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Mostrando postagens de 2014

Sarau, Luau e Litoral

E precocemente morre a poesia amassada Dentro da frase deletada A criança vai aos céus sem uma caminhada Sem uma historia contada
Pai é quem cria e pela Morte ela foi adotada Foi pelo Destino, levada O corpo é rito de passagem e ela foi sorteada A não sofrer na jornada
Assim Tira toda a poeira do chão em vão, pois não limpa os seus móveis Assim Vai até o mar se perguntar de onde vêm as lágrimas de um homem
De onde vem eu também não sei Mas é aqui o seu destino final E nas dores que em amores se fez Elas vêm parar aqui, no Litoral
Em todas as festas da virada, de ano, de jogo Não coloque a mão e nem brinque com o fogo...

Frago

A sabaticidade do começo de ano para alguns A simplicidade no olhar do rapaz comum Boêmia que na roça se traduz aos vagabundos E para a poesia é a inveja de todo mundo

Ouço mil vozes

O amor em muitas vezes A amortecer e em outras a amordaçar O perdão a doer ou a doar Ao pedir em oração, talvez a alcançar
Desatando todos os nós em laços Eu apaguei a luz que havia na imensidão Devastando toda raiz do fracasso Percebi que eu nunca caminhei em vão
Do outro lado da escrita  Mais um Universo inacabado Do outro lado da poesia Mais um coração despedaçado
Ouço mil vozes Cada uma com mil histórias pra contar Ouço mil vozes Cada uma com mil músicas pra cantar

Vésperas

Nem sempre odeio a tradição Receio, tradução O rodeio, o recreio em reação Toda ressurreição 
Vésperas de comemoração Feriados, fração E é legal toda essa alegação Adeus delegação
Vamos pra casa em oração Achando que estaremos longe de toda maldição Vamos pra casa fazer a lição Esperando qualquer rádio tocar a nossa canção
Ou de frente pra televisão Ver agradecimentos de quem ganhou a eleição O melhor romance ou ação Ou até de quem mentiu melhor pra essa nação
Sem pressa pela revolução Cheio de vendas à evolução

Vanescer

Minha bagunça organizada Um puro plural Conforme já foi informada Sem muros, mural
Nosso antigo carnaval em fotos Coração enorme de ficção Nossos sorrisos e outros corpos Sem nomes e sem feição
Eu saio de casa em direção à Heartbreak Hotel Pensando e observando o brilho da Lua no céu

Sei lá...

O que trago pro pulmão
Pra mente, pro coração
O que trago como lição
Lacunas nunca em vão

Que se vão
Em cicatrizes da imensidão
Que se não
Meras lágrimas de indecisão

Uma força sobrenatural da mente sobre o corpo
Os pesadelos e os sonhos, os vultos e os rostos

Um samba pro sábado
O dormir do domingo
Em torno dos tornados
As feras e os feridos

Já é quase Segunda de novo
E já é quase Janeiro de novo

Sei lá...
Só sei que sei lá!

Apenas Só, Carrasco de Nós

As dores e os odores do mundo
Imundo, confundindo valores e horrores
As cores e as flores do moribundo
O vagabundo, seus amores sem sabores

Tudo passa, mas o que ficam são as pegadas
Ou os rastros
O que deixam talvez seja apenas só, os restos
Os estilhaços

Tudo pode ser horizonte
Até mesmo observado na vertical dos astros
Tudo parece ser distante
No Universo, Lua, ventos, marés e mastros

E o eco do silencio
O ego do momento

E é apenas só
Digno de dó
Voltando ao pó
Garganta, nó

E nós, esperando
A peça que ligue nosso quebra cabeça
E nós, esperando
Dentro de nossa maior força, a crença

É apenas só
Quase em voz
O meu algoz
Desapego a sós

Penumbra

O vazio é uma lacuna ao pesadelo É um calor junto ao medo Dentro da nascente de todo desejo Ouço o sussurro do vento
A gravidade interminável Em uma imensa escuridão Onde tudo se é intocável Abro os olhos sem direção
Um suor e as mãos no peito Agora fora da causa e efeito

Mohandas

Chuvas e tempestades Secas e devastações De impérios e aldeães Cemitérios e religiões
Regiões afetadas pela ganancia E as crianças que morrem antes da sua infância Depois da tempestade, a bonança Então esperando pelo Apocalipse com confiança
De que toda maldade descansará em paz E nós poderemos ter a nossa e muito mais

Você não está só

A alma de um homem Tenta dizer o que em vida ele não disse Vem, aparece e some Tenta e assombra sem que conseguisse
Que alguém o visse ou o ouvisse E na sua frente sem que acredite
Balança a cabeça e diz que não é verdade Impede a alma de ter sua liberdade Se tranca sob as cobertas da peculiaridade Se protege dentro da mediocridade
O pior cego é aquele que finge não ver Não se abre ao mediúnico, ter e não crer
Relaxe a sua mente Receba o dom que lhe foi doado É tudo tão diferente Realmente, mas deixe ser guiado
Deixe estar ao que veio apenas para te ajudar Voz que te fará caminhar, realizar e concretizar

(Des)Ambíguo

Nós sempre estamos em busca de algo que nos complete A procura de algo que nos infecte e em afeto nos afete Como uma roupa que te veste ou um sonho que se investe Mas em setenta vezes sete na perfeição de que se erre
Algo nos impede de encontrar encaixes desse quebra-cabeça Mas não vamos parar até que a fé vença e a crença prevaleça

Torá

Cansados do mesmo Nós vemos novidades em Museus E a tudo que podemos Temos os termos entre Zeus e Deus
Um tratado de Paz de Romanos e Fariseus Um respeito nas crenças dos religiosos e dos ateus Um dia utópico que ninguém me Prometeu E dentro dos olhares, quem são os outros e os seus
Um dia utópico sobre haver o respeito Um sonho sem pronome e sem sujeito

Týr

A mão dentro da boca de um feroz Lobo É a palavra, a promessa de que terá a sua liberdade A mão dentro das chamas do voraz Fogo Não garante que o outro, esteja contigo em verdade

