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Planar

Por que tens medo de ser você
De explodir ou ser livre?
Por que tens medo de aparecer
De destruir e reconstruir?

Creio que somos gotas d'água
Que chovemos em lagoas e córregos estreitos
Algum dia chegaremos ao mar
Depois de tanto trovejar em ondas, satisfeitos

Não perca tempo sendo uma imagem
Estamos aqui só de passagem
Não perca tempo sendo a mensagem
Estamos aqui só de paisagem

E é o quadro que tem que nos imitar
Não podemos nos abalar ou nos intimidar
Somos o sangue e não tinta a retratar
Estamos sempre a renascer e a ressuscitar

Somos deuses de nós mesmo
Com poderes restritos a apenas uma órbita
Somos a ordem e o seu peso
Com um comando em serenidade e cólera

Somos a inconstância dos acontecimentos
No voo livre de um pássaro
Menores do que a vastidão do firmamento
O pouso livre de um pássaro
Postagens recentes

Vozes

Não venha me dizer que foi em vão Não venha me dizer que perdeu seu tempo Não venha me dizer que tudo acabou Que foram tudo, suas loucuras de momento
Não venha me dizer que perdeu sua fé Que ninguém dá valor ao que nós fazemos Não venha me dizer que seguirá a maré Que não tem mais forças pra usar os remos
Não venha me dizer que está tudo uma bosta Que nada se movimenta e que não recebe mais proposta Se onde você vai, você encosta, você se esgota Que não sabe mais a resposta, que seu Deus não mostra
Não cansa de culpar o Universo por seus passos Por seus lapsos e seus colapsos? Não cansa de culpar o Universo por seus traços Por seus cadarços desamarrados?
Falsas histórias retas em linhas tortas Se não abre sua mente, como quer que se abram portas? E se a cada missão dada, você aborta Não se preocupa e acha mesmo que alguém se importa?
Anotei cada voz em minha mente E me desprendi dessas correntes...

Palingenesis

Estamos tão distantes de nós
E os olhares distantes nos fazem lembrar
Do brilho, das cores em trovas
De um sorriso tão religioso a se parabolar

Nosso Universo gira em torno de saudades
Daquilo que ainda não tivemos
Nossos castelos desmoronam nas vontades
Em tudo aquilo que queremos

Somos a história do que não aconteceu, mas sobreviveu
Fantasiamos momentos de paz
E guerreamos onde o destino nos deixou e nos esqueceu
Fantasiamos momentos demais

Toda distancia é mental
Nem todo encontro é acidental
Toda crença é elemental
Nem toda história é descomunal

Mas são todas por si só, especiais
E as nossas por si só são espaciais

Será que toda poesia que nasce tem o seu próprio signo?
E que o karma é de fato purgatório em vida, retorno?
Será que todo acerto e tropeço tem haver com o destino?
Porém, ainda peço que adeus nos traga algo de novo!

Graças e Garças

Remendos na pele
Meus planos à luz de velas
Chinelos e meias
A porta da geladeira aberta

Minutos automáticos
Nada passa em minha mente
Recobro a consciência
E me pergunto inteiramente

Flutuo ao futuramente
Ao som de várias vertentes
Que mudam de repente
Que passam aleatoriamente

E que só de atravessar portas
Eu já me esqueço de novo o que iria fazer
E tento buscar nas memórias
Tão recentes, tão latentes desse anoitecer

Eram planos e poesias que eu não anotei
E eu imagino que elas voam para outro escrever
Foram partes de um dom que não segurei
E eu imagino que elas voam para outro acontecer

Não eram minhas...

Anacronismo Sonoro (E se...)

Para uns de nós
A música tem que vir com um sentimento
Mas para outros
Ela precisa ser apenas um hit do momento

Enfim, independente daquilo que você espera dela
Que assim seja, que ela te traga
Pois somos muito viciados na brisa que vem bela
Que nos embarca, nos embriaga

Fico triste pelo artista que vendeu sua alma e dom
Que faz qualquer coisa por dinheiro, qualquer som

Mas assim, bom mesmo é cantar pra Lua
Improvisando na cultura que se cultua
Com só os verdadeiros, originais nas ruas
Sem precisar ver se já passou das duas

Quero conhecer um novo Seixas ou um novo Cazuza
Que nos mostre as loucuras que vêm da música
Que nos diz mentiras sinceras ou tem medo da chuva
Que nos deixa perplexos e com a mente confusa

Já estou cansado de tanta música igual e repetitiva
Que toca em todas as rádio chicletes de minha vila

É pedir demais
Um novo samba de Cartola?
É pedir demais
Um novo Adoniran Barbosa?

E se isso, e se aquilo... Só nós podemos mudar tudo isso!

Idealismo Ingenuo

Uma intenção que vale
Sua tulipa de origami O perfume que se inale Seu mel, meu enxame
Sou aquele olhar aflito No tempo que para Junto ao peito descrito Sua franja, sua tiara
Somos muito de pouca conversa Platônicos de toda uma vida dispersa Somos aqui, a atmosfera reversa No caos, na gravidade e na promessa
Planos malucos de quem desenha Não escolhe suas cores Deixa fluir em toda a sua resenha Mas de poucos amores
Sou o Hoje cheio de passado No quarto calculo Olhar da noite, céu estrelado Silencio, vocábulo
Ainda somos muito de pouca conversa (...)

Estamos em Obras

Nós estamos em obras
Em meio a chuvas de veneno de cobra
Por hora, colhendo sobras
Mas plantando sorriso pra ver se dobra

Ver se multiplica e assim não se limita
Ver se infinita conforme se conjuga, se verbaliza
Ver a quem irrita e de quem o olho brilha
Ver o abrir dos braços enquanto a briza revitaliza

Nós estamos em construção, em edificação
Enraizando pilares, na sintaxe de galhos, frutos e ambição
Erguendo tijolos, colocando piso e iluminação
Capitulando e recapitulando, suando para ficar tranquilão

Somos essas máquinas de trabalhar e lutar para poder descansar
Mas ninguém tira o nosso sonhar, pois o que nos move é realizar