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Mostrando postagens de Novembro, 2014

(In)Justa (Im)Posição

Com paixão Com dolência Com dição  Com vivência 
Não precisa juntar  Para explicar Não precisa mudar Para expressar
Interpretar a lágrima Assim, adicionar adeus Na emoção máxima De quem nunca foi seu
Quem é que leva? E para onde se vai? Viver em trevas? Ou morrer em paz?

A Voracidade pela Liberdade

A inspiração é um presente de nosso Deus interior O que nós simplesmente entregamos aos outros E a atenção, é o único ato que desejamos em troco Ao mostrar anjos e demônios, santos e monstros
E no groove da batida O rapper e a sua rima Nos passos da passista O sorriso do sambista
O free hand na pele, na parede ou no papel São como os seres que nós vemos nas nuvens do céu E vão aparecendo a cada traço à mente, fiel Nos mostrando a realidade e a ficção, o belo e o cruel
O poeta e sua donzela As cautelas, sua capela Em Catedrais de velas E na janela, a sua cela
Nas canções, nas poesias Nos desenhos, nas teorias Nos livros e nas fantasias Tudo que aparece, se cria
A inspiração é um presente de nosso Deus interior O que nós simplesmente entregamos aos outros E a atenção, é o único ato que desejamos em troco Ao mostrar anjos e demônios, santos e monstros
E na Casa das palhetas, repletas de sumiços Cada mês, uma nova, um desperdiço E na casa dos lápis, onde depositamos vícios Onde a sua cri…

Isso, isso, isso...

A criança se eterniza
Depois de velho, ainda nosso herói
Se vai com as cinzas
Deixando o que o tempo não corrói

Nas ruas das telas
Mais assistido do que as novelas
Hoje ascendem velas
Dá pra ver sua estrela pela janela

E se foi
Mas foi sem querer, querendo
E se foi
Junto às lágrimas, escorrendo

Será eterno, Bolaños
Igual à Esperança
Será eterno, Bolaños
Para essa criança

E todas as outras...

Antro

Perfume de lama, chuva e terra E a tempestade na raiz de sua fera Silencio que no medo se encerra Bem ao meio de bonança e guerra
A natureza e o poder da noite escura As frestas que só a luz da Lua encontra O olhar se acostuma e a visão se cura A tempestade se acalma ao que afronta
E vira garoa Um lobo sai de sua caverna, agradece uivando O vento soa Dentro de preces enquanto o frio vai passando

É quase Janeiro de novo!

Vão me ofuscar
Mas não vou desistir de procurar
De sempre buscar
Dar um jeito do meu sonho lucrar

Vingar, crescer e acontecer
Impares em pares
E amortecer, ao amor tecer
Impares em pares

Ninguém quer estar sozinho
Mas querem sempre fazer seu próprio caminho
Ter um tempo livre com vinho
Com a mente, o peito, os fantasmas e o espírito

Os braços fortalecem ao se machucarem
Assim como todo o resto desse corpo
E os cosmos aparecem ao te enfrentarem
Assim como a vida surge de um sopro

E o corpo é uma prisão
Mas parece que ninguém pode me segurar
A mente cria uma visão
E tudo o que vejo é meu desejo de te curar

Falaram pra eu me olhar no espelho
E só depois eu entendi o que ele me disse
Compreendi a metáfora do conselho
Também chega longe, quem se torna vice

E que o destino
Nem sempre é o nosso real objetivo
Que é bem vindo
Em mais um dia, continuar, estar vivo

E o brilho no olhar que agora inflama
Não é pela fama
É pelo sentido que o Universo clama
Teatro e dramas

A história baseada em ped…

Lá do Sertão

Em alguns preciosos segundos
Ao sentir as gotas nos braços, na palma da mão e na nuca
Tempo ocioso em outro mundo
Utópico, onde o cinza se enche de cor, no calor de uma blusa