Soldado de Jorge

No espelho está o ego ou o que poderá ser mudado Ato incontrolável ao que pode ser moldado O corpo dói ao que foi doado, descanso ao soldado Suas pernas e seus braços, o ombro fardado
Quem carregou o peso do mundo nas costas Proposta imposta à mente nunca oposta Era o sonho por medalhas, agora de sua volta Sabe o que perdeu e o que todo dia adota
Não se revolta, mas o seu retorno é um grande tumulto Sobre outros ombros, desce a bandeira junto ao tumulo
Herói de guerra junto à Lua Trocou algumas vidas pela sua E de lá observa a antiga rua Deixando o ciclo que continua
Está ao lado Jorge, seu protetor, que veio e o recrutou Contra os dragões, demônios que ele também derrotou

Colher o Dia e Plantar, Implantar o Carpe Diem

Um discurso rançoso
E eu nunca ansioso pro final,
Nessas estações sem carnaval,
No bar dos Bardos, afinal

As poesias de boteco
Assombram o ego de seu sinal
O que pode ter se resolvido no eco do aval,
Não em vão, talvez acidental

Sempre a mesma coisa,
Nessa era do que antes fosse
Eu vejo velharias feitas para hoje
E novidades feitas para ontem

Pessoas longe de seu tempo,
Vai de ansiedade, insanidade à ancianidade
De toda diversidade, novidade e antiguidade,
Extinções dentro de nossa raridade, nossa realidade

Entre saudosistas e futuristas,
Vivendo apenas o meu momento
Esperando e deixando, tudo a seu tempo
Como abrir os braços pra chuva ou pro vento

A brisa não avisa, ameniza,
Prioriza estar longe da hipocrisia
Preocupar-se com a própria vida
Pegar a curva, o retorno, a saída

Somos insetos dentro do Universo
Mas nunca infectos ao manifesto...

REM

Em uma gravidade continua
Alguém tenta falar
E o corpo parece que flutua
No ato de paralisar

Um fantasma, um vulto
Ao me observar em culto
E a mente sofre o surto
Toda raiz de nosso fruto

Foram apenas alguns segundos
Até poder voltar ao meu mundo

Charlie

Frio na espinha
Explosão de adrenalina
Raciocínio ilógico

Infecto de morfina
Sem ter afetado a retina
Inoportuno ao código

Devaneio à luz divina
A Lua atrás dessa neblina
Solidão, solo, sólido

A névoa da esquina
Que vem até minha cortina
Infortuno ao óbvio

Na estrada da rotina
Uma nova história se escrevia
Sobre amor e ódio

Não vi o fim
Vi a continuação
E ouvi a canção

Consegui dormir ao ninar

Cartapácios

Ainda ouço milhares de vozes
E cada uma, com novas histórias a serem contadas todos os dias
Cães amigos ou lobos ferozes
Finais surpreendentes e o pensamento do que depois, aconteceria

Teatro do Infinito

Há o peso em meus ombros
Os meus fantasmas
Meus demônios e monstros
Respiração e asma

O carma encadeado
Físico, moral, espiritual
O carma enterrado
Não encerrado ao astral

Ainda cheio de ciclos
Ainda cheio de riscos

2,47

Através das nuvens A Lua E atravessa o corpo A chuva
Os braços se abrem ao receber As preces do que eu espero acontecer Os olhos se fecham a entender De que não é só pedir, tens que fazer
É sonhar acordado, mas em ação Não cantar calado, minha canção

E a Luz se Fez

Em pacto
Eis a causa do impacto
Eis o fato
Eis o meu terceiro ato

O primeiro é o de chegar
O segundo é te cumprimentar
O terceira é só esse traçar
E o quarto, é a sua alma levar

Se não se importa o como cresça
E o como aconteça
O tanto que estará sobre cabeças
Mas não se esqueça

A qualquer hora
O seu espirito, eu terei
A começar agora
Pois a sua alma, levarei

Inseto Isento

Vai fazer ou deixar o tempo trazer O clichê de amortecer ou o amor tecer
Ao escolher ou deixar acontecer Percorrer ao ato andar ou ao de correr
No decorrer dos segundos, minutos Dias e meses Anos luz, séculos lunares, luto e vulto Aqui, às vezes
Na maior parte, em sonhos Esperando o dia chegar Não em sonos, eu suponho É na visão de acreditar
Olhos abertos Ao que será descoberto Livros abertos Na biografia do incerto
Do inseto ao universo

A Abstração

Esculturas de arames De entulhos e lixos Vendidos às madames Em forma de bichos
Árvores de latas Quadros sem sentido Altar que relata A abstração do vivido
De sua visão, em outros olhares De aqui, estar em outros lugares

Última Página

É difícil aceitar que duvida liberta Dispersa, atravessa e deixa nossa mente muito mais aberta Às novas descobertas, novas eras Quando sua mira não acerta e se entende melhor as regras
Que o ciclo é só mais uma visão velha De que há destinos distintos até mesmo para as pedras Mas nem o autor sabe o fim da novela Quem batizou com nome o criador a quem tudo impera
Era um João ninguém Que também não sabia dizer amém Mas enxergava além Do que está pra chegar e ainda vem
O Fim...

Sorriso Crespo

Corpo de violão E o gingado de cavaco Faz todo forte Sentir-se homem fraco
Cabelos fora do contexto De todos esses comerciais lisos Faz de seus passos crespos Devaneios dentro de seu sorriso
Diz sempre que esses otários não mudam o conceito Que só pensam em bunda e peito Diz de suas tristezas profundas, que só quer respeito Então vem e se junta ao que eu vejo
Os seus olhos e seus segredos Apenas me deixam sem jeito E me deixam aqui, escrevendo Descrevendo, você ao vento
Seu samba paralisado Só nos jogos de visões, tentando o disfarce Em sua face, alucinado Eu e meus atos mentais cheios de impasses
O que será que ela dirá?

