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Mostrando postagens de 2013

Parvulus

Há essa altura não dá pra ver muita coisa
Tenho um metro e setenta e me torturo
Uma loucura em querer observar a moça
Então corro, salto e subo em um muro

Mas ela me viu
Desequilibrei e depois caí
Ela apenas sorriu
E então, eu também sorri

Porra, eu ia fazer o que?

Prefiro Musicas Tristes

Ser livre e que amem a nossa verdade
Ali é a nação em alienação
Ser livre e clamem por nossa liberdade
Entre educação ou sedução

Ser Livre e Amém?

Tudo aquilo que nos faz tão longe dessa realidade
O legalize de uma geração
Marchando diferente de soldados em honestidade
Decorando vossa reação

Ser Livre e Amém?

Pra dentro da cabeça e da saudade
Expectativas com a evolução
Indo por ralo à baixo em intensidade
Nossa enchente em escoação

Eu só queria me apaixonar e não, ter pena deles!

O raro está em liquidação
E o caro, é uma dissonante e obscena canção
O faro é função de intuição
E o farol é o que nos guia pra uma só direção

Minha playlist está cheia de musica triste e escassa de pessoas...

Teoria Geral da Gravidade

Há vários caminhos sem um beco de saída
Dias, semanas, anos, meses e décadas que em vão se renovam
A percepção unica de vários modos de vida
Passos e corridas, passes e lançamentos que não nos colaboram

O tempo que dura uma ideia cheia de modificações
Um publico ansioso pelas respostas que mudarão as suas opiniões
O espaço tempo, relativo em todas as gravitações
Levantando, levitando e evitando quaisquer as ações e as reações

Loucuras proféticas
Escondidas por nossa ética
Falsa moral patética
E a alusão de nossa poética

A equação descartada ainda estava ali
Para o corrigir e fazê-lo sorrir
Velho mistério astronômico a descobrir
E a orbita de Mercúrio enfim

Porém esperar para comprovar
Enquanto uma unica teoria há...

Casa de Mármore

Era a sinfonia que invadia
Na linha estrondosa da mente que se abria
Era a cristalina que sorria
Lançava o olhar, me paralisava e me tremia

Era o arrepio da alma
Que me levava da calma ao caos em segundos
Era seu lábio e sua fala
Me tirava da sala e me arrastava ao seu mundo

Era a ilusão em paisagem
Filmes que passavam numa velocidade descomunal
Era a delusão da viagem
Ansiava e abraçava-me, deitava e eu passando mal

Não era bom sinal
Era parar o meu coração
Talvez fosse o final
Da droga de uma paixão

Lágrimas ao Ultimo Capitulo

Composição com imposição...

Vem a criação, paixão e coração,
Ou a imaginação, a ilusão e alienação.
Vem a vocação, geração e perdão,
Ou inquisição, religião e interrogação.

Meus heróis foram morrendo aos poucos,
Alguns se mataram e outros, eu mesmo fui e matei.
Meus monstros saíram da jaula pra loucos,
Alguns se libertaram e outros, eu mesmo os libertei.

A escuridão começa a parecer verdade,
A intuição começa a parecer espiritualidade.
A inspiração começa a parecer saudade,
A ficção começa a parecer nossa realidade.

O fim, em continuação mental por algumas semanas.

Ipsum

Estou onde não estou
Isso é mais confuso do que parece
Sempre vou aonde sou
Sem vela, oração, capela ou prece

Estou onde a musica se refaz de poesia
Onde não importam os estudos
Estou onde estrelas dançam na ventania
Onde chove e derrubam muros

Na livraria das sinfonias
Na valentia das fantasias
Na cortesia da teimosia
Na pontaria de analogias

Estou onde realmente queria estar...

Pré Ressaca

A mente é um pequeno mundo
O interior é um imenso universo

Com meus pés nas nuvens
E a minha cabeça no chão
No panorama de detalhes
Nossos cálculos de ficção

Gaiolas e aquários
Na intenção de intensificar
Torto ao vocabulário
A densidade em identificar

Tudo ao contrário
Sem contato ao contrato
Mundo temerário
Sem contrato ao contato

Saudosista (Fuga da Rotina)

Errante
E andante
Amante
Do semblante

Antes
De sonante
Mirante
Ao semelhante

Durante
Ao volante
Adiante
Luz gigante

Da noite em paz tocante
Horizontal e então, cante

Em meio ao som de Jhonny Cash
Leituras paradas de Nietzsche, Lispector e Cury
Sem bandas na camisa que veste
Neil Young, Bob Dylan e segura ao que vos cure

O peito na mão
E a alma na canção

Mesmo assim
O Saudosista procura musicas novas
Por aqui ou ali
Perto e longe, em folk e bossa nossa

Sétimo Andar, é Péssimo Andar...

Um tanto preto e branco,
Com detalhes cinzas.
Seu pranto nada franco,
Em gavetas vazias.

Os retratos escondidos,
Quadros enfeitando as armadilhas.
A janela e o fosco brilho,
Ofuscam reflexos de suas mentiras.

Ditadas na Tela,
Astros distantes em constelações próximas.
Rifadas na Vela,
Diante e adiante por suas colisões remotas.

Ouço aos conselhos
E queimo as profecias.
Senhores do espelho
De dedicadas poesias.

Algumas que eu amaço,
Ao tremular em visões.
Algumas eu nem abraço,
A fugir de suas ilusões.

E de todas as minhas linhas,
Adeus carretel.
Sem detalhes aqui de cima,
Próximo ao céu.

Às vezes fico aqui
Esperando a criança voltar.
Ao dançar, cantar
E sonhar sem se preocupar...

Com o que vão pensar
Ou até mesmo, falar (...)

Quem Soul

A arte poética de amar
E não se apaixonar
Pintura ética a sangrar
E não se aproximar

E as escolhas que fiz
Eu só trocarei pela vida
Tudo aquilo que quis
São bandeiras erguidas

Minhas vitórias
Minhas batalhas
Minhas histórias
Minhas navalhas

A alma que espera o seu fim
E não desiste do que batalhou
Isso que ninguém tira de mim
E eu não vão mudar quem soul

Enfez

Desamando
Desalmado
Desolado
Desarmado

Desorientado
Despedaçado
Desenfreado
Desperdiçado

Definhado
Desafinado
Delineado
Desatinado

A luz de um túnel escuro
Parecem mentira pichadas em um muro
Cruz de Profecia ao futuro
Seus destinos escritos ao vulto e ao luto

Et Resurgent

Entre neve e praia
Entre ou saia
Entre profetas e maias
Em ralé e laia

Levanta ou caia
O ganho e a falha
Fronteira e raia
A agulha e palha

O pódio e a medalha
Fartura e migalha
A carne e a fornalha
A tolha e a malha

O gentil e o canalha
Guerra e batalha
Escultura que entalha
Telhado e calha

Grão de areia
Estrelas de um céu
Na Lua cheia
A sentença ao réu

Que não tira a visão de uma nova Utopia

Canto de Bar

Não é musica de fundo
Você conversa ou me ouve
Não falo sobre seu tudo
Com verso do que se houve

Tela em branco
Eu pautando as sete
Sustenido manco
E sem bemol às sete

Cores maiores
Quadro de violão
Sons menores
Quarto sem salão

Pub

Válvula de escape
Placa de não ultrapasse
Embaraço e impasse
Cale-se, em cálice e face

Pontos inexistentes
Tenentes
Contos textualmente
Ausentes

Poesia de boteco
Fazia eco
Trancas a xaveco
Tira jaleco

Imagem de cinema
Silencio em poema

Latir em Latim

Toca-se um coração
Com uma linguagem grega
Toca-se a lamentação
Com alguma poesia à cega

Toca-se a mente
Com a teoria inteligente
Toca-se o descente
Corrente, indiretamente

Do coerente ao mais carente
De repente, rente
De aparente, mascaradamente
De frente, enfrente

Começa a ficar confuso
Espanam-se os parafusos
E sem hora com o fuso
De Espanhóis para Lusos

Poucas notas
Muitas rotas

Si Bemol

Afim de estar bem longe do fim
De visão ampla que não contemplam os detalhes
Enfim, retalhos e atalhos do fim
Pense e cale, repense e fale, agir ates que falhe

Aposta composta por proposta
Resposta oposta em que recosta

Quase lá, sem dó
E em si, só ao Sol

Imortal, Enquanto...

