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Mostrando postagens de Novembro, 2013

Circunspecção

Bata na porta,
Para que ela se abra.
Bata mais vezes,
Caso não seja imediata.

Se quer passar a sua mensagem,
Volte mais vezes.
Se quiser convidá-la à sua viagem,
Volte mais vezes.

Mas acredite em uma mudança,
Até sem limite, quando sumir a esperança.
Com persistência e não ganancia,
Na penitencia e prudencia, crie sua aliança.

Nem todas as peças virão ao mesmo lado,
Mas os que virão, serão aqueles que serão libertados.

Bata na porta,
Mas só no caso de "não basta".
Bata mais vezes,
Pois nem sempre será imediata.

Esse Estado

Ultimamente eu tenho pensado mais na morte,
Do que na própria vida.
Ultimamente tenho perdido a fé na minha sorte,
Sem norte e com feridas.

Ultimamente tenho dormido mais tarde que o normal,
Observo tudo desigual.
Ultimamente tenho comido sem temperos e até sem sal,
Para eu não passar mal,

É tudo tão industrializado, estagnado e paralisado,
É tudo tão robotizado, lobotomizado nesse estado.

-Hmn... Esse Estado!

Ir, Fenrir...

Convidados à rir e chorar
Às vezes avessas e adversas
Rir, por apenas se ferrar
Chorar pela realidade dispersa

Convidados à cair e se levantar
À ser julgado e à criticar
Convidados à nascer e morrer
Até à encolher ou crescer

Somos convidados à entrar e sair
À ser avarento ou dividir
Convidados a renovar ou repetir
À escolher ou se indecidir

Independentes de qual caminho seguir
O que vamos sentir ou resumir
Indiferente de se punir ou deixar fluir
Aos que vão sugerir ou intervir

Perto ou longe de tudo aquilo que vamos atrair
Sem trair sua mente, sem mentir pro ausente
Pratos fundos e rasos, ao qual não devemos cuspir
Sem fugir ao que sente, sem partir de repente

No fundo, se exigir
No frio, se cobrir
No alto, se expandir
No calor, se nutrir

Ir... Aonde seu coração ou algo mais, Latir
Aonde a direção seja sua paz, Reluzir
Ir... Aonde sua oração seja demais, Subir
Aonde a pretensão de ser capaz, ouvir

Se ferir, porém desferir
Se referir, quando for rugir

Só Sei, Que Nada...

Bem, faz-me fases
De frases sem crases
Não demonstrasse
Com o impasse, passe

Passe e vá bem adiante
Repasse distante
Tenho a classe, errante
De Marte, cintilante

Demonstro o monstro que somos
Encontro em reencontros, o que fomos

O Sol esquenta bem mais nesses dias
E reclamar seria sim, a covardia
Pois no frio, só te cegava e não ardia
E reclamar não seria sua valentia

Somos estrumes
Instrumentos do ciclo
Somos costumes
Costurados ao vício

Não sei se é samba ou bossa
Não sei se minha, sua, dela ou nossa
Não sei se é velha ou se é nova
Não sei de nada, mas sei dar prosas

Lugares

A intuição pode te guiar ao caminho errado,
Para que corrija seu percurso. Ou apenas que tropece para olhar pro lado, Enxergar o que estava avulso.
Antes de qualquer abismo há uma bela trilha, Desperta ao te deixar perdido. Você pode se desnortear e atracar numa ilha, Deserta e até cheia de perigos.
Mas por que paramos em alguns lugares? Terras, esquinas, praças, mundo, universos e lares...

