

Sorrisos de seres que não queriam estar ali
E como se algo fosse mudar, pisei firme ao sim

O fato de ver pessoas em um estado pior que o meu
Não me tornará melhor ou algo assim
Não é aquele momento de tentar acreditar em Deus
Mas, acima de tudo acreditar em mim

Observar pessoas nesse Estado
É ter a visão de que não sou mais um simples fracassado
Que sempre reclamo ao Errado
Como se há muito tempo meu passo já tivesse apertado

Eu só me sinto mal de verdade
Quando vejo esses sorrisos em meio a tanta maldade
Senhores sentindo real felicidade
E eu aqui, cabisbaixo em qualquer canto dessa cidade

Andei pra me desestressar
Aos passos que andavam devagar
Andei pro peito desabafar
O que eu não conseguia observar

Nadares

Procura-se a sombra e água fresca
Procura-se por uma Veneza
Procura-se uma vida mais burguesa
Procura-se fugir da pobreza

Brasil de tantas belezas
E cheio de rara nobreza

É na vontade de mandar tudo para os ares
Ou de ir até pra Buenos Aires
Saudade que apenas se encontra nos bares
Verdade cega de tantos pares

Desabar, Desaguar

De tudo que doou
Do valor, recebeu sabor
Do amor, recebeu calor

E o que sobrou
Fez de ti um mero vapor
O tempo que é professor

Te diz que o que evapora
Traz a escuridão e a traz aurora
Torna enchente e devora
E que tu já podes chover agora

Impérios

Baixo minha guarda
Para quem não faz sentido
Levanto a espada
Mas sem escudo ao sorriso

As flechas atingem direto
No meio do espirito de um guerreiro
As bandeiras, o intelecto
E táticas na prática precisam de freio

Saia gritando feito o mero otário
Então seja o primeiro a morrer
E independente de seu adversário
Saiba qual hora certa de correr

O que pode te derrubar
E o que pode te levantar

...
São simplesmente iguais!

Faz cina, Fascina e Faxina

O intenso
E o tempo
O imenso
E propenso

Nós nem estamos vendo
O que está acontecendo
Nem vamos percebendo
O que está, anoitecendo

A escolha pela liberdade
Tem o seu preço muitas vezes solitário
Há o fator da variedade
Mas é breve, arbitrário a seu santuário

Até é necessário ser temário
Mas é involuntário e contrário

Até que enfim a chuva cai
A sujeira se vai
Sei que vai um pouco mais
Limpeza e paz

Grafite

Sem limite
Muito apetite
A dinamite
Sai do grafite

Sem a elite
Não haverá convite
Sem palpite
Ao não se precípite

Embelezando paredes com miragens
E papéis brancos imitando a paisagem

Lençóis

A paciência se esgota
O tédio se anota
Rachadura vira trova
E a chuva, prosa

Vai som
Vai violão
Vai mais
Vai paixão

Desligo tudo
Mas a mente, ela continua
Eu fico mudo
Então consigo ouvir a rua

Contraditório
Ouvir o som do silencio
Até inspiratório
Tirando melodia do vento

Porto (Meia Noite e Quinze)

Um trago dos seus olhos
Ao meu coração
E nosso trago pra mente
Limpando pulmão

O que trago e o que tu traz
O que apago vago ao que refaz
O que largo no lago da paz
O que pago ao mago, luz e cais

Não é mais, é mas...

Me embriago de sua elegância
Viajo em sua fragrância
Sorriso que enche de esperança
Tu és minha substância

E fico maluco de ti...