Angra dos Sonos

Em muitas teorias Frases de melhorias Do que melhoraria Ou o que aconteceria
E são cofres cheios de recheios Omissões e segredos sem freio
Eles pegam da Terra O que ela, um dia pegará de volta Fazem suas guerras E mais um dos soldados se revolta
"Nada em sua tela é verdade Todos os seus heróis são meros covardes Fazem da oposição, maldade E quando for abrir os olhos, já será tarde"
E são cofres cheios de recheios Omissões e segredos sem freio

Universo no Lápis

No Universo da Criação Há vários mundos No Universo do Tempo Há vários segundos
No Universo da Canção Há vários submundos No Universo da Omissão Vários seres imundos
No Universo da Submissão Nenhum desejo a se cumprir No Universo da sua Missão Nenhum segredo a te suprir
No Universo dos caminhos Várias estradas esburacadas No Universo dos destinos Várias linhas foram traçadas
No Universo dos Loucos Uma Linha foi retraçada, retalhada No Universo dos Poucos Uma Linda foi retardada, retratada
Só que no Universo dos Universos Há lugares onde nunca visitei E no Universo que reúne os versos Há rabiscos que eu desenhei

Síntese Sintética, Prece Poética

No início era só Escuridão
Hoje infectada pela Luz
O silencio se faz imensidão
Esconde a face no capuz

Te disseram que a Luz era o bem
E o anjo vindo dela nos odeia
O que corre na veia e no peito tem
É essa ceia do que nos rodeia

Ainda espero a verdade me libertar
Foda-se o que dizem dessas poesias
Em liberdade poética do que recitar
Foda-se o que dizem dessas teorias

Ainda faço o que sinto
Conciso, sucinto
Ainda falho, não minto
Conflito, convicto

Ainda humano em dores do espírito e da alma
Fecho os olhos e durmo
Sempre em busca da cura dessa fúria na calma
E eu assumo, não sumo

Homem de Lata (parte 3)

Não quis ouvir mais nada
Deitei ao som de minha rádio pirata Em versão aleatória, pirada Em aversão ao nó que não se desata
Ao nós que tentei deixar pra trás Só para tentar viver, dormir em paz Mas não é desse jeito que se faz E como fazer, se não aguento mais?
E eu até que já passei por essa circuncisão antes A cauterização e a cicatrização, ninguém garante
E o ditado vem e diz Antes só, do que mal acompanhado Não interessa, eu fiz E tenho essa face e o olhar fechado
Com o peito enjaulado Com o coração enlatado
E o diabo vem e diz Antes só, do que mal acompanhado Não interessa, eu fiz E tenho essa face e o olhar fechado

Há Dias, nada a Adiar (Deix'estar)

A tela que vejo dentro do caminho noturno Tem pouca luz, mas muito brilho Distantes e horizontes, sinônimos de futuro E o meu tempo que já foi escrito
Não destino e sim história Não fictício e sim memória
O que vem depois, talvez nem seu Deus saiba Se não, não existiria o julgamento ou o livre arbítrio Se fosse tudo programado, não existiriam balas Entre verdades e mentiras, o omisso, ócios e ofícios
De todo o desiquilíbrio, os braços abertos pra receber a chuva O meu olhar fixo e minha respiração que se curva à luz da Lua
A noite não dura Mas me traz o descanso e o meu forte dorme Apenas me cura A luz da manhã chega e agora acorde homem
Para novos acordes, novas criações Ideias, poesias, desenhos e canções

Teatro de Meias nas Mão

O peso preso É um terço grego O olhar vesgo Ao falar pra leigo
Esse não é o jeito Filmado em branco e preto Esse é teu peito Blindado ao brando e leito
Tempestade de ventos O trato foi feito De tempos em tempos Um pacto eleito
Quem nasceu sem ter alma pra vender Sem vida pra perder Morreu sem uma família pra interceder Sem firma pra ceder
As cortinas abriram e fecharam E tu nem foi coadjuvante As cortinas abriram e fecharam E tu foi apenas figurante

Ramon

Falso manifesto Cegos a todo protesto Mudos ao gesto Não mudo, não presto
E se fico só assistindo E se fico só ouvindo É porque não acredito Porque paro e reflito
Ainda não mudei pouco Para poder mudar muito Ainda prefiro ser louco Do que mudar o mundo
Não mudei a mim mesmo...

Três HK

Algumas culturas te fazem pensar Outras, te fazem rebolar Mas todas merecem respeito
É logico que algumas vendem mais Como um analgésico eficaz Blindado dentro da causa e feito
Algumas linhas de bases e graves Poesias pintadas de aves Três HK ao pronome do sujeito

Co(o)Missão

Casa da Paz Repouso de reflexão Longe de toda destruição
Cada ligação externa Confuso mundo de perfeição Sempre em reconstrução
De vasta devastação O céu chora sua escuridão Desata o que desmata a fração
Casa do Caos Renomeado pelos pagãos Abortados pela nação
“Nascidos de outra Maria E não a nossa” Eles dizem

Homem de Lata (parte 2)

Minhas conquistas não são por onde passei Mas sim, os corações que conquistei E nas mentes em que eu fiquei Os olhares que deixei
E não é por ouro ou prata Que escondo bem no meio da mata É o reconhecimento que esse homem de lata Acelera, na sexta engata e dá adeus à mais ingrata...
Eu que um dia pedi coração, não quero mais!

D'oito

Tu não cresce quando esquece a toalha Percebe que se cortou com a navalha E acha que já saiu de casa
Mas sempre volta pro arroz e feijão Queijo derretido e macarrão Ou volta correndo pra colocar a ração
Tu não cresce, mas a mente evolui O pensamento flui, começa e conclui Sempre atribui, mas nunca diminui
Tu não percebe, mas somos tão pequenos Que nem vemos que no tamanho do Universo Não há muita diferença entre nós e o inseto
A nossa alma sim, essa cresce e se expande E há quem se espante, meros figurantes Talvez coadjuvante e nós, sempre adiante

Leto

Palmos e léguas Ofuscado em nevoas Escuridão, trevas E pedras dessa selva
Na cruz de giz Vamos do paraíso ao inferno Na luz que diz Depois do fim, vem o eterno
Sem mapas E sem aspas
Escravo urbano Por mais de trezentos dias por ano Está sangrando E quem é o verdadeiro malandro?
A salvação não pode ser a morte Pois a canção é o nosso ponto forte A atração está na busca por sorte Pois a ração foi jogada sem o norte
A saudade nos prenderá E a verdade nos libertará

Violão e Montanha

A poesia por si só Do instrumento A fantasia sem voz De seu alimento
A imaginação A inspiração A canção A ficção A ação A reação A atração A indagação A observação A transpiração A respiração A abdução E sua hábil indução Assimétrica na fração Frases perdidas na narração Desenha-se a montanha da nação Sem Pôr-do-sol, por mera interpretação Já no alto, sobe e desce várias vezes sem opção
Desdenha-se; Olá...

(In)Justa (Im)Posição

Com paixão Com dolência Com dição  Com vivência 
Não precisa juntar  Para explicar Não precisa mudar Para expressar
Interpretar a lágrima Assim, adicionar adeus Na emoção máxima De quem nunca foi seu
Quem é que leva? E para onde se vai? Viver em trevas? Ou morrer em paz?