Capuz

A gente não escolhe pelo momento em que passamos
Ao menos sabemos que o tempo passa
Ainda que não tenhamos entendido o que alcançamos
Sendo tanto a graça quanto a desgraça

A Luz que procuramos num Túnel Escuro
De Capuz, esperando Chuva, Sol e Futuro

Não Adiar

Há dias que falo muito e dias que eu falo pouco,
Há dias que falo tudo e dias que eu falo nada. Há dias que falo da sede e dias que falo do poço, Há dias que falo parado e dias na caminhada.
Há dias que não aguento a solidão, E dias que, não entrem em meu território. Há dias em que eu aprendo a lição, E dias que eu não vejo ligação ao notório.
Há dias que não queria estar aqui e dias que sim, Há dias que lembro de tudo e dias que já esqueci.
Já foi cedo, já foi tarde, Há dias que nem você não adia, O corajoso e o covarde, Há dias em que machucar, ardia.
Há dias que a cicatriz se faz doer até demais, Há dias que sente dor, como se fosse o jamais.
Enquanto ainda há dias, Não sinta a afasia. Enquanto ainda há dias, Realize as fantasias.

Cara...

Estranho falar loucuras,
Estando sempre sóbrio.
Entretanto usar molduras,
Entrando em seu ópio.

Fala de um mundo melhor,
Ao qual não ouço.
Cala-se ao sentir-se pior,
Que o outro moço.

É quando eu me deito,
Que me sinto louco.
É quando sinto no peito,
Que eu faço puco.

E essas frases de:
Antes de mudar o mundo,
mude o cara de sangue vermelho frente ao espelho

Esses impasses de:
Sem passes e lançamentos
Ou conselhos ao fedelho que ralou todo seu joelho

Cara, é tudo estranho...

Eis aqui,

Um marciano caucasiano
Andando aqui por puro engano
Falando e aconselhando
Vendo os danos de meus planos

Planando sobre meu cotidiano
Aterrissando ao ser profano
Cantando sonante ao diáfano
Autorizando como soberano

Eis aqui, um Maluco...

Chinelos de Cristal

A vida é bela Cinderela
O Sol, a Lua e toda sua parcela
A pessoa babaca na janela
Esperando a Luz vinda da Capela

Um anjo aparecendo ao lado de sua vela
Te levando para fora dessa cela
Alguns otários fingindo que foi só de tabela
Dando trela, sem qualquer cautela

Ah... a cidadela
A abobora e a donzela
Ah... a olhadela
Todas podem ser ela...

Melindres

Faz-me sangrar, sereníssima
Faz-me chorar, extremista
Faz-me acredita, conquistas
Faz-me mudar, desenhista

Bato o martelo contra todas as correias
Castelos de madeiras ou areias
Atos singelos das nossas mentes, cheias
Paralelo ao sentir-se em cadeia

Como se julgar o sistema
Fosse nosso maior dilema

Belas faces de mentes egocêntricas
Belas fases de suas indecentes tendências
Belas classes das cegas demências
Belas frases de gente cheia de influências

Ouvir o Silêncio
Enxergar o Vento

Pluviae

Catalizadores da fúria
Idealizadores de uma súmula
Predadores da fábula
Dores de espinhas e medulas

A coluna sem alicerces
A cúpula de todas as preces
A manhã que desaparece
A infidelidade que se enaltece

O que toca o seu coração?
O que toca a sua alma?
O que te traz uma oração?
O que te traz a calma?

Há o olhar distante próximo a desconfiança
Na insônia dos pensamentos de desesperança

Onde Estão os Anjos? (parte 2)

Pra te julgar, os cristãos são tantos,
Mas pra te ajudar, somem os santos.
Senhora de vários prantos e mantos,
Fica tranquila, anoite eu me garanto.

Pra te levantar ou te tirar dos cantos,
Para gritar ao vê-los com o espanto.
O garoto que precisa de um recanto,
Deitado ao abandono do entretanto.

Esses passos olhando os reflexos atoa nas ruas,
Portas de vidro e vidros de carros. Nos rastros da madrugada, já passou das duas, A fama e a lama, a lama e o barro.

Só quero chegar em casa e dormir, Amanhã é um novo dia pra sorrir...

O X e o Dez

O único problema,
É procurar uma solução,
Estando de algemas,
Enxergando a confusão.

Então diz o sistema-
Que tudo tem uma razão.
Calado se enfrenta-
Sem tomar uma decisão.

O X do mapa é um dez grego,
O que cava para fujir de todos os medos.
O ouro perdido aos segredos,
O tolo que não entendeu nenhum conselho.