Fica em branco Fio de cabelo Roga em pranto Rugas de velho
Diário mental Páginas empoeiradas Sumário astral As capas enfileiradas 
É mentira dizer que não lembro de sua face Ainda faço as mesmas caretas e barulhos de corneta Seria inesquecível mesmo se não apaixonasse  Pegaria qualquer cometa com destino ao seu planeta
Imortal enquanto minha mente existir Imortal enquanto poeticamente resistir

Limo

Da praça ao terraço
Da laça ao laço
Da taça ao cansaço
Da traça ao traço

Das fumaças ao maço
Da carcaça ao palhaço
Da couraça ao espaço
Da cachaça ao embaço

Pés no chão sentindo a terra e a grama
Braços abertos à chuva, vento e lama
Perfume e valsa sem a dama e o drama
Âmbar de reflexo, chama que inflama

Ruínas de Ouro

Os horizontes de dentro da gaiola
Um canto, dos quatro em derrota
Semblantes daquilo que se molda
Um tanto, dos quadros sem rotas

Adestrados ao nada
Onde liberdade é morrer
Sentados na escada
Onde verdade é perecer

As tintas imitam a paisagem
As letras representam a nossa viagem
As visões admiram a imagem
As peças movimentam a engrenagem

Portal de mentiras
Mortal em feridas

Vago Olhar

Distraído à observar
Para, concentrado ao olhar para o olhar
Descabido à sonhar
Presas, línguas, caninos à molhar o molar

Lábios de sangue, pescoço molhado
Nunca na nuca, pro chão e pro lado

Vago olhar que vaga
E se há vaga, vago ao seu nada
Vaso olhar que vaza
E se é vazio, um frio que apaga

Esmaga na cachaça
Na saga do peito em chagas
Clama ao que para
As chamas se chamam valas

Não existe adeus, apenas não volta ao lar
Não há preces ao Deus e nem ela para lá...

Fá, Sol
Bem mol...

Luna (parte 2)

Fura o estofado, sofá e moletom
Borra rímel e mancha-me de seu batom
Observo e nem ouço mais o som
Saiu do salão e me levou ao seu colchão

Paraíso sem horizonte
O chiado no alto-falante
Aonde ela se esconde
Uma afinação dissonante

A noite se vai tão depressa
Atravessa a rua de um olhar que nada confessa
A semana se vai sem promessa
A conversa se dispersa cheia de frases incertas

Bandeira Cinza

Rancores aos horrores,
Dividido em cores.
Sem perfume nas flores,
Espinhos nos valores.

Veneno de sabores,
Vedando amores.
Velando os atores,
Veia de motores.

Apaga a luz,
E então caminhe para a sua escuridão.
Colar de cruz,
Pulseira de ouro que não estende a mão.

Bandeira Cinza,
Sem simbolo.
Bandagem, linha,
Sem vinculo.

Arrisca quem atravessa a risca,
Para, olha e sai de sua gaiola...

A Voz das Avós

A riqueza é o brilho de graça
A pessoa corre com saudade e abraça
A beleza de um sorriso na praça
Aplica, explica e implica, não é a raça

É a alma, o osso e o sangue
Que vem do interior
Longe dessa cidade grande
Na paz e no amor

Mato, gramado
Dá pra contar as estrelas
Cavalo, gado
Café e doce da Dona Benta

A Dona Maria que sorria
Sempre que me via, com toda alegria
A dona Mélia a menos velha
Bolos de coméias e o dedo que mela

De Raiz, De Bar

O sonho toca o folk em paisagem,
Do sucesso até o sucessor.
O malandro e a sua malandragem,
Do ingresso que ingressou.

Malandro de carteira assinada é o sambista,
A garota da pista nem se compara à passista.

Aqui jazz mas não jaz,
Um blues que nos traz a paz.
Rock que só raro faz,
Hip hop, rap que é bem mais.

16 toneladas escondidas,
Colar não, é calor bem gelado no colarinho.
Terno não, a terna vida,
Indo não, eternamente vindo com um vinho,

De raiz,
De bar.
De país,
De par.

A Luz se Apaga

Num lado da mesa, uma taça de vinho
E uma marca de batom abandonada
Um dedo de cerveja e o cinzeiro vazio
Cadeiras separadas e esparramadas

Mais uma vez a luz se apaga
Para os detalhes que no céu aparecerem
Mais uma vez a noite é amarga
Para os que querem e pouco merecem

Há deuses que invejam a nossa mortalidade
Depreciam nossa falsa moralidade
Amam nossos sonhos com toda a imensidade
Nossa identidade em intensidade

Já eu, me deito pra dormir, mas sonhei essa tarde toda
Uso a escuridão pra descansar, pois já fiz as minhas escolhas

Nosso Samba

Na percussão do beat box
Bumbo no peito e no estalo da alma A canção que não se anote Coro sem uma poesia e muitas palmas
Poeticamente nossos ritmos de soul samba Solo da voz que vem e nos encanta Morena que deixa maduro de perna bamba Passos de dança que a todos levanta

Viaja, a Viola...

De olhos fechados
Passa a mão por todas as notas Embaralha a poesia Dedilha e dedica aos de costas Embarulha com alegria
Não canta nada mal Afinal, nem sei que musica é ou em que tom está Não canta nada mais Aos finais de semana sai e vai pra qualquer lugar

(Pô) Exista

O ser mais fantasista
É um poeta desenhista
Ao claro é pessimista
E ao horizonte, otimista

À frente é extremista
No meio, idealista
Atrás é um mecanista
Que tem conquista

Várias ideias em uma só lista
Um piano ao solista
Ele quer e consegue, solicita
Mesmo que só, sinta

Levanta a crista
Entra na pista
No palco à vista
És um artista

Ele sabe muito bem o que é sonhar
Mas ainda não entendeu o que é amar

Amacei sua Valsa...

Escrevi uma valsa pra você dançar
Na sua festinha de sala de estar
Mas se essa canção eu fosse tocar
Como eu poderia vir te abraçar?

E falar bem baixinho
Que és o meu mundo
E receber o carinho
Por ser seu barbudo

Se bem que a valsa eu não pude continuar
Pois tive que te deixar, pra em outro mundo eu caminhar
Hoje sei que as escolhas podem sufocar
Podem machucar e também cicatrizar, não, não vou chorar

Hoje eu vou sorrir
Porque sempre foi assim
Não espere por mim
Mas saiba que estou aqui

Eu amacei sua valsa
Mas não joguei no lixo
Eu embrulhei na alma
E ela fica aqui comigo

Janelas Amarelas

Nessa cidade
E na necessidade
Sua liberdade
O que é verdade

A verdade os libertará
A riqueza na alma que salvará
A musica que cantará
A pintura natural que encantará

A lágrima que proporciona sorriso
O abraço da saudade que ainda nem sentimos
Ao olhar carinhoso de pai pra filho
Nos passos e nas escolhas dos nossos destinos

Muita parte de mim vai embora
Mas o mundo roda e há muito que volta

Comendas

Não era a sua hora de acordar
Era vossa ansiedade
Não conseguia dormir ao se virar
Peça de imobilidade

Quem protege o nosso Rei é um tático
Pois deixamos nos guiar pelo mais prático e simpático
Num mar de silencio devastador e sádico
Sistemático aos fanáticos do problemático matemático

Bandeiras nas praças da cidade
Paradas sem vento e vaidade
Peão em duas casas sem vontade
Cavalos pedindo sua piedade

Onde somem os dogmáticos gramáticos
É preciso de seres vedados ao democrático

São números de frases impostas
Lições de pronta resposta
Mentiras em forma de proposta
Compostas por apostas

Uma fila de obrigação e eles da cúpula a sorrir
Só queria entender como eles conseguem dormir

O que o Rádio não Sambou

Aqui sentado
Conversei com pessoas que nem me olharam nos olhos
Aqui calado
Senti as respostas acumuladas e energizadas em sonhos

Fluidos de motores que bombeiam sangue em peças
Ruídos de cantores que bambeiam arranjes em pernas

Aqui sintonizado
Sem se quer cantar nas rádios ou navegações piratas
Aqui sincronizado
Sem a dança, sem o samba de quem revira nossas latas

Cães sem dono
Mães sem sono...

Folclores Decorados

Migalhas na mão
E os pássaros que vêm comer no chão
Medos da prisão
Esses que têm zelo à não cantar em vão

Os caçadores e os livres
Uma observação fixa e outra por entre seus ombros
Os narradores mais tristes
Contando histórias de quem seremos, fomos e somos

O violão não empoeira
Nem em dia de feira
É o calor de uma lareira
Que meu olhar enfeita

Canto meus folclores decorados
Que em mais corados, têm me curado

Care

Desprovidos de começo
Jogados ao nada
Abraçando a vala

Decaídos sem um apreço
Mente paralisada
Vidrados na sala

As drogas de uma imagem criada
Gramas sem a noite calada
Nascidos na porrada e na pancada
Delírios, sorrisos de fachada

Ninguém vem estender a mão
E aos trocados, recebe um não
Raros que vêm em uma missão
E os santos, vedam a sua visão

Não existe recomeço
Pra quem ainda não conseguiu começar
Não existe arremesso
De quem não está em quadra pra jogar

Raios Solares

Receber e partilhar
Dividir um sonho de multiplicar
Refletir e brilhar
Unir o que foi se separar no ar

O que não muda, é essa minha paz muda
Encontrando na meditação, medidas para uma ação
O que não muda, é essa resposta muda
Encontrando no coração, a minha verdadeira oração

Ao corpo, comida
À alma, sabedoria
Ao espírito, sorria
À um, sua partilha

Saudosista

Guitarras pesadas
Há samba, há bossa
Efeitos à armadas
Musica, galera nossa

Gosto daquilo que é culturalmente, o nosso Brasil
Menos corrupção, alienação, crime, novelas e fuzil

Silencio de teoria
Forma formal dessa poesia
Taberna de nostalgia
Onde o saudosismo crescia

Gosto daquilo que é velho, bem aglomerado e empoeirado
Observo as minhas revista, meus discos e livros empilhados

Há muita coisa ausente
A minha paisagem é diferente
É um passado presente
Não é o mesmo que tu sente

Saudações, esse é meu quarto de criança anciã
Onde posso guardar tudo aquilo que ainda sou fã

Silveira

Em escuro a fresta Luz de festa Infesta pela frecha Mira e flecha
Concreto de floresta Cinza e brecha Crase de indigestas Cor e mecha
Máscara no estilo Teatro de sorrisos
Infecta e conexa  Detecta avessa Complexa diversa Sem circunflexa

Ens

Bem agora, não era a chuva lá fora
Era a dona lavando o quintal
Senhora que mora ao lado do aurora
Era a espera voando ao final

Afinal em outrora houve demora
A víspora, a víbora e a metáfora

Tapados

O fim de ano
E todas aquelas suas retrospetivas
Fogos voando
E as perspectivas com as iniciativas

Relatos falando
Do astro que morreu e da festa da diva
Povo sonhando
Planalto roubando e dando explicativas

O mundo gira e recomeça sempre igual
E ainda o ser se julga ser animal racional

Ah... Judas!