A Voracidade pela Liberdade

A inspiração é um presente de nosso Deus interior O que nós simplesmente entregamos aos outros E a atenção, é o único ato que desejamos em troco Ao mostrar anjos e demônios, santos e monstros
E no groove da batida O rapper e a sua rima Nos passos da passista O sorriso do sambista
O free hand na pele, na parede ou no papel São como os seres que nós vemos nas nuvens do céu E vão aparecendo a cada traço à mente, fiel Nos mostrando a realidade e a ficção, o belo e o cruel
O poeta e sua donzela As cautelas, sua capela Em Catedrais de velas E na janela, a sua cela
Nas canções, nas poesias Nos desenhos, nas teorias Nos livros e nas fantasias Tudo que aparece, se cria
A inspiração é um presente de nosso Deus interior O que nós simplesmente entregamos aos outros E a atenção, é o único ato que desejamos em troco Ao mostrar anjos e demônios, santos e monstros
E na Casa das palhetas, repletas de sumiços Cada mês, uma nova, um desperdiço E na casa dos lápis, onde depositamos vícios Onde a sua cri…

Isso, isso, isso...

A criança se eterniza
Depois de velho, ainda nosso herói
Se vai com as cinzas
Deixando o que o tempo não corrói

Nas ruas das telas
Mais assistido do que as novelas
Hoje ascendem velas
Dá pra ver sua estrela pela janela

E se foi
Mas foi sem querer, querendo
E se foi
Junto às lágrimas, escorrendo

Será eterno, Bolaños
Igual à Esperança
Será eterno, Bolaños
Para essa criança

E todas as outras...

Antro

Perfume de lama, chuva e terra E a tempestade na raiz de sua fera Silencio que no medo se encerra Bem ao meio de bonança e guerra
A natureza e o poder da noite escura As frestas que só a luz da Lua encontra O olhar se acostuma e a visão se cura A tempestade se acalma ao que afronta
E vira garoa Um lobo sai de sua caverna, agradece uivando O vento soa Dentro de preces enquanto o frio vai passando

É quase Janeiro de novo!

Vão me ofuscar
Mas não vou desistir de procurar
De sempre buscar
Dar um jeito do meu sonho lucrar

Vingar, crescer e acontecer
Impares em pares
E amortecer, ao amor tecer
Impares em pares

Ninguém quer estar sozinho
Mas querem sempre fazer seu próprio caminho
Ter um tempo livre com vinho
Com a mente, o peito, os fantasmas e o espírito

Os braços fortalecem ao se machucarem
Assim como todo o resto desse corpo
E os cosmos aparecem ao te enfrentarem
Assim como a vida surge de um sopro

E o corpo é uma prisão
Mas parece que ninguém pode me segurar
A mente cria uma visão
E tudo o que vejo é meu desejo de te curar

Falaram pra eu me olhar no espelho
E só depois eu entendi o que ele me disse
Compreendi a metáfora do conselho
Também chega longe, quem se torna vice

E que o destino
Nem sempre é o nosso real objetivo
Que é bem vindo
Em mais um dia, continuar, estar vivo

E o brilho no olhar que agora inflama
Não é pela fama
É pelo sentido que o Universo clama
Teatro e dramas

A história baseada em ped…

Lá do Sertão

Em alguns preciosos segundos
Ao sentir as gotas nos braços, na palma da mão e na nuca
Tempo ocioso em outro mundo
Utópico, onde o cinza se enche de cor, no calor de uma blusa

O frio lá de fora que não me afeta
Contrastes sem esboços de toda essa vida paralela
Enquanto a garoa fina me acerta
Enquanto outras pessoas se prendem em novelas

Mexem-se os canais do chão
Controle remoto da natureza
E os pássaros fogem, se vão
Rapidamente na correnteza

Marés bravas de um vento intenso
A beleza que se torna um grande tornado
Ascende-se toda vela, todo incenso
Aos breves e leves que sempre tem levado

Somos partes da gravidade
Assim como fazemos parte de nossa mãe liberdade
Somos laços da integridade
Assim como estamos sempre em busca da verdade

Muitas vezes trancados nas ações e reações
De um sistema de felicidade instantânea
E em outras vezes, mergulhados nas ficções
Históricas, retoricas e contemporâneas

O frio lá de fora que não me afeta
Contrastes sem esboços de toda essa vida paralela
Enquan…

O Novo Velho Rabugento

Disse o mais novo velho rabugento
- Podem me chamar de butequeiro
Mas nunca, de traiçoeiro

Há igrejas do tamanho do meu banheiro
Que arrecadam muito mais dinheiro
Do que eu e você o dia inteiro

Coitado desse velho fuzileiro
Que limpou seu bolso de guerreiro
Em muita cerveja, cigarro e Velho Barreiro

E de tanto estudo, se tornou pedreiro
De tantas amantes, foi sempre solteiro
Usa pele de lobo, mas é cordeiro

Fico aqui, de frente a esse bueiro
Ascendo mais um, com algum isqueiro
Recitando versos aos forasteiros

Prefiro os velhos domingos no terreiro
Do que os domingos de futebol e roteiros
Vendo crianças correndo e escondendo seus brigadeiros

Mas nunca, já mais, vou a um convento ou mosteiro
Eu volto a falar em um Deus que não creio
Mas que já depositei muitos desejos

Eu já nem sei o que ou com quem estou falando aqui fora
Talvez eu até saiba onde eu estou agora
Mas sempre me perco a essas horas

Que nem sei quais são...

A Pessoa do outro lado do Reflexo (da Reflexão)

O espelho às vezes mostra quem não somos Mas sim, quem nós fomos Nos mostra o que acreditamos ver e supomos Nos mata de quem amamos
Na verdade, os olhos apenas vêm o que o coração sente E por dentro se atormenta, enquanto nossa mente, mente
Tu não é a pior pessoa do mundo Mas nem tão pouco a melhor E não queira me ver surdo a tudo Pois eu conheço o meu redor
Só julgam os fatos, os ratos alheios Que se massacram, assim como você Amordaçados dentro de um espelho Sem perceber e sem realmente se ver
Nunca é tarde pra querer mudar Nunca é besteira voltar a sonhar
E os olhares irão voltar a vidrar, Vidal A vida voltará a ter seu tempero e sal Com limão e açúcar se der o seu aval Se der o seu sinal, nem tudo é do mal

E se eu ando com os Moleques?

