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Nobre Indigesto

Tão perto de estar distante
Reflexão sem espelhar
É o ódio de um ser amante
Ao cintilar sem ter lar

E ele se sentirá sozinho
Sem amigos, parentes ou vizinhos
Entre rosas e espinhos
De como e qual será seu caminho

Diplomata de sua ausência
Aristocrata de experiências

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É só o vazio e nada mais

É só o vazio e nada mais
Nada de tanta importância, é só irrelevância  Algo que carrega minha paz E que leva de certo modo, alguma esperança
Fragmentos de lembranças Fotos que eu ainda tenho em um cemitério de gavetas Sacramentos de desconfiança Poesias que ainda tenho amassadas ao pé da cabeceira
É só o vazio e nada mais Dramas de um incapaz  O tentar torna-se ineficaz Ao vácuo que nada traz
E transborda um Universo de Supernovas  Onde há covas, mas algo sempre se renova
E eu deixo o tempo Mas o tempo é um ser traiçoeiro Em meio a remendos Talvez certeiro, talvez engenheiro

E é aí que eu tenho mais medo  Tornar-me máquina Ter sangue frio e o peito de gelo Tornar-me lastimas

Nossa missão nem existe

Ascende a vela
E o pouco que se observa já é o muito
Passos à cautela
Lentos no silencio que confessa o luto

Um pote de conservas
Onde não há conversas sobre o futuro
Sem precisar de reservas
Mesas de um bar iluminado e obscuro

Já é segunda de novo
Ou, é mais um ano começando
Fixa a tinta no corpo
E da vida, o que está pensando?

Mesmo se eu desabafar com algum Freud num divã
Eu sei que não vou entender minhas loucuras do presente ou pretérito
Não me entendo hoje, nem vou me entender amanhã
Talvez por mérito, questionando, investigando e fazendo um inquérito

Se eu pudesse voltar no tempo
Creio que seria muito bom refazer todas a merdas que já fiz
Seria mais fácil perdoar e atento
Abraçaria mais do que abracei, sorriria bem mais do que sorri

Não daria conselhos e apenas observaria o Caos acontecer
Não teria segredos, eu apenas observaria o Caos acontecer

Calma Calamidade

Personagens de nós mesmos
Alucinados com nosso desempenho
Maravilhados com o desapego
Geralmente em profundo desespero

Um prólogo, um sumário
Capítulo à parte ou em meia página
Previsões num calendário
De epifania, de inspiração e táticas
Traçando rotas na direção da Luz
Nos caminhos em que os galhos fazem
Sombras, vou para onde nunca fui
Flutuando nem à maré, nem à margem

Em minhas frases tão silenciosas
Escondido dentro de um mero acorde
Há um cálice cabisbaixo à prosas
Tons menores simbolizam a sua dose

Um brinde pra ninguém
Em direção ao copo ausente
Estreito é o mal e o bem
Na intenção ainda pendente

Na sarjeta, na guia, a solidão do homem na esquina tão repentina
Tão repetida e se não fosse tão nítida, mas se não fosse tão minha

Seria de quem?