O frio lá de fora que não me afeta
Contrastes sem esboços de toda essa vida paralela
Enquanto a garoa fina me acerta
Enquanto outras pessoas se prendem em novelas

Mexem-se os canais do chão
Controle remoto da natureza
E os pássaros fogem, se vão
Rapidamente na correnteza

Marés bravas de um vento intenso
A beleza que se torna um grande tornado
Ascende-se toda vela, todo incenso
Aos breves e leves que sempre tem levado

Somos partes da gravidade
Assim como fazemos parte de nossa mãe liberdade
Somos laços da integridade
Assim como estamos sempre em busca da verdade

Muitas vezes trancados nas ações e reações
De um sistema de felicidade instantânea
E em outras vezes, mergulhados nas ficções
Históricas, retoricas e contemporâneas

O frio lá de fora que não me afeta
Contrastes sem esboços de toda essa vida paralela
Enquan…

O Novo Velho Rabugento

Disse o mais novo velho rabugento
- Podem me chamar de butequeiro
Mas nunca, de traiçoeiro

Há igrejas do tamanho do meu banheiro
Que arrecadam muito mais dinheiro
Do que eu e você o dia inteiro

Coitado desse velho fuzileiro
Que limpou seu bolso de guerreiro
Em muita cerveja, cigarro e Velho Barreiro

E de tanto estudo, se tornou pedreiro
De tantas amantes, foi sempre solteiro
Usa pele de lobo, mas é cordeiro

Fico aqui, de frente a esse bueiro
Ascendo mais um, com algum isqueiro
Recitando versos aos forasteiros

Prefiro os velhos domingos no terreiro
Do que os domingos de futebol e roteiros
Vendo crianças correndo e escondendo seus brigadeiros

Mas nunca, já mais, vou a um convento ou mosteiro
Eu volto a falar em um Deus que não creio
Mas que já depositei muitos desejos

Eu já nem sei o que ou com quem estou falando aqui fora
Talvez eu até saiba onde eu estou agora
Mas sempre me perco a essas horas

Que nem sei quais são...

A Pessoa do outro lado do Reflexo (da Reflexão)

O espelho às vezes mostra quem não somos Mas sim, quem nós fomos Nos mostra o que acreditamos ver e supomos Nos mata de quem amamos
Na verdade, os olhos apenas vêm o que o coração sente E por dentro se atormenta, enquanto nossa mente, mente
Tu não é a pior pessoa do mundo Mas nem tão pouco a melhor E não queira me ver surdo a tudo Pois eu conheço o meu redor
Só julgam os fatos, os ratos alheios Que se massacram, assim como você Amordaçados dentro de um espelho Sem perceber e sem realmente se ver
Nunca é tarde pra querer mudar Nunca é besteira voltar a sonhar
E os olhares irão voltar a vidrar, Vidal A vida voltará a ter seu tempero e sal Com limão e açúcar se der o seu aval Se der o seu sinal, nem tudo é do mal

E se eu ando com os Moleques?

Tem em mim
A sua confiança
O que teme é
Estar com fiança

Use cada passo
Na calma de sua esperança
Olhe ao espaço
Há tempestade e temperança

E só há bonança
Quando se alcança

Esses moleques até que nos fazem pensar
E sabem ousar causar no caos, um bem estar
Esses moleques até que nos fazem pensar
Simples batidas nas suas ideologias de rimar

Esses moleques são mais homens
Do que muitos marmanjos
Velhos que não assumem, somem
E são meros frangos

E eu me garanto
Mais com eles
Do que com aqueles

Que só dizem que são felizes
E não fazem raízes
Nos frutos de suas cicatrizes

É...
Esses moleques são mais homens

Foda-se os Outros!

Quais flores lhe causam dores Perfumes e odores De muitas ou de poucas cores Diferentes sabores
Algumas tem seus venenos Outras casam machucados pequenos O Beija-flor que vem sedento Por ver o seu mais precioso alimento
Voa contra o vento Na maré do firmamento Remotos vilarejos Controles do que eu vejo
Aos que conversam com a Lua E nem vêm as horas, já passou das duas Não passa nenhum carro na rua E ficam lhe preguntando – Qual é a sua?
Confie em ti rapaz Há Liberdade Conquiste sua paz Na Verdade
Foda-se os Outros!