Tem em mim
A sua confiança
O que teme é
Estar com fiança

Use cada passo
Na calma de sua esperança
Olhe ao espaço
Há tempestade e temperança

E só há bonança
Quando se alcança

Esses moleques até que nos fazem pensar
E sabem ousar causar no caos, um bem estar
Esses moleques até que nos fazem pensar
Simples batidas nas suas ideologias de rimar

Esses moleques são mais homens
Do que muitos marmanjos
Velhos que não assumem, somem
E são meros frangos

E eu me garanto
Mais com eles
Do que com aqueles

Que só dizem que são felizes
E não fazem raízes
Nos frutos de suas cicatrizes

É...
Esses moleques são mais homens

Foda-se os Outros!

Quais flores lhe causam dores Perfumes e odores De muitas ou de poucas cores Diferentes sabores
Algumas tem seus venenos Outras casam machucados pequenos O Beija-flor que vem sedento Por ver o seu mais precioso alimento
Voa contra o vento Na maré do firmamento Remotos vilarejos Controles do que eu vejo
Aos que conversam com a Lua E nem vêm as horas, já passou das duas Não passa nenhum carro na rua E ficam lhe preguntando – Qual é a sua?
Confie em ti rapaz Há Liberdade Conquiste sua paz Na Verdade
Foda-se os Outros!

Lapsos do que eu Sonhei

Céu limpo Lindo pra praia A luz que está vindo Enquanto mais um dia raia
O Nascer do Sol no litoral Orae, orai do inicio ao final Independente de qualquer sinal Faróis, navios e o continental
Eu atravessaria o país tão feliz Com uma imperatriz, uma matriz

Filosofia ou Filofobia

Só se aprende a voar Quando não há onde pisar E não se arrepende de levantar De se reerguer e de aguentar
O tempo serve pra passar E não pra parar Os machucados vão cicatrizar Mas nem todos irão se curar
Sem ter o quê, eles vão falar Sem ter como, não vão se calar E o que nos resta, é apenas aceitar Mas nunca vir a se acomodar
Pois isso faz o espírito ruir E é o pior pecado ao se fazer desistir Ter pouca força de reagir E meramente chegar a explodir
Em um Mundo inexplorado E um Universo nunca atravessado Uma alma para os renegados Astronauta dos centuriões armados
Cinturões dos amados Orion e Artemis lado a lado

Bragi

O desapego me ensinou Que há mil possibilidades Em diferentes felicidades
O sossego me ensinou Que há mil sinceridades Em cada traço da criatividade
O desespero me ensinou Que há mil intensidades Em cada ponto da verdade
O tempero me ensinou Que em tudo há diversidade Independente do verso, frase ou diversidade
O tempo me ensinou Que nem tudo que se vê, é a realidade E há muita maldade em alguns atos de bondade
O vento me ensinou Que nem tudo obedece à lei da gravidade Que são vários mundos no imenso Universo de universidade
Mas ainda há muito a aprender Ainda há muito que crescer e para ver nascer Basta apenas plantar, esperar e assim, florescer e ser

Que Fita... (parte 2)

Diamantes De amantes Horizontes
Sem horas Senhores e senhoras Jovens em outrora
Pra que tanto brilho Vazio de sorriso Adotados pelo destino?
De que valeu ter vivido A fuga dela em cada visto E dele em cada gás, cada fluído?
E na Avenida da Saudade do que Eu não Fiz Próximo à esquina da Rua Anonimato Imperatriz Num bar onde todo Nada pode ser Juiz, Infeliz
Aqui jaz mais um Zumbi do Sistema Com a cabeça cheia de problemas A quem dedico esse poema
Olhares embriagados, pessimistas Clamando os iguais como seus adoráveis artistas E que a verdade seja dita – Que fita!

Velha Era

Flui aos sedentos E ao firmamento Ainda que haja racionamento Aos irracionais, ao relento
Nas esquinas, nos cruzamentos Nos faróis mais barulhentos Sem lençóis, filhos do Vento Invisíveis, mas sempre atentos
Ao reino dos Céus Mas na Selva de Pedras Abelhas sem mel E Flores dessas Trevas
Nobres sonham em passar junto ao camelo Em agulhas feitas ao mais fino dos novelos

Lastro

Ao lastro
E mastro
Eu voltei
Em coro

E eu ancorei
Acordei
Na baía, baia
Da praia

Terra inexplorada
Eu acho
Talvez inseparada
Ao náufrago

Me perdi na ilha
De sua mente vazia
Falei, mas falhei
Em sua imensa afasia

Que hoje me causa a azia
Que ansiosamente se ânsia

Pirro e Pierrot, Fato Infarto de Ficção

O olhar fixo Ao crucifixo O sacrifício Peito asfixio
Perdoa, doa Enquanto o sino soa A cinza voa Enquanto cai, garoa
Qual será a verdade que nos libertará? Até quando a gravidade nos prenderá?
E lutar pela paz Pelos nossos ideais Ao que é demais Não se faz ou refaz
O continuísmo de um catecismo De um fanatismo que não tem altruísmo  É apenas radicalismo, o abismo O omisso, o principio desse mecanismo
Assim situado, cinismo O pessimismo e ceticismo Então orado ao ateísmo Não foi curado, o racismo
E eu ainda não sei quem criou o criador Não sei o nome do excelentíssimo autor

Na Terceira Cascata

Partes da roupa na pedra E um belo corpo que sai da nascente Me chama com frases belas Chamas que se misturam com a gente
E eu vou, largo o violão Largo toda canção, toda razão Só pra me sentir fração Parte simples da multiplicação
Lembro-me De quando parecia ser ruim, o frio e o calor juntos Dou risadas E tu pensa que estou prestando atenção no assunto
Até o meu olhar vir a se distanciar Ir além desse momento perfeito E em uma nova simetria a se criar De fazer as coisas do meu jeito
Um tapa no peito Pedindo atenção com sua face emburrada Um abraço forte Pois só tu me inspira a libertar gargalhadas

Sargitário (A verdadeira morte de Quírion)

E nós, sucumbindo, prestes a desistirmos Planejamos uma emboscada Sobreviver agora era um possível destino Poderíamos voltar para casa
Seria essa nossa ultima batalha Fizemos de toda simplicidade, uma navalha Agora toda migalha se espalha Fizemos de cada falha, o campo, a fornalha
É, adeus Canalhas Nossas cabeças não serão as suas medalhas Sem jogar a toalha E sejam bem vindos à vossa humilde mortalha
Serão apenas parte de nossa história De nossa bandeira, de nossa memória