Preces por Respeito

Eu digo que o Respeito é uma das palavras mais belas,
É o que queremos nos condomínios e nas favelas.
Independente de pra quem ascendemos as nossas velas,
É o que queremos dos seus cidadãos e donzelas.

É onde, a Paz impera e prospera,
É onde trancamos nossas feras.
É onde, pela justiça não se espera,
É onde buscamos a Nova Era.

Nas orações por Horizontes,
De que o caminho siga ao além.
Verdade que não se esconde,
Se mostra, te abraça e Amém.

Valores e Não o Preço

Facilmente desinteressado pelo mundo,
De meros imundos.
Fascinadamente interessado ao segundo,
Entre sérios, tudo.

O acumulo de sorrisos bobos e soluços,
Avulsos, compulso no susto ao seu vulto.

Ah... berros dissonantes,
Ao impulso um tanto cintilante.
Ah... os versos gritantes,
A mão na barriga tão palpitante.

Cabem dois e até mais corações na Mulher,
É uma transmutação mais exata que a própria fé.
Pois todos vemos e não somos São Tomé,
Em outra sala, o Homem se acalma com um café.

Tudo se torna mais interessante,
Quando seu Tudo, torna-se constante.

Notas de Rotas Tortas

Pendências e Dependências,
Paciências e Demências.
Convivências e Conveniências,
Fluências e Influências.

Libertar-se do fluxograma,
Do panorama que apenas inflama.
Infecta a cama com a fama,
Do programa, da lama e do drama.

A crença em Si, Dó e até Ré
Quando Mi, Fá, Sol, Lá sem fé

Não se importa com quem não entender,
Não se entorta para fracassar a mente e entreter.
Não reporta frases que não vão conhecer,
Não se comporta como se deles, tu fosse vencer.

Afinal, no final,
Quem vence é sempre a Morte.
É igual ao sinal,
De quem acha que tem a Sorte.

Conselhos ao Espelho

Rápido no reflexo,
Ao mascarar-se em espelhos e segredos.
Anexo e complexo,
Ao sufocar-se em seus conselhos e medos.

Submerso ao reverso,
Transverso aos próprios versos.

As poesias das saudades,
A Solidão e pretextos.
A cortesia das raridades,
Imensidão e protestos.

Eu sei que querer ter de volta os dias que abdicou,
É o que parece mais irônico.
Mas ouve a música da lembrança a que se inclinou,
Várias vezes, como um soco.

Então acorda,
Tem outro alguém.
Entre lá e aqui,
E, em todo o além.

Imerso ao diverso,
Observo e então eu me disperso.

Vou lavar o rosto agora,
Eu preciso voltar lá pra fora.
Estou aqui tem meia hora,
Nossa Senhora, que demora.

Coleira e Cólera

Poucos sabem que poucos vão entender
Loucos trazem o que os socos podem rebater
Trocos cabem nos solos do silencio de ser
Sufoco e o foco na onda que vem te recolher

Girar para dentro da maré
E ir pra onde nem sabe o que é...

Redesenhar, Relembrar... (A Criança)

Os velhos desenhos com lápis novos
Traços diferentes, póstumos e até meio tortos
As sombras não assombram os corpos
Dizem apenas de onde vêm as luzes, os polos

É como andar de bicicleta
Bambeia, mas se equilibra
É como andar em linha reta
Então olha pra cura e vira

A borracha, apaga mais do que devia
A curva, é mais turva quando se desvia

Aqueles desenhos da criança são diferentes
Mesmo assim ela o abraça e e diz estar presente
Pois a visão da esperança se parece ausente
Mesmo assim ela o agarra e diz que está contente
A criança voltou por alguns segundos E o fez esquecer de toda tragédia do mundo

Enteia

Entre Anjos e Tarot
A fé
Entre salas e cobertor
Café

Levantar para um dia a mais
Orar e acreditar para ter paz

As pessoas que andavam contigo
E agora andam com Deus
A lembrança que desperta sorriso
Bem na hora de seu adeus

O conselho dos espíritos
Para que mude e rompa estagnações
O conselho do destino
Mesmo que isso possa ferir corações

Livros parados na estante
Acumulando poeira
Brilho que parece distante
Colecionando ladeira

Capítulos e mais capítulos
Sem títulos ou subtítulos...