Maré que me guia
Vento turvo e de vários destinos
Mas és sempre guria
A que terá em mim, o seu abrigo

Lua e monologo
Triste dialogo
Folheio catálogos
Chegue logo

Diagonal, Obliqua

Há diversos Sorrisos E de versos Perdidos
Adversos Caminhos Em versos Invertidos
O inverso e o perverso O controverso e o universo
Há o que conservo E quem eu converso Há o que atravesso E o que é transverso
Inclinadas faces andando Propensas fases passando

Filhos da Imensidão

Algumas meditações
Não pertencem a este corpo
Assim como o vento
Não pertence a este sopro

E talvez seja por isso
Que eu sinto que não sou daqui
É fúria aos meus vícios
Observando um interior sem fim

Venerar o céu
A escuridão, a luz e a imensidão
Devorar o mel
Seu lábio, sua pele e suas mãos

Da lama, os diamantes
E da cama, os amantes

Não somos daqui, eu sinto
Somos daquilo que esperamos encontrar
Nós pertencemos ao infinito
Somos eternos piratas a caçar e procurar

Átomos em reprodução
Porém raros em evolução

Índia

É só cara, maquiagem,
Um penteado e um sorriso de mulher.
É só abraço apertado,
Me segura bem insegura do que quer.

É andar e olhar pra trás,
Secretária ao anotar seus desenhos.
Resenha que não traz paz,
Que me refaz nem mais, nem menos.

Pinta a face índia,
Que ainda és linda.

Faber

De brilhar os olhos
Fazer sorrir
A sua arte de criar
O que sentir

A mente te apaixona
O pensador não
O sonho te flexiona
O pesadelo não

A pintura e a poesia
Musica e dança
No papel e na teoria
Prática e lança

Quem criou o criador?

Ela e o Elo

Narcisamente confuso
Mas oculto e escuso
Com seu olhar intruso
Lágrimas em difuso

Cabe ela
E seu cabelo
Amar ela
E seu amarelo

Senti nela
De sentinela
E martela
Marte e ela

Faz-me esquecer o ego
Faz-me amortecer cego

Tocar e Ressoar

A musa
E sua musica
O bumbo
E a filarmônica

O amor
E a harmonia
O passo
E a passista

O canto
E a encantada
O todo
E sua entoada

Ouvi distante
A vi cintilante

Mesmo que tenha sido apenas o sexo bom
Que aconteceu e passou
Na mente há estrelas, Lua e o mesmo som
Que em minh'alma ficou

Tocados, ressoar
Retocados, suar
Trocados, sou ar
Retomados solar

Ao acordar e nem dizer adeus
E sem saber se reverei os olhos teus
Revirei em pensamentos meus
Sem sabor esperando os beijos seus

Essa saudade estranha
É de uma dor tamanha...

Rima Rotina, Tema: Tédio

É a rotina É o tédio Vento na cortina Sombra do prédio
Escurece Sem sono Desaparece Sem dona ou dono
Pensamentos lá na Rua E argumentos lá pra Lua
É a retina A pálpebra O som na esquina Torção da vértebra
Amanhece Vem sono Resplandece O estéreo e o mono
Pensamentos em Lá bemol E argumentos sustenidos em Sol

Inquietude Horizontal

O coração está sempre pronto pra partir
Arbitrário e um tanto desnecessário
Com os olhos a chover e lábios a refletir
Sofrer antes da hora não é tão sábio

A proteção ao contato
Torna o sentimento compacto
A pró ação com o tato
E o silencio como um impacto

O comum infarto
O coma e o farto

A mente me acorda como uma queda
No meio da noite ao virar insonia
É calor, é desconforto e é descoberta
Lugares onde a alma vai e sonda

Me derruba como um pesadelo
Como se eu estivesse lá e pudesse vê-lo
Ou tivesse acionado o morteiro
Nas armadilhas em formato de conselho

O comum infarto
O coma e o farto

Verdade em Metáfora

A verdade é o que vos libertará
Uma das mais antigas metáforas
Como a mão que te faz cocegas
Ou a mão que segura sua cólera

A verdade pode liberar a sua fúria
Assim como o sorriso ou a angústia

Somos uma bomba sobretudo
Somos sombras dos mais lúcidos
Nem todos temos pavio curto
Mas todos temos pavio em vulto

Somos um mar
De ventos, de ondas e maré
Somos um lugar
Sol, chuva, tempestade e fé