Não colha no agora
Aquilo que plantou à pouco tempo
Não se recolha à hora
Saiba que é interno seu crescimento

Externo é apenas teu ego
Marcas de cruz, cicatrizes e prego
Para mais um Tomé cego
Ou aos Judas que também carrego

Um Iscariotes chamado de Consciência
E um Tadeu remunerado pela Paciência

A cura e a doença
O crime e a sentença
Olhar de penitência
E erros em frequência

Sequência e consequência
Na resistência ou na residência

Soul, sonolência...

Fictor

É complicado pensar em qualquer coisa,
Que se assemelhe a julgar.
Não sabemos a índole daquilo que é novo,
Verdade em sonhar e jogar.

A intenção inicial é a de se apaixonar,
O que vem depois é o que decide.
A colisão principal é afogar e afobar,
O que vem depois é o que coincide.

Nas Luzes e nas Escuridões,
Os Pecados e os Perdões.
Nas Poesias e nos Bordões,
As Mentes e os Corações.

Despertador

Baseado em uma ficção
Interessados em alucinação
Desenfreado, sem lição
Desfigurado atrás da direção

E a luz refletida era muito forte
Tirou o transporte de meu norte
Arriscou-me à morte, sem sorte
Fora do jornal e recorte, suporte

Mesmo que ninguém se importe
Mesmo que não seja mais o seu ultimo passaporte
Mesmo que seja um quase corte
Mesmo sem correr, parecia praticar algum esporte

O peito agitado
O meu olhar mais assustado
Passo paralisado
Bem tremulo e desacreditado

Miscigenação

Entre laços e lenços
Lábios e beiços
Em rastros e remos
Passos e pensos

Na divisão que se multiplica
A intenção que não se explica

Não existe padrão
Nem perdão ao ladrão
De leilão à ilusão
Culpado dessa junção

Mesmo na história que intensifica
Retórica e teórica que não justifica

Meios e fins
Do mal para o bem
Anseios e afins
Ao que a baiana tem

Escuridão Ascendente

Notas simples
Pássaro e alpiste
Poesias tristes
Gaiola que reside

O Sol é livre
O vento, é
Não me evite
Eu tenho fé

Por isso canto ao lado de seu violão
Poemas e teoremas da paixão pela visão
Por isso tanto folego para sua reação
Problemas e temas que nunca entenderão

Canto a liberdade
Que já não faz parte de mim
Canto a saudade
Do que não tive, ao meu fim

Pré Interlúdio

Céu azul de poucas nuvens,
Vozes de meu silêncio.
O som das águas que vem,
Cadastro de remendos.

Aqui fora, agora,
Vontade de ir embora.
Logo em metáfora,
A demora desse aurora.

Outrora senhora,
Mas sem hora.
Vazio onde mora,
Dor que piora.

Mesa velha, couro e espora,
Vaso rachado, rosas e floras.

O céu já começa a escurecer,
As pessoas chegam a desaparecer.
O caminho vago a enlouquecer,
A metade da Lua que vem aparecer.

O quarto de um sozinho,
Até ela surgir em seu caminho.

Contas e Contos

Falsas prendas
Leis de oferendas
Preso ao sistema
Sem usar algemas

Onde entram as poesias e poemas
Na arte de conviver com seus problemas
Cânticos e salmos do mesmo tema
Teoremas, edemas, esquemas e fonemas

Telefonemas que não chegam
E extremas que não se ergam

As faces inclinadas
Abraçadas a si
Imagens assustadas
Fechadas aqui

Observo que os desistentes
Já se fazem de ausentes
São o passado no presente
Estão parados e carentes

Aprenda o que é prenda
Então ganhe ou surpreenda
Atenda em uma tenda
Faça-os acreditar e se venda

Ciclo de lixo
Bicho matando bicho
Ciclo de vício
Livre-se em um livro

Vou e Voe

Pouco a pouco
Passo a passo
Louco a louco
Laço a laço

Nó desamarrado
Cortado
Nós despedaçados
Cicatrizados

Gavetas bagunçadas
Memórias sempre apegadas
Quadros na entrada
Lembranças nunca apagadas

Não que o passado me faça mal
Mas é a ponte dessa magia
Não estou tão interessado no final
Mas à toda fonte de poesia

O que me entristecia
Hoje é minha cura
O tétrico que sorria
Parece até tortura

Loucura
Ou fúria

Mas não é
É mais um café
Maré e fé
O cabaré e a ralé

Não Procurar e Encontrar

Caminho invertido
Sozinho ao destino
Atrás de um abrigo
E um ombro amigo

Alguém para abrir o sorriso
Ao andar comigo
Enfrentar os vários perigos
Do mesmo trilho

Delineados à sonhar
E parar em qualquer lugar
Chamar lá de meu lar
Não procurar e encontrar

Velho Infecto

Mais um velho infecto,
Indo pra mais um buteco.
O que tiver mais perto,
Dar xaveco nos travecos.

Um dia já foi esperto,
Hoje, sabe menos que seu neto.
Os olhares são o veto,
Não vale uma rachadura do teto.

Sofrimento interno,
De mais um rigoroso inverno.
Que parece eterno,
Onde já se veste com o terno.

O ultimo,
Para poder visitar o Céu ou o Inferno.
Deslucido,
Espera o Ceifador anotá-lo no caderno.

Mas a demora,
O faz subir num prédio.
Sem destino,
N'um caminho incerto.

Ninguém chora,
Por um homem, que já nem vivia mais.
Mas alguém ora,
Sua Senhora, para que descanse em paz.

Salmo Zero

Um Salmo bem escondido
Há 7 palmos de alguns pisos

Dizia assim:

Ao ser que diz estar sem carinho
E de tudo que ele tem, reclama
Ao ser que sempre deita sozinho
Mesmo assim, tem uma cama

Muitos que já caíram ao seu lado
E você, simplesmente não viu
De muito, se achou o fracassado
Com vasto esforço, não sorriu

Observará e será invisível aos nobres
Verá brilho de ouro no que é cobre
Obterá pedidos de esmolas dos pobres
Será cego ao que o mundo encobre

Será surdo à várias histórias
Enquanto viverá aos vultos da glória
Será lúcido para as estórias
Enquanto será chamado de escória

Perderá alguns dos seus
Não terá tempo de dizer o adeus
Abraçará todos os plebeus
E nessa hora, acreditará em Deus

De relance, dance, então avance
A redenção será sua segunda chance
Uma ressurreição ao seu alcance
Poderá em paz, viver algum romance

A partir do momento que a sua visão se liberta
Haverá novos caminhos e muitas portas serão abertas

Semente

Semente
Ser mente
Enfrente
De repente

Bem em frente
Ao estar ciente
Ver todo poente
Porém, crente

Suavemente
Infalivelmente
Fisicamente
E proeminente

Ou doente
Decretalmente
Insolente
Discretamente

Meditante
Inquietante
Em instante
Interessante

Você planta
E tem que esperar a hora de colher
Se arranca
Saberá que poderá sorrir ou sofrer

Dependemos do fruto
Estar maduro
Que a colheita do agora
É nosso futuro

Só Mais Cinco Minutos Pro Lado

Na direta
Reta
Indiscreta
Seta

É esta?