Catedral

Uma face inclinada esperando o outro olhar
Do outro lado, uma tragada ao nada e o olhar para a Lua As pessoas dizem o que ela não quer escutar Mas prefere, se ocultar e se ocupar de omissão nua e crua 
Está presa à noite  Essa pressa ao que é doce És presa da corte Impressa ao que ele trouxe
A chuva e o Luar não chegaram atoa Mas o tempo vai, vem e assim voa Encostada no muro tocada pela garoa Observando, a água que se escoa
Inquieta pela pessoa Que apenas observa quando ela não olha Acentua-se a moça Cubra-a, olhe nos olhos enquanto se molha
Ela pensa, enquanto ele...

Capela

A poesia guardada em seu bolso
Não me diz nada
A lágrima que atravessa seu rosto
Guia-me à estrada

À procura de uma outra entrada
Fazer a minha nova caminhada
Afastar-me de pessoa encostada
Esgotada de estar e ser amada

Os olhares são confusos...

Acuar ou Acuado

Uma crise de Oceanos
Copos em Tempestades
Uma falha no Planos
Castelo sem Majestades

E o vento frio chega
Te abraça sem aquecer
Se caiu, então se erga
Escreve pra não esquecer

Em alguns dias percebe
Que tem muito cemitérios em seus papéis
Em alguns dias recebe
Fantasmas de seu passado, os mais cruéis

Existir ou hesitar
Desistir ou enfrentar
Resistir ou recitar
Extinguir ou fracassar

Moletom

Essas paixões são muitas
Mútuas e confusas
Essas orações são multas
Supra à condutas

Historias que não entram nos papéis
Mas não saem da mente
São bem retóricas a todos os infiéis
Teóricas e sem correntes

Não vá embora agora, fique chuva...

O Pajé

Já tá de pé até
Sozinho pr'um canapé
Toma seu café
Preferia sentir a maré

E na mesa de um candomblé
Indiferente para qual seja a nossa fé

Amanhecer e anoitecer
A paz que todo mundo quer
Estender e estremecer
Entreter o homem e a mulher

Extraídos do que é natural
Atraídos tanto ao bem quanto ao mal

Fumaça de graças
O papel que tu amaça
Fuçada desgraças
O quartel de ameaças

A oração é de um mundo melhor
Na crença aos grandes a quem tem dó

Para onde se vai
A trilha é de quem se faz e refaz
De levanta e cai
Na busca por capital ou pela paz

Latas

Nas esquinas os esconderijos dos invisíveis,
Em canto algum, onde não há encanto.
Mas ensinas sobre o prestigio dos sensíveis,
Enquanto aos becos, há tantos santos.

Portanto o recanto,
Ao espanto a que me levanto!
Portando no pranto,
Quanto vale a face no Manto?

As Sereias

As únicas pessoas não invejáveis são as medíocres,
Então, por que tem tanto medo assim de uma Inveja Alheia?
Todo erro de tentar ser o ser perfeito, é tão simples,
Então, por que se preocupar tanto com o cântico das Sereias?

Se elas imergem de seus grandes Castelos de Areia,
Onde não se incendeia, mas que se vão com as Correntezas...

Restrur-Ação

A Lua cheia dessas noites,
São a nossa renovação.
É despedaçar com a foice,
Conseguir a libertação.

A Casa das observações,
Animais em gaiolas ou jaulas.
Cegos de suas distrações,
Intelectos para escolas e aulas.

Alguns pássaros que cantam para quem querem,
E os outros, para quem os preferem.
Algumas visões de autonomias aos que se ferem,
E outros olhares, a quem se referem.

Entre a Liberdade e a Verdade,
O pão e a pedra, a Paz e a Maldade...