A verdade é que nós estamos sempre prestes
Vamos explodir ou fazer o temporal
Podemos nos desnortear ao sul, leste ou oeste
Detonarmos ou virarmos a catedral

Somos a face do ódio ou da esperança
Somos a face do medo ou da confiança

Roda Gigante

Já chorei sozinho
Vendo filme ou lendo livros
Redesenhado rabiscos
Refazendo e tecendo amigos

Eu já fui irrelevante
Quando liguei para os mais distantes
Foi processo grande
Foi o meu progresso mais fascinante

Pr'algumas pessoas a ligação direta
É apenas em pensamento
Um mundo que ao Universo infecta
É apenas meu firmamento

Desinfeta

Sem ti
Senti
Em mim
Em mi

Só em Sol
Sustenido bemol
Lá em prol
A proa e o farol

Jogo o anzol
Cantando em Portunhol
Sabiá e rouxinol
A sábia forma de formol

Pichei o vento com inseticida
E coloquei as músicas mais suícidas

Na Rede

A estagnação é uma ilha
Paradisíaca e cheia de armadilhas
Onde estabilidade é isca
São pássaros com suas asas retidas

Há árvores que viram canoa
Mas só quem tem mente voa

Aqui na rede
Onde tudo parece ser tão longe
Aqui na sede
Esperando por teorias de monge

Perguntaram como estou
E não vieram me ver
Perguntei-me quem eu sou
E eles, quem vou ser

Então fui dormir
Pra sonhar e sorrir

Nova Horizonte

É difícil ser ou ter
De contar e recontar
Números e pedaços
A montar e a mostrar

Não faço parte dessas suas cartas
Nem sou a mesa a se bater
Eu grito pronome e abraço aspas
Em tapa, etapas a esconder

Talvez eu seja dado viciado
A sortear o que já é esperado

É difícil amor tecer De contar e descontar Peito em pedaços Ao cultuar e ao ocultar

Não há Samba sem Pandeiro

A percussão não me acompanha
Sou eu quem acompanho a percussão
Sigo as batidas de meu coração
Mesmo em caminhos de preocupação

Não há Samba sem Pandeiro
E não há Obra sem Pedreiro

Tudo é importante
E nem todos são elegantes
Posso ser errante
E o percurso que é sonante

Seis, Sete (Vinte e...)

De Lua cheia
E a meia lua e soco
Onde de louco
Todos tem um pouco

É pés descalços
Calçada e asfalto
Faltas em fatos
O passe e passo

Passa a bola
Gol não se faz só
Faz-se história
Entre laços e nós

Às eu vezes jogo
Mas só aos domingos
Churrasco, samba
E mais alguns amigos

Bandeiras Vermelhas (Eu Cantei Minha Fúria)

A raiz está morta
Em uma venda de produtores
E até há revolta
Mas são simples agricultores

A cultura foi reduzida a nome
E é interpretada por péssimos atores
É uma escultura sobre a fome
Esboçada por alguns restos de cores

As hastes erguidas em parelho
E a bandeira original coberta por flores
No alto resplandece o vermelho
Os originais levam apenas seus valores

Mesmo estando no meio dessa multidão
Há uma introspecção
Vejo as canções que não vem do coração
Sem qualquer razão

Tudo aqui gira em torno de uma Capital
Estado de ser um mero banal
Como num filme, cai chuva em temporal
Como se nada disso fosse real

Aqui jaz
A sociedade e minha simples dó
Sem paz
Ver o triste magno reduzido a pó

Post Haec

Há vitória
Há conquista
Há história
E há revistas

Livros, filmes e vizinhos
Amigos e amigos de amigos

Longe do mundo
Onde flores nascem em concretos
Ponte ao mútuo
Fonte de tumultuo e sem aspectos

Mas me passe o endereço de sua nova galáxia
E diga que em frente poderei ouvir pássaros na praça

Orbis (Lacuna)

Já me vi em torturas
Menores que essa insonia.
Já me vi sem as curas,
Loucuras e minhas ânsias.