Uma meta
Um poeta
Não profeta
Na indireta

Mira

Um cometa
Na direção do planeta
Uma trombeta
Soltando pétalas violetas

Violentas
Como o pouso da borboleta
Na gaveta
Com o efeito de corneta

O peito em disparada
A fúria calada

Levanta assustado
De face amassada
Olhar emburrado
Enxergando nada

Quase atrasado
Vamos, saia logo da cama
Quase uma fada
No Despertar que te chama

Clap

Recolha-se
Mas não se encolha
Reponha-se
Liste suas escolhas

Fuja de modelos
Priorize horizontes
Assuma pesadelos
Mesmo sem pontes

Às vezes nem em seus sonhos
Te deixarão descansar
Às vezes em meio aos rebanhos
Demonstra não estar

Não estar lá
E sim em mente
Verdadeiro lar
Longe do presente

Castanhos

A paciência está rara
A negligência, cara
A carência não sara
A ciência que para

Onde consigo observar
Escondo o abrigo a que esquivar
Onde transpiro o calar
Desconto antigo para se acalmar

O silencio que te traz paz
É o mesmo que traz sua fúria
Aquele ponto de seu corte
Será ponto de cicatriz e cura

N'uma

Numa fração de segundos
Numa facção do mundo
Numa função de estar mudo
Numa ficção de sortudo

Numa feição de estudo
Numa canção de um vagabundo
Numa oração de escudo
Numa benção ao que é absurdo

Acabam as notas
Em cerca de poucos minutos
Acabam as rotas
Lembranças de um antigo futuro

Ultima Página

Não somos de uma mesma ilha
Embora tenhamos nos encontrado em alguma trilha
Olhamos pra mesma Lua que brilha
Emboscados e acorrentados, caímos na mesma armadilha

O destino que estranhamente une e partilha
Vestido de compartilha, esgotando a nossa bateria e pilha
Enquanto nos escondemos de toda matilha
O Mártir com a carta manilha, nos mostra toda maravilha

Não, não somos da mesma Terra
E estamos em Guerra
Sim, mais um ser que você enterra
A neblina da Serra

Aqui se encerra mais um livro
Ultimo cigarro do maço, ultimo gole de vinho

Reclusa, Chave de Prata

Era pra ser prazer
Uma nova era de todo lazer
Mas o que foi fazer
Se aquecer e não esquecer

Era pro outro ser ir
Não te olhar e sorrir
Mas, de novo aqui
Acenar e ela bem alí

Os atos eram pra ser só esses
Só entre o quarto e quatro paredes

Mas não
O peito vem e te sufoca
Em vão
Pois se vira e vai embora

Três Seis

Detonado e destronado
Enforcado, mas focado
Derrotado de todo lado
Encaminhado, sentenciado

Lá se vão os pecados de um insano
Lá, em vão, sub-recados nos planos
Lá de baixo de toda a mesa e pano
Lá fuçando, fulano dos mais profanos

Então...
Cadeira de morte, se tiver sorte

Des (Controle)

Sofrendo da mente falha
A expectativa ativa
Agulha no meio da palha
Alternativa na saliva

Revendo o estar da sala
A tentativa negativa
Prevendo ao que se cala
Na iniciativa restrita

A mudança acontece
Na criança e na prece

O diamante que vem da lama
A caça e a raça do ser cheio de vingança
O sonho de viver de sua fama
A graça sem a farsa e cheio de esperança

Ok, achei meu controle...

Pés na Grama, Pise, Deite, Sinta...

Irritabilidade emocional
Impermanência e temporalidade
Flutuações sem um sinal
Final espiritual da materialidade

Meditações continuas
Infiltrações nas paredes da pele
Sol, Chuvas e as Luas
Fases, frases e tudo que se vele

Vai atracar em qualquer lugar
Pois está cansado de navegar sem direção
Luz no fim do túnel a sussurrar
Que nada fará, pra qual seja a sua oração

Terá de decidir no escuro da noite
Em maré turbulenta
Segure mastros, rastros e suportes
Astros da mente lenta

O tempo parece passar muito rápido
Gráficos de indecisão, sistema tático
Prático e democrático ao ser estático
Sistemático, apático e problemático

Na fúria seja bem simpático
No a sós, um aromático
Nas verdades, o dogmático
Na mentira, pragmático

Leis e mandamentos
Teorias e pensamentos
Paz e crescimentos
Luto e renascimentos

Prandium

Entre fartar e faltar
Calar e acabar
Entre sonhar e somar
Andar e respirar

Entre, mas limpe os pés de barro
Deixe lá fora seu cheiro de cigarro
Entre, mas não guarde seu carro
Então saia rápido enquanto narro

Uma dose qualquer, de qualquer bebida
Penso em morte, enquanto tu fala da vida

Fanal

Frases pseudo-corretas
Aspas do olhar em linha reta
Calaram os profetas
Num papel de dietas e metas

Virou e não deu seta
Xingou sem ser discreta
Porta traseira aberta
Um alerta, fique esperta

Oferta incerta
Cálice da descoberta
Oferta do poeta
Cale-se e encoberta

Novelo

Eles dizem que sapato é melhor que chinelo,
Não deixam fazer tattoo e dividem o seu cabelo,
Eles te alienam ao que é feio e o que é belo,
Jogue lixo aos bichos e aos livros, tenha mais zelo.

Não que mentalmente não possa criar o seu castelo,
Ou que não possa ver beleza no singelo.
Mas há muita coisa acontecendo em nosso paralelo,
O apelo do modelo magrelo em flagelo.

As ruas não estão sujas de homens invisíveis ao tutelo,
Nós é que estamos lapidados ao rezo e velo.
Mas não resolvê-lo, a ação que temos é de dar o veto,
É por muitas visões embaçadas que eu apelo.

Não existe época ou data certa para Campanha do Agasalho,
A pouca esmola que tu dá, já te faz feliz e sorrir um bocado...

O Imperador

Precisar de ajuda até que é válido,
Mas sempre, é um grande fracasso.
Tem o seu próprio caminho e lado,
Nem todos seguem o mesmo passo.

Sabe que sonhar,
É aquilo que se faz com uma só mente.
Mas que realizar,
É quando se tem mais alguém presente.

Mesmo assim,
Se estiver só, vá, enfrente e tente passar,
Mesmo no fim,
Saia das correntes, ninguém vai te parar.

Por Trás de um Jornal Velho, na Biblioteca do Centro

É aqui que se faz,
Desfaz, caucás
Castanhos de paz
Demais, refaz

Não vou atrás
E não corro mais
À beira do cais
Observai, chagais

Atracado na Ilha do Náufragos
O azul, o verde e as pegadas na areia
Abraçado por tantos pássaros
Ouço e observo o canto das Sereias

Não acordo
Não concordo
É muito ódio
Pra pouco pódio

É preciso pr'agora, se levantar
Acordar e assim, ir, partir
Mas também é preciso sambar
Dançar e aqui, se divertir

Contrastes de comédia e tragédia
Jornal de idade média, várias percas inéditas
Não busco nada nas enciclopédias
Apenas te observar pela fresta que me resta

É Só

É só começar,
Se vai parar,
Só o freio dirá.

Ou o que realmente há,
Do lado de lá.

É só sonhar,
Se vai realizar,
Só o tempo dirá.

Ou o que realmente há,
Do lado de lá.

É só pensar,
Se vai falar,
A coragem dirá.

Ou o que realmente há,
Do lado de lá.

É só, que se procura mais alguém...

Se deixar...

Se deixar,
No calor, eu tomo várias duchas.
Se deixar,
No frio, coloco as blusas e luvas.

Se deixar,
De tarde, eu durmo a tarde inteira.
Se deixar,
De noite, te ligo pra falar besteiras.

Se deixar,
No centro, eu poderia caminhar sozinho.
Se deixar,
No mato, eu traria todos os meus amigos.

Se deixar,
O aspirante, pode se tornar o inspirante.
Se deixar,
Que se levante, o tático torna-se praticante.

Mas quem tem que deixar?
Quem tem o poder de te libertar?

Disse um Lago...

Recebo o Sol e a Chuva, como seres iguais,
Mas é a Lua, que mais me traz Paz.
Posso até me irritar com o calor, com o frio,
Mas vê-la cheia, liberta o meu vazio.

O dia acontece para iluminar,
De noite, com pouca Luz, ela se destaca a brilhar.
A Luz que recebe ao drenar,
Não a deixe escapar, saia à resplandecer e cintilar.

-Faça como a Lua...

Vertunt

Na alvorada,
Do seu alvo mais voraz.
Descontrolada,
O lábio que encontrarás.

A parte cicatrizada,
Que sangrará muito mais.
A sua face fechada,
Que se abrirá ao tanto faz,

E tão já,
Aqui jaz, um incapaz.
Então cá,
A renascença, eficaz.

Das cinzas, um novo rapaz,
De nova veemência mordaz.

Legos

Uma esteira do destino
Correr, para perder alguns quilos
Uma besteira de supinos
Sofre, para ganhar alguns sorrisos

A arte de esculpir apenas por fora
Aproveitar a beleza de seu agora
Mas saber que uma hora vai embora
Um dia ficará a mente que chora

Um Nocaute em cima do Round
Pra onde foram suas teorias de Workout?

Quedo

O bêbado e todo seu enredo
Aquele, de voltar cedo
O sol nasceu, não é segredo
A escultura do rochedo

Se levanta todo torto e tremulo
Olha pro lixo e se faz de arremesso

VIII

Impulsionado a gritar
Iludido a sonhar
Intencionado a ajustar
Intruido a segurar

Pare e pense
A ação tem um certo peso
Tática florense
A gravidade é o que eu vejo

Cuidado com topo
E a queda ao fundo do poço

Não entendo muito de Religião...

Palavras rápidas,
Acelerantes e contagiantes.
Táticas e práticas,
Gritantes em auto-falantes.

Leituras temáticas,
Mente vibrante, sem amante.
Fissura gramática,
Alucinante como um diamante.

