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Entre manhãs de café forte e noites de vinho barato

Nós já nascemos perdidos
Buscando por algum sentido
E sozinhos, nos iludimos
Nos alimentando de espinhos

Preferimos as belezas, as cores e perfumes
Paramos pra ouvir os outros e não nos ouvimos
Aumentamos o volume e como de costume
Não fazemos como planejado, apenas seguimos

Quantas vezes eu já quis ir e fiquei sentado
Quantas vezes eu não estava naquele mesmo lugar
Quantas vezes observei e só fiquei parado
Quantas vezes em prantos, eu sorri ao me mascarar

Muitas vezes tenho vontade de fugir
Mas me lembro que a vida real não é só fracasso
Muitas vezes tenho vontade de sumir
Mas me lembro que sou o palhaço e não o mágico

Muitas vezes eu não consigo dizer nada
Querendo explodir palavras pendentes
Muitas vezes eu disse que não ia mudar
Mas hoje eu sou totalmente diferente

Entre manhãs de café forte e noites de vinho barato
Cá estou, tentando entender pra que tantos horários
Postagens recentes

Inóspito Hospício

Ir ou ficar, ser ou estar
Se sentir, se sentar, ao ceder ou sedar
Sem ter, tentar e testar
Ao falar ou calar, cumular ou acumular

O lar de meus demônios
De meus sinônimos e antôninos
Premunição ao contorno
E só sabemos quem nós somos

Filhos bastardos de deuses pagãos
Com cicatrizes feitas de desenho
Criaturas, caricaturas da escuridão
Ouvimos melhor, apenas vemos

É, mas cada um, com o seu único sorriso
Na voz perdida em trilhos
Onde se arranca suspiro de poucos brilhos
Barulho infernal de atritos

Minha mente sangra
E coloco as minhas mãos nos ouvidos
Minha milonga tanga
Com guitarras turbulentas sem sentido

Não uso mais a desculpa de que o inferno são os outros
Pois nunca foram, sempre fui eu o meu próprio monstro

Serena (parte 2)

O mundo inteiro sumiu
E o meu olhar despiu sua alma dócil
Não me lembro de quando se despediu

Mas sei que as correntezas do rio
Nos redirecionaram em assobio
Sem pássaros, arrepio sem frio

Foste o desafio mais gentil
Que o Universo me presenteou fora do covil
Longe de tudo que fugiu e perto de tudo que partiu

Alimentados pelo sonho que nos uniu
Mistificamos constelações que juntos, nenhum de nós viu
Mas essa noite logo irá chegar e serão mais de mil...

Hipnos

Recebemos o sono para sonhar
Ter pesadelos ou descansar
Percebemos que o erro é linear
Nada perfeito e sim circular

O corpo que não se movimenta
A mente superada lamenta
O espírito que voa, então venta
A visão turva experimenta

A Luz de uma simples prece
E sua fé, que não desaparece

Chamaleão

Me irrita o ato de quem observa o esboço
E critica meus rabiscos
Não é só por o lápis no papel e está pronto
É muito mais que isso!

Não dá pra obter resultados diferentes
Quando você faz tudo igual
É loucura, frase de Eistein e sua mente
Não nas paredes do hospital

Poucos vão entender todas as sua referencias
Só aqueles que convivem contigo
Eles comercializam nomes por sua existência
E colocam a resistência em perigo

É, são as ciências anti-sociais
Às vezes sinto a falta de chamar alguém de lar
São as crenças, somos banais
Há laços sem nós ou só cordas pra se enforcar

Mas aí, eu vou ou você vem morar aqui?
Quero cordas novas pra tocar
Ou quem de nós será o primeiro a partir?
Quero guerras novas pra focar

Espera, nem sombreei os pés na areia
Espera, nem pintei o céu de Lua cheia

Apólogos de um Vagamundo

Não sou telepata
Não entendo a mente humana
Muito menos a minha

Não sou acrobata
Não me equilibro muito bem
Muito menos na guia

Não uso gravata
Não me arrumo muito pra sair
E tenho péssima caligrafia

E eu não sou entusiasta
Nem pirata ou cineasta condecorado
Sou soldado de tropa vencida

Espero que algum dia Zeus jogue o seu trovão
Acerte meu peito refletindo em meus braços abertos
Que meus olhos brilhem mais do que escuridão
De sorriso maquiavélico, que possa ser mais honesto

Um sarcasmo de Fausto, apócrifos e sintéticos
Enganando Deus e o Demônio em formato poético
Em meio à escravidão mental do que é patético
Me sinto cético, mas me prendo à mitos exotéricos

Jogo as lascas, jogo os fardos
Garimpo relíquias de brechó ou bazar
Jogo as cartas, jogos os dardos
Lanço a sorte e não quero receber azar

Dei-me-ti (seu calor)

Estrela com olhar de constelação
Diga que será minha liberdade
Supere e se infinite de proporção
Diga que se fará de intensidade

E penteie minha barba com as suas mãos
Diga-me maldades com suavidades
Com carinho o pescoço cheio de arranhão
Diga-me verdades com habilidades

Na delicadeza de um sopro aos ouvidos
E eu tenho me referido ao seu gemido
Coração deferido de dois desconhecidos
Ao bom som, sou mais um destemido

Mas não arrependido de aventuras e da busca
Hostil, sombrio e aberto ao arrepio
Incógnita, das esculturas barrocas ou robustas
Suas poesias preenchem meu vazio

Estado civil, febril
As janelas se fecham e param de ventar
O frio se foi, tardio
Mas dizem que nunca é tarde pra tentar

De tanta ansiedade
Voamos tão longe para tocarmos o Universo
Mas tranquilidade
Eu não vou deixar o nosso tesouro submerso