Lapsos do que eu Sonhei

Céu limpo Lindo pra praia A luz que está vindo Enquanto mais um dia raia
O Nascer do Sol no litoral Orae, orai do inicio ao final Independente de qualquer sinal Faróis, navios e o continental
Eu atravessaria o país tão feliz Com uma imperatriz, uma matriz

Filosofia ou Filofobia

Só se aprende a voar Quando não há onde pisar E não se arrepende de levantar De se reerguer e de aguentar
O tempo serve pra passar E não pra parar Os machucados vão cicatrizar Mas nem todos irão se curar
Sem ter o quê, eles vão falar Sem ter como, não vão se calar E o que nos resta, é apenas aceitar Mas nunca vir a se acomodar
Pois isso faz o espírito ruir E é o pior pecado ao se fazer desistir Ter pouca força de reagir E meramente chegar a explodir
Em um Mundo inexplorado E um Universo nunca atravessado Uma alma para os renegados Astronauta dos centuriões armados
Cinturões dos amados Orion e Artemis lado a lado

Bragi

O desapego me ensinou Que há mil possibilidades Em diferentes felicidades
O sossego me ensinou Que há mil sinceridades Em cada traço da criatividade
O desespero me ensinou Que há mil intensidades Em cada ponto da verdade
O tempero me ensinou Que em tudo há diversidade Independente do verso, frase ou diversidade
O tempo me ensinou Que nem tudo que se vê, é a realidade E há muita maldade em alguns atos de bondade
O vento me ensinou Que nem tudo obedece à lei da gravidade Que são vários mundos no imenso Universo de universidade
Mas ainda há muito a aprender Ainda há muito que crescer e para ver nascer Basta apenas plantar, esperar e assim, florescer e ser

Que Fita... (parte 2)

Diamantes De amantes Horizontes
Sem horas Senhores e senhoras Jovens em outrora
Pra que tanto brilho Vazio de sorriso Adotados pelo destino?
De que valeu ter vivido A fuga dela em cada visto E dele em cada gás, cada fluído?
E na Avenida da Saudade do que Eu não Fiz Próximo à esquina da Rua Anonimato Imperatriz Num bar onde todo Nada pode ser Juiz, Infeliz
Aqui jaz mais um Zumbi do Sistema Com a cabeça cheia de problemas A quem dedico esse poema
Olhares embriagados, pessimistas Clamando os iguais como seus adoráveis artistas E que a verdade seja dita – Que fita!

Velha Era

Flui aos sedentos E ao firmamento Ainda que haja racionamento Aos irracionais, ao relento
Nas esquinas, nos cruzamentos Nos faróis mais barulhentos Sem lençóis, filhos do Vento Invisíveis, mas sempre atentos
Ao reino dos Céus Mas na Selva de Pedras Abelhas sem mel E Flores dessas Trevas
Nobres sonham em passar junto ao camelo Em agulhas feitas ao mais fino dos novelos

Lastro

Ao lastro
E mastro
Eu voltei
Em coro

E eu ancorei
Acordei
Na baía, baia
Da praia

Terra inexplorada
Eu acho
Talvez inseparada
Ao náufrago

Me perdi na ilha
De sua mente vazia
Falei, mas falhei
Em sua imensa afasia

Que hoje me causa a azia
Que ansiosamente se ânsia

Pirro e Pierrot, Fato Infarto de Ficção

O olhar fixo Ao crucifixo O sacrifício Peito asfixio
Perdoa, doa Enquanto o sino soa A cinza voa Enquanto cai, garoa
Qual será a verdade que nos libertará? Até quando a gravidade nos prenderá?
E lutar pela paz Pelos nossos ideais Ao que é demais Não se faz ou refaz
O continuísmo de um catecismo De um fanatismo que não tem altruísmo  É apenas radicalismo, o abismo O omisso, o principio desse mecanismo
Assim situado, cinismo O pessimismo e ceticismo Então orado ao ateísmo Não foi curado, o racismo
E eu ainda não sei quem criou o criador Não sei o nome do excelentíssimo autor