Sei o valor de minha mente,
É ela a que menos me limita de persistir, sonhar.
Sei que devia estar contente,
Mas enquanto jorrar e sangrar, não irá cicatrizar.

Cirurgicamente sem anestesia,
Causa-me incompreensão e afasia.
Periodicamente me traz a asia,
Ânsia com o que acontecia e fazia.

A fraqueza da carne e o Inferno,
Tudo mais, que será um Eterno.
Ele não disse que viria de Terno,
Mas vai saber, é tudo moderno.

Não entendo muito de Religião...

Quebra de Rotina

Arcano maior, o Mago,
Conselhos de uma mudança.
Troque o vazo quebrado,
Pois o novo é sua esperança.

Aceite alguns livros que nunca imaginou ler,
Ouça palavras sábias de quem nunca imaginou te entender.
Entre nas trilhas que nunca imaginou conhecer,
Aproveite todos períodos, pois tudo que tens é pra crescer.

Renovar, para fazer diferente,
Arrebente as correntes.
Mergulhar, é nascer novamente,
Abra a mente ao presente.

NOZ

Ouvi dizer que a palavra é de Prata,
Mas o silencio vale ouro.
Consigo ver vária pessoas ingratas,
Em busca de tesouros.

Homens de Lata em busca de coração,
Leões atrás de ter coragem.
Voltar pra casa com uma simples oração,
Seres sonhadores na viagem.

Planos pro futuro misturado à fantasias,
Cheios de orgulho e incrédulos na ironia.

Fronteiras e Rosas

Que seja viciante,
Enquanto contagiar.
Que seja alucinante,
Enquanto se deliciar.

É aspirina ao tirar minhas dores,
É a tinta que multiplica as cores.
É esquina desses novos sabores,
É, respira e inspira com as flores.

Um caminho de espinhos,
De perfumes, sem os mal odores.
Um carinho de sorrisos,
Sem volumes, cegos aos valores.

Atravesse a fronteira do Paraíso,
Mesmo que pareça besteira perder o Juízo.

Majorem

Não se comporte
Não se importe com o que falam da sorte
Não, não encoste
Não derrube o suporte da bussola sem norte

O que já foi, é o que já foi
Tudo o que falam são conselhos pras paredes
Nem vi, passou da meia noite
Tudo o que eles dormem, são sonhos e sedes

Completamente, tiros pra cima
Não parei com as rimas sobre o clima

São tempos diferentes
Vidas e razões completamente opostas
São gestos ausentes
De só uma proposta e só uma resposta

Quando as perguntas eram muitas, onde vocês estavam?

Verão Rigoroso

A distancia e o olhar silencioso
Entre a bonança e o veto rancoroso
A ganancia e o passo religioso
Entre a vingança e o mero suposto

Um vitorioso e um grandioso
Um tenebroso e um engenhoso
Um ambicioso e um cauteloso
Um espantoso e um impetuoso

Não me lembro muito bem do sonho
Mas de muitas coisas eu até suponho
Não me lembro muito bem do tombo
Mas já estou de pé, ao que proponho

Ex-Quadrilha

É fato,
É vasto, um fardo.
É gasto,
O rastro, no pasto.

Então sobe o mastro,
Sobre o padastro.
O holocausto, nefasto,
Onde me arrasto.

Cai o astro,
Um pedido a ser pago.
O cadeado,
Prisão que me afasto.

A trova está de um lado,
Do outro, um gado.
A tropa e o povo marcado,
Passos congelados.

Ouvimos calados,
Impacientes ao Estado.
Subimos paralisados,
Contra o golpe do Senado.

Porém vivemos num quarto,
Poente de um belo Quadro...

Tem que Chover...

É difícil a notícia da perca,
Mas não é tão difícil assim partir.
Pegue sua cabeça e erga,
Mesmo que hoje seja difícil sorrir.

A vida precisa parar um pouco
De ser corrida, enquanto se estabiliza.
A ferida do nosso sufoco louco,
Aquela que não cicatriza e nem ameniza.

Irônico é tudo parecer platônico,
Um tanto daltônico, num momento crônico.
Sincrônico aos passos eletrônicos,
A vibe e o sinfônico, diferente e até clônico.

Precisa chover, para que você possa correr pra casa,
Ou simplesmente abrir os seus braço e lavar a sua Alma.

Olá Dezembro

Perdido no sorriso,
Onde meu mero peito sente-se aflito.
Perdido no brilho,
Na covardia de não dizer o que sinto.

Foi então que tive dois reflexos,
Um de tentar ir e um de ficar paralisado.
A gravidade parecia sem nexo,
Mas era mais forte ao me deixar calado.

Perdido na mente,
Minha alma, na calma e na trilha.
Perdido na corrente,
Que me atrai para uma armadilha.

Mesmo assim, observo,
Eu quero esse amor perverso.
Mesmo assim, sem versos,
Gaguejar e cartear ao paralelo.

É tão ruim partir sem abraços e beijos,
É tão péssimo estagnar todos esses desejos.

Circunspecção

Bata na porta,
Para que ela se abra.
Bata mais vezes,
Caso não seja imediata.

Se quer passar a sua mensagem,
Volte mais vezes.
Se quiser convidá-la à sua viagem,
Volte mais vezes.

Mas acredite em uma mudança,
Até sem limite, quando sumir a esperança.
Com persistência e não ganancia,
Na penitencia e prudencia, crie sua aliança.

Nem todas as peças virão ao mesmo lado,
Mas os que virão, serão aqueles que serão libertados.

Bata na porta,
Mas só no caso de "não basta".
Bata mais vezes,
Pois nem sempre será imediata.

Esse Estado

Ultimamente eu tenho pensado mais na morte,
Do que na própria vida.
Ultimamente tenho perdido a fé na minha sorte,
Sem norte e com feridas.

Ultimamente tenho dormido mais tarde que o normal,
Observo tudo desigual.
Ultimamente tenho comido sem temperos e até sem sal,
Para eu não passar mal,

É tudo tão industrializado, estagnado e paralisado,
É tudo tão robotizado, lobotomizado nesse estado.

-Hmn... Esse Estado!

Ir, Fenrir...

Convidados à rir e chorar
Às vezes avessas e adversas
Rir, por apenas se ferrar
Chorar pela realidade dispersa

Convidados à cair e se levantar
À ser julgado e à criticar
Convidados à nascer e morrer
Até à encolher ou crescer

Somos convidados à entrar e sair
À ser avarento ou dividir
Convidados a renovar ou repetir
À escolher ou se indecidir

Independentes de qual caminho seguir
O que vamos sentir ou resumir
Indiferente de se punir ou deixar fluir
Aos que vão sugerir ou intervir

Perto ou longe de tudo aquilo que vamos atrair
Sem trair sua mente, sem mentir pro ausente
Pratos fundos e rasos, ao qual não devemos cuspir
Sem fugir ao que sente, sem partir de repente

No fundo, se exigir
No frio, se cobrir
No alto, se expandir
No calor, se nutrir

Ir... Aonde seu coração ou algo mais, Latir
Aonde a direção seja sua paz, Reluzir
Ir... Aonde sua oração seja demais, Subir
Aonde a pretensão de ser capaz, ouvir

Se ferir, porém desferir
Se referir, quando for rugir

Só Sei, Que Nada...

Bem, faz-me fases
De frases sem crases
Não demonstrasse
Com o impasse, passe

Passe e vá bem adiante
Repasse distante
Tenho a classe, errante
De Marte, cintilante

Demonstro o monstro que somos
Encontro em reencontros, o que fomos

O Sol esquenta bem mais nesses dias
E reclamar seria sim, a covardia
Pois no frio, só te cegava e não ardia
E reclamar não seria sua valentia

Somos estrumes
Instrumentos do ciclo
Somos costumes
Costurados ao vício

Não sei se é samba ou bossa
Não sei se minha, sua, dela ou nossa
Não sei se é velha ou se é nova
Não sei de nada, mas sei dar prosas

Lugares

A intuição pode te guiar ao caminho errado,
Para que corrija seu percurso. Ou apenas que tropece para olhar pro lado, Enxergar o que estava avulso.
Antes de qualquer abismo há uma bela trilha, Desperta ao te deixar perdido. Você pode se desnortear e atracar numa ilha, Deserta e até cheia de perigos.
Mas por que paramos em alguns lugares? Terras, esquinas, praças, mundo, universos e lares...

Capuz

A gente não escolhe pelo momento em que passamos
Ao menos sabemos que o tempo passa
Ainda que não tenhamos entendido o que alcançamos
Sendo tanto a graça quanto a desgraça

A Luz que procuramos num Túnel Escuro
De Capuz, esperando Chuva, Sol e Futuro

Não Adiar

Há dias que falo muito e dias que eu falo pouco,
Há dias que falo tudo e dias que eu falo nada. Há dias que falo da sede e dias que falo do poço, Há dias que falo parado e dias na caminhada.
Há dias que não aguento a solidão, E dias que, não entrem em meu território. Há dias em que eu aprendo a lição, E dias que eu não vejo ligação ao notório.
Há dias que não queria estar aqui e dias que sim, Há dias que lembro de tudo e dias que já esqueci.
Já foi cedo, já foi tarde, Há dias que nem você não adia, O corajoso e o covarde, Há dias em que machucar, ardia.
Há dias que a cicatriz se faz doer até demais, Há dias que sente dor, como se fosse o jamais.
Enquanto ainda há dias, Não sinta a afasia. Enquanto ainda há dias, Realize as fantasias.