Do Cais ao Caos

Todos temos problemas internos e astrais, Sobrevivendo a todos infernos pessoais. Nas ideias que somem, mas voltam ao cais, Do caos para a explosão de minha paz.
Embarque nesse Cruzeiro dos Desnorteados, Embriague nesse Morteiro de Míssil Teleguiado.

Mistura, Pratos e Quadros

Faço um lista de atualizações,
De encaixe de palavras, antes de entrarem nos papéis.
Ainda assim, rabiscos e borrões,
Tortos e quase saindo da linha, mas à mente, são fiéis.

De todos lugares, inspirações,
Desde chuva, céu cinza, Sol, brisa, as praças e os bordéis.
De todas as raças e religiões,
Desde infiéis e anéis, hotéis e quartéis, cordeais e corcéis.

Tudo é essa mistura maluca, que é um dia qualquer.
Todas essa criaturas vulgas, de faca, garfo ou colher.

Lisboa

Quase não ouço os que falam pelas costas,
Quando ouço, não quero ouvir.
Então enfrente e afronte com sua proposta,
Faça-me chorar, faça-me sorrir.

Não vista sua armadura de amarguras,
Seja a criatura em busca das suas aventuras.
Não se importe com larguras e alturas,
Seja a bela pintura e não gravuras ou figuras.

Pois é o Quadro, que imita a Paisagem...

Diante e Adiante

As pessoas começam a agir diferente, Quando começam dizer que você está estranho. As pessoas começam a ficar ausentes, Quando dizem que você sumiu de nosso rebanho.
Conversando com os velhos amigos sobre ciclos, Vemos quem andou, quem se separou e ainda parou no tempo. Conversando sobre a evolução de cada currículo, Vemos quem sonhou, quem confessou e concretizou seu tento.
As cartas e os dados, As adagas e os dardos...
Um homem sentado na esquina de sempre, Vendo um mundo que gira mais do que o de repente. Algumas marcas de dedos em minha lente, Eu limpo, desvio o olhar e ele não está mais presente.
Foi tomar a sua cerveja, Ou pedir perdão em alguma igreja. Não sei pra onde, que seja, Com suas lástima e lágrimas secas.
Ele se foi...

Exemplar

Uma camisa da banda que ela gosta, Ainda que sua maquiagem esteja borrada e exposta. Uma risada de quem ganhou a aposta, Ainda que viva nesse mundo, sem as suas respostas.
Está disposta a burlar a lei imposta, De repente mais uma tatuagem amostra.

Um Vinil de Blues

A maior força que existe é a de enfrentar-se, É afrontar na visão de uma bela paisagem. A maior forca que existe é a de mentalizar-se, Fones de ouvido, outro caminho e viagem.
Estar em um retrato no qual tu não pertence, Na pintura de uma moldura já apagada. Estar escravo de tudo que parece frequente, Na assinatura de uma tortura rachada.
Fez-se a Luz,  Fez-se a Escuridão. Fez-se de Cruz, Fez-se Ressurreição.
Aos que ainda não aprenderam a sua lição, Levantar-se do chão e em concreto não cair em vão...

A Mente, as Portas e os Labirintos

O obviamente e o ópiamente, A planta e a semente. O francamente e o fracamente, A semana e a mente.
Apenas sacramente e implemente, Amplamente e inclemente ao que se sente. Mas crente de estar e ser prudente, Sempre, o permanentemente e firmemente.
Ausente aos agentes, Presente aos a gentes.
Brevemente seja uma aguardente , Que certamente embriaga os conscientes. Condizente, faça  tudo sabiamente, Juntamente e justamente ao ser Onisciente.
As historias de uma mente, Cheias dos ratos e serpentes. As estórias dos que mentem, A visão coerente o suficiente.
As Portas estão abertas, Mas há labirintos, fique esperta!

Capítulo Um

Sentir o som, Seguir o dom...
Não se importar com os que se vão, Com as cinzas e junto ao vento. Só se importa com o que há de bom, Com os planos de cada momento.
Descansar em paz, Meditar, ser mais...
Pensar naquilo que faz, Nos danos e remendos, tons e timbres. Acreditar no que se traz, O que é pra agora e o que é pra sempre.
E num ventre, Um epilogo, de um ser feliz e dançando. O nascimento, A criança que chega ao mundo chorando.