Na Terceira Cascata

Partes da roupa na pedra E um belo corpo que sai da nascente Me chama com frases belas Chamas que se misturam com a gente
E eu vou, largo o violão Largo toda canção, toda razão Só pra me sentir fração Parte simples da multiplicação
Lembro-me De quando parecia ser ruim, o frio e o calor juntos Dou risadas E tu pensa que estou prestando atenção no assunto
Até o meu olhar vir a se distanciar Ir além desse momento perfeito E em uma nova simetria a se criar De fazer as coisas do meu jeito
Um tapa no peito Pedindo atenção com sua face emburrada Um abraço forte Pois só tu me inspira a libertar gargalhadas

Sargitário (A verdadeira morte de Quírion)

E nós, sucumbindo, prestes a desistirmos Planejamos uma emboscada Sobreviver agora era um possível destino Poderíamos voltar para casa
Seria essa nossa ultima batalha Fizemos de toda simplicidade, uma navalha Agora toda migalha se espalha Fizemos de cada falha, o campo, a fornalha
É, adeus Canalhas Nossas cabeças não serão as suas medalhas Sem jogar a toalha E sejam bem vindos à vossa humilde mortalha
Serão apenas parte de nossa história De nossa bandeira, de nossa memória

O Grito do Último Líder Centauro

E do alto de uma montanha Onde os inimigos são coisas pequenas Temem nossa fúria tamanha Contra a luz do Sol, vem nossa resenha
Ofuscados aldeães Que se escondem como cães que antes latiam E lá, tinham paixões Mas sem compaixões conosco, apenas sorriam
Em preconceito, eles eram mais Agora, em número menor, eles correm Morrem de medo, perdem a paz O que se faz é o terror, apenas olhem
Eles serão os simples exemplos Cabeças em tochas Eles serão meros monumentos Corpos sob rochas
Matem todo o bravo bárbaro E façam dos fracos, escravos

O Telepata e o Unicórnio

A Nova Era uma coisa bem antiga
E a Bossa nova é nostalgia
O Horizonte é algo que tu acredita
Em uma utopia reescrita

Uma bela vista ao que está longe
E não se enxerga de verdade
É simplesmente, pastos e pontes
Luzes, carros, Lua e cidades

Nada é tão nítido
É apenas, bonito

Seth

Em liberdade criativa No lápis a soltar poesias e desenhos Ideais e pensamentos
Em liberdade deliberativa Produtiva, evolutiva em remendos Minhas felicidades e sofrimentos
Eu votei por voltar, mas não voltei pra ficar Ainda não parei no tempo, é outro, um novo momento Sigo o ritmo da batida do peito e da mente Em constante crescimento ao instante e ao firmamento
Meu Universo de Versos, meu escuro submerso E imenso imerso, perverso, não disperso, não converso Convenço dentro de todo o meu silencio diverso
Em liberdade criativa Tranquei só pra mim o que achei ser só meu Um cemitério na gaveta de quem não morreu...
Eu...

Pandora

Eu editei, reeditei Ditei e digitei Em voz alta, fiz várias cenas
Em cada vez que eu lia Eu refazia Acrescentava detalhes
Vilas, vales Complementava Implantava, implementava
E é elementar meu caro Somos todos raros E em extinção
Eu disse ter exagerado na noite passada Que não faria mais nada dessas coisas erradas E estou aqui de novo, com essa ressaca
Eu já perdi a conta De quantas vezes disse que ia parar de beber E agora é hora de crescer
Sempre a aprender Desenvolver, se arrepender E também de fazer, tecer e acontecer