O Grito do Último Líder Centauro

E do alto de uma montanha Onde os inimigos são coisas pequenas Temem nossa fúria tamanha Contra a luz do Sol, vem nossa resenha
Ofuscados aldeães Que se escondem como cães que antes latiam E lá, tinham paixões Mas sem compaixões conosco, apenas sorriam
Em preconceito, eles eram mais Agora, em número menor, eles correm Morrem de medo, perdem a paz O que se faz é o terror, apenas olhem
Eles serão os simples exemplos Cabeças em tochas Eles serão meros monumentos Corpos sob rochas
Matem todo o bravo bárbaro E façam dos fracos, escravos

O Telepata e o Unicórnio

A Nova Era uma coisa bem antiga
E a Bossa nova é nostalgia
O Horizonte é algo que tu acredita
Em uma utopia reescrita

Uma bela vista ao que está longe
E não se enxerga de verdade
É simplesmente, pastos e pontes
Luzes, carros, Lua e cidades

Nada é tão nítido
É apenas, bonito

Seth

Em liberdade criativa No lápis a soltar poesias e desenhos Ideais e pensamentos
Em liberdade deliberativa Produtiva, evolutiva em remendos Minhas felicidades e sofrimentos
Eu votei por voltar, mas não voltei pra ficar Ainda não parei no tempo, é outro, um novo momento Sigo o ritmo da batida do peito e da mente Em constante crescimento ao instante e ao firmamento
Meu Universo de Versos, meu escuro submerso E imenso imerso, perverso, não disperso, não converso Convenço dentro de todo o meu silencio diverso
Em liberdade criativa Tranquei só pra mim o que achei ser só meu Um cemitério na gaveta de quem não morreu...
Eu...

Pandora

Eu editei, reeditei Ditei e digitei Em voz alta, fiz várias cenas
Em cada vez que eu lia Eu refazia Acrescentava detalhes
Vilas, vales Complementava Implantava, implementava
E é elementar meu caro Somos todos raros E em extinção
Eu disse ter exagerado na noite passada Que não faria mais nada dessas coisas erradas E estou aqui de novo, com essa ressaca
Eu já perdi a conta De quantas vezes disse que ia parar de beber E agora é hora de crescer
Sempre a aprender Desenvolver, se arrepender E também de fazer, tecer e acontecer

Pandora, algumas cordas E vários acordes Mas agora, desperte mais forte

Eu troquei a Simetria

Eu troquei a Simetria Por mais sentimentos E a teoria por mais argumentos
Eu soltei o balão de ar no céu E até perde-lo de vista Consegui o seguir com a alma
Te vi e não tive nada Mas esse nada que é tudo Esse vazio mudo
Que nos faz ir a outro mundo Eu troquei a Simetria Por mais poesia
Ouvindo músicas francesas  Sem saber o que diziam, senti, sorri sem ti E eu apenas entendendi os acordes

Aprendi coisas novas ao dormir Eu troquei a Simetria Pela solidão que antes eu sentia

Que eu achava que conhecia Mas que sempre volta assim Sem sorte, diferente

E mais forte
Eu troquei a Simetria
E o problema é meu

Talvez, eu
Mas enfim
Eu troquei a Simetria

Não mora mais comigo

Superficialmente Longe de estar perdendo algo Ou bebendo álcool
Longe das irregularidades Mas em minha integridade, intensidade E por que não, imensidade?
Já não faz mais a falta que um dia fez Volto pros meus livros e histórias em quadrinhos Volto a trilhar minhas escolhas, meus caminhos
E você já sabia que eu voltaria Eu inventava, mas não era a vida que eu queria Enquanto a gente só se feria
Melhor assim, superficialmente longe Um dia – namora comigo? – E no outro, não mora mais comigo

Ultrassom da Lua

O homem na Lua, parado Contando as estrelas, os planetas Lá da janela em seu quarto empoeirado Sem lápis, usa a caneta
Sem caneta, desenha na areia da praia Sem ondas, sem mar e ainda assim a sonhar Ele desenhou um gigantíssimo coelho Para que a gente pudesse observar
Então, disse o poeta bêbado – Aquele é o Ultrassom da Lua! –

Lá pelas 4

Nas ruas Sorrisos e lágrimas Escondidos e em à mostra grátis
Em escuridão e Luz Clipe mental e fones de ouvido Mentes fortes e corações frágeis
Como se fosse simples Bater palmas e pular por aí feliz Sem serem tachados de vulgares
– Olha lá, os malucos –
Já eu, prefiro essa galera mesmo!

Cecília

Eu me lembro muito bem da primeira rosa
Dos primeiros espinhos em minhas mãos
E de como eu nunca mais voltei a tocá-los

Só não me lembro muito bem do primeiro tropeço
De como me levantei e quanto tempo fiquei no chão
Essas coisas são mais difíceis de tentarmos lembrar

Displicência, distração
Sei que hoje, sou mais ágil pra levantar e continuar
Mas sei lá... tenho muita raiva de ser esse tal de Homo-Sapiens

Observo os pássaros lá em cima
E eu os imagino pensando, cantando -

"Pobre do enjaulado que não pode estar aqui,
Vendo o quão pequeno são esses humanos
Canta pro nada e nem reclama do alpiste seco
Não sente esse vento, nem o sabor das frutas
Coitado, nem conhece a liberdade"

Sinto-me uma pessoa maluca
Pensando no que o pássaro poderia estar pensando
Mas sei lá... foda-se!!!

Infavor

Em meio a essa turbulência
A minha calma e respiração leve
Em meio a tanta demência
Punhos fechados e a fúria breve

Dizem que os tempos mudam
Moldam os nossos carácteres
Dizem que os tempos sugam
Vampiram nossos cadáveres

Com tudo, se molda o homem
Com o homem, se molda o velho
Com todos os que de sua vida somem
De que adianta tanto tesouro e castelo?

Dizem que você está mais bonito agora
Mas nem se olham no espelho e vão embora
Eles jugam até o Por-do-Sol e o Aurora
Querer melhoria é evoluir primeiro onde mora

Ou se libertar do que o aprisiona!