O Homem Enforcado

Cultuo a palavra Sacrifício, Que vem do Sacro e do Oficio. Ou seja, o trabalho sagrado, O 12 de um homem pendurado.
O que deixará de lado, Para que seu caminho não seja e não esteja bloqueado. O que trará ao seu lado, Com defesas para que o seu espirito não seja saqueado.
Os seus Arcanos diários, Seus questionários solitários ao calendário. Seu variado vocabulário, Seu salário, o proprietário e o seu operário.

Pés no Lago

Uma visita da superação, Tragando um agradecimento regado de uma oração. Um sábio com a sua lição, A de sempre aprender e surpreender com uma ação.
Não sei se palpita, para ou dispara o pequeno coração, Só sei que tem um monte de coisa junta, sem explicação.

Filme de Terror e Pipocas

Há dias que parecem curtos, Há arbustos que só perecem ao meio dia. Há sustos que parecem surtos, Há vultos que aparecem numa noite fria.
O que há e o que não há, O de repente e o já. O que haverá de vir de lá, O que ficará pra cá.
Aaaaahhh... Não entre nessa porta. Aaaaahhh... Ela já já estará morta!!!

O Salto

Estou entre um momento cheio de pensamentos, E até um pensamento repleto de vários momentos. Onde de tempos em tempos venho fazer silencio, Maquiagem de paisagem em cicatrizes e remendos .
Refaço os passos para reencontrar o que eu não anotei, Retrato quadros pra limpar com tinta aonde sangrei. Arremato atos poéticos de um teatro em que já sonhei, Arregaço os rasgos de camisas que nunca recosturei.
São marcas que não marquei, São asas na qual eu não voei...

O Bar

Os problemas do mundo e os meus,
Eu vejo tudo e me sinto mais sortudo.
Fragilidades dos estudos sobre Deus,
Os cegos vivendo de um escudo mudo.

Teólogos vivendo de sua fé,
Ateólogos morrendo ao estarem sempre a pé.
Teóricos saboreando um café,
Ateóricos sobreviventes de mais alguma maré.

Conselhos do Pajé,
O garoto de cabeça baixa e boné.
A moça do cabaré,
Onde sempre se reúne nossa ralé.

Para se esquecerem de como tudo realmente é...

Onde Estão os Anjos?

Se eu pudesse não acordar cedo, Então desamarraria a corda contra o medo. Se eu pudesse voar junto ao vento, Me arremessaria sem rumo junto ao tempo.
Meu olhar de saudade que me entrega, A outro olhar, no qual peço trégua. Meu caminhar desnorteado sem regras, Torna-se linear ao preço da guerra.
Esses passos olhando os reflexos nas ruas, Portas de vidro e vidros de carros. Esses rastros da madrugada, quase às duas, A fama e a lama, a lama e o barro.
Um homem magro e deitado, Só se levanta quando é pra pedir trocados. Mais um some vago, jogado, Centavos que troca por sua pinga e cigarro.
Dizem que o homem se desviou de seu caminho, Mas só não sabem, que ele nunca recebeu se quer um carinho. Como na estrada, no buraco não se cai sozinho, Mas ele está sorrindo, olhando pras crianças, vai se distraindo.
A vida é muito mais que pés descalços, O do homem sem casa e das crianças brincando. A vida é um pão e seus vários pedaços, Um mundo melhor para continuarmos sonhando.

Eu Matei o Cupido

A Divina Comédia é a Vida,
Mas dividida em Tragédias, da grande Despedida.
Olhares sempre de Partida,
No Começo ou Final, mas sempre sendo Esculpida.

E o Cupido, sempre esse maluco pra foder tudo,
Pra te cegar e colocar em qualquer canto do Mundo.