Cara...

Estranho falar loucuras,
Estando sempre sóbrio.
Entretanto usar molduras,
Entrando em seu ópio.

Fala de um mundo melhor,
Ao qual não ouço.
Cala-se ao sentir-se pior,
Que o outro moço.

É quando eu me deito,
Que me sinto louco.
É quando sinto no peito,
Que eu faço puco.

E essas frases de:
Antes de mudar o mundo,
mude o cara de sangue vermelho frente ao espelho

Esses impasses de:
Sem passes e lançamentos
Ou conselhos ao fedelho que ralou todo seu joelho

Cara, é tudo estranho...

Eis aqui,

Um marciano caucasiano
Andando aqui por puro engano
Falando e aconselhando
Vendo os danos de meus planos

Planando sobre meu cotidiano
Aterrissando ao ser profano
Cantando sonante ao diáfano
Autorizando como soberano

Eis aqui, um Maluco...

Chinelos de Cristal

A vida é bela Cinderela
O Sol, a Lua e toda sua parcela
A pessoa babaca na janela
Esperando a Luz vinda da Capela

Um anjo aparecendo ao lado de sua vela
Te levando para fora dessa cela
Alguns otários fingindo que foi só de tabela
Dando trela, sem qualquer cautela

Ah... a cidadela
A abobora e a donzela
Ah... a olhadela
Todas podem ser ela...

Melindres

Faz-me sangrar, sereníssima
Faz-me chorar, extremista
Faz-me acredita, conquistas
Faz-me mudar, desenhista

Bato o martelo contra todas as correias
Castelos de madeiras ou areias
Atos singelos das nossas mentes, cheias
Paralelo ao sentir-se em cadeia

Como se julgar o sistema
Fosse nosso maior dilema

Belas faces de mentes egocêntricas
Belas fases de suas indecentes tendências
Belas classes das cegas demências
Belas frases de gente cheia de influências

Ouvir o Silêncio
Enxergar o Vento

Pluviae

Catalizadores da fúria
Idealizadores de uma súmula
Predadores da fábula
Dores de espinhas e medulas

A coluna sem alicerces
A cúpula de todas as preces
A manhã que desaparece
A infidelidade que se enaltece

O que toca o seu coração?
O que toca a sua alma?
O que te traz uma oração?
O que te traz a calma?

Há o olhar distante próximo a desconfiança
Na insônia dos pensamentos de desesperança

Onde Estão os Anjos? (parte 2)

Pra te julgar, os cristãos são tantos,
Mas pra te ajudar, somem os santos.
Senhora de vários prantos e mantos,
Fica tranquila, anoite eu me garanto.

Pra te levantar ou te tirar dos cantos,
Para gritar ao vê-los com o espanto.
O garoto que precisa de um recanto,
Deitado ao abandono do entretanto.

Esses passos olhando os reflexos atoa nas ruas,
Portas de vidro e vidros de carros. Nos rastros da madrugada, já passou das duas, A fama e a lama, a lama e o barro.

Só quero chegar em casa e dormir, Amanhã é um novo dia pra sorrir...

O X e o Dez

O único problema,
É procurar uma solução,
Estando de algemas,
Enxergando a confusão.

Então diz o sistema-
Que tudo tem uma razão.
Calado se enfrenta-
Sem tomar uma decisão.

O X do mapa é um dez grego,
O que cava para fujir de todos os medos.
O ouro perdido aos segredos,
O tolo que não entendeu nenhum conselho.

Preces por Respeito

Eu digo que o Respeito é uma das palavras mais belas,
É o que queremos nos condomínios e nas favelas.
Independente de pra quem ascendemos as nossas velas,
É o que queremos dos seus cidadãos e donzelas.

É onde, a Paz impera e prospera,
É onde trancamos nossas feras.
É onde, pela justiça não se espera,
É onde buscamos a Nova Era.

Nas orações por Horizontes,
De que o caminho siga ao além.
Verdade que não se esconde,
Se mostra, te abraça e Amém.

Valores e Não o Preço

Facilmente desinteressado pelo mundo,
De meros imundos.
Fascinadamente interessado ao segundo,
Entre sérios, tudo.

O acumulo de sorrisos bobos e soluços,
Avulsos, compulso no susto ao seu vulto.

Ah... berros dissonantes,
Ao impulso um tanto cintilante.
Ah... os versos gritantes,
A mão na barriga tão palpitante.

Cabem dois e até mais corações na Mulher,
É uma transmutação mais exata que a própria fé.
Pois todos vemos e não somos São Tomé,
Em outra sala, o Homem se acalma com um café.

Tudo se torna mais interessante,
Quando seu Tudo, torna-se constante.

Notas de Rotas Tortas

Pendências e Dependências,
Paciências e Demências.
Convivências e Conveniências,
Fluências e Influências.

Libertar-se do fluxograma,
Do panorama que apenas inflama.
Infecta a cama com a fama,
Do programa, da lama e do drama.

A crença em Si, Dó e até Ré
Quando Mi, Fá, Sol, Lá sem fé

Não se importa com quem não entender,
Não se entorta para fracassar a mente e entreter.
Não reporta frases que não vão conhecer,
Não se comporta como se deles, tu fosse vencer.

Afinal, no final,
Quem vence é sempre a Morte.
É igual ao sinal,
De quem acha que tem a Sorte.

Conselhos ao Espelho

Rápido no reflexo,
Ao mascarar-se em espelhos e segredos.
Anexo e complexo,
Ao sufocar-se em seus conselhos e medos.

Submerso ao reverso,
Transverso aos próprios versos.

As poesias das saudades,
A Solidão e pretextos.
A cortesia das raridades,
Imensidão e protestos.

Eu sei que querer ter de volta os dias que abdicou,
É o que parece mais irônico.
Mas ouve a música da lembrança a que se inclinou,
Várias vezes, como um soco.

Então acorda,
Tem outro alguém.
Entre lá e aqui,
E, em todo o além.

Imerso ao diverso,
Observo e então eu me disperso.

Vou lavar o rosto agora,
Eu preciso voltar lá pra fora.
Estou aqui tem meia hora,
Nossa Senhora, que demora.

Coleira e Cólera

Poucos sabem que poucos vão entender
Loucos trazem o que os socos podem rebater
Trocos cabem nos solos do silencio de ser
Sufoco e o foco na onda que vem te recolher

Girar para dentro da maré
E ir pra onde nem sabe o que é...

Redesenhar, Relembrar... (A Criança)

Os velhos desenhos com lápis novos
Traços diferentes, póstumos e até meio tortos
As sombras não assombram os corpos
Dizem apenas de onde vêm as luzes, os polos

É como andar de bicicleta
Bambeia, mas se equilibra
É como andar em linha reta
Então olha pra cura e vira

A borracha, apaga mais do que devia
A curva, é mais turva quando se desvia

Aqueles desenhos da criança são diferentes
Mesmo assim ela o abraça e e diz estar presente
Pois a visão da esperança se parece ausente
Mesmo assim ela o agarra e diz que está contente
A criança voltou por alguns segundos E o fez esquecer de toda tragédia do mundo

Enteia

Entre Anjos e Tarot
A fé
Entre salas e cobertor
Café

Levantar para um dia a mais
Orar e acreditar para ter paz

As pessoas que andavam contigo
E agora andam com Deus
A lembrança que desperta sorriso
Bem na hora de seu adeus

O conselho dos espíritos
Para que mude e rompa estagnações
O conselho do destino
Mesmo que isso possa ferir corações

Livros parados na estante
Acumulando poeira
Brilho que parece distante
Colecionando ladeira

Capítulos e mais capítulos
Sem títulos ou subtítulos...

Catedral

Uma face inclinada esperando o outro olhar
Do outro lado, uma tragada ao nada e o olhar para a Lua As pessoas dizem o que ela não quer escutar Mas prefere, se ocultar e se ocupar de omissão nua e crua 
Está presa à noite  Essa pressa ao que é doce És presa da corte Impressa ao que ele trouxe
A chuva e o Luar não chegaram atoa Mas o tempo vai, vem e assim voa Encostada no muro tocada pela garoa Observando, a água que se escoa
Inquieta pela pessoa Que apenas observa quando ela não olha Acentua-se a moça Cubra-a, olhe nos olhos enquanto se molha
Ela pensa, enquanto ele...

Capela

A poesia guardada em seu bolso
Não me diz nada
A lágrima que atravessa seu rosto
Guia-me à estrada

À procura de uma outra entrada
Fazer a minha nova caminhada
Afastar-me de pessoa encostada
Esgotada de estar e ser amada

Os olhares são confusos...