Pandora, algumas cordas E vários acordes Mas agora, desperte mais forte

Eu troquei a Simetria

Eu troquei a Simetria Por mais sentimentos E a teoria por mais argumentos
Eu soltei o balão de ar no céu E até perde-lo de vista Consegui o seguir com a alma
Te vi e não tive nada Mas esse nada que é tudo Esse vazio mudo
Que nos faz ir a outro mundo Eu troquei a Simetria Por mais poesia
Ouvindo músicas francesas  Sem saber o que diziam, senti, sorri sem ti E eu apenas entendendi os acordes

Aprendi coisas novas ao dormir Eu troquei a Simetria Pela solidão que antes eu sentia

Que eu achava que conhecia Mas que sempre volta assim Sem sorte, diferente

E mais forte
Eu troquei a Simetria
E o problema é meu

Talvez, eu
Mas enfim
Eu troquei a Simetria

Não mora mais comigo

Superficialmente Longe de estar perdendo algo Ou bebendo álcool
Longe das irregularidades Mas em minha integridade, intensidade E por que não, imensidade?
Já não faz mais a falta que um dia fez Volto pros meus livros e histórias em quadrinhos Volto a trilhar minhas escolhas, meus caminhos
E você já sabia que eu voltaria Eu inventava, mas não era a vida que eu queria Enquanto a gente só se feria
Melhor assim, superficialmente longe Um dia – namora comigo? – E no outro, não mora mais comigo

Ultrassom da Lua

O homem na Lua, parado Contando as estrelas, os planetas Lá da janela em seu quarto empoeirado Sem lápis, usa a caneta
Sem caneta, desenha na areia da praia Sem ondas, sem mar e ainda assim a sonhar Ele desenhou um gigantíssimo coelho Para que a gente pudesse observar
Então, disse o poeta bêbado – Aquele é o Ultrassom da Lua! –

Lá pelas 4

Nas ruas Sorrisos e lágrimas Escondidos e em à mostra grátis
Em escuridão e Luz Clipe mental e fones de ouvido Mentes fortes e corações frágeis
Como se fosse simples Bater palmas e pular por aí feliz Sem serem tachados de vulgares
– Olha lá, os malucos –
Já eu, prefiro essa galera mesmo!

Cecília

Eu me lembro muito bem da primeira rosa
Dos primeiros espinhos em minhas mãos
E de como eu nunca mais voltei a tocá-los

Só não me lembro muito bem do primeiro tropeço
De como me levantei e quanto tempo fiquei no chão
Essas coisas são mais difíceis de tentarmos lembrar

Displicência, distração
Sei que hoje, sou mais ágil pra levantar e continuar
Mas sei lá... tenho muita raiva de ser esse tal de Homo-Sapiens

Observo os pássaros lá em cima
E eu os imagino pensando, cantando -

"Pobre do enjaulado que não pode estar aqui,
Vendo o quão pequeno são esses humanos
Canta pro nada e nem reclama do alpiste seco
Não sente esse vento, nem o sabor das frutas
Coitado, nem conhece a liberdade"

Sinto-me uma pessoa maluca
Pensando no que o pássaro poderia estar pensando
Mas sei lá... foda-se!!!

Infavor

Em meio a essa turbulência
A minha calma e respiração leve
Em meio a tanta demência
Punhos fechados e a fúria breve

Dizem que os tempos mudam
Moldam os nossos carácteres
Dizem que os tempos sugam
Vampiram nossos cadáveres

Com tudo, se molda o homem
Com o homem, se molda o velho
Com todos os que de sua vida somem
De que adianta tanto tesouro e castelo?

Dizem que você está mais bonito agora
Mas nem se olham no espelho e vão embora
Eles jugam até o Por-do-Sol e o Aurora
Querer melhoria é evoluir primeiro onde mora

Ou se libertar do que o aprisiona!