Icarus com suas asas de cera, pode ter dado bobeira,
Mas lá de cima viu que a sua amada não estava solteira.
Mais estreita que a ladeira, a queda o tornou caveira,
Mas aqui de baixo tenho uma arma e uma mira certeira.

Adeus anjo otário sem salário,
Seu enterro não terá nenhum Rosário.
Agora que achou O adversário,
Então entenda a vida de um Solitário.

Whisky ou Rum

Uma razão para se ter insônia, É algo para pensar a noite inteira. Fragrância, perfume e Colônia, Terra vista, a beira-mar e a areia.
De um lado da cena eu vejo a sereia, Do outro lado, eu vejo o Capitão. Ele sabe como todas são traiçoeiras, Ao pensar, agir e tomar a decisão.
Tomar só mais um, Copo de Whisky ou de Rum...
Uma perna de pau e outra de escamas, Enquanto em alto mar, o peito que se inflama. Os olhares apaixonados de quem se ama, A realidade que chama ao sono de sua cama.
De repente a caminhada, Segue para o outro lado de suas pegadas...

Esquina com a Avenida Principal

Parece ser pouco peito pra muitas paixões
E pouca pena para muitas compaixões.
Parece ser pouco Verão para tantas versões
E até poucos atos para muitas decisões.

As musicas no rádio não te dizem mais nada,
Seu seriado preferido não tem as novas temporadas.
As histórias bonitas que não são mais contadas,
Nem cantadas, enfeitadas ou baseadas e imaginadas.

Trocaram o canal que tinha finais felizes,
Ficou entre um de Fantasmas e um de Zumbis.
Amassaram um papel cheio de cicatrizes,
Ficou entre um Teatro de Praça e um Chafariz.

Quatro jovens sentados na calçada,
Somem as idéias e sobem as fumaças...

Quarta-Feira de Cinzas

Era só sorriso de chuva,
Independente de esquina e independente de curva.
Uma Era de mãos e luvas,
Um frio na espinha de um silencio que te enturva.

O claustro em colapso,
Mas exausto de todos os seus fracassos.
Seus passos apertados,
Demonstram pressa de alguém esgotado.

A onda forte de uma temperatura baixa,
E a coragem falando mais alto que o medo - Faça!

Árvores de Calçada

Há pessoas que buscam os seus Budas,
Mas também tem outras que se contentam com seus Judas.
Arrogantes e mudas ao pedirem a ajuda,
Punidas e iludidas com adivinhos, se concentram nas fúrias.

São árvores que nasceram em uma calçada,
Recebem visitas de pássaros, mas suas raízes param no cimento.
Ouvem cânticos de ninar e contos de fadas,
Ainda não viram a verdadeira fauna, que vai além do pensamento.

Seus troncos serão cortados para não entrarem nas casas,
Só vão mudar sua amplitude e ângulo da visão, se receberem asas.
Se alguém levar elas pra longe antes que tornem-se brasas,
Sol, natureza, ar e pureza ou ao lado de uma lagoa com água rasa.

O sonho pode até ser feito sozinho e dormindo,
Mas a realidade do caminho, não se trilha sozinho...

O Velho Fusca (Segunda-feira e Chuva)

Uma folha e uma caneta
Um violão sem Palheta
Rabiscos na caderneta
Antes que acabe a minha tinta preta

A luz que se ofusca
Assim como todas as buscas
O silencio dessa chuva
O som que se destaca é de um velho fusca

Tarde chuvosa de um céu cinza
O Arco-ires sem forças para cortar as nuvens
Rodas passando, levantando as águas
Consigo inventar a visão no ato de minha mudez

Hoje não acaba tão cedo
Mesmo estando entardecendo
A Legião ou os Engenheiros
Acabei pegando um disco do Barão Vermelho

Deito com os braços na nuca
Assim como todas as buscas
Mas no silencio dessa chuva
Ouço novamente passar o som de um velho fusca

Perfume de Chuva e Terra

Vejo beleza no degradê de um céu cinza,
Assim como vejo num nascer laranja e num dia azul.
Observo a distancia de um Luar que brilha,
Assim como as estrelas que pontam o Norte e o Sul.