Acuar ou Acuado

Uma crise de Oceanos
Copos em Tempestades
Uma falha no Planos
Castelo sem Majestades

E o vento frio chega
Te abraça sem aquecer
Se caiu, então se erga
Escreve pra não esquecer

Em alguns dias percebe
Que tem muito cemitérios em seus papéis
Em alguns dias recebe
Fantasmas de seu passado, os mais cruéis

Existir ou hesitar
Desistir ou enfrentar
Resistir ou recitar
Extinguir ou fracassar

Moletom

Essas paixões são muitas
Mútuas e confusas
Essas orações são multas
Supra à condutas

Historias que não entram nos papéis
Mas não saem da mente
São bem retóricas a todos os infiéis
Teóricas e sem correntes

Não vá embora agora, fique chuva...

O Pajé

Já tá de pé até
Sozinho pr'um canapé
Toma seu café
Preferia sentir a maré

E na mesa de um candomblé
Indiferente para qual seja a nossa fé

Amanhecer e anoitecer
A paz que todo mundo quer
Estender e estremecer
Entreter o homem e a mulher

Extraídos do que é natural
Atraídos tanto ao bem quanto ao mal

Fumaça de graças
O papel que tu amaça
Fuçada desgraças
O quartel de ameaças

A oração é de um mundo melhor
Na crença aos grandes a quem tem dó

Para onde se vai
A trilha é de quem se faz e refaz
De levanta e cai
Na busca por capital ou pela paz

Latas

Nas esquinas os esconderijos dos invisíveis,
Em canto algum, onde não há encanto.
Mas ensinas sobre o prestigio dos sensíveis,
Enquanto aos becos, há tantos santos.

Portanto o recanto,
Ao espanto a que me levanto!
Portando no pranto,
Quanto vale a face no Manto?

As Sereias

As únicas pessoas não invejáveis são as medíocres,
Então, por que tem tanto medo assim de uma Inveja Alheia?
Todo erro de tentar ser o ser perfeito, é tão simples,
Então, por que se preocupar tanto com o cântico das Sereias?

Se elas imergem de seus grandes Castelos de Areia,
Onde não se incendeia, mas que se vão com as Correntezas...

Restrur-Ação

A Lua cheia dessas noites,
São a nossa renovação.
É despedaçar com a foice,
Conseguir a libertação.

A Casa das observações,
Animais em gaiolas ou jaulas.
Cegos de suas distrações,
Intelectos para escolas e aulas.

Alguns pássaros que cantam para quem querem,
E os outros, para quem os preferem.
Algumas visões de autonomias aos que se ferem,
E outros olhares, a quem se referem.

Entre a Liberdade e a Verdade,
O pão e a pedra, a Paz e a Maldade...

Do Cais ao Caos

Todos temos problemas internos e astrais, Sobrevivendo a todos infernos pessoais. Nas ideias que somem, mas voltam ao cais, Do caos para a explosão de minha paz.
Embarque nesse Cruzeiro dos Desnorteados, Embriague nesse Morteiro de Míssil Teleguiado.

Mistura, Pratos e Quadros

Faço um lista de atualizações,
De encaixe de palavras, antes de entrarem nos papéis.
Ainda assim, rabiscos e borrões,
Tortos e quase saindo da linha, mas à mente, são fiéis.

De todos lugares, inspirações,
Desde chuva, céu cinza, Sol, brisa, as praças e os bordéis.
De todas as raças e religiões,
Desde infiéis e anéis, hotéis e quartéis, cordeais e corcéis.

Tudo é essa mistura maluca, que é um dia qualquer.
Todas essa criaturas vulgas, de faca, garfo ou colher.

Lisboa

Quase não ouço os que falam pelas costas,
Quando ouço, não quero ouvir.
Então enfrente e afronte com sua proposta,
Faça-me chorar, faça-me sorrir.

Não vista sua armadura de amarguras,
Seja a criatura em busca das suas aventuras.
Não se importe com larguras e alturas,
Seja a bela pintura e não gravuras ou figuras.

Pois é o Quadro, que imita a Paisagem...

Diante e Adiante

As pessoas começam a agir diferente, Quando começam dizer que você está estranho. As pessoas começam a ficar ausentes, Quando dizem que você sumiu de nosso rebanho.
Conversando com os velhos amigos sobre ciclos, Vemos quem andou, quem se separou e ainda parou no tempo. Conversando sobre a evolução de cada currículo, Vemos quem sonhou, quem confessou e concretizou seu tento.
As cartas e os dados, As adagas e os dardos...
Um homem sentado na esquina de sempre, Vendo um mundo que gira mais do que o de repente. Algumas marcas de dedos em minha lente, Eu limpo, desvio o olhar e ele não está mais presente.
Foi tomar a sua cerveja, Ou pedir perdão em alguma igreja. Não sei pra onde, que seja, Com suas lástima e lágrimas secas.
Ele se foi...

Exemplar

Uma camisa da banda que ela gosta, Ainda que sua maquiagem esteja borrada e exposta. Uma risada de quem ganhou a aposta, Ainda que viva nesse mundo, sem as suas respostas.
Está disposta a burlar a lei imposta, De repente mais uma tatuagem amostra.

Um Vinil de Blues

A maior força que existe é a de enfrentar-se, É afrontar na visão de uma bela paisagem. A maior forca que existe é a de mentalizar-se, Fones de ouvido, outro caminho e viagem.
Estar em um retrato no qual tu não pertence, Na pintura de uma moldura já apagada. Estar escravo de tudo que parece frequente, Na assinatura de uma tortura rachada.
Fez-se a Luz,  Fez-se a Escuridão. Fez-se de Cruz, Fez-se Ressurreição.
Aos que ainda não aprenderam a sua lição, Levantar-se do chão e em concreto não cair em vão...

A Mente, as Portas e os Labirintos

O obviamente e o ópiamente, A planta e a semente. O francamente e o fracamente, A semana e a mente.
Apenas sacramente e implemente, Amplamente e inclemente ao que se sente. Mas crente de estar e ser prudente, Sempre, o permanentemente e firmemente.
Ausente aos agentes, Presente aos a gentes.
Brevemente seja uma aguardente , Que certamente embriaga os conscientes. Condizente, faça  tudo sabiamente, Juntamente e justamente ao ser Onisciente.
As historias de uma mente, Cheias dos ratos e serpentes. As estórias dos que mentem, A visão coerente o suficiente.
As Portas estão abertas, Mas há labirintos, fique esperta!

Capítulo Um

Sentir o som, Seguir o dom...
Não se importar com os que se vão, Com as cinzas e junto ao vento. Só se importa com o que há de bom, Com os planos de cada momento.
Descansar em paz, Meditar, ser mais...
Pensar naquilo que faz, Nos danos e remendos, tons e timbres. Acreditar no que se traz, O que é pra agora e o que é pra sempre.
E num ventre, Um epilogo, de um ser feliz e dançando. O nascimento, A criança que chega ao mundo chorando.

O Homem Enforcado

Cultuo a palavra Sacrifício, Que vem do Sacro e do Oficio. Ou seja, o trabalho sagrado, O 12 de um homem pendurado.
O que deixará de lado, Para que seu caminho não seja e não esteja bloqueado. O que trará ao seu lado, Com defesas para que o seu espirito não seja saqueado.
Os seus Arcanos diários, Seus questionários solitários ao calendário. Seu variado vocabulário, Seu salário, o proprietário e o seu operário.

Pés no Lago

Uma visita da superação, Tragando um agradecimento regado de uma oração. Um sábio com a sua lição, A de sempre aprender e surpreender com uma ação.
Não sei se palpita, para ou dispara o pequeno coração, Só sei que tem um monte de coisa junta, sem explicação.

Filme de Terror e Pipocas

Há dias que parecem curtos, Há arbustos que só perecem ao meio dia. Há sustos que parecem surtos, Há vultos que aparecem numa noite fria.
O que há e o que não há, O de repente e o já. O que haverá de vir de lá, O que ficará pra cá.
Aaaaahhh... Não entre nessa porta. Aaaaahhh... Ela já já estará morta!!!

O Salto

Estou entre um momento cheio de pensamentos, E até um pensamento repleto de vários momentos. Onde de tempos em tempos venho fazer silencio, Maquiagem de paisagem em cicatrizes e remendos .
Refaço os passos para reencontrar o que eu não anotei, Retrato quadros pra limpar com tinta aonde sangrei. Arremato atos poéticos de um teatro em que já sonhei, Arregaço os rasgos de camisas que nunca recosturei.
São marcas que não marquei, São asas na qual eu não voei...

O Bar

Os problemas do mundo e os meus,
Eu vejo tudo e me sinto mais sortudo.
Fragilidades dos estudos sobre Deus,
Os cegos vivendo de um escudo mudo.

Teólogos vivendo de sua fé,
Ateólogos morrendo ao estarem sempre a pé.
Teóricos saboreando um café,
Ateóricos sobreviventes de mais alguma maré.

Conselhos do Pajé,
O garoto de cabeça baixa e boné.
A moça do cabaré,
Onde sempre se reúne nossa ralé.

Para se esquecerem de como tudo realmente é...

Onde Estão os Anjos?