Já deixei de lutar,
Pra ficar de luto.
Já deixei me furtar,
Pra colher frutos.

O verbo e a verba,
O mero e a merda...

Canal 3

Resto de troco e sua sobra
Gesto louco que se desdobra
Protesto, sopro e manobra
Honesto o soco que se troca

Modesto e simples é ser direto
Infesto ao resumo que me infecto

Extremidade e imensidade
Brutalidade e intensidade
Adversidade e imobilidade
Sublimidade e inutilidade

As perguntas sem repostas
As promessas sem propostas

Hora Para, Olha Para

Desamado
Desarmado
Desalmado
Desanimado

Cruz e lápide
Sinal de mártir
Ser a síntese
Sentir-se parte

De joelhos ao céu
Os momentos ao léu
Julgamento ao réu
A mente e o chapéu

Mais uma dose de café sem gelo
Ou aquele Whisky forte de coador
Tira a pizza pra fora do cotovelo
E pare de sentir dor de congelador

Os conselhos parecem com fusos
E meus espelhos parecem confusos

Somos Página Virada

Um dia foi amizade
Um dia eu senti saudade
Um dia foi verdade
Um dia teve credibilidade

Aquilo que você perdeu
Nunca terá de volta
E sei que nada aprendeu
Com minha revolta

Os olhares, sorrisos e abraços
Estão no passado
Os lugares, destinos em acasos
Estão nos retratos

Novo capítulo
Título e versículo

Paixão é o que Decide Ter ou Ser

Sonhar acordado
É realizar-se dormindo
Sentenciar passado
É vir a chorar sorrindo

A todo vapor
Cansamos e descansamos os corações
A todo louvor
Cantamos e encantamos nossas orações

É um ou mais deuses interiores
De competência e conveniência, opressores
É um ou mais erros anteriores
De consciência e consequência, professores

Há dias em que o Sol aflora
E nos trancamos no quarto
Há dias em que chove lá fora
E impulsionamos os passos

Encontramos a simplicidade n'uma cura
Abraçamos com veemência nossa fúria
Cavamos as nossas próprias sepulturas
Vedamos com demência nossa loucura

Vinde a nós os pastores
Simples valores que estão repletos de amores
Brindem a nós narradores
Convidem o cinza e completem as suas cores

Um violão e suas notas
Um cidadão e suas rotas

Cerrado (Tanatofobia)

Dilatado e enfartado
Diminuído e enfrentado
Expandido e alugado
Desprovido e alucinado

Rarefeito de virtudes
Conceito de atitudes
Satisfeito de latitudes
Defeito que confunde

Efeitos de valor
Despeito ao calor
Aceito em favor
Eleito o meu pavor

Afogando ao respirar
Asfixiando ao mergulhar

Az

A saga e o sagaz
A fuga e o fugaz
A capa e o capaz
A rapa e o rapaz

A carta e o cartaz
O fica e o eficaz
O Inca e o incapaz
O alto e o audaz

O auto controle e a paz
Salto do golpe que se faz

Saudosista (Apaixonado)

De tempos em tempo desejo a eternidade
E em outros, a morte De tempos em tempos eu busco felicidade E em outros, suporte
Tento ser forte Encontrar o meu norte Busco ter sorte Alguém que se importe
Venceu o meu passaporte Há pouco transporte Em nada que me conforte Tem quem descorde
Já pedi por um amor que eu nunca soube dar Em tempos desesperançosos não deixei de procurar
Calo-me aos livros velhos Acabo-me a mitos belos Encontro-me a meu ego Conformo-me a ser cego
Mas oro por mudanças que só dependem de mim
E também choro por sorrisos que só eu posso prefulgir
Infelizmente sou apaixonado Por tudo que carrego de meu passado Saudosamente e acostumado A ter no peito o que eu deixei de lado

Quebra-Luz

Sua fotografia paralisa a paisagem
Em nossa poesia que valoriza a viagem
Os olhares te fazem ser selvagem
Recupera e coopera com sua coragem

O sorriso e o abraço
Um beijo na testa e amarra meu cardaço
Eu preciso de espaço
Mas deixa luz entrar pela fresta do quarto

Não consigo dormir
Posso me deitar aqui?