Pedimos conselhos aos imperfeitos,
Porque o Onipotente do consciente se faz de um silencio.
Onde falar demais torna-se defeito,
Como o barulho e os Raios do escuro que causam o medo.

Fico à mercê do degradê,
Enquanto outros, ao clichê.
Frio a Mercê do por quê,
Aqui, não usamos um dublê.

Sol e Tédio (Um Domingo Qualquer - Erre G)

Quem olha pra 2012 e diz que o mundo não acabou,
Ainda não viu a verdade.
A variedade e biodiversidade que havia em cada flor,
Apenas se tornou raridade.

Todas essas histórias que dariam um filme,
Tediosas, engraçadas ou merecedoras de um Oscar.
Todas essas escórias que brindam ao crime,
Tendenciosas, ou a pacificas na musica que se toca.

O clero que sufoca, embarca sem arca,
A realidade que se troca, não entorta e não abraça a nossa massa.
O teto suporta, não recebe a luz e a graça,
A saudade passa quando se mata, embora na esquina ou na praça.

Não é um dia de chuva,
Mas estou num quarto de minha casa.
Ainda não vejo a Lua,
Mas eu estou recuperando minhas asas...

Livros e Musica calma,
Me livro e limpo a alma.

Polares

Nós vamos passar por este caminho e vida somente uma vez,
Com a nitidez, o talvez, a timidez, a rapidez e a solidez.
Pode ser como o plebe ou o burguês, falando ou com mudez,
Com placidez, palidez, cantando em inglês ou português.

Vinte e Seis e Meio

Ainda prefiro a velha Bossa Nova, Que não foi pra cova. Prefiro o Samba de belas Trovas, Rap de 90 e Revoltas.
Matar aula e ir só no dia da prova, Nesse mudo que se renova. Você abre a mente à sexo e drogas, Punk Rock, o bate e a sova,
Metal, Reggae e música folclórica, De vinte anos atrás, porque hoje em dia tudo parece cólica. Só coisa de amor, crente e católica, Uso frases simbólicas e otários insistem em vê-las diabólicas.
O mundo, É de quem limpa suas lentes antes de sair pra Rua. Ver o céu, É pra quem enxerga beleza nas mudanças da Lua.

Jardim de Inverno

Quem vê cara, não vê coração.
Quem vê o ato, não vê a decisão.
Quem vê alma, tem compaixão.
Quem vê os olhos, perde a direção.
Se precisar de uma desculpa, Inventa e vem. Não se preocupe com a multa, Se passar de cem.
À pé ou de magrela, Atravessando a antiga passarela. Passar pela capela, Bem cedinho te chamar na janela.
A velha cela, Apaga a vela. A luz é dela, Toda parcela.
Quero um pouco de porta fechada e escuro, Mesmo me sentindo um tanto maduro. Colocar um pouco de meu passado no futuro, Seguro de pular pelo muro dos impuros.
Cerveja na mesa, Musicas inglesas. Antigas despesas, As novas belezas.
Mais uma primavera em meu Jardim de Inverno, Mais uma quimera pra caçar com o caderno. Mais longe do moderno, vim viver onde é interno, Mais espiritual que histórias de céu e inferno.

O Meu Partido...

Nem sempre eu fujo do conflito,
Às vezes não resisto.
Julgado ou condenado do delito,
Sem espírito restrito.

Mas antes reflito,
Com tudo que eu tenho dito.
Mais um manuscrito,
Minha esquina é meu distrito.

Exercito de forte grito,
Um exito do que é finito.
O mérito que acredito,
Passado de Pai pra filho.

Soa o apito,
Destoa e não evito.
Mais um caído,
Imagem de um mito.

Julgado pela pena,
De uma sociedade que só condena.
A mãe que lamenta,
Cegos com o crime que só aumenta.

Vejo Rap, Samba e Blues,
E até Rock sobre a Cruz.
Tapados de novelas e Jesus,
Achando que viram a Luz.

Mas é um visão da ficção incandescente,
Rotina imposta, escravizando a sua mente.