Se eu pudesse não acordar cedo, Então desamarraria a corda contra o medo. Se eu pudesse voar junto ao vento, Me arremessaria sem rumo junto ao tempo.
Meu olhar de saudade que me entrega, A outro olhar, no qual peço trégua. Meu caminhar desnorteado sem regras, Torna-se linear ao preço da guerra.
Esses passos olhando os reflexos nas ruas, Portas de vidro e vidros de carros. Esses rastros da madrugada, quase às duas, A fama e a lama, a lama e o barro.
Um homem magro e deitado, Só se levanta quando é pra pedir trocados. Mais um some vago, jogado, Centavos que troca por sua pinga e cigarro.
Dizem que o homem se desviou de seu caminho, Mas só não sabem, que ele nunca recebeu se quer um carinho. Como na estrada, no buraco não se cai sozinho, Mas ele está sorrindo, olhando pras crianças, vai se distraindo.
A vida é muito mais que pés descalços, O do homem sem casa e das crianças brincando. A vida é um pão e seus vários pedaços, Um mundo melhor para continuarmos sonhando.

Eu Matei o Cupido

A Divina Comédia é a Vida,
Mas dividida em Tragédias, da grande Despedida.
Olhares sempre de Partida,
No Começo ou Final, mas sempre sendo Esculpida.

E o Cupido, sempre esse maluco pra foder tudo,
Pra te cegar e colocar em qualquer canto do Mundo.

Icarus com suas asas de cera, pode ter dado bobeira,
Mas lá de cima viu que a sua amada não estava solteira.
Mais estreita que a ladeira, a queda o tornou caveira,
Mas aqui de baixo tenho uma arma e uma mira certeira.

Adeus anjo otário sem salário,
Seu enterro não terá nenhum Rosário.
Agora que achou O adversário,
Então entenda a vida de um Solitário.

Whisky ou Rum

Uma razão para se ter insônia, É algo para pensar a noite inteira. Fragrância, perfume e Colônia, Terra vista, a beira-mar e a areia.
De um lado da cena eu vejo a sereia, Do outro lado, eu vejo o Capitão. Ele sabe como todas são traiçoeiras, Ao pensar, agir e tomar a decisão.
Tomar só mais um, Copo de Whisky ou de Rum...
Uma perna de pau e outra de escamas, Enquanto em alto mar, o peito que se inflama. Os olhares apaixonados de quem se ama, A realidade que chama ao sono de sua cama.
De repente a caminhada, Segue para o outro lado de suas pegadas...

Esquina com a Avenida Principal

Parece ser pouco peito pra muitas paixões
E pouca pena para muitas compaixões.
Parece ser pouco Verão para tantas versões
E até poucos atos para muitas decisões.

As musicas no rádio não te dizem mais nada,
Seu seriado preferido não tem as novas temporadas.
As histórias bonitas que não são mais contadas,
Nem cantadas, enfeitadas ou baseadas e imaginadas.

Trocaram o canal que tinha finais felizes,
Ficou entre um de Fantasmas e um de Zumbis.
Amassaram um papel cheio de cicatrizes,
Ficou entre um Teatro de Praça e um Chafariz.

Quatro jovens sentados na calçada,
Somem as idéias e sobem as fumaças...

Quarta-Feira de Cinzas

Era só sorriso de chuva,
Independente de esquina e independente de curva.
Uma Era de mãos e luvas,
Um frio na espinha de um silencio que te enturva.

O claustro em colapso,
Mas exausto de todos os seus fracassos.
Seus passos apertados,
Demonstram pressa de alguém esgotado.

A onda forte de uma temperatura baixa,
E a coragem falando mais alto que o medo - Faça!

Árvores de Calçada

Há pessoas que buscam os seus Budas,
Mas também tem outras que se contentam com seus Judas.
Arrogantes e mudas ao pedirem a ajuda,
Punidas e iludidas com adivinhos, se concentram nas fúrias.

São árvores que nasceram em uma calçada,
Recebem visitas de pássaros, mas suas raízes param no cimento.
Ouvem cânticos de ninar e contos de fadas,
Ainda não viram a verdadeira fauna, que vai além do pensamento.

Seus troncos serão cortados para não entrarem nas casas,
Só vão mudar sua amplitude e ângulo da visão, se receberem asas.
Se alguém levar elas pra longe antes que tornem-se brasas,
Sol, natureza, ar e pureza ou ao lado de uma lagoa com água rasa.

O sonho pode até ser feito sozinho e dormindo,
Mas a realidade do caminho, não se trilha sozinho...

O Velho Fusca (Segunda-feira e Chuva)

Uma folha e uma caneta
Um violão sem Palheta
Rabiscos na caderneta
Antes que acabe a minha tinta preta

A luz que se ofusca
Assim como todas as buscas
O silencio dessa chuva
O som que se destaca é de um velho fusca

Tarde chuvosa de um céu cinza
O Arco-ires sem forças para cortar as nuvens
Rodas passando, levantando as águas
Consigo inventar a visão no ato de minha mudez

Hoje não acaba tão cedo
Mesmo estando entardecendo
A Legião ou os Engenheiros
Acabei pegando um disco do Barão Vermelho

Deito com os braços na nuca
Assim como todas as buscas
Mas no silencio dessa chuva
Ouço novamente passar o som de um velho fusca

Perfume de Chuva e Terra

Vejo beleza no degradê de um céu cinza,
Assim como vejo num nascer laranja e num dia azul.
Observo a distancia de um Luar que brilha,
Assim como as estrelas que pontam o Norte e o Sul.

Pedimos conselhos aos imperfeitos,
Porque o Onipotente do consciente se faz de um silencio.
Onde falar demais torna-se defeito,
Como o barulho e os Raios do escuro que causam o medo.

Fico à mercê do degradê,
Enquanto outros, ao clichê.
Frio a Mercê do por quê,
Aqui, não usamos um dublê.

Sol e Tédio (Um Domingo Qualquer - Erre G)

Quem olha pra 2012 e diz que o mundo não acabou,
Ainda não viu a verdade.
A variedade e biodiversidade que havia em cada flor,
Apenas se tornou raridade.

Todas essas histórias que dariam um filme,
Tediosas, engraçadas ou merecedoras de um Oscar.
Todas essas escórias que brindam ao crime,
Tendenciosas, ou a pacificas na musica que se toca.

O clero que sufoca, embarca sem arca,
A realidade que se troca, não entorta e não abraça a nossa massa.
O teto suporta, não recebe a luz e a graça,
A saudade passa quando se mata, embora na esquina ou na praça.

Não é um dia de chuva,
Mas estou num quarto de minha casa.
Ainda não vejo a Lua,
Mas eu estou recuperando minhas asas...

Livros e Musica calma,
Me livro e limpo a alma.

Polares

Nós vamos passar por este caminho e vida somente uma vez,
Com a nitidez, o talvez, a timidez, a rapidez e a solidez.
Pode ser como o plebe ou o burguês, falando ou com mudez,
Com placidez, palidez, cantando em inglês ou português.

Vinte e Seis e Meio

Ainda prefiro a velha Bossa Nova, Que não foi pra cova. Prefiro o Samba de belas Trovas, Rap de 90 e Revoltas.
Matar aula e ir só no dia da prova, Nesse mudo que se renova. Você abre a mente à sexo e drogas, Punk Rock, o bate e a sova,
Metal, Reggae e música folclórica, De vinte anos atrás, porque hoje em dia tudo parece cólica. Só coisa de amor, crente e católica, Uso frases simbólicas e otários insistem em vê-las diabólicas.
O mundo, É de quem limpa suas lentes antes de sair pra Rua. Ver o céu, É pra quem enxerga beleza nas mudanças da Lua.

Jardim de Inverno

Quem vê cara, não vê coração.
Quem vê o ato, não vê a decisão.
Quem vê alma, tem compaixão.
Quem vê os olhos, perde a direção.
Se precisar de uma desculpa, Inventa e vem. Não se preocupe com a multa, Se passar de cem.
À pé ou de magrela, Atravessando a antiga passarela. Passar pela capela, Bem cedinho te chamar na janela.
A velha cela, Apaga a vela. A luz é dela, Toda parcela.
Quero um pouco de porta fechada e escuro, Mesmo me sentindo um tanto maduro. Colocar um pouco de meu passado no futuro, Seguro de pular pelo muro dos impuros.
Cerveja na mesa, Musicas inglesas. Antigas despesas, As novas belezas.
Mais uma primavera em meu Jardim de Inverno, Mais uma quimera pra caçar com o caderno. Mais longe do moderno, vim viver onde é interno, Mais espiritual que histórias de céu e inferno.

O Meu Partido...

Nem sempre eu fujo do conflito,
Às vezes não resisto.
Julgado ou condenado do delito,
Sem espírito restrito.

Mas antes reflito,
Com tudo que eu tenho dito.
Mais um manuscrito,
Minha esquina é meu distrito.

Exercito de forte grito,
Um exito do que é finito.
O mérito que acredito,
Passado de Pai pra filho.

Soa o apito,
Destoa e não evito.
Mais um caído,
Imagem de um mito.

Julgado pela pena,
De uma sociedade que só condena.
A mãe que lamenta,
Cegos com o crime que só aumenta.

Vejo Rap, Samba e Blues,
E até Rock sobre a Cruz.
Tapados de novelas e Jesus,
Achando que viram a Luz.

Mas é um visão da ficção incandescente,
Rotina imposta, escravizando a sua mente.