Pequena dose de estrago

Sem pisar nos freios
Eu me perdi nas curvas
Passei direto, fiz rodeio
Encontrei escuridão e chuva

Fiquei irrequieto
E me esqueci do porque chorava
Olhei por entre os vidros
E vi que o mundo também sangrava

Tentava, cicatrizava
E eu aqui com meus problemas pequenos
Infesto, infértil
Suguei meu sangue até tirar todo o veneno

Já não fazia mais sentido socar as paredes
O nó na garganta da vingança que não mata a sede

Em meu Livro, me livro

Momentos diversos  Atravessando universos Mesclado e cheio de versos Olhares dispersos
Conversas vazias E eu me volto pras poesias e teorias Passos de afasia Cada louco com a sua fantasia
Sei que também tenho a minha E muitas vezes não dou a mínima Largo a pessoa falando sozinha Deixo pra lá e volto à minha sina
Faço, mas não gosto quando fazem isso comigo De peito apertado, aceno, faço a cena de estar sorrindo E então eu volto na vontade de já estar saindo Reescrevo meu destino e me canso do sabor do vinho
A ansiedade vira ânsia  E tudo que desejo, é distância

Cancer

Um belo Aquário sem peixes Apenas enfeites E à venda, ali perto da parede Presente, aceite
Gosto dos seus movimentos De quando for encher de água, então ligar na tomada Gosto do seu encantamento Só não toque o vidro, não deixe as sereias assustadas
Há tempos eu perdi um Aquário E deixei algumas citações no diário Como tudo é assim, temporário Reforço os muros de meu santuário
De meu Templo
De meu Tempo...

Volpato

E eu, que achei que era o único que sentia esses socos
Cigarros e vinhos já a essas alturas
E só depois achei que nós éramos os seres mais loucos
Vivendo todas as nossas loucuras

E eu...

Vendo tudo, menos a alma a esse Deus criador
Que eles mesmos criaram para nos conscientizar
Você que acredita no mesmo que eu, no valor
Não se importa em sinalizar, assimilar ou analisar

Em silencio, sem destino
Doses do mais pobre vinho
Pura safra ruim e assovios
Cura da ressaca em sorrisos

Violão...

Me segue e me ergue com o mesmo olhar de ontem
Me rege, me sinto leve ao levar o mesmo sonho de antes
E eu continuo acreditando no som dos alto-falantes
No cara que eu vejo n’um espelho cantando aos amantes

Mas eu só acredito, porque você também, ainda acredita

(Ex)Boço

Às vezes me frustro apenas por não ter um lápis Não criar, não desenhar e muitas vezes me esquecer da magia Assim como vem, vai rápido e preciso dessa fotografia Tudo o que vejo, quero transformar em poesia
Mas não é sempre que tenho um lápis...

Eu que não gosto de andar sem rumo, saí para respirar

Por aí Amando e sendo amado Levando e sendo levado
Por aí Somando e sendo multiplicado Trombando e sendo tomado
Em tromba d'água, tornado
Por aí Sem rumo
É tão decepcionante quando olhamos Todo o vazio em que já pisamos Com tudo o que acordados, nós sonhamos

Demorei muito para largar a Simetria
Desenhei poesias e teorias belas
Vivenciei minhas canções em favelas

Larguei a busca pela perfeição
E eu apenas mudei minha opinião
Aceitei todo argumento de atalho e opção
Mas só eu escolhi e fiz minha direção

Falei tanto de evolução
Que eu precisei sentar à beira da estrada
Para me satisfazer de tal ação e reação esperada

Olhei para a Lua e agradeci
Abri os braços para a Chuva e não me recolhi
Não corri, apensa senti, sem ti

Que onde quer que esteja, sei que também sentiu

Falta de Ar

Cada cicatriz assina
Assassina um fantasma
Cada momento feliz da vida
Suportada na falta de ar, na asma

Cada cego vítima do próprio ego
Em todo caminho paralelo ao que desapego
Em cada passo que trafego, nessa mente cheia de Lego
E em léguas, eu sossego e não nego

Sou o que Soul...