Pequena dose de estrago

Sem pisar nos freios
Eu me perdi nas curvas
Passei direto, fiz rodeio
Encontrei escuridão e chuva

Fiquei irrequieto
E me esqueci do porque chorava
Olhei por entre os vidros
E vi que o mundo também sangrava

Tentava, cicatrizava
E eu aqui com meus problemas pequenos
Infesto, infértil
Suguei meu sangue até tirar todo o veneno

Já não fazia mais sentido socar as paredes
O nó na garganta da vingança que não mata a sede

Em meu Livro, me livro

Momentos diversos  Atravessando universos Mesclado e cheio de versos Olhares dispersos
Conversas vazias E eu me volto pras poesias e teorias Passos de afasia Cada louco com a sua fantasia
Sei que também tenho a minha E muitas vezes não dou a mínima Largo a pessoa falando sozinha Deixo pra lá e volto à minha sina
Faço, mas não gosto quando fazem isso comigo De peito apertado, aceno, faço a cena de estar sorrindo E então eu volto na vontade de já estar saindo Reescrevo meu destino e me canso do sabor do vinho
A ansiedade vira ânsia  E tudo que desejo, é distância

Cancer

Um belo Aquário sem peixes Apenas enfeites E à venda, ali perto da parede Presente, aceite
Gosto dos seus movimentos De quando for encher de água, então ligar na tomada Gosto do seu encantamento Só não toque o vidro, não deixe as sereias assustadas
Há tempos eu perdi um Aquário E deixei algumas citações no diário Como tudo é assim, temporário Reforço os muros de meu santuário
De meu Templo
De meu Tempo...

Volpato

E eu, que achei que era o único que sentia esses socos
Cigarros e vinhos já a essas alturas
E só depois achei que nós éramos os seres mais loucos
Vivendo todas as nossas loucuras

E eu...

Vendo tudo, menos a alma a esse Deus criador
Que eles mesmos criaram para nos conscientizar
Você que acredita no mesmo que eu, no valor
Não se importa em sinalizar, assimilar ou analisar

Em silencio, sem destino
Doses do mais pobre vinho
Pura safra ruim e assovios
Cura da ressaca em sorrisos

Violão...

Me segue e me ergue com o mesmo olhar de ontem
Me rege, me sinto leve ao levar o mesmo sonho de antes
E eu continuo acreditando no som dos alto-falantes
No cara que eu vejo n’um espelho cantando aos amantes

Mas eu só acredito, porque você também, ainda acredita

(Ex)Boço

Às vezes me frustro apenas por não ter um lápis Não criar, não desenhar e muitas vezes me esquecer da magia Assim como vem, vai rápido e preciso dessa fotografia Tudo o que vejo, quero transformar em poesia
Mas não é sempre que tenho um lápis...

Eu que não gosto de andar sem rumo, saí para respirar

Por aí Amando e sendo amado Levando e sendo levado
Por aí Somando e sendo multiplicado Trombando e sendo tomado
Em tromba d'água, tornado
Por aí Sem rumo
É tão decepcionante quando olhamos Todo o vazio em que já pisamos Com tudo o que acordados, nós sonhamos

Demorei muito para largar a Simetria
Desenhei poesias e teorias belas
Vivenciei minhas canções em favelas

Larguei a busca pela perfeição
E eu apenas mudei minha opinião
Aceitei todo argumento de atalho e opção
Mas só eu escolhi e fiz minha direção

Falei tanto de evolução
Que eu precisei sentar à beira da estrada
Para me satisfazer de tal ação e reação esperada

Olhei para a Lua e agradeci
Abri os braços para a Chuva e não me recolhi
Não corri, apensa senti, sem ti

Que onde quer que esteja, sei que também sentiu

Falta de Ar

Cada cicatriz assina
Assassina um fantasma
Cada momento feliz da vida
Suportada na falta de ar, na asma

Cada cego vítima do próprio ego
Em todo caminho paralelo ao que desapego
Em cada passo que trafego, nessa mente cheia de Lego
E em léguas, eu sossego e não nego

Sou o que Soul...

Essa Insônia Tornou-se Rotineira

Escreve e escreve
Para que não seja breve
Para que vento não leve

Uma pedra sobre as folhas
Uma raíz sob as escolhas
Os galhos balançam e não alcançam

Não tocam o céu
São tocados pela tempestade cruel
Por todas as estações, olhares ao léu

Aos ossos do ofício
Ou ao ócio sem sacrifício
Redes por entre, um hospício

Um edifício e uma casa
Um precipício e duas asas
E você, não viu nada?

E que os ouvidos não sejam punidos

E metade
Já não é boa porcentagem
De minha atenção?

Me desculpe
Mas cada um segue uma direção
E abraça sua razão

Me perdoa
Mas nem todo ouvido se doa
E nem todo vento movimenta a minha proa

Pego só as ondas que eu desejo
Algumas manhãs me causam bocejo
E com algumas risadas eu até esbravejo

Vou a favor ou contra a maré
Quando eu quiser...

Assimilar Assimetria e Simular Simetria

Sonoridade
Sonolidade
Sonsolidade

Sou de verdade
Somo idades
Somos raridades

Sofro em tempestades
Solto na bonança das tardes
Soco bem no meio de minhas metades

Ventos e cata-ventos
Que apenas espalham os momentos
Entre os sorrisos e os sofrimentos, temos todo Tempo

Lá se vai o barco e o avião de papel
A abelha fazer seu mel
E o pássaro em contraste no céu

Todo o horizonte intocado
Todo o sonho ilimitado
Tudo que as nuvens têm imitado

Foi a mente que fez...

Repaginar sem Mudar uma Vírgula

O que já existiu e hoje não existe mais
Estranhamente me traz paz
Achei interessante boa parte do futuro
Pretérito imperfeito do rumo

Tomei leite com achocolatado
Comprei mais algum feijão enlatado
Observei o porão assombrado
Desenhei onde já tinha desenhado

Naveguei nas mesmas páginas
E chorei com as novas lágrimas

Sétima-Feira

Disse a mãe
Abra a janela do seu quarto para ele respirar
Disse o pai
Terás que enfrentar, mas terás que respeitar

Disse a professora
Tem que aprender para crescer e aparecer
Disse o carteiro
Bom dia rapaz, hoje não tem carta pra você

Saiu sorrindo e foi a melhor noticia do dia...