Sandman

O poder de uma palavra
A mente e suas asas
Mas o pé que se agrava
Em gravidades rasas

Caminho com o meu olhar fixo no Horizonte
Imaginando o que meu destino planeja ou esconde

Pés leves e voz que não engana
João Pestana que leva a insônia
Um folclore ao menino na cama
Ninar que com a calma se canta

A criança sonha e pode sonhar a vida toda
Mas às vezes precisa acordar de um leve Coma

Ninho

A alma e o corpo
Há água em um copo
O ar e um sopro
A escalada e o topo

Há uma saudade em sopro d'água
Há uma tempestade em copo d'alma

Corrente e pingente
Em mãos e luvas
Correndo ao vento
Nuvens e chuvas

Destinos escolhidos ou trilhados
Caminhos percorridos ou enfrentados

A pele esquenta
O adeus lamente
A mente enfrenta
O olhar aumenta

A visão ampla do predador
Voou em direção à caça e pegou

Transire

Não é porque cansei dessa vida
Que vou me sufocar
Não é porque encontrei a bebida
Que vou me afogar

A escalada é alta
A caminhada e a estrada são longas
E se a peça falta
Um quebra-cabeça que se desmonta

Metrópole

Foi a queda
O sapato e a pedra
Foi a moeda
Dívida que se herda

Foram seus rostos
Olhares indispostos
Foram compostos
E controles remotos

O que te fez parar?
O que te fez continuar?

Os pais e a paz
O farol e seu cais
O leva e o traz
O menos e o mais

Transito e metrô
Nem dá mais vontade de te abraçar
Edredom e calor
Vou te ventilar ou te ar-condicionar

É a inocência idiota?
Ou é a cética devota?

A Pichação de muro
Coração puro
Pensamentos escuros
Ação e apuro

Eu juro, me seguro e me penduro
Penso no futuro, mais maduro e seguro

É tudo tão confuso
Tão maluco
E são todos vultos
De meu luto

Sertão

O peito sonha
Em nossa mente que cria
A voz manda
Mas só nosso o ato aplica

O mundo roda
Se estamos no calor, esfria
As folhas caem
Na semente que traz a vida

E assim há pássaros que cantam, que encantam
E fazem os seus ninhos
Na árvore existem traços daqueles que se amam
E seguem seus destinos

Há a Primavera, Verão
E há o Outono, Inverno
Tendo seus pés no chão
Ou se vestindo de terno

A criança ainda se maravilha com a lua
Corre para rua e abre seus braços pra chuva

Ondas Verbais

A bateria fica fraca
Para você recarregar-se
O inimigo ameaça
Para você encarregar-se

Tomadas e tomaras
Domadas e demarcadas
Somadas e soradas
Formadas e formuladas

Verão na Primavera
Quedas na atmosfera

Chá Mate

Cansado de gritar
Cantei Cansado de pintar Posei
Poesifiquei momentos Que não valeram os argumentos Exotifiquei pensamentos Que não avaliaram o sentimento
Então deitei-me E abracei minh'insonia Então lavei-me E decolei em sinfônica
Simplória Desnotória 
Mas meu silencio Meu sonho extenso Mas meu intenso Meu louco consenso
Não queria a mesma opinião Mas concordei com o seu não

Gramas, Toneladas, Grãos e Tons

A penitência e a sentença
Que respondem ao perdão
Na insistência e na crença
Que correspondem ao não

Há colisão do ego cego
Há paixão ao clero e ao prego
Há ilusão, tetos e céticos
Há satisfação que me entrego

Dói na mente incurável
Satisfatoriamente rasurável
Precocemente razoável
E obrigatoriamente mutável

A criança rebelde chorou
E de teimosia, ela cismou

Pega o doce
Abaixa o preço
Faz sua pose
Ao auto-apreço

Paz, Ciência
A paciência
Em diferença
Indiferença

Faz silêncio e vai dormir
Trague o senso ao sorrir

Claque

Algumas batidas por segundo
Se solta, mas volta Algumas esquinas pelo mundo Se revolta sem rota
Mas ninguém nota Sua derrota A caminhada torta Sendo idiota
Não pagou sua cota Ao seu agiota Procura por sua frota Sem resposta
Observa as gaiolas Na maciota Procura por aposta Em composta
Fazendo sua emposta Entre a escolta O litoral e a encosta Vinda reviravolta
Bem vinda...

Cabala

Como se não fosse acordar, eu dormi
Como se eu fosse gritar, me calei
Como se não fosse machucar, eu senti
Como se eu fosse andar, fui e voei

Decolei sem para-quedas
Sem hélices ou asa deltas

Como se fosse interpretar, virei história
Como se fosse me derrotar, me tornei vitória
Como se fosse o destino, virei trajetória
Como se fosse um Deus, eu caí em rogatória

Não fui refém
Talvez fui ninguém
Não tive amém
Talvez tive alguém

Mas quem?

A Tredice e a Interprete

Evitar, torna-se vital
Indiferente a um fato fatal
O banal, casal casual
Afinal, um final sem moral

Foi um sinal ideal
Diferente de muitos, mas igual
Saudações mortal
Um amor carnal, brutal e letal

Meu boreal mental
Meu visual formal
Meu surreal portal
Meu social jornal

A novidade, que é um punhal
E nem chegar a me fazer mal

Vinte e Sete ou Setenta e Dois

Se fossemos morrer bem regados e belos
Ainda assim teríamos muitos momentos para ser contados
Se fossemos morrer enrugados e velhos
Ainda assim teríamos pouco tempo para viver amparados

Somos uma foto emoldurada que será eterna
Somos um filme na mente de quem a nós é terna

E Nós...

Vemos dragões nas nuvens
Fazemos coelhos com as sombras
Somos espaço-naves e luzes
Algum brinquedo que se desmonta

Nos papéis, os desenhos viraram poesia
Na vida, a realidade se mistura à fantasia

Vemos um céu cheio de nuvens
Fazemos nossa própria sombra
Somos o vai e vem dessas luzes
Vivemos de cálculos e de soma

Nos papéis, o que venho estudando à dias
Na vida, as práticas, as táticas e as teorias

Era cueca por cima da calça
Escalar os muros da vovó
Agora é essa felicidade falsa
Onde laços se tornam nós

E nós, quem somos?

Costas

Há explosão e colisão de escuridão
Nada é perspectiva à mente
Detonação e denotação em equação
Nada enfatiza ao frequente

Ao agir com raiva
Não pensava enquanto falava
O tempo passava
Sua hora voava e não voltava

As lanças foram jogadas
E as indecisões, tomadas

O Tempo é um Vampiro

Em medo,
Emendo.
Em vento,
Invento.

Até te entendo,
Mesmo não te tendo.
Temos o enredo,
Ao redor, logo cedo.

Até me entendo,
São os sonhos que vendo.
Temo o remendo,
Não estar te vendo, sendo.

Em segredo,
Canções ao vento.
Em degredo,
Não volta o tempo.

O dia me suga,
Independente de minha fuga.
Me traz as rugas,
Enxuga na lágrima que julga.

O que nos molda, nos muda.
O que não nos vende, nos aluga.

Canção de um Sábado Solitário (Os poemas se conectam em dias enfermos e saudáveis)

É claridão
Luz que cega, mas que me guia até o cais
É solidão
Cruz que me prega, quem traga minha paz

Quando a vela se deixava ir pelo vento
Quando procurar se tornava meu sofrimento
Ouro de tolo entre lástimas e lamentos
Sopro de todos em lágrimas e pensamentos

Relembrar é deixar o fantasma reviver
E esquecer é deixá-lo em paz, morrer

Aqui jaz uma felicidade vivida
Quebrada, despedaçada, destroçada e repartida
Herança indesejada e dividida
Que não abona, não soma e nem paga as dividas

Como se tudo fosse evaporar e virar chuva
Como observar e sempre se maravilhar com a Lua
Como acelerar numa pista cheia de curvas
Como caminhar a pé e prestar mais atenção à rua

A noite que não salva meu dia
E um vinho na sala se despedia

Luz Escura

A arte de vir e me paralisar
Com um só olhar
Faz-me observar sem parar
Ao estar, dançar

O que falar?
O que calar?

A minha vontade de ir até lá
O reflexo da gravidade entre ir ou aqui ficar
Loucura entre andar ou pular
Ao impulsionar, descontrolar e desconcertar

Dropada em Dó

Musicas de um amanhã
Depois da segunda, vem o acelerador
Janelas e o Sol da manhã
De segunda em diante, em despertador

Poetas deitados no divã
Depois da sexta, esperando o descanso
Não adianta um talismã
De segunda a segunda, ao que me canso

O sonho tem o tamanho da sua mente
Já que suas conquistas estão bem na sua frente, enfrente
Somos os frutos de um Outono quente
Em que sementes caíram quando a Primavera era ausente

Mas o destino era presente
E continua, ao ser persistente

Equus, Et Pegasi

Os números não são supersticiosos
Os tropeços não são tão rigorosos
Os primeiros não são mais vitoriosos
Os olhares não são os pretensiosos

Os pássaros não são livres
Os sapos não são principies
Os sorrisos não são felizes
E as lágrimas não são tristes

São oito segundos em cima do animal selvagem
Depois corre igual menina em direção à grade

Os nossos juízes são humanos falhos
Nem toda a lamina tem o poder de retalho
Todos os caminhos tem seus atalhos
Há cartas no baralho e punhos ao trabalho

Anjos e fadas com suas asas
Famílias que tem suas casas
Me chamas com suas brasas
As águas nos pés, são rasas

É o oito de bola negra sete vezes sete em paisagem
Na viagem de trinta e três nas somas de um padre

(Vinte e Três)

Notas Equivocadas, Rotas Dissonantes

A mãe e sua prece
O filho e sua pressa
A criança obedece
O homem desperta

O que permanece no passado
É museu, retrato e pensamento
E o que acontece ao seu lado
É seu, é presente e é momento

Nosso ser perece
Ao que expressa a promessa
Nosso ler aparece
Ao que atravessa e interessa

Não durmo
Tem pegadas com som de sussurros
Não assumo
São medos em que sumo aos sustos

Está ficando escuro
Há várias vozes na mente
Falam sobre o futuro
Entre o adeus e o a gente

O que vai acontecer?

Poker

Sortear, tirar a sua carta
E fazer do destino, um Poker
Azarar na falta e na farta
E fazer do sorriso, o Porque

Se eu não faço nada
Estou esperando tua jogada

Não sei sairei vitorioso
Mas as cartas, estão bem aí
O olhar, é pretensioso
Entre estar aqui e o estar ali

Na mesa, sobre a mesa
Sub mesa em sobremesa

Eu jogo com o muito
E com o pouco
Não é apenas punho
É susto ou soco

Há tática e gramática
Há prática e matemática

Estrada

A estrada é a nossa longa caminhada
Cheio de paisagens e de distancias
No escuro ou na luz, sempre trilhada
Sol, chuva, Lua, vento e esperança

Um destino acolhido
Um sonho escolhido

A estrada é aquilo que observamos
Sabemos que vai demorar, mas já queríamos estar lá
É onde nos perdemos e atrasamos
E que preferíamos uma magia de nossos dedos estalar

É a nossa etapa de quilômetros e de pedágios
Subidas e descidas, retas e curvas
Terra, asfalto, placas, árvores e de presságios
As horas e meias, lágrimas e rugas

Nossa cura, é simplesmente chegar...