Teatro de Serenata

O ritmo tocou mais que a poesia em si
E os olhares soaram mais que o acorde em dó
Ré, Sol, maiores e menores a fazer sentir
Sem ti, mi, mim, pronome gaguejado, sem voz

Cantei a saudade e o saudosismo
Gritei em silencio contra o ceticismo
Só queria em meu peito seu ritmo
Em egoísmo, mecanismo de abismo

O que eu sentia e não o que sentimos
Não era mais uma resposta automática, era o sim
Deixei de lado por ti, todo o idealismo
Não era mais uma proposta matemática para mim

Apesar de toda soma, multiplicação e divisão
Era só o que eu queria toda manhã e em minha visão
Toda noite em meus ouvidos e nossa oração
Uma vida inteira feita dessa canção vinda do coração

Beijos com gosto de café e janta
Aquele abraço apertado que o corpo não se levanta
Amor que ninguém mais garanta
Aquela paz que nos liberta de todo o nó na garganta

Nos faz de nós mesmos
E não desse nós à esmo

Página Em Vão

Independente do que farei ou fiz Independente do que possa me fazer calar Independente do que a história diz Independente do que o silencio faz pensar
Imaginar, iludir, cegar Você faz tudo isso só e culpa o menos próximo Enfeitar, ir, vir, chegar Você refaz dignidade à dó para sentir-se ótimo
A chuva cai lá fora por bem menos que uma hora Reclama ao antes sobre o depois e ao depois sobre o agora Sente saudades e mesmo assim tu não vai lá fora E então chora, independente da metáfora, espora ou aurora
Se piora ou melhora De toda mudança que demora Se afora ou se aflora Não olha nem para onde mora
Vem me dizer que o mundo é burro E você é tão inteligente Que prefere dividir tudo n´um muro Acreditando ir pra frente
Me desculpa, mas você não leu nada camarada!

Belchior

Tá...
De certo
Que não dê certo

O que é correto?
Quem realmente é esperto?
E quem é honesto?

Aos estudos que presto
Aos outros que detesto
À tudo que seja resto

Tá...
De certo
Que não dê certo

Você já tentou?

Laco

Sinta o perfume de terra molhada
Onde as vozes ecoam
Lá no fim do mundo e sua estrada
Onde conceitos soam

E soam, ressoam, destoam e se detonam
Nossos olhares voam, pousam e repousam

Eu tenho muito mais perguntas do que respostas
Mas nada disso importa, pois tudo isso já tem uma regra imposta
São voltas e revoltas, cheio de todas ideias tortas
Nada é tudo e tudo é nada, nessa eterna displicência que sufoca

E eu explodi em algumas vezes
Me recolhi por meses e meses...

Estação Final, na Terceira Alameda

Ela descia as escadas Com o Universo aos seus pés Ele sumia na estrada Com o seu mundo cheio de revés
De todo esse caminho paralelo Os olhares de um Big Bang Ele desenhava os seus castelos E ela lia seu livro no trem
Disfarces pra não serem percebidos Até os olhares se cruzarem Então eles descem no mesmo destino E seguem para outros lugares
E no outro dia ele espera a rever Os horários têm que bater Mas ainda não sabe o que fazer Talvez esperar alguém ceder
E isso se repete por três dias Até ele tomar sua decisão Ela será a garota da sua vida Deseja pegar em sua mão
Mas ele é muito tímido Até que ela lhe abre um sorriso Talvez esse seja um aviso Um simpático – Venha comigo
Agora começa uma história Cheia dos prólogos e prefácios Nem tudo ficará na memória Pós final feliz, vem o outro lado
Uma pequena parte eu posso até cantar Mas o resto, não serei eu que irei contar

Epinefrina

Só não vai se aventurar Aquele que tem medo de morrer Só não lê algum livro Aquele que realmente não gosta de ler
Só não chega na frente Quem tem preguiça de correr Só não vai se apaixonar Quem tem medo de se arrepender

Sim, Lenço

Não espere que eu me recorde de cada vírgula
Cada centímetro simétrico
Não espere que eu decore cada uma das figuras
Cada sentimento sintético

E que a minha treva, te devore
Pois o que se leva, não devolve

Não serei seu amor
Nem ao menos seu ódio
Não serei se clamor
Nem ao menos seu pódio

Não serei sua imagem de santo curandeiro
Nem ao menos um troféu que fica guardado
Não serei a sua viagem sem Pai ao terreiro
Nem ao menos o réu esperando ser julgado

Serei o que de longe, você ainda observa...

Teatro de Erosão

Mágico, magnético
E magnífico
Um trago tragédico
Em sacrifício

Um vício sem virtude
Pois eu vi sua atitude

Abrem-se as cortinas
Na fúria com a rotina
Sobem-se as esquinas
Sabe se lá das retinas

Diz, se desmaqueia toda de saudade
Borrachas que borram a felicidade
Era desenho, poesia e conectividade
Era resenha, reserva de veracidade

De voracidade veemente
E sua velocidade demente

Sumiu faz quatro minutos, pela porta
E só por enquanto ninguém se importa

(Des)Abar

Às vezes vem e me diz tudo aquilo que desejo ouvir
Outras, se vai em silêncio, mesmo quando está por perto
Não sei por quanto tempo a máscara suportará sorrir
Contra o que chamei de Amor e hoje chamo de desafeto

Os dedos no boné baixo escondem o rosto, o desgosto...

Pode vir outra Tempestade!

Suor frio
Senti um arrepio
Ecoa ao rio
Ventos, assovios

E eu, que nem amo mais
Me perdi num pântano
Lembrei como era ter paz
Aos prantos e orando

Tirei toda força de minhas reservas
Recuperei toda luz em minhas trevas
Burlei todas as leis das suas regras
Naveguei contra o vento e sem velas

Pode vir outra Tempestade, que eu aguento
Só me deixe aproveitar um pouco dessa breve e tão leve bonança
Pode vir outra Tempestade, que eu aguento
Só me deixe recuperar alguma porcentagem de minhas esperanças

Não sou de ferro, mas eu não sou covarde
Então é sério, pode vir outra Tempestade!

Foliar Livros, Discos e Riscos (Prosear Poesias)

Do que adianta sonhar E acordar na cama? Do que adianta levantar Se sua fé não anda?
Não gosto muito dos dias que se passaram em vão Não aleatóriei músicas e eu não dancei Não gosto muito dos dias em que não toquei violão Não folheei um livro ou que não foliei
Gosto dos dias em que pude transformar ao menos uma coisa em Poesia

Só Isso!

Eles te pedem conselho Mas o que querem é um consolo Aí, apenas vão supondo Enquanto esse Sol, vai se pondo
Todas as dores no corpo Nos pedem para deixarmos tudo para amanhã Precisamos de um sopro Pra revigorar a força da determinação campeã
Vamos assumir a vida e viver Reconhecer a vitória e vencer